terça-feira, 7 de outubro de 2008

Solução em comum para nosso futuro.


Ao longo de 2008 tive a oportunidade de trabalhar na elaboração dos relatórios de sustentabilidade de empresas que trabalham em segmentos completamente diferentes como Natura e Vale. Confesso que foram projetos que me enriqueceram como pessoa e profissional pois pude mergulhar fundo nestas organizações e, em diversas ocasiões, através de conversas, reuniões e entrevistas nos diferentes níveis hierárquicos, comprovar a busca permanente da melhoria de processos, a redução de impactos ambientais e sociais das operações, do entendimento maior de questões nunca antes percebidas.

No meu entender, sustentabilidade é uma questão de relacionamento. Através das relações diárias, nos níveis micro (família, bairro, cidade) e níveis macro (universidade, trabalho, país) podemos construir um futuro melhor para as gerações que ainda estão por nascer, nossos herdeiros. Ou seja, ir muito além da publicação do relatório. Mesmo que já tenhamos relatórios dirigidos para investidores, relatórios on-line, versões pocket para empregados, versões em papel jornal e “rádio” relatórios para comunidades ou mesmo wikis relatórios colaborativos (como a Natura já está tentando viabilizar); precisamos entender a sustentabilidade como um processo contínuo de aprendizado e de gestão inovadora.

E é aqui que a “escuta” das exigências de todos os públicos que interagem com a organização se faz necessária. Na verdade, o processo de relato é apenas uma parte de um jeito de planejar e executar baseados na sustentabilidade, onde a visão de longo prazo e a qualidade das relações tornam-se premissas para melhores negócios. Para negócios sem “culpa” pelos seus lucros, pois não serão margens obtidas às custas de impactos ambientais negligentes, irresponsáveis, nem tampouco impactos sociais não previstos e devidamente cuidados.

Nesta perspectiva de relações mais saudáveis e transparentes, de diálogos e interação constante com públicos diferentes, desde empregados diretos ou prestadores de serviços, aposentados e familiares, clientes, fornecedores, acionistas, investidores, governos, cientistas e ONGs entre outros, é onde a visão estratégica da comunicação se faz necessária. Porque a empresa não está mais no centro das relações, ela faz parte de uma rede, meio caótica, incontrolável – onde cada “nódulo” entre esses fios da rede é um ponto de contato importante e dele pode sair uma crise, uma oportunidade, um novo negócio, um conflito ou a melhor solução em comum para nosso futuro...

Na foto acima, de Edú Simões, o cacique da comunidade Parketejê “Capitão” no dia de sua entrevista para o relatório da Vale. O case “No Ninho dos Gaviões” faz parte do relatório de sustentabilidade da empresa e pode ser lido através do site da http://www.vale.com.

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