quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A realização da sombra.

Fiquei com a palestra do Diretor de Comunicação da IBM, Mauro Segura, na cabeça e acabei levando a análise do lado "dark" das empresas e da comunicação interna para uma ótica mais psicológica ( já me desculpem os psicológos pela minha audácia, mas aviso que o post aqui será de um curioso sobre o tema, ok?).

Fui buscar em Carl Jung, no livro: "O Homem e seus Símbolos" uma base mais científica para minha percepção. Sempre entendi (e comprovei, nas empresas) que a existência de uma "rádio corredor" ou uma "rede de fofocas" internas é um canal poderoso de formação ou deformação de opinião. Em grande parte, isso se deve à falta de transparência ou de uma comunicação interna ativa, atenta e atuante (pronto inventei os 3A´s dos comunicadores...rs). Ou seja, temos uma lado oficial - "consciente" e exteriorizado e um lado oculto - "inconsciente" que é um influenciador poderoso dentro da organização.

Jung fala sobre essa "realização da sombra" (no caso da comunicação, os canais paralelos que, como não são percebidos ou levados em consideração pela empresa tornam-se uma espécie de força inconsciente poderosa, uma sombra a "comandar do invísivel" o dia-a-dia da organização. Diz Carl Jung em seu livro: "A sombra representa qualidades e atributos desconhecidos ou pouco conhecidos do ego - aspectos que pertencem sobretudo à esfera pessoal e que poderiam ser conscientes. (...) Só há uma atitude que parece alcançar algum resultado: voltar-se para as trevas que se aproximam, sem nenhum preconceito e com a maior singeleza, e tentar descobrir qual o seu objetivo".

Ou seja, tudo a ver com o reconhceimnto dos canais paralelos de comunicação interna das organizações, essas redes sociais existentes e meio caóticas - pois incontroláveis, e suas possíveis contribuições ao negócio da empresa. O que não dá mais para fingir é que essa comunicação paralela, esse lado "dark" não existe na vida corporativa. Existe e as empresas podem se beneficiar dele. O que não quer dizer que seja fácil, ok?Pois é um ambiente novo, diferente e muitas vezes revelará falhas que somente a maturidade da liderança poderá encarar de frente para mudar. E evoluir. Inovar.

A IBM Brasil parece estar nessa trajetória, vamos ficar na torcida!

4 comentários:

Anônimo disse...

Amigo Gaulia, essa é uma palestra que eu gostaria de ter presenciado. Com os seus comentários, lembrei-me do Mito Caverna, de Platão. Na parábola escrita por Platão, as sombras vistas pelos humanos que habitavam a caverna eram interpretadas como realidade. Por desconhecerem a luz - o que podemos metaforizar como a comunicação oficial de uma empresa - a sombra era a verdade. Um homem se libertou, e vendo a luz descobriu que as sombras eram feitas por homens como ele. Na comunicação a sombra, ou o dark, pode parecer a realidade. Vamos continuar fazendo o nosso papel, vamos continuar acendendo a luz, mesmo que alguns não queiram se virar e continuar sempre a olhar para as sombras das paredes acreditando que essa é a realidade. Um grande abraço. Henrique Paulatti.

Maurette disse...

Um princípio filosófico japonês diz que "a sombra não existe em presença da luz". Realmente, basta uma pequena chama para provocar uma transformação imediata no ambiente. Vejo as redes paralelas, o lado incontrolável da internet, a sede e a oferta sem precedentes de informação, como luzes mesmo. Dark seria ignorar a sua força. Esse mundo que temos é muito diferente, os padrões vêm sendo rompidos em alta velocidade, e é preciso aceitar o caos para que tudo se reordene. Se cada comunicador souber usar a sua lanterna, já será uma grande coisa!
Maurette

Anônimo disse...

O mundo é isso mesmo: só o entendemos porque é feito de luz e sombras. No caso específico das rádio-corredores, creio que é inerente ao ser humano. Elas não existiriam se a comunicação empresarial não fosse feita de cima pra baixo. Em quantas reuniões já não entramos mudos e saímos calados ou falamos aquilo que na verdade não pensamos? quanto maior a empresa, maior a rede-fofoca.

Alessandro

Anônimo disse...

Nem preciso comentar,tudo já foi dito.Concordo plenamente que o lado "dark" é fingir que as redes paralelas não existem. Elas podem te dizer nada...ou TUDO.Nas grandes empresas onde a comunicação ainda não é transparente é impossível controlar essas redes e se os comunicadores dessas empresas não sabem por onde começar um bom trabalho, aí vai uma dica:comece por elas. Abs, Milena