quarta-feira, 2 de abril de 2008

Comunicação para a mudança.


Hoje conversei com uma economista, amiga minha, que fez uma pós-graduação em comunicação empresarial. Falamos sobre comunicação para a mudança. Ela, trabalhando numa empresa de petróleo e eu, atualmente, trabalhando com comunicação e sustentabilidade para clientes da área de cosméticos, papel e celulose e mineração.

Mais do que relatar, a sustentabilidade exige a mudança na forma de gestão. Ou isso acontece ou nós comunicadores seremos apenas produtores de relatórios. E só produzir relatórios não é alterar a maneira de fazer negócios, mudança tão necessária para que o equilíbrio entre as dimensões financeiras, sociais e ambientais aconteçam de fato. As mudanças climáticas em curso no planeta exigem isso. Um enorme desafio para empresas, governos e cidadãos.

Mas como seria um passo a passo para se fazer a comunicação para a mudança acontecer de fato? Como ir além da produção de relatórios, de folhetos explicativos?
Ir além das matérias no “jornalzinho” da empresa?

Bom, para qualquer processo de mudança existem aspectos ao qual devemos prestar atenção antes de montarmos nossos planos e processos de comunicação. Citarei três deles, para começo de conversa (aceito opiniões diferentes e complementos pois, como já disse, quando se trata de ser-humano não há manual técnico imutável):
  • Toda mudança sempre vai parecer uma ameaça. Essa percepção faz parte da natureza humana: nós buscamos segurança, sempre. E mudar mexe no status quo, no que já é conhecido e altera hábitos e rotinas. Qual a solução? Explicar a mudança antes dela ser implantada, minimizando dúvidas muito antes da famosa “rádio corredor” realizar o estrago, com a fofoca conquistando corações e mentes e distorcendo fatos;
  • A tendência das pessoas é perceber primeiro as diferenças e ressaltar os pontos negativos. É a tal história do copo meio cheio, meio vazio. Como valorizar a parte cheia do copo? Só a liderança vai conseguir fazer isso: é o líder maior da organização que vai precisar falar (isso mesmo, falar!) sobre a mudança dentro da organização. O líder deverá esclarecer - com toda transparência, o que será bom e o que será ruim no processo de mudança. E a comunicação vai apoiar essa fala, divulgando o discurso oficial para que todos – literalmente todos dentro da organização, saibam o que vai acontecer. Canais de mão dupla serão necessários, pois as perguntas e dúvidas, opiniões e comentários, positivos ou negativos, deverão ser respondidos, aceitos e incentivados para que a mudança aconteça pra valer;

  • Em todo processo de mudança existem aliados escondidos entre os descrentes. Essa é a boa nova para a liderança e uma grande vantagem para o processo de comunicação fluir. Descobrir quem são os profissionais que podem se tornar multiplicadores de boas novas é ampliar a eficiência da comunicação para a mudança. Nada melhor do que uma opinião favorável, de um membro da própria equipe, de um mesmo nível hierárquico para “mudar o rumo da prosa”. Ou seja, esse multiplicadores podem transformar a rádio corredor em aliada! Olho neles, pois serão os primeiros a vestir a camisa da comunicação para a mudança.

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom! Adorei o texto. A tendência é essa mesmo. A mudança é algo que vem ocorrendo em muitas empresas e nós profissionais de comunicação somos ferramentas estratégicas para a transformação.

Beijos
Chris

Luiz Antônio Gaulia disse...

Somos "agentes da transformação". Soa familiar?

Anônimo disse...

Gaulia, veja uma matéria sobre o tema mudança e incerteza.
Acesse:http://veja.abril.com.br/171203/entrevista.html