domingo, 24 de fevereiro de 2008

Comunicação, Saúde e Segurança - 3

Como podemos ter resultados mais satisfatórios quando o assunto é Saúde e Segurança?
Para começar eu iria ouvir os grupos de CCQ da empresa.

Os Círculos de Controle de Qualidade surgiram no Japão, após a Segunda Guerra Mundial. No Brasil tiveram um crescimento na década de 70. Não são novidade - mas através deles, as empresas podem resolver muitas questões ligadas à saúde, segurança, meio ambiente, processos operacionais, produtividade.

Algumas empresas ainda possuem estes grupos que se reúnem de forma voluntária e se organizam em até sete profissionais, no máximo. São pessoas que convivem, na linha de frente, todo dia, com os maiores riscos de acidentes. E elas são as melhores cabeças para pensar na solução dos problemas de segurança. Por isso, é preciso ir até lá conversar, ouvir, se aproximar e entender as diferentes realidades.

Campanhas de segurança decretadas pelos escritórios administrativos, de cima para baixo, podem não ter seus resultados atingidos se estes profissionais não forem consultados.
Dá trabalho, requer tempo, análise, mas é assim que eu começaria um processo para prevenir acidentes, mudar hábitos e incentivar novas soluções para a questão. E a comunicação é a primeira equipe que deve ir até lá falar com as pessoas, na base, nos locais de trabalho, antes de contratar uma agência e criar peças bonitas que não vão funcionar.

Sua empresa não possui CCQ? Tudo bem. Que tal incentivar a criação de um "CCSS"? Círculos de Controle em Saúde e Segurança? Ahn, você já tem a CIPA? Mas são direferntes. Um CCSS não teria conexão com as obrigações trabalhistas, seria um estímulo à inovação, à solução de riscos comuns onde os próprios empregados tomariam decisões em conjunto. E, é claro, teriam um reconhcimento oficial pela empresa - talvez uma premiação.

Tudo isso requer muita comunicação envolvida - aliás comunicar e conversar sobre o tema já é um ótimo começo. Porque criar uma situação mandatória, onde o medo de errar acabe por tornar o ambiente uma "caça às bruxas" vai surtir o efeito oposto. Profissionais ansiosos, amendrontados com o risco de serem demitidos ficam mais preocupados em esconder situações de risco do que em resolvê-las.

E com saúde e segurança não dá para fingir que estamos seguindo o manual. Ou estamos "vivenciando" pra valer as regras e orientações ou estamos fantasiados de robôs.
Quando o assunto mexe com comportamento humano, é preciso ir além e entender que só a racionalidade e a objetividade não dão conta da questão. É importante também descobrir a influência do inconsciente humano no dia-a-dia das organizações.

Bom tema para um próximo post.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Comunicação, Saúde e Segurança - 2

Fico impressionado com campanhas internas de comunicação que tratam do tema saúde e segurança através de apelos infantilizados. Explico: não acredito que a abordagem de um assunto tão sério através do uso de desenhos, quadrinhos, super heróis - de maneira primária, pode produzir o resultado desejado.

Sei que nesta questão tudo é válido. O importante é fazer alguma coisa, mas tenho certeza que os profissionais de comunicação podem contribuir muito mais para as empresas se apresentarem outras alternativas possíveis.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Comunicação, Saúde e Segurança.


Não sabemos conversar sobre a morte. O universo corporativo gira em torno de palavras e discursos que consagram a determinação, a coragem, a certeza e a competência dos profissionais numa espiral contínua em busca da vitória, da conquista de novas metas e desafios. Dessa forma, quando acidentes acontecem são poucas as organizações que sabem falar sobre o tema. Principalmente quando pessoas morrem.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, entre 1971 e 2000 (30 anos)
morreram, no Brasil, mais de 120 mil pessoas, e outras 300 mil ficaram inválidas, todas vítimas dos mais de 30 milhões de acidentes de trabalho registrados no período. Estes são dados oficiais - podemos imaginar um acréscimo nestes números com a parte dos empregos informais e adicionar ainda as vítimas dos acidentes de trânsito - outra calamidade nacional.

É neste cenário que compartilho a pergunta: como a comunicação pode (e deve) trabalhar a questão da perda, da morte, dentro das empresas? Como abordar o tema da prevenção dos acidentes, da qualidade de vida e trabalhar uma cultura organizacional que saiba equilibrar a corrida pela competitividade e pelo crescimento com o "cuidar da vida humana"?

Ainda voltarei ao tema, pois não possuo as respostas que gostaria. Mas fica a proposta para pensarmos, afinal, estamos em tempos onde a "sustentabilidade" está na moda e a saúde e a segurança das pessoas é premissa para quem quer ser realmente sustentável.



domingo, 10 de fevereiro de 2008

Comunicação face a face 5


Algumas pessoas me perguntaram como se começa um processo de comunicação face a face dentro de uma organização. Bom, as metodologias podem variar conforme os consultores e as realidades de cada negócio. O que posso sugerir é um processo inicial dividido em quatro etapas - dentro de uma proposta piloto:


  • SENSIBILIZAÇÃO - A palavra em si já representa uma quebra de paradigma para algumas empresas. Quem precisa "sensibilizar" os executivos? Os líderes? Bom, se a comunicação face a face não está fluindo como devia é sinal que a parte emocional das pessoas não está equilibrada. A etapa da sensibilização trataria então das barreiras emocionais da comunicação intrapessoal (se eu não entendo minhas reações não poderei entender as dos outros) e da comunicação interpessoal;

  • VIVÊNCIA E PRÁTICA - Depois de entender as reações emocionais e psicológicas e as barreiras que podem derivar delas, partimos para uma prática de vivência em comunicação face a face. Esta fase da implantação pode ser montada com jogos interativos, simulação de episódios cotidianos nas organizações, encenações e muita, muita discussão em grupo - grupos de diferentes níveis hieráquicos (mais uma quebra de paradigma);

  • CONSTRUÇÃO DO CALENDÁRIO DE REUNIÕES - O encontro entre as pessoas deverá ser estimulado constantemente - pois a tendência é que as pressões do cotidiano não permitam que as equipes tenham tempo para se encontrar e se falar. Ou seja, é preciso montar um calendário de reuniões entre as pessoas da organização, em seus diferentes níveis de hierarquia. Mas é importante ter foco. Quais os objetivos de cada encontro? Quais as ferramentas de comunicação que vão apoiar e estimular o processo? Como garantir a presença das pessoas? Os líderes estão comprometidos?

  • MENSURAÇÃO - Como qualquer ação de comunicação, os encontros e as atividades devem ter constante feedback das próprias pessoas participantes. A prova de fogo é a Pesquisa de Clima - que deverá apontar as melhorias no ambiente de trabalho oriundas do movimento. Uma Pesquisa de Comunicação Interna e em algumas organizações, a Negociação do Acordo Coletivo também medem os resultados do processo.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Comunicação face a face 4

Completando este conjunto de posts sobre a comunicação face a face nas organizações. No dia 3 de fevereiro, o jornal O Globo publicou uma matéria sobre o uso da terapia e do acompanhamento psicológico para melhorar o relacionamento interpessoal - leia-se: a comunicação, a conversa entre as pessoas.

Dizia o texto, entre outras passagens: "A falta de cuidados com o relacionamento interpessoal pode provocar rancores, mágoas, boicotes, brigas, explosões de raiva e até, separações - o que prejudica o andamento dos negócios e a prosperidade da empresa."

A falta de conversa, de entendimento e de relações sadias, onde as "emoções" (exato, as emoções - tantas vezes fora das complexas engrenagens racionais dos negócios) não são levadas em conta podem prejudicar o ambiente de trabalho. Podem criar barreiras e prejudicar a integração das equipes, a superação de desafios e o atingimento de metas. Voltando ao texto supracitado: "Tantos problemas (podem surgir) que se criam bloqueios. Ou seja, ninguém consegue ouvir o que o outro está dizendo".

Completo a nota de hoje com outro frase, desta vez do escritor norte-americano Ralph Waldo Emerson: “Ser compreendido é um luxo”.