domingo, 23 de março de 2008

Vocabulário corporativo.


"Nos comunicamos mal o tempo todo. As empresas repetem frases, idéias que subsistem por décadas, sem perceber que é na forma de pensar, que se espalha como água pela organização, que se constrói o resultado."


Reli agora um artigo de Nádia Rebouças, escrito em 1998, quando ainda estava trabalhando na Z+G Grey no Rio de Janeiro. A frase acima me fez refletir sobre a importância da comunicação como canal para a "mudança", palavra que é um verdadeiro fetiche no meio empresarial.


Outras palavras também proliferam dentro das organizações e são como uma praga. Nada dizem, nada explicam - mas acabam sendo repetidas por todos. Não resisti e selecionei 03 que merecem destaque:


  • SINERGIA - esta é campeã, aparece em todas as reuniões;

  • PARADIGMA - outra constante nos discursos e nos informativos;

  • INTEGRADO - mais uma (e quanto mais ela é repetida, geralmente menos integração se encontra. Principalmente quando se trata de "comunicação integrada", admito)

Saber falar e ter uma linguagem própria, sem copiar o que o mercado aceita como referência é dar uma personalidade única à organização. Um projeto de branding geralmente resgata o vocabulário original da empresa, o "tom de voz" verdadeiro que diferencia aquela empresa de outra.


Para quem quiser dar boas risadas, o livro: "Por que as Pessoas de Negócios Falam como Idiotas" dos consultores consultores americanos Brian Fugere, Chelsea Hardaway e Jon Warshawsky traz outros exemplos de tagarelices corporativas que não dizem nada e não empolgam ninguém.


2 comentários:

Rosana disse...

Curioso observar como as palavras e expressões se proliferam nesse universo corporativo. Por vezes, os termos são replicados e aplicados sem conhecimento do seu significado.

Luiz Antônio Gaulia disse...

Rosana, obrigado pelo seu post.
Ao repetirmos palavras que não nos traduzem qualquer significado, que não nos comunicam nada, acabamos "robotizando" as relações humanas. Esse é o maior perigo: esquecer que não somos máquinas, mas gente de carne, osso e sentimentos.
Abraço,
Gaulia