sexta-feira, 8 de agosto de 2008

COMUNICAÇÃO PARA A MUDANÇA

“Não existe nada permanente, exceto a mudança”.(Heráclito de Éfeso)

Os tempos atuais trouxeram para o mundo incertezas maiores do que poderíamos prever. O 11 de Setembro marcou o fim de uma era e a possibilidade de ocorrências incontroláveis faz cada vez mais parte de nossa rotina.

O consumo desenfreado nos torna cúmplices do aquecimento global, através de uma industrialização produtiva inconseqüente. Crescimento econômico não basta. O equilíbrio entre as dimensões ambientais, sociais e econômicas é a meta. Difícil – pois ninguém sabe direito como mudar as regras do jogo, sem quebrar toda a banca. Em nossos planejamentos, precisamos considerar ameaças de terrorismo, riscos de pandemias (no Brasil, temos de volta a febre amarela), mercados nervosos, especuladores de plantão. Em alguns países, presenciamos o fortalecimento de governos autoritários e suas quebras de contratos, alteração de regras.

Podemos dizer que largamos as mãos de um trapézio inseguro, mas de certa forma conhecido, e voamos na direção de outro trapézio – desconhecido. Estamos bem no meio do vácuo entre um lado e o outro.

Alguns estudiosos apontam esta fase da história humana como uma grande oportunidade global. Outros apontam para a derrocada definitiva de sistemas econômicos, modelos políticos e estruturas morais tradicionais. Tudo está sendo questionado, transformado. A comunicação inclusive.

Hoje temos ferramentas de interatividade que conectam milhares de pessoas. Acessamos ambientes de informação e troca de conhecimentos de dia e de noite. As fronteiras entre interior, periferia e os centros urbanos desapareceram. Cidadãos do mundo ligados em sites editam vídeos, enviam opiniões e manifestos. Movimentos organizados globalmente mantém uma vida virtual pulsando em paralelo ao mundo concreto. Não há mais privacidade, por conseqüência há mais escândalos sendo descobertos.

Estamos cada vez mais interligados, informados e dependentes de uma grande rede de relações. Mesmo que a quantidade de opções de relacionamento não significa maior qualidade nas relações humanas, as portas estão abertas e os canais sintonizados.Nenhuma geração viveu isso, até hoje.

E as empresas têm uma enorme oportunidade para mergulhar neste cenário, neste novo mundo e solidificarem suas reputações. Ao refazer modelos que tinham as pessoas como “públicos-alvo” ou “target”, olhando de maneira mais humana seus negócios, poderão melhorar seus relacionamentos e fazer parte desta grande rede que se cria. Menos hierárquica, mais próxima.Menos autoritária, mais afetuosa.

Não há mais como fingir que tudo será como antes. A nostalgia somente nos traz descrença no futuro, quando a verdade é de que o futuro é feito por nós, cada um de nós, nas nossas rotinas. É o nosso futuro comum que está batendo às portas e todos estamos sendo convocados. Se a "humanidade é uma família que ainda não se conhece" como escreveu o historiador Theodore Zeldin, prazer em conhecer, vamos conversar, precisamos entender nossos pontos-de-vista e descobrir que temos muito mais em comum do que podemos imaginar.

3 comentários:

Anônimo disse...

Foi pensando exatamente em tudo isso, que busquei a pós em gestão da comunicação empresarial. Muito mais do que um pensar, foi em um acreditar. Hoje vivo em um universo oposto, que parece estar na contramão de tudo, mas, meu acreditar se fortalece ao ler, ao ver, ao compartilhar idéias como esta. Luis, adorei o texto, parabéns. Abs, Milena (aluna da pós)

http://www.mauropavani.com disse...

Antes de mais nada quero parabenizar pelo blog muito informativo e pelas aulas de aprendizado ímpar,no qual você coloca o marketing de modo claro em toda organização. Um abraço! Mauro Pavani

Luiz Antônio Gaulia disse...

Obrigado, Mauro e Milena pelos comentários e opiniões.

Saber que as aulas estão sendo úteis para vocês me faz mais feliz.

O mundo está em aberto e cabe a nós construir esse futuro que desejamos.

Abraços.