segunda-feira, 3 de abril de 2017

Assédio moral.

As relações humanas integram várias dimensões. Seres humanos são ambivalentes por natureza e esta é uma das melhores características da espécie. Somos únicos e diferentes. Diversos. Plurais. Daí o nosso dom para a comunicação. Na palavra e no diálogo descobrimos o outro. Reconhecemos no outro nossas próprias limitações e nessa troca de opiniões e pontos de vista construimos as pontes para as relações humanas.

Nas empresas então o diálogo é necessário, sempre! Os negócios precisam de um rumo definido, uma direção a ser seguida. Sua missão e aspiração precisam ser explicadas, compartilhadas e vivenciadas pelas equipes. Não podem ser ambivalentes, pois o foco em resultados é a premissa para o sucesso e os resultados não têm sido fáceis de serem alcançados.

Mas, como as organizações são feitas por pessoas, por mais racionais, concretas e objetivas que desejem ser, o fator humano é um implacável diferencial. Com suas emoções inexplicáveis e seus comportamentos pouco lógicos, lideranças e chefias nem sempre são transparentes ou mesmo...confiáveis.

Não é de hoje que o assédio moral existe, mas é recente a abordagem e a pesquisa sobre o tema, tão presente nas empresas públicas ou privadas, em ONGs, nos gabinetes governamentais.

E qual a relação entre comunicação e assédio moral? Todas possíveis! Uma vez que a sustentabilidade das relações internas de uma organização depende da qualidade de sua comunicação. Da qualidade das interações, das trocas entre lideranças e equipes. Onde não há respeito, não há comunicação, não há troca.

O assédio moral tem sua forma comunicativa. 
Chamamos de comunicação perversa (ou psicopata?). Como não é só a palavra que comunica, na convivência diária entre as pessoas, o assédio moral tem comunicações não-verbais tão poderosas quanto palavras malditas: silêncios, olhares de desprezo, de desconfiança, ironias, piadinhas.

Neste verdadeiro abuso de poder, chefes autoritários podem escolher dois caminhos ou misturar dois estilos anti sociais: as "broncas" declaradas e intempestivas, públicas e notórias ou as pequenas ameaças veladas, escamoteadas por um sorriso irônico, pelas perguntas confusas (que não querem resposta alguma pois não foram feitas para serem respondidas)e pelo uso de terceiros para enviar mensagens distorcidas ou pelo próprio silêncio. E com a desculpa de manter a empresa competitiva, tudo parece ser permitido: exigências em excesso, sobrecarga de tarefas, horários prolongados, urgências sem critérios, tensão e estresse. E como nada é explicado - tudo fica subentendido, restando a insegurança psicológica como a única certeza.

Outra característica do assédio moral é a falta da conversa direta. De transparência. De feedback constante. Quando o chefe evita o diálogo, não "dá ouvidos" ao outro, insinua dúvidas ou mesmo não diz nada que possa esclarecer quais são os próximos passos, ele desqualifica a pessoa. Num processo lento, a pessoa torna-se um objeto e objetos são como as coisas, descartáveis. Simples assim.

Ignorar o outro, seu olhar, sua voz, sua presença é uma forma de impedir o diálogo e por consequência, a solução de conflitos, o entendimento das opiniões contrárias, o esforço pela harmonia no local do trabalho e pelo bom clima de colaboração, engajamento, cooperação. O não reconhecimento do outro e a não escuta do outro gera uma incapacidade de resposta, de compreensão. Eis aí o fruto podre do assédio. A relação insustentável!
Neste ambiente doentio, a comunicação perversa faz sua vítima: o funcionário torna-se o bode expiatório perfeito. Inseguro emocionalmente, sem base de apoio, com seu rendimento profissional abalado, ele é o condenado que vai fornecer a justificativa matemática para a sua demissão.
Mas, que ninguém fique triste, pois assim caminha a humanidade. Enquanto muitas empresas ainda estão perdidas no jogo dissimulado e perverso das chefias maquiavélicas, outras organizações, mais evoluídas, estão trabalhando com real interesse para eliminar o assédio moral. Canais de Ouvidoria, eleição de Ombudsman, programas de comunicação face-a-face, blog da Presidência entre outras soluções têm sido algumas das práticas adotadas. 
Pelo bem das empresas, pelo bem das equipes. Pela saúde e pela auto estima das pessoas diante dos jogos neuróticos de poder dentro das instituições.

sábado, 25 de março de 2017

Curso: Comunicação Interna como Ferramenta de Gestão.


A Comunicação Interna sempre enfrentou barreiras dentro das empresas. Sua eficácia e eficiência sempre dependeram da maturidade das lideranças, da compreensão do papel do gestor enquanto um comunicador e ainda da própria cultural organizacional, bem como de recursos e mão de obra qualificada.

No atual cenário de crise econômica, fusões e aquisições e alto desemprego, as pressões aumentaram e estão impactando os times de trabalho. Neste cenário, a comunicação com os empregados precisa fazer fluir as mensagens administrativas e as informações operacionais, sabendo também esclarecer as pessoas sobre os rumos da empresa e amenizar as angústias de um clima de trabalho envolto em incertezas permanentes. Saber identificar os temas relevantes e prioritários, reduzir a chamada rádio corredor e apoiar as pessoas torna-se o grande desafio neste momento.

Dia 05 de abril venha participar desse curso, no Rio de Janeiro, na ESPM Rio! 

Saiba mais  com a ABERJE. #ComunicacaoInterna #RH #Gestão #ComunicacaoComEmpregados #ESPM #ABERJE


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

#Oscar2017 e a crise.


Crise de imagem...literalmente! Na festa anual de premiação do #Oscar2017 uma gafe histórica com o anúncio errado do filme vencedor trouxe o assunto pra das redes sociais e espanto dos convidados presentes, telespectadores e dos cinéfilos do mundo. O pedido de desculpas da PWC (retirado do Twitter) está abaixo. Será que resolve?



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Empresas são organismos vivos.


As empresas são organismos vivos, redes biológicas feitas por cada pessoa que dá vida à organização na qual trabalha. Olhar a empresa como um sistema vivo permite a percepção de vínculos entre o racional e o emocional, a flexibilidade e a evolução, a capacidade de inovação contagiante e o desejo de crescer, multiplicar, progredir. Quero pontuar aqui a saúde da empresa como reflexo da saúde de cada empregado e como isso afeta a organização, um sistema de múltiplas conexões. Compreender e administrar a empresa e a sua marca como um único elemento repleto de vidas que se energizam, gera um entusiasmo nas pessoas que ali trabalham e se encontram, trocam, conversam e produzem de forma saudável ou doentia muitas vezes parece algo inexplicável. Mas é fato visível no chamado  brilho no olhar das pessoas e sentido em diferentes momentos de diferentes organizações.

Somos humanos. Somos?

As nossas ações, atitudes, pensamentos, exemplos e conversas influenciam o ambiente de trabalho.Eu mesmo já vivenciei momentos em diferentes empresas nas quais eu trabalhei cuja energia vital era positiva pois refletiam o desejo de se fazer uma organização capaz de cuidar dos negócios e também das pessoas. Lembro da CSN, sob gestão de Maria Silvia Bastos Marques e uma comunicação interna que foi referência no segmento, colocando os empregados como protagonistas e buscando a permanente conscientização dos gestores para o lado humano de uma mega siderúrgica. Lembro do primeiro projeto de relato da sustentabilidade na Vale, sob comando de Roger Agnelli, traduzindo em processos um compromisso de respeito à vida que naquele momento foi referência na mineração mundial. Mas não são só as boas lembranças, pois tenho conhecido outras empresas cujas vibração e o astral são reflexos de uma administração cujo foco está no bom relacionamento, na saúde, na vitalidade e na energia das pessoas. A marca Beleza Natural é uma delas, basta entrar na fábrica, conversar com as colaboradoras. A Reserva, na área de moda, me parece outro bom exemplo desse ritmo e dessa percepção maior, conjunta das conexões e da energia vital que o ser-humano é capaz é de gerar.



Organizações não são como uma grande geladeira cheias de latinhas de de cerveja.

Pensar a empresa, seja ela de controle estatal ou surgida a partir da livre iniciativa, não deve ser tarefa para quem enxerga as coisas somente através de uma lógica mecanicista. Organizações humanas não são como um relógio ou um fotocopiadora, nem tampouco como uma grande geladeira cheia de latas de cerveja ou cheia de matrículas que se alinham numa planilha de Excell.  Também não é um amontoado de cabides de emprego.

Algumas empresas, em certos momentos de sua existência, florescem com base nessa biologia empresarial dinâmica e não como um agregado de recursos humanos e matérias primas. Ao perceberem essa diferença entre coisas, gente e significados, entre pessoas e head count ganham muito mais sentido num tempo no qual o planeta nos desafia com suas mudanças climáticas e o ambiente não suporta mais ser tratado como uma grande lixeira, um imenso depósito de resíduos, sobras e desperdícios.

Enxergue as pessoas como...pessoas!

O problema é que se você só enxerga a empresa como uma máquina, não vai ter tempo nem espaço para o sorriso, o fígado, nem para o coração (será que é por isso que muito executivo morre infartado?) ou para os afetos - como somos afetados em nossos relacionamentos diários. Muito menos para o espírito! Mas esse já é outro patamar de consciência organizacional.

Portanto, pergunta válida para a sua próxima reunião sobre clima de trabalho, great place to work e comunicação interna enquanto ferramenta de gestão de pessoas: como vai a saúde dos seus funcionários? Há espaço para se falar nisso? Ou essa reunião já começou contaminada?