sábado, 14 de junho de 2008

"Made in" ou "Made by"?

A globalização trouxe grandes transformações para indústrias, negócios, povos e...marcas. Muitas empresas já transferiram suas fábricas e operações para países asiáticos e africanos e, para buscar "mão de obra" (este termo é um horror) barata, incentivos fiscais e diminuição de custos operacionais.

Mas o impacto desse processo na garantia da qualidade da produção pode atingir a percepção de valor das marcas. Até o final do século XX, o Made in trazia o conceito de "Fabricado em" como uma qualificação da origem onde aquele produto havia sido feito. Atualmente, um novo conceito começa a fazer parte das reuniões de marketing, comunicação e estratégia. É o Made by que classifica o produto através da assinatura do seu criador. Mais uma garantia de que aquela determinada marca, apesar da possibilidade de ter sido feita em qualquer país do mundo, tem a assinatura original garantida (não vamos levar em conta neste post os piratas e suas cada vez melhores falsificações).

Na indústria da moda e das grifes de luxo a alteração já começou. A francesa Longchamps já adotou esta estratégia e o Made by Longchamp esta substituindo o Made in France. A proposta é esquecer o local de fabricação e ressaltar a assinatura da criação dos produtos. Em tempos de globalização o lugar onde a produto foi fabricado pode diminuir o valor da marca se, por exemplo, um determinado país produtor tenha trabalho escravo ou infantil.

Nenhum consumidor moderno deseja adquirir marcas caríssimas, sinônimos de status e diferenciação e descobrir, mais tarde, que a bolsa, a carteira, o tênis ou o perfume que compraram foram feitos por escravos, crianças subnutridas ou presos políticos torturados.

A questão que fica é a contradição entre a estratégia de fabricação para baixar custos destes produtos em países subdesenvolvidos ou dominados por ditaduras e, ao mesmo tempo, manter o valor de seus artigos e suas marcas. Garantir a assinatura original de um Made by traz vantagens significativas, principalmente para marcas com uma imagem de tradição, mas retirar a referência do local de origem de determinado produto pode levantar dúvidas sobre a responsabilidade social da empresa.
S e quiser saber mais sobre este tema, acesse: http://www.longchamp.com/fr/univers-longchamp-16.html

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