Essa pergunta me veio à cabeça depois após minha palestra no Congresso da UDOP, em Araçatuba. Uma das perguntas que surgiram na sala era como a comunicação interna poderia gerar resultados práticos para o negócio. Reverti a questão retornando com outra pergunta: se não existisse comunicação existiria o próprio negócio?
Entendo que a exigência é cada vez maior para mensurar o ROI da comunicação interna. Mas quando um time está realmente jogando para ganhar(seja no vôlei, no basquete ou no futuebol por exemplo) em sintonia, integrado, em conjunto e a gente percebe a vibração e o entuisiasmo no rosto dos atletas, isso não é a comunicação no seu ápice?
A pergunta, não deveria ser então: como trazer este espírito para dentro da organização? Para dentro da empresa, da repartição pública? Porque é muito neurótico trabalharmos mais de oito, nove, dez horas por dia ficando no escritório mais tempo do que na nossa própria casa vivenciando um ambiente onde a comunicação interna é difícl, é cheia de barreiras, não é mesmo?
Como ficamos sem um técnico a nos motivar, dar os direcionadores, explicar a estratégia ali no face a face, ao lado do campo? Como ficamo sem um capitão, um líder na quadra? Como ficamos sem o compartilhar das próximas jogadas entre nossos colegas do time? E por fim, como ficamos sem o entusiasmo necessário para diante de um placar em desvantagem, reverter o jogo e vencer?
Portanto, dá para se mensurar o bem maior que a comunicação pode gerar que é o entusiasmo, a vibração, o desejo de realizar? E entusiasmo não se verifica em tabela de Excell, não aparece nem em pesquisa quatitativa. Porque é como uma "paixão". Dá pra mensurar uma paixão? Talvez muitas empresas não permitam falar de paixão no seu dia dia, por entender que negócio não rima com paixão. Mas, ao contrário, é a emoção o maior motor de um negócio. Ser apaixonado pelo que se faz - é muito mais do que um slogan publicitário, podem acreditar.
E sem comunicação interna atuante, transparente, confiável, sistematizada, estratégica e, de preferência, face a face, não há caminho racional para despertar corações e mentes para a paixão. Para fazer gerar a energia coletiva que faz de um time de profissionais uma equipe vitoriosa, ou apenas mais um bando de gente aguardando o contra-cheque no final do mês.
Comunicação é o combustível da paixão pelo fazer, pelo realizar, pelo transformar. E quanto combustível você vai usar para acender este espírito vencedor dentro da organização é uma questão tão fundamental que deveria ser olhada com cuidado pelo técnico maior: o próprio CEO.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Comunicação estratégica just in time?
É um título curioso o da palestra que vai rolar na USP e é organizado pela Agência de Comunicações ECA Jr.
Pelo release que recebi, o encontro tem como objetivo abordar a importância das novas tecnologias no ambiente da comunicação e de como elas podem, juntas, auxiliar os negócios. O "just in time" me passa uma comunicação que virou pãozinho fresco de padaria, saindo a toda hora: quentinho e ao gosto do freguês.
O evento, gratuito, será realizado dia 23 de novembro a partir das 19:30h, na USP.
Pelo release que recebi, o encontro tem como objetivo abordar a importância das novas tecnologias no ambiente da comunicação e de como elas podem, juntas, auxiliar os negócios. O "just in time" me passa uma comunicação que virou pãozinho fresco de padaria, saindo a toda hora: quentinho e ao gosto do freguês.
O evento, gratuito, será realizado dia 23 de novembro a partir das 19:30h, na USP.
Ideias Noturnas.
Bom, para os amigos (as) de BH, segue uma dica de livro: "Ideias Noturnas" de Eduardo Sabino que, assim como eu, é colunista na PLURALE (www.plurale.com.br).
O lançamento, com tarde de autógrafos, acontece na Livraria Leitura BH Shopping às 12:30h do dia 28 de novembro.
O lançamento, com tarde de autógrafos, acontece na Livraria Leitura BH Shopping às 12:30h do dia 28 de novembro.
domingo, 15 de novembro de 2009
Comunicação, marca e sustentabilidade.
Nesta terça-feira começa o Congresso Nacional de Bioenergia da UDOP (http://www.udop.com.br) em Araçatuba, SP. Um dos temas é comunicação e sustentabilidade. Fui convidado para falar sobre a "Comunicação como Ferramenta para atrelar a Identidade Corporativa à Sustentabilidade".
Eu poderia ter proposto a mudança no título mas o mantive de propósito, pois é interessante ver as percepções sobre o papel da comunicação na sustentabilidade. E estimular reflexões.
Ainda há um risco enorme de que as mudanças de gestão necessárias para um novo modelo de negócios sustentáveis não ocorram e que a comunicação faça apenas um bonito discurso, uma bela propaganda, sem qualquer conteúdo. Como uma embalagem sedutora por fora, mas que seja vazia por dentro, refletindo um exemplo de "green washing" (para usar um termo da moda).
Então, quando a comunicação poderá realmente ser uma ferramenta para atrelar a identidade corporativa à sustentabilidade?
Que tal fazer um exercício de múltipla escolha?
( ) Quando a comunicação refletir total coerência entre discurso e prática, gerando confiança na comunicação e credibilidade da marca;
( ) Quando as pessoas não forem mais consideradas como máquinas, recursos, “mão de obra” mas como principal motivo – razão social – das empresas;
( ) Quando a visão de longo prazo conseguir influenciar a gestão nos impactos econômicos, sociais e ambientais;
( ) Quando a comunicação construir relacionamentos entre diferentes públicos de interesse de maneira transparente, estimulando o aprendizado em comum;
( ) Quando a organização tiver maturidade suficiente para encarar essas questões;
( ) Todas as alternativas acima.
Eu poderia ter proposto a mudança no título mas o mantive de propósito, pois é interessante ver as percepções sobre o papel da comunicação na sustentabilidade. E estimular reflexões.
Ainda há um risco enorme de que as mudanças de gestão necessárias para um novo modelo de negócios sustentáveis não ocorram e que a comunicação faça apenas um bonito discurso, uma bela propaganda, sem qualquer conteúdo. Como uma embalagem sedutora por fora, mas que seja vazia por dentro, refletindo um exemplo de "green washing" (para usar um termo da moda).
Então, quando a comunicação poderá realmente ser uma ferramenta para atrelar a identidade corporativa à sustentabilidade?
Que tal fazer um exercício de múltipla escolha?
( ) Quando a comunicação refletir total coerência entre discurso e prática, gerando confiança na comunicação e credibilidade da marca;
( ) Quando as pessoas não forem mais consideradas como máquinas, recursos, “mão de obra” mas como principal motivo – razão social – das empresas;
( ) Quando a visão de longo prazo conseguir influenciar a gestão nos impactos econômicos, sociais e ambientais;
( ) Quando a comunicação construir relacionamentos entre diferentes públicos de interesse de maneira transparente, estimulando o aprendizado em comum;
( ) Quando a organização tiver maturidade suficiente para encarar essas questões;
( ) Todas as alternativas acima.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Uma rádio que ainda não saiu de moda, só de sintonia...
A rádio-peão ou rádio corredor é uma “conversa de bastidores” que corre em ondas distorcidas dentro das organizações. Trata-se de um disse me disse que causa ruído e tumultua a compreensão dos objetivos da empresa, manchando com palavras e comentários mesquinhos os valores representados na marca corporativa.
Mas essa rádio pirata não é a única culpada. Quando as pessoas não têm acesso ou possibilidade de uma comunicação interna fluida, transparente e madura, verdadeira, inovadora e voltada para o aprendizado comum, surge a fofoca. Característica humana, a conversa no cafézinho nem sempre precisa ser negativa, sarcástica, cínica. Mas ainda acontece na grande maioria das empresas que não sabem como sistematizar uma comunicação interna confiável, clara, inteligente. Permanente - que seja capaz de esclarecer as coisas e falar sobre o que é bom e o que é ruim.
Organizações que acreditam que o silêncio é a melhor estratégia, quando o assunto é comunicação interna, correm o risco de ter uma rádio corredor forte gerando informações distorcidas e boatos que comprometem até a produtividade das equipes.
Essa rede de informações que corre pelos bastidores têm impacto na qualidade das relações, atinge a confiança dos empregados diante das lideranças, conspira para criar um ambiente de trabalho neurótico de alta ansiedade e muitos receios.
Solução existe. Começar a falar e deixar o diálogo face a face entrar na moda nas passarelas, digo, nos corredores da empresa. Depois é evoluir e permitir que a sintonia fina da credibilidade ajude a formar não um exército de empregados fofoqueiros mas sim, uma elite interna de "embaixadores da marca".
Mas essa rádio pirata não é a única culpada. Quando as pessoas não têm acesso ou possibilidade de uma comunicação interna fluida, transparente e madura, verdadeira, inovadora e voltada para o aprendizado comum, surge a fofoca. Característica humana, a conversa no cafézinho nem sempre precisa ser negativa, sarcástica, cínica. Mas ainda acontece na grande maioria das empresas que não sabem como sistematizar uma comunicação interna confiável, clara, inteligente. Permanente - que seja capaz de esclarecer as coisas e falar sobre o que é bom e o que é ruim.
Organizações que acreditam que o silêncio é a melhor estratégia, quando o assunto é comunicação interna, correm o risco de ter uma rádio corredor forte gerando informações distorcidas e boatos que comprometem até a produtividade das equipes.
Essa rede de informações que corre pelos bastidores têm impacto na qualidade das relações, atinge a confiança dos empregados diante das lideranças, conspira para criar um ambiente de trabalho neurótico de alta ansiedade e muitos receios.
Solução existe. Começar a falar e deixar o diálogo face a face entrar na moda nas passarelas, digo, nos corredores da empresa. Depois é evoluir e permitir que a sintonia fina da credibilidade ajude a formar não um exército de empregados fofoqueiros mas sim, uma elite interna de "embaixadores da marca".
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Comunicação, marca e cultura organizacional.
Lendo "A identidade cultural na pós-modernidade" do professor inglês Stuart Hall percebo o quanto a comunicação interna se faz necessária para fortalecer os vínculos dos empregados à identidade de marca, à cultura organizacional e ao atualmente tão propalado "sentimento de pertencer".
Quando escolhemos uma empresa para trabalhar temos uma imagem de marca, uma percepção da identidade daquela organização que muitas vezes não condiz com a realidade dos corredores. Muitas vezes, isso acontece porque a comunicação interna não desempenha um de seus mais relevantes papéis: o de irrigar a idéia da marca, fazer fluir através da linguagem os seus atributos e seus diferenciais. E voltando às idéias de Stuart Hall, neste mundo onde as "identidades eram sólidas localizações, nas quais os indivíduos se encaixavam socialmente, e que hoje se encontram com fronteiras menos definidas que provocam no indivíduo uma crise de identidade" - como poderia ficar as organizações? Ora, se essa possível crise atinge os indivíduos, e empresas são feitas de gente, é claro que existe o risco de uma crise de identidade em muitas organizações.
Daí os novos projetos de branding, do "DNA" da marca e de memória empresarial - quando o passado deve ser resgatado para fortalecer mitos e histórias que fundaram a organização. Dando força e coerência aos movimentos da empresa no presente, mirando os desafios futuros. A fim de fortalecer a identidade da marca, renovando uma cultura organizacional cujos valores originais muitas vezes foram esquecidos. Seja pela rotatividade da força de trabalho, seja por uma gestão que deseja romper com significados anteriores, seja por força de uma fusão ou mesmo porque a empresa parou de se comunicar da forma como devia.
A Natura, por exemplo, na minha opinião (e eu posso estar errado) parece que reencontrou seu jeito original de ser nesta camapnha dos 40 anos, quando na voz de Luiz Seabra agradece às pessoas pelo seu aniversário. Isso tem a cara da marca Natura. Esse é o jeito Natura de ser, a própria cultura da empresa. O mesmo se deu há pouco tempo com o projeto de branding da TAM - que resgatou o compromisso dos empregados e o mito do seu herói fundador, o Comandante Rolim.
E a comunicação interna é uma espécie de bússola na orientação dos empregados diante de cenários contraditórios que empurram a empresa para diferentes direções. Através da linguagem da comunicação interna e de sua prática diária dentro da empresa, os valores que a marca representa são o ponto de apoio à uma identidade mais unificada, mais coerente e completa.
Quando escolhemos uma empresa para trabalhar temos uma imagem de marca, uma percepção da identidade daquela organização que muitas vezes não condiz com a realidade dos corredores. Muitas vezes, isso acontece porque a comunicação interna não desempenha um de seus mais relevantes papéis: o de irrigar a idéia da marca, fazer fluir através da linguagem os seus atributos e seus diferenciais. E voltando às idéias de Stuart Hall, neste mundo onde as "identidades eram sólidas localizações, nas quais os indivíduos se encaixavam socialmente, e que hoje se encontram com fronteiras menos definidas que provocam no indivíduo uma crise de identidade" - como poderia ficar as organizações? Ora, se essa possível crise atinge os indivíduos, e empresas são feitas de gente, é claro que existe o risco de uma crise de identidade em muitas organizações.
Daí os novos projetos de branding, do "DNA" da marca e de memória empresarial - quando o passado deve ser resgatado para fortalecer mitos e histórias que fundaram a organização. Dando força e coerência aos movimentos da empresa no presente, mirando os desafios futuros. A fim de fortalecer a identidade da marca, renovando uma cultura organizacional cujos valores originais muitas vezes foram esquecidos. Seja pela rotatividade da força de trabalho, seja por uma gestão que deseja romper com significados anteriores, seja por força de uma fusão ou mesmo porque a empresa parou de se comunicar da forma como devia.
A Natura, por exemplo, na minha opinião (e eu posso estar errado) parece que reencontrou seu jeito original de ser nesta camapnha dos 40 anos, quando na voz de Luiz Seabra agradece às pessoas pelo seu aniversário. Isso tem a cara da marca Natura. Esse é o jeito Natura de ser, a própria cultura da empresa. O mesmo se deu há pouco tempo com o projeto de branding da TAM - que resgatou o compromisso dos empregados e o mito do seu herói fundador, o Comandante Rolim.
E a comunicação interna é uma espécie de bússola na orientação dos empregados diante de cenários contraditórios que empurram a empresa para diferentes direções. Através da linguagem da comunicação interna e de sua prática diária dentro da empresa, os valores que a marca representa são o ponto de apoio à uma identidade mais unificada, mais coerente e completa.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Confidencial?
Impressionante a falta de cuidados com a comunicação que alguns executivos possuem. Nas reuniões com a equipe e com interlocutores externos de confiança muitas vezes escondem informações, passam comunicados fragmentados, evitam explicar situações de risco. Muitas vezes até desqualificam suas próprias equipes de comunicação.
Mas, vejam, basta seguirem pelos elevadores dos prédios onde trabalham ou entrarem nos restaurantes para o café da manhã ou o almoço (nem vou citar happy hour) para falarem dos problemas, das crises, de situações internas da empresa - sem qualquer cuidado. Sem medo de compartilhar informações com a coletividade.
Fui testemunha de dois episódios desses, daí a vontade de escrever. Há mais ou menos seis meses, após uma visita comercial desço pelo elevador e dois diretores tagarelas conversavam sobre um gravíssimo acidente de trabalho ocorrido numa unidade industrial, cuja origem foi a má manutenção das máquinas. Atrás deles um interessado sujeito prestava atenção em cada detalhe. Na sua lapela um button: Reuters - agência internacional de notícias.
Outra situação. Hoje, oito da manhã, cafézinho e pão de queijo, e dois executivos conversam na mesa ao lado: "Essa nova estrutura operacional não vai funcionar. Fulano e beltrano não se entendem e além disso tem apoios políticos diferentes, um é PSDB e outro é PT. E ano que vem a gente vai apoiar quem?"
Bom, a conversa foi além, mas só para vocês sentirem o grau de sensibilidade de um bate papo "inocente" em local público (um simples elevador e uma simples cefeteria) e que deveriam ter mais um pouco de sigilo. Mas que trazem informações que tornam-se públicas por total descuido. Ou melhor, total falta de um media trainning, de um coach com a equipe de comunicação ou mesmo de uma consultoria especializada. Concordam? É isso, aí.
Depois não acusem os jornalistas por eles saberem das últimas e irem investigar as coisas.
Mas, vejam, basta seguirem pelos elevadores dos prédios onde trabalham ou entrarem nos restaurantes para o café da manhã ou o almoço (nem vou citar happy hour) para falarem dos problemas, das crises, de situações internas da empresa - sem qualquer cuidado. Sem medo de compartilhar informações com a coletividade.
Fui testemunha de dois episódios desses, daí a vontade de escrever. Há mais ou menos seis meses, após uma visita comercial desço pelo elevador e dois diretores tagarelas conversavam sobre um gravíssimo acidente de trabalho ocorrido numa unidade industrial, cuja origem foi a má manutenção das máquinas. Atrás deles um interessado sujeito prestava atenção em cada detalhe. Na sua lapela um button: Reuters - agência internacional de notícias.
Outra situação. Hoje, oito da manhã, cafézinho e pão de queijo, e dois executivos conversam na mesa ao lado: "Essa nova estrutura operacional não vai funcionar. Fulano e beltrano não se entendem e além disso tem apoios políticos diferentes, um é PSDB e outro é PT. E ano que vem a gente vai apoiar quem?"
Bom, a conversa foi além, mas só para vocês sentirem o grau de sensibilidade de um bate papo "inocente" em local público (um simples elevador e uma simples cefeteria) e que deveriam ter mais um pouco de sigilo. Mas que trazem informações que tornam-se públicas por total descuido. Ou melhor, total falta de um media trainning, de um coach com a equipe de comunicação ou mesmo de uma consultoria especializada. Concordam? É isso, aí.
Depois não acusem os jornalistas por eles saberem das últimas e irem investigar as coisas.
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