sexta-feira, 25 de julho de 2008

EMPRESAS.

As empresas não são máquinas.

São corpos humanos.

Máquinas têm parafusos, peças, botões de liga e desliga.

Máquinas não têm voz, apenas fazem barulho.

Máquinas não têm veias, têm circuitos.

Máquinas não têm sentimentos, apenas programação.

Corpos humanos são feitos de carne, sangue e emoção.

Corpos possuem cérebros.

E também corações, vontades, desejos, sonhos.

No corpo mora a alma.

E toda empresa tem uma alma.

Porque empresa não é galpão, usina, computador, fax, conta bancária.

Empresa é gente.

Ser - humano.

Pessoa.

E quando o corpo de uma pessoa sente dor é porque a alma está ferida.

Como curar essa ferida?

Escutando a voz interior.

Falando sobre o que aflige, o que incomoda, machuca.

A palavra é que cura.

Em doses homeopáticas, gota a gota, com cuidado na escolha.

No tom.

Com atenção, afeto.

Porque não somos máquinas, nem números, nem recursos.

Somos espíritos morando em corpos.

E nossa trajetória não é mecânica, nem possui manual de instruções.

Não cabe numa planilha.

É uma jornada de erros, acertos, aprendizados.

De encontros.

Assim, uma empresa é feita de sonhos, sentimentos, desejos, entusiasmo e alma.

Do encontro de pessoas unidas por uma razão, uma crença, uma visão de futuro.

E isso é a única coisa que realmente faz diferença, quando olhamos para as organizações.

Para as que estão mortas por dentro - porque valorizam apenas seus móveis e utensílios e deixam suas pessoas a empilhar pedras e tijolos numa rotina vazia e maçante.

E para as outras: organizações que compartilham idéias, dores, erros, acertos e vitórias, permitindo que suas pessoas façam coisas extraordinárias.

Alimentando sonhos.

Alimentando a alma.

"Mão de obra" para o "chão de fábrica"...

Deve ser altamente motivador ser reconhecido e denominado como um trabalhador do "chão de fábrica", vocês não concordam? E deve ser mais estimulante ainda ser considerado "mão de obra" que vai trabalhar no "chão de fábrica".

Estas terminologias são bastante usadas por muitos profissionais, incluindo comunicadores e diretores de recursos humanos. Já vi inclusive curso de "Comunicação para o chão de fábrica" - o que deve criar dois mundos dentro das empresas: o da administração - provavelmente o pessoal da "cobertura de fábrica" e aqueles outros...do chão de fábrica.

Integração de equipes assim fica difícil, pois a divisão já está no discurso.

Na minha avaliação, esses termos são ultrapassados e desqualificam o profissional. Mão de obra e chão de fábrica são uma dose dupla de desprestígio, convenhamos. Por isso, atenção, ao tentar classificar uma categoria profissional dentro da sua empresa, cuidado para não criar uma barreira e desqualificar as pessoas.

Todo mundo tem nome, sobrenome, profissão e responsabilidades. E sentimentos, orgulho, vaidade...ou não?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Estão falando da sua empresa...2

De onde pode surgir uma crise de imagem? Como podemos monitorar temas sensíveis que podem atingir os negócios da empresa?

Um Plano de Gerencimento de Crises demanda, antes de tudo, um trabalho integrado de diferentes times. Parece óbvio, mas na realidade poucas empresas fazem isso. Áreas como comunicação e imprensa, marketing, relações com investidores, relações governamentais, meio ambiente, saúde e segurança e planejamento estratégico são presenças obrigatórias neste tipo de projeto. Analisar cenários em conjunto deve ser uma constantemente - elegendo temas sensíveis e relevantes para os negócios, relacionados diretamente com a marca e seus atributos.

Contudo, temas "populares", mesmo que não sejam diretamente ligadas ao core business, também merecem atenção.Nunca se sabe de onde pode vir uma ameaça à reputação da empresa.

Na foto, ativistas da organização Peta (People for the Ethical Treatment of Animals) vestem biquínis amarelos e se 'enjaulam' em protesto recente na Alemanha, contra um suposto "tratamento abusivo às galinhas" criadas para a rede de fast food KFC.



domingo, 20 de julho de 2008

Estão falando da sua empresa...

A reputação de uma empresa demora anos para ser reconhecida, respeitada, valorizada.Mas demora apenas um clique para ser atingida, questionada, colocada em dúvida.

Hoje, milhares de ilustres internautas montam redes sociais, sites, blogs e fóruns sobre temas variados. Milhares já circulam pelo Second Life, interagem pelo LinkedIn, pelo Naymz, Plaxo e Flickr. Ambientes virtuais que se referem à empresas - públicas ou privadas, seus produtos e serviços. Seus profissionais. Suas marcas!

Clientes fiéis e clientes desiludidos, consumidores apaixonados ou ex-consumidores enganados.Empregados entusiasmados ou ex- empregados ressentidos. Aposentados nostálgicos e felizes ou aposentados magoados com o plano de previdência. Todos eles estão por lá.Uma fonte riquíssima de pesquisa de opinião, de informações.

Por isso, a pergunta que não quer calar: sua empresa monitora estes ambientes?Sua assessoria de imprensa já pensou em incluir alguns dos principais blogs existentes no seu clipping diário de notícias?Você já buscou no Orkut o nome da empresa onde trabalha, trabalhou ou quer trabalhar?Sua área comercial já conferiu quantos usuários comentam a qualidade do produto naquela comunidade XYZ?

É, o mundo digital não dorme...funciona noite e dia, todo dia, toda hora.Por isso, que tal conferir como anda sua reputação neste novo e fascinante mundo virtual.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Felicidade Interna Bruta.


Em oposição ao Produto Interno Bruto - PIB, um conceito de desenvolvimento social chamado Felicidade Interna Bruta - FIB (criado no Butão - pequeno país asiático) está ganhando espaço num mundo preocupado com a vida, a sustentabilidade das relações e o futuro.

Os quatro pilares da FIB são a promoção de desenvolvimento sócio-econômico sustentável e igualitário, a preservação e a promoção de valores culturais, a conservação do meio-ambiente e o estabelecimento de boa governança.

A Icatu Hartford, aproveitando de maneira inteligente o conceito, em sua nova ação de comunicação, pergunta:ter dinheiro é suficiente para ser feliz?

Achei excelente a estratégia de marketing e comunicação. Mas confira você, acessando:

terça-feira, 15 de julho de 2008

Novos nomes, novas caras - 2.

Outra estratégia de comunicação brilhante é a da VW, com a comunicação para o Novo Gol: seu objetivo, entre outros, é separar o Gol do Palio e do Mille da Fiat (empresa do ano que arrebentou nas vendas de seus modelos mais populares). E dar um upgrade na imegem do carro.

A presença da estonteante Gisele Bundchen chama atenção pela beleza (o design do Novo Gol é realmente magnífico) e a figura de Silvester Stallone, com a cara mais amassada do que nunca, confere que a máquina não mudou por dentro ("Ainda é o Gol"). "O fator beleza ficou mais preponderante e as pessoas ficaram na dúvida quanto ao DNA do carro. Por isso, queremos mostrar que ele ganhou beleza sem perder a sua essência”, diz Marcelo Serpa, diretor de criação da Almap BBDO, agência de publicidade responsável pela campanha.

A idéia de trazer a "mulher mais bonita" e o "homem mais forte" acerta em cheio no conceito de comunicação: “Novo Gol. Lindo como nunca. Gol como sempre".

Novos nomes, novas caras.

Mudança nos nomes e nas embalagens da Coral. Para alavancar sua comunicação com clientes as tintas Coral vão mudar de nome e de cara. Coralatex, por exemplo, vai se chamar Rende Muito e a linha Coralplus atenderá por Decora.

A mudança, no meu entender, segmenta as duas linhas por públicos diferentes. O público C e D, com "Rende Muito" que é um nome bem mais popular do que Coralatex; e a "Decora" que populariza mas ainda mantém um tom mais "chique" - para não afastar a antiga "freguesia".

segunda-feira, 14 de julho de 2008

MTV - art breaks.

Emissora criada no início dos anos 80, a MTV marcou a passagem da transmissão massificada dos canais abertos para o universo da televisão a cabo. A mostra Art Breaks: A MTV e a Cultura Visual Contemporânea, acontece no espaço cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro, e é realizado pela produtora Tecnopop. A exposição apresenta a influência das vinhetas veiculadas entre os clipes musicais da MTV e seus impactos no cenário cultural do final do milênio.

Projetados em mosaicos interativos e em sequências temáticas, os art breaks convidam o visitante a um mergulho nos aspectos simbólicos dessas produções. Criações de artistas gráficos, animadores e publicitários que radicalizaram no uso da livre experimentação, as vinhetas mostram uma complexidade de estilos, técnicas, misturas e influências completamente inovadoras para a televisão. O impacto dessa comunicação continua atual. Por isso, a criatividade e a amplitude de mais de 200 art breaks da MTV apresentados na mostra, merecem ser (re) vistas.

Vale observar que a própria construção, desconstrução e reconstrução da marca da MTV é outra inovação para o mundo corporativo televisivo e as vinhetas apresentam essas transformações numa rica e imensa multiplicidade. As possibilidades de interpretação artística da marca tornaram a logo da MTV admirada por diferentes públicos telespectadores da emissora.

A Art Breaks fica exposta até 17 de agosto e a entrada é franca.
Conheça mais em: www.oifuturo.org.br

domingo, 13 de julho de 2008

Rolling Stones. A marca...do vinho?

A marca Rolling Stones representa mais do que uma banda de rock.

Por trás da famosa "boca com a língua para fora" existe um conglomerado de empresas. Nomes poucos conhecidos como Promopub, Promotone e Musidor são empreendimentos diversificados dos roqueiros sessentões e que ficam ligados à holding Rolling Stone Inc. Nesses negócios Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Woods e Charlie Watts contam com a ajuda de um príncipe europeu (Rupert Loewenstein) administrador considerado um gênio das finanças e pilar fundamental das "pedras rolantes" quando estão fora do glamour dos palcos.

E quanto vale a marca Rolling Stones? Não consegui descobrir (aceito ajuda!), mas li que os Stones já faturaram com suas letras mais do que o U2, Michael Jackson, Bruce Springsten entre outros famosos do mundo da música e do entretenimento.

Uma visita ao site oficial da banda, que tem tradução para alemão, espanhol, russo, português e chinês comprova a organização que faz dessa marca um ícone mundial de admiração e consumo. Um banner animado divulga a venda do DVD com o documentário Shine a Light, dirigido por Martin Scorcese, último filme da banda. E a loja virtual vende camisetas, bonés, bermudas e cartazes, peças tradicionais de merchandising disponíveis para compra pelos fãs. O melhor de tudo, entretanto, é que a loja oferece ainda uma seleção de vinhos com o rótulo Rolling Stones. Realmente, Mick Jagger sabia o que estava querendo quando escreveu "(I Can't Get No) Satisfaction".

Com certeza, um case de estudo obrigatório para alunos de marketing e comunicação.

"Lidere com a linguagem"

Steve Chandler é autor de diversos livros sobre liderança e motivação. É dele o título acima. Formado pela Universidade do Arizona em redação criativa e ciências políticas também é um palestrante bastante solicitado por empresas com grande número de clientes citados na revista Fortune 500.

Em um de seus últimos livros ( "Motivando para o Sucesso") Chandler destaca o uso da linguagem e das palavras diferentes como alavancas de mudança organizacional. Quero destacar aqui dois trechos, pois eles complementam a sequência de posts que tenho feito sobre este tema. Acredito cada vez mais que a comunicação face a face e o uso de palavras novas, ao invés dos jargões corporativos repetidos e viciados, cria realidades novas. Confira:

"As palavras significam coisas. As palavras que formam pensamentos criam algo. As escrituras dizem: "No Princípio era o Verbo". E há muita verdade nisso.
As palavras dão início ao movimento das coisas.
As palavras comunicam imagens, energia, emoções, possibilidades e medos"
"Quando sugerimos palavras diferentes para os gerentes usarem nas reuniões com o seu pessoal, tudo começou a mudar (as equipes vivam resmungando e viviam desmotivadas). Os funcionários se tornaram automotivados. Com o avanço da reviravolta psicológica, os gerentes começaram a abrir as reuniões perguntando se alguém gostaria de fazer um agradecimento - "Quem quer prestar um reconhecimento ou agradecer a alguém agora?" -, e a conversa começou a se inclinar para a valorização,
não mais para as reclamações e críticas."
Se você quer conhecer mais sobre as obras de Chandler, acesse: www.stevechandler.com

terça-feira, 8 de julho de 2008

Para que serve um jornal?

Resgatei um trecho do texto sobre o papel da imprensa, muito válido para os tempos atuais. Um texto importante pois um texto inteligente não tem data de validade, vale ao longo dos anos - apesar das mudanças de cenários políticos e econômicos.

No caso, o "Para que serve um jornal" foi publicado pelo Correio Braziliense em 19 de setembro de 1999 - ou seja, no século passado! (rs). Vale a leitura, para quem não conhece:

Para que serve um jornal

Um jornal serve para servir. Servir principalmente a uma cidade. Um jornal se for só papel serve para cobrir o chão quando pintamos a casa ou embrulhar peixe no mercado. Um jornal se for só negócio serve apenas para crescer em lucros, máquinas e construções. Um jornal se for mero símbolo, tradição e história serve para discursos pomposos mas ocos de compromisso com a vida. Um jornal grife funciona só para o marketing ou propaganda de empresa líder de mercados. Mas o que faz um jornal servir é algo além da mercadoria ou da imagem que projeta.

Um jornal não tem senhores, domínios, posses ou posessões. Um jornal serve quando não é escravo até do seu próprio sucesso. Então pra que serve um jornal, mesmo? Um jornal serve para publicar o que se fala, refletir o que se publica, aprofundar o que se opina sobre o publicado e ampliar TODAS as opiniões sobre o dito e o refletido.

Um jornal serve para servir ao seu eixo principal de credibilidade: o leitor. Um jornal serve para ir além da notícia quando busca suas relações, seu contexto, as circunstâncias que geraram o fato e até avaliar suas consequências. Um jornal serve para pensar. (...)

Leia o texto na íntegra, acessando o Blog do Noblat: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=104511&a=119

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Mudar o rumo da conversa.

A comunicação também está virando uma commodity?
Sim, o risco é grande. Afinal, quem já não participou de uma reunião onde se repetem palavras e jargões corporativos e as coisas parecem que não saem do lugar. Nestes ambientes, a inovação fica só no discurso e qualquer tentativa de transformação cai na "normalidade corporativa" -um buraco negro a tragar o empreendedorismo e o entusiasmo das pessoas.

Por isso, uma ação da IBM merece destaque. A campanha "Pare de Falar. Comece a Fazer." mostra como em muitas organizações se fala sobre mudança, mas as coisas ficam mesmo do jeito que estão.

Visite e veja no You Tube os filmes da IBM:
EMBROMATION BINGO - http://br.youtube.com/watch?v=DbXOqMditkA
INOVAÇÃO - http://br.youtube.com/watch?v=qLJAEcZTtuo
IDEIANDO - http://br.youtube.com/watch?v=G0lKqn9LJ94&feature=related

Depois, não deixe de visitar: http://www.paredefalarcomeceafazer.com.br/ que completa a ação de marketing e comunicação da empresa. Nota mil!

Falar diferente.

"Vocabulários alternativos são instrumentos de mudança"

(Richard Rorty - "Contingência, ironia e solidariedade" - Martins Fontes, 2007)

Fazer diferente.

"Sem aprender não há como mudar. Somente ao aprender os indivíduos ou as organizações podem agir de uma outra forma, adaptar seus processos, repensar velhos paradigmas, inovar. Mas, afinal, o que é inovar senão fazer diferente, diferente do que existe hoje, diferente em relação ao modo como era feito antes?"

(Saulo Bonassi -Diretor de Educação da Symnetics)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A chatice é insustentável.

As questões que envolvem nosso futuro comum pedem urgência, atenção. Mas não é por isso que precisamos falar sobre a sustentabilidade através de documentos complicados, textos técnicos e herméticos, pesadões. Afinal, chatice é insustentável.

Por isso, ser criativo é fundamental. Assim, já que os problemas atuais demandam soluções inovadoras para os desequilíbrios ambientais, sociais e financeiros do mundo, algumas empresas estão buscando novos caminhos para velhos dilemas. Novas e originais propostas.

Por exemplo: a Tetra Pack, com suporte da Google Maps, numa iniciativa inédita na Internet brasileira, disponibilizou o Rota da Reciclagem. O Rota é um endereço eletrônico que indica os pontos de coleta seletiva, as cooperativas e os locais de entrega voluntária de materias para reciclagem em todo o Brasil.

Outra empresa, a inglesa Friends Provident, que atua na área de seguros de vida e pensão, lançou seu relatório de sustentabilidade com um design inovador, muitas fotos, interatividade e um jogo de palavras cruzadas no final.