terça-feira, 26 de agosto de 2008

OS NOVOS RENASCENTISTAS.

Jornalista, publicitário ou RP qual o melhor perfil profissional para um comunicador empresarial? Afinal, as faculdades de comunicação não estão formando batalhões de jovens dentro destas “caixinhas” que não se comunicam umas com as outras? Pois então, no meu entender, o que um verdadeiro comunicador empresarial precisa é conhecer e dominar as três competências.

As empresas não podem mais abrir mão de gente capacitada que saiba transitar pelo universo do jornalismo, da publicidade e das relações públicas. Nenhuma delas dá conta sozinha das demandas cada vez mais complexas do mundo dos negócios. Infelizmente, poucas faculdades já estão preparando a garotada para ter esta visão geral da comunicação de maneira integral. Depois, ficará difícil falar e pensar em comunicação integrada – exigência da atualidade.

E completo: não basta apenas conhecer as cadeiras tradicionais da comunicação social. Um comunicador de primeira linha tem mais alguns desafios como conhecer o universo do marketing e entender as relações humanas sob o ponto de vista da psicologia e da antropologia. Tudo formando um grande conjunto sob o guarda-chuva da administração e suas melhores práticas. O mundo competitivo e sem fronteiras com o qual as empresas estão lidando tem portas abertas para um profissional deste gabarito. O que ainda não é fácil de encontrar.

Indo um pouco mais além dessas expertises, o comunicador empresarial ideal vai precisar analisar cenários dinâmicos, saber planejar as ações e também arregaçar as mangas. Fazer a coisa toda andar quando necessário para garantir a entrega. Equilibrando teoria e prática, equilibrando sonho e realização. E entendendo ainda a diversidade cultural, os diferentes modelos mentais, hábitos e costumes de um mundo global.

Ou seja, o comunicador empresarial moderno é realmente um profissional “mestiço” – como a própria Associação BRasileira de Comunicação Empresarial -ABERJE vem definindo há tempos. Um mestiço que tenha em mente as técnicas e os saberes desse mix variado de ofícios, mas também saiba escutar seu coração. Porque o futuro não vai mais permitir somente as metas quantitativas e numéricas.

Cada vez mais a qualidade das relações fará a diferença entre uma empresa e outra, pois quando falamos de relações humanas passamos necessariamente pelo mundo das emoções e dos afetos. Dos sentimentos. Quem sabe, valores intangíveis que passarão a ser contabilizados nos próximos anos num mundo órfão da da sustentabilidade?

Valores que farão do comunicador empresarial não apenas um profissional multidisciplinar, mas antes de tudo, um humanista com amplos horizontes e por conseqüência, ilimitadas possibilidades. No meu entender, profissionais que poderemos chamar de “os novos renascentistas”. Gente que nenhuma empresa vai querer abrir mão ou deixar escapar para a concorrência.

domingo, 17 de agosto de 2008

Gestão da Comunicação Empresarial.

A Faculdade Prudente de Moraes, em Itu, SP, realiza sua primeira Pós-Graduação Lato sensu em Gestão da Comunicação Empresarial.

O curso traz para a sala de aula conceitos teóricos e as melhores práticas do cotidiano das organizações. Os módulos agrupam desde Ferramentas de Marketing, Economia, Responsabilidade Social, Ética e Cultura Organizacional até Comunicação on-line, Media trainning e Relacionamento com a comunidade numa abrangente capacitação para profissionais da área.

Na foto, a primeira turma que reúne profissionais de diferentes formações e com a qual compartilho conhecimentos, pois tenho a responsabilidade de orientar a disciplina Ferramentas de Marketing.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

COMUNICAÇÃO PARA A MUDANÇA

“Não existe nada permanente, exceto a mudança”.(Heráclito de Éfeso)

Os tempos atuais trouxeram para o mundo incertezas maiores do que poderíamos prever. O 11 de Setembro marcou o fim de uma era e a possibilidade de ocorrências incontroláveis faz cada vez mais parte de nossa rotina.

O consumo desenfreado nos torna cúmplices do aquecimento global, através de uma industrialização produtiva inconseqüente. Crescimento econômico não basta. O equilíbrio entre as dimensões ambientais, sociais e econômicas é a meta. Difícil – pois ninguém sabe direito como mudar as regras do jogo, sem quebrar toda a banca. Em nossos planejamentos, precisamos considerar ameaças de terrorismo, riscos de pandemias (no Brasil, temos de volta a febre amarela), mercados nervosos, especuladores de plantão. Em alguns países, presenciamos o fortalecimento de governos autoritários e suas quebras de contratos, alteração de regras.

Podemos dizer que largamos as mãos de um trapézio inseguro, mas de certa forma conhecido, e voamos na direção de outro trapézio – desconhecido. Estamos bem no meio do vácuo entre um lado e o outro.

Alguns estudiosos apontam esta fase da história humana como uma grande oportunidade global. Outros apontam para a derrocada definitiva de sistemas econômicos, modelos políticos e estruturas morais tradicionais. Tudo está sendo questionado, transformado. A comunicação inclusive.

Hoje temos ferramentas de interatividade que conectam milhares de pessoas. Acessamos ambientes de informação e troca de conhecimentos de dia e de noite. As fronteiras entre interior, periferia e os centros urbanos desapareceram. Cidadãos do mundo ligados em sites editam vídeos, enviam opiniões e manifestos. Movimentos organizados globalmente mantém uma vida virtual pulsando em paralelo ao mundo concreto. Não há mais privacidade, por conseqüência há mais escândalos sendo descobertos.

Estamos cada vez mais interligados, informados e dependentes de uma grande rede de relações. Mesmo que a quantidade de opções de relacionamento não significa maior qualidade nas relações humanas, as portas estão abertas e os canais sintonizados.Nenhuma geração viveu isso, até hoje.

E as empresas têm uma enorme oportunidade para mergulhar neste cenário, neste novo mundo e solidificarem suas reputações. Ao refazer modelos que tinham as pessoas como “públicos-alvo” ou “target”, olhando de maneira mais humana seus negócios, poderão melhorar seus relacionamentos e fazer parte desta grande rede que se cria. Menos hierárquica, mais próxima.Menos autoritária, mais afetuosa.

Não há mais como fingir que tudo será como antes. A nostalgia somente nos traz descrença no futuro, quando a verdade é de que o futuro é feito por nós, cada um de nós, nas nossas rotinas. É o nosso futuro comum que está batendo às portas e todos estamos sendo convocados. Se a "humanidade é uma família que ainda não se conhece" como escreveu o historiador Theodore Zeldin, prazer em conhecer, vamos conversar, precisamos entender nossos pontos-de-vista e descobrir que temos muito mais em comum do que podemos imaginar.