quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Mensagem de fim de ano.

Muito obrigado a todos (as) vocês, leitores (as), seguidores (as), anônimos e demais curiosos que visitaram, participaram, opinaram e fizeram com que eu me esforçasse para fazer deste blog, um espaço de conhecimento cada vez melhor, mais útil e interativo.

Em 2010, tem mais - se Deus quiser.

Abraço do Gaulia!

2010.

2010 deve chegar com mais liberdade de expressão. Este é o meu desejo.

Mais liberdade para os oposicionistas do atual governo do Irã, representado pelo Sr. Mahmoud Ahmadinejad, e também para as oposições políticas ao Coronel Hugo Chávez, na Venezuela - cada vez mais cerceada em seu direito à liberdade de opinião.

E que os atuais Presidentes do Equador, Rafael Corrêa; da Bolívia, Evo Morales e o casal Kirchner na Argentina, também respeitem a imprensa livre e as opiniões contrárias às suas.Democracia é isso: conviver com os contrários - o que não é moleza.

Para as empresas públicas, desejo maior respeito ao cidadão - contribuinte, quem paga grande parte da conta das trapalhadas de políticos e dos acertos partidários na administração destas organizações. Que o mérito, a competência e a qualidade sejam a dinâmica evolutiva nestas empresas e não mais a influência política e o "toma lá dá cá" tão comum aos nossos governantes, sejam de esquerda ou de direita (o que no final de contas não passa de rótulo para ataques mútuos em tempos de eleições).

Aliás, que as eleições de 2010 no Brasil não se tornem uma espécie de plebiscito, dividindo o povo brasileiro em prós e contras, entre "eles" e "nós". Que as eleições sejam - mais uma vez, uma salutar troca de modelos administrativos, estilos de governo, idéias e discursos. Lembrando que nada deve ser mais importante do que pensar nas gerações futuras, os que vão herdar os frutos de nossos acertos e também os resultados de nossos tropeços.

Até 2010!Com liberdade, sempre.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O silêncio é um grande tagarela.

Acredite se quiser. O silêncio tem voz. O silêncio fala. O que é perfeitamente normal no universo humano. Ou você pensa que só o nosso falar, comunica? O silêncio também comunica. E muito. O silêncio pode dizer muita coisa sobre um líder, uma organização, uma crise, uma relação.

Mesmo que a mudez seja uma ação estratégica, não adianta. Logo mais, alguém vai criar uma versão sobre aquele silêncio. Interpretá-lo e formar uma opinião. As percepções serão múltiplas. As interpretações vão correr soltas. As opiniões formarão novas opiniões e multiplicarão comentários. O silêncio, coitado, que só queria se preservar acabou alimentando uma rede de conversas a seu respeito. Porque não adianta fingir que ninguém viu, que passou despercebido. Não passou. Nada passa despercebido – nem o silêncio.

A rádio corredor então, é imediata. Na roda do café, no almoço, no happy-hour. Todos os empregados vão comentar o que perceberam com aquele silêncio oficial, com o que ficou sem uma resposta. Com o que ficou no ar. Com a falta da comunicação interna.

E as redes sociais, com suas vastidões de blogs, chats, comunidades e demais canais vão falar, vão comentar e construir uma imagem a respeito do silêncio. Porque o silêncio, que não se defende porque não emite sua versão oficial – perde uma grande oportunidade de esclarecer, de dar a volta por cima e mudar percepções, influenciar. Porque se a palavra liberta, conecta, une; o silêncio perde, esconde, confunde, sonega.

Afinal, não existem relações humanas sem comunicação. Sem conversa. São as pessoas que dão vida e voz às empresas, aos governos e às organizações. Mesmo dois mudos se comunicam por sinais e gestos. Portanto, o silêncio também fala. Mesmo que não queira dizer nada.

Por isso, é preciso conversar. Saber o quê, quando, como falar. Saber ouvir. Saber responder. Interagir. Este é um mundo que clama por diálogo. Que demanda transparência. Assim como os mercados, os clientes e os consumidores. Assim como os cidadãos e os eleitores, mais do que nunca! E o silêncio é uma voz ruidosa. Nunca foi bom conselheiro. Desde a briga de namorados. Até as suspeitas de escândalos financeiros, fraudes, desastres ambientais, acidentes de trabalho.

O silêncio é um canto de sereia. Só parece uma boa solução, porque a voz do silêncio é um grito com enorme poder de eco. E se você não gosta do que está ouvindo, preste atenção no que está emitindo. Pois de qualquer maneira, sempre vai comunicar alguma coisa. Quer queira, quer não. De maneira planejada, sendo previdente. Ou apagando incêndios, com enormes custos para a organização, o valor da marca, a motivação dos empregados e o próprio futuro do negócio.

Enfim, o silêncio nem parece, mas é um grande tagarela.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A base de um bom "feedback".

Comunicação face a face é uma questão fundamental nas empresas. Muitas vezes (na maioria?) é difícil encarar o outro e conversar sobre erros, acertos e oportunidades conjuntas. E é essa dificuldade, entre outras, que gera a rádio-corredor e sua rede de fofocas.

Para iluminar a questão, transcrevo um trecho do livro "Mudar e Vencer" do Dr. Paulo Gaudêncio, terapeuta empresarial. Uma referência necessária para começar um bom feedback. Vejam só o que diz o terapeuta: "(...) Acredito que nenhum fator seja mais importante do que o diálogo, que é, antes de mais nada, uma forma formidável de manifestação afetiva. Se eu tiver um comportamento inadequado, amigo é quem fala para mim, inimigo é quem fala de mim. Se eu tiver a sorte de encontrar um amigo que me aponte a falha e a coragem de ouvir o que ele me diz – consciente de que se trata de um depoimento e não de uma acusação -, a possibilidade de sucesso será bem maior."

Recomendo a leitura do livro do Dr. Paulo Gaudêncio. Quem quiser visitar o site e conhecer mais, eis aí o endereço eletrônico: www.paulogaudencio.com.br

domingo, 13 de dezembro de 2009

A sustentabilidade virou espetáculo?

O site da revista PLURALE e o site NÓS DA COMUNICAÇÃO publicaram meu artigo sobre o espetáculo da sustentabilidade, esse tema-show que não sai mais das manchetes. Ora como apocalipse, ora como a solução e a esperança para empresas, governos e cidadãos planetários.

Porque como disse o escritor e biólogo moçambicano Mia Couto em recente análise publicada no jornal O Globo (12.12.2009): "Acredito no aquecimento global, mas não sei se tem essa dimensão dramática que provém de certezas que não necessariamente temos. Acredito que há variáveis que não sabemos ainda equacionar (...) há muita confusão entre projeção e previsão."

Portanto, caso vocês leitores (as) se interessem, convido a todos (as) a lerem meu texto na íntegra visitando um dos dois sites. Para quem não os conhece, os dois endereços trazem muitos outros colunistas e diferentes reportagens sobre comunicação, sustentabilidade e a diversidade do pensamento humano. Mesmo que não seja pelos meu artigo, a visita será de grande proveito, podem apostar.

Na PLURALE, buscando por colunistas e no NÓS DA COMUNICAÇÃO, hoje, ainda na manchete da página de abertura. Bom domingo!

NÓS DA COMUNICAÇÃO:
www.nosdacomunicacao.com

PLURALE:
www.plurale.com.br

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O guarda-chuva chinês e a sustentabilidade.

Final de expediente. Chove forte. Do nada, surge o vendedor de guarda-chuva ali na esquina. Qual a marca? "Xing Ling Original" - diz o camelô. Para não ficar molhado até a alma eu compro um. Baratinho. Será? Ledo engano.

Três quarteirões adiante, uma lufada de vento mais audaciosa levanta as saias de umas moças na minha frente e mais, levanta o forro do Xing Ling entortando a estrutura e me deixando na mão. E agora? Devo procurar o SAC? O 0800? Posso devolver o produto por completa falta de qualidade? A chuva aperta. O que era "baratinho" ficou caro. Caríssimo.

Largo o monstrinho entortado na lixeira mais próxima. O que antes não tinha marca, agora tem. Chama-se desperdício - um mal da sociedade de consumo. Bem feito para mim! Nada de ser pego desprevenido. Guarda-chuva chinês não tem qualidade - todo mundo sabe. E mais...será que não foram crianças em trabalho semi escravo que costuraram a peça numa dessas fábricas medievais da China? Ou terão sido presos políticos do regime comunista mais capitalista da Terra? O crescimento chinês é pujante: mas a que preço? Nas Olimpíadas, a chuva amarela era de poeira e fuligem, lembram das imagens? Poluição é o custo do crescimento do dragão. Aliás, o dragão é um poluidor colossal. Mas quem se importa, ele mora longe, não é mesmo? Mas eu, aqui, a essa altura totalmente ensopado por causa do Xing Ling que teve vida curta e acabou na lixeira, estou escrevendo sobre isso. Será que o guarda-chuva é reciclável?

Bom, só me resta procurar uma nova e boa opção. Mais cara, mas talvez muito melhor: Knirps, marca alemã que desde 1928 é sinônimo de guarda-chuva. De primeira linha. Não, não é propaganda. A marca faz a diferença. A história por trás da marca também. Mas, antes, só pra garantir, vou mandar um e-mail pra saber se o original alemão não é "Made by Knirps in China". Afinal, consumo é hoje uma questão de extrema responsabilidade para com o planeta.Para com a vida e o futuro.

E chega de guarda chuva "baratinho" e descartável que dura só uma chuvarada, ou duas.Isso não é consumo consciente. Mesmo para um simples guarda-chuva.

No mais, visitem o site - www.knirps.de e também o site oficial da COP 15 - http://en.cop15.dk.

Afinal, guarda-chuva tem tudo a ver com mudança climática, não é mesmo?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A economia mais humana.

Fui hoje ao lançamento do livro da jornalista Elizabeth Oliveira intitulado: "Sustentabilidade - A economia mais humana" e publicado pela Editora
Salesiana de São Paulo.

Beth trabalhou comigo no relatório de sustentabilidade da Vale de 2008 e seu livro traz conceitos básicos sobre sustentabilidade como mudanças climáticas, consumo consciente, economia solidária e economia verde entre outros. Além de abordar o Green New Deal de Barack Obama "disposto a tirar os EUA da crise apostando em grandes investimentos em tecnologias limpas capazes de reduzir impactos ambientais de setores importantes como indústria, transportes e a geração energética".

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Brasil em transformação?

Na próxima quinta-feira, dia 10 de dezembro, especialistas em sustentabilidade, vão se reunir na sede da ESPM - Rio num evento organizado pelos jornalistas Sônia Araripe e Carlos Franco da Revista PLURALE.

Com o tema com o mesmo tema -“Brasil em transformação – como é possível mudar realidades através de programas socioambientais, em rede" o encontro vai reunir Ana Beatriz Patrício, diretora da Fundação Itaú Social; Aspásia Camargo, vereadora pelo Partido Verde e ex-secretária de Meio Ambiente do Governo Federal; Claudia Jeunon, chefe da Assessoria de Responsabilidade Social do Sistema Firjan; Patrícia Almeida Ashley, professora adjunta da Universidade Federal Fluminense e autora de vários livros sobre Responsabilidade Social; Rodrigo Baggio, fundador do CDI (Comitê pela Democratização da Informática) e Saturnino Braga, escritor, ex-senador e presidente da ONG Instituto Solidariedade Brasil.

Saiba mais acessando: www.plurale.com.br/eventos-inscricao.php?cod_evento=26

sábado, 5 de dezembro de 2009

Comunicação interna pra valer.

O modo como a organização conversa internamente se reflete na qualidade de suas relações e nos seus resultados? O que você, leitor (a), acha disso?

Pense. Como a sua empresa conversa? Ela sabe ouvir? Ou ela só sabe falar? Fala alto, grita ou fala e ninguém escuta? Fala demais? Ou é muda e silenciosa?

A comunicação está redescobrindo o básico: se não existe diálogo, não existe relacionamento. E pra começo de conversa, diálogo começa em casa. Porque nenhum jornal, mural, informativo, blog interno ou intranet vai substituir a interação entre pessoas que trabalham na mesma empresa e que fazem a rede de relações da organização ganhar vida. Gerar resultados e criar a tal da “sinergia”.

Simples? Nem tanto. O diálogo com o outro só acontece de maneira transparente, fluída e produtiva se partir do princípio que o ser - humano tem uma comunicação intrapessoal resolvida. Afinal, se eu não me escuto como vou dar ouvidos ao outro? Se eu não me entendo, como vou compreender o que o outro deseja? Portanto, simples e complexo – porque envolve a emoção. E esse item ainda não é bem aceito pelas empresas, pois é confundindo como sinônimo de fraqueza, de desequilíbrio, de falta de maturidade ou seriedade.Ou seja, há mais de psicologia nas relações humanas organizacionais do que podemos imaginar.

Mas então como iniciar um “programa de comunicação face a face” na organização? Novamente, simples e complexo. Simples porque facilitaria sobremaneira a gestão das pessoas aproximando líderes e equipes, quebrando barreiras, integrando times de trabalho através de dinâmicas e conversas capazes de esclarecer percepções, sentimentos, diretrizes e metas e, atenção: cortar de vez a negatividade da rádio corredor. Esse diálogo de bastidor que conspira contra o bom ambiente de trabalho e a produtividade geral.

Complexo porque deveria ter o apoio da liderança. Uma vez que as pessoas não seguem ordens, nem seguem estratégias anunciadas aos quatro ventos. As pessoas costumam seguir comportamentos, estilos de gestão – buscando a inspiração para o seu trabalho na figura do líder. E dessa forma, ao olharem para o exemplo que vem de cima, multiplicar o modo como a organização conversa. Se ela sabe ouvir, sabe falar, se é tagarela ou silenciosa. Assim, se o líder não sabe dialogar, complica.

Ou seja: o diálogo é a base da comunicação interna. E diálogo, para quem está com vergonha de perguntar, também se aprende. Não por decreto ou ordem unida, mas com troca, interação, encontro e paciência. Com uma boa dose de psicologia, um bom coach de comunicação face a face e a abertura mental para seus desafios: receber feedbacks variados, nem sempre positivos, mas que serão extremamente úteis. Tanto para o crescimento de cada pessoa quanto para a evolução do negócio como um todo.

Então, que tal começar a conversar pra valer?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Educar pela comunicação.

Este é um salto qualitativo. Tornar a comunicação interna mais do uma ferramenta de gestão: praticar a comunicação como canal educacional - de evolução, de um olhar maior, do todo. Sistêmico.

Este é o novo (novo ?) papel da comunicação interna. Não apenas emitir informações e distribuí-las através de veículos. Mais do que isso: educar as pessoas, permitir o aprendizado organizacional e a gestão das competências incentivando diferentes profissionais a alcançar diferentes potenciais.

Educar pela comunicação é estimular o aprendizado, é ampliar horizontes e facilitar as relações humanas e a mudança cultural. É permitir a inovação, os novos caminhos e os melhores resultados. É gerar valor deixando as pessoas não somente a par da estratégia, não mais como coadjuvantes, mas como as protagonistas desta realização.

Porque como escreveu Peter Drucker: "as organizações existem para fazer com que 'pessoas comuns' façam coisas extraordinárias” e a comunicação é o melhor combustível para fazer isso acontecer de fato.

sábado, 28 de novembro de 2009

Na correnteza.

"Na Correnteza" é o primeiro CD com músicas de meu amigo Alessandro Monteiro, o Mussa. Profisional de publicidade e comunicação que realizou um projeto pessoal - agora concretizado. Com maestria.

Alessandro trabalhou na JWT e na Rede Globo, entre outras empresas e é um artista completo: excepcionalmente criativo, pintor, compositor, roteirista, poeta.

Visitem seu site: http://www.mussa.com.br e conheçam o trabalho.

“ Quando você olha para fora, você sonha. Quando você olha para dentro, você acorda.”

A comunicação interna nas organizações é ferramenta fundamental nos processos diários de trabalho, seja para o atingimento de metas e objetivos empresarias; nas mudanças culturais; na aproximação de lideranças e subordinados; na integração e na motivação das equipes; nos processos de aprendizado; de gestão do conhecimento e de colaboração entre diferentes times de trabalho com vistas à inovação e à criação de modelos de negócios sustentáveis. Além disso, a sistematização estratégica da comunicação interna é capaz de anular ruídos e falhas causados pela “rádio corredor”.

Essa é a idéia incial para um curso de Comunicação Interna na ABERJE (www.aberje.com.br) que estou tentando viabilizar para 2010. O assunto parece que nunca tem fim: a comunicação interna (diferente do tal "endomarketing") é o centro de atenção primordial das organziações que pretendem dar um salto de qualidade e valor no futuro. Porque tecnologia se compra na esquina, mas equipe engajada, empreedendora e capacitada para enfrentar um mundo de desafios mutantes...só com a comunicação interna servindo como principal ferramenta de gestão.

Ahn, a frase do título é de Carl Gustav Jung, discípulo de Sigmund Freud, psiquiatra e fundador da psicologia analítica. Vejam mais em - http://www.junghouston.org e https://philemonfoundation.org/mission/

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Como a comunicação mensura o entusiasmo da equipe?

Essa pergunta me veio à cabeça depois após minha palestra no Congresso da UDOP, em Araçatuba. Uma das perguntas que surgiram na sala era como a comunicação interna poderia gerar resultados práticos para o negócio. Reverti a questão retornando com outra pergunta: se não existisse comunicação existiria o próprio negócio?

Entendo que a exigência é cada vez maior para mensurar o ROI da comunicação interna. Mas quando um time está realmente jogando para ganhar(seja no vôlei, no basquete ou no futuebol por exemplo) em sintonia, integrado, em conjunto e a gente percebe a vibração e o entuisiasmo no rosto dos atletas, isso não é a comunicação no seu ápice?

A pergunta, não deveria ser então: como trazer este espírito para dentro da organização? Para dentro da empresa, da repartição pública? Porque é muito neurótico trabalharmos mais de oito, nove, dez horas por dia ficando no escritório mais tempo do que na nossa própria casa vivenciando um ambiente onde a comunicação interna é difícl, é cheia de barreiras, não é mesmo?

Como ficamos sem um técnico a nos motivar, dar os direcionadores, explicar a estratégia ali no face a face, ao lado do campo? Como ficamo sem um capitão, um líder na quadra? Como ficamos sem o compartilhar das próximas jogadas entre nossos colegas do time? E por fim, como ficamos sem o entusiasmo necessário para diante de um placar em desvantagem, reverter o jogo e vencer?

Portanto, dá para se mensurar o bem maior que a comunicação pode gerar que é o entusiasmo, a vibração, o desejo de realizar? E entusiasmo não se verifica em tabela de Excell, não aparece nem em pesquisa quatitativa. Porque é como uma "paixão". Dá pra mensurar uma paixão? Talvez muitas empresas não permitam falar de paixão no seu dia dia, por entender que negócio não rima com paixão. Mas, ao contrário, é a emoção o maior motor de um negócio. Ser apaixonado pelo que se faz - é muito mais do que um slogan publicitário, podem acreditar.

E sem comunicação interna atuante, transparente, confiável, sistematizada, estratégica e, de preferência, face a face, não há caminho racional para despertar corações e mentes para a paixão. Para fazer gerar a energia coletiva que faz de um time de profissionais uma equipe vitoriosa, ou apenas mais um bando de gente aguardando o contra-cheque no final do mês.

Comunicação é o combustível da paixão pelo fazer, pelo realizar, pelo transformar. E quanto combustível você vai usar para acender este espírito vencedor dentro da organização é uma questão tão fundamental que deveria ser olhada com cuidado pelo técnico maior: o próprio CEO.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Comunicação estratégica just in time?

É um título curioso o da palestra que vai rolar na USP e é organizado pela Agência de Comunicações ECA Jr.

Pelo release que recebi, o encontro tem como objetivo abordar a importância das novas tecnologias no ambiente da comunicação e de como elas podem, juntas, auxiliar os negócios. O "just in time" me passa uma comunicação que virou pãozinho fresco de padaria, saindo a toda hora: quentinho e ao gosto do freguês.

O evento, gratuito, será realizado dia 23 de novembro a partir das 19:30h, na USP.

Ideias Noturnas.

Bom, para os amigos (as) de BH, segue uma dica de livro: "Ideias Noturnas" de Eduardo Sabino que, assim como eu, é colunista na PLURALE (www.plurale.com.br).

O lançamento, com tarde de autógrafos, acontece na Livraria Leitura BH Shopping às 12:30h do dia 28 de novembro.

domingo, 15 de novembro de 2009

Comunicação, marca e sustentabilidade.

Nesta terça-feira começa o Congresso Nacional de Bioenergia da UDOP (http://www.udop.com.br) em Araçatuba, SP. Um dos temas é comunicação e sustentabilidade. Fui convidado para falar sobre a "Comunicação como Ferramenta para atrelar a Identidade Corporativa à Sustentabilidade".

Eu poderia ter proposto a mudança no título mas o mantive de propósito, pois é interessante ver as percepções sobre o papel da comunicação na sustentabilidade. E estimular reflexões.

Ainda há um risco enorme de que as mudanças de gestão necessárias para um novo modelo de negócios sustentáveis não ocorram e que a comunicação faça apenas um bonito discurso, uma bela propaganda, sem qualquer conteúdo. Como uma embalagem sedutora por fora, mas que seja vazia por dentro, refletindo um exemplo de "green washing" (para usar um termo da moda).

Então, quando a comunicação poderá realmente ser uma ferramenta para atrelar a identidade corporativa à sustentabilidade?

Que tal fazer um exercício de múltipla escolha?

( ) Quando a comunicação refletir total coerência entre discurso e prática, gerando confiança na comunicação e credibilidade da marca;
( ) Quando as pessoas não forem mais consideradas como máquinas, recursos, “mão de obra” mas como principal motivo – razão social – das empresas;
( ) Quando a visão de longo prazo conseguir influenciar a gestão nos impactos econômicos, sociais e ambientais;
( ) Quando a comunicação construir relacionamentos entre diferentes públicos de interesse de maneira transparente, estimulando o aprendizado em comum;
( ) Quando a organização tiver maturidade suficiente para encarar essas questões;
( ) Todas as alternativas acima.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Uma rádio que ainda não saiu de moda, só de sintonia...

A rádio-peão ou rádio corredor é uma “conversa de bastidores” que corre em ondas distorcidas dentro das organizações. Trata-se de um disse me disse que causa ruído e tumultua a compreensão dos objetivos da empresa, manchando com palavras e comentários mesquinhos os valores representados na marca corporativa.

Mas essa rádio pirata não é a única culpada. Quando as pessoas não têm acesso ou possibilidade de uma comunicação interna fluida, transparente e madura, verdadeira, inovadora e voltada para o aprendizado comum, surge a fofoca. Característica humana, a conversa no cafézinho nem sempre precisa ser negativa, sarcástica, cínica. Mas ainda acontece na grande maioria das empresas que não sabem como sistematizar uma comunicação interna confiável, clara, inteligente. Permanente - que seja capaz de esclarecer as coisas e falar sobre o que é bom e o que é ruim.

Organizações que acreditam que o silêncio é a melhor estratégia, quando o assunto é comunicação interna, correm o risco de ter uma rádio corredor forte gerando informações distorcidas e boatos que comprometem até a produtividade das equipes.

Essa rede de informações que corre pelos bastidores têm impacto na qualidade das relações, atinge a confiança dos empregados diante das lideranças, conspira para criar um ambiente de trabalho neurótico de alta ansiedade e muitos receios.

Solução existe. Começar a falar e deixar o diálogo face a face entrar na moda nas passarelas, digo, nos corredores da empresa. Depois é evoluir e permitir que a sintonia fina da credibilidade ajude a formar não um exército de empregados fofoqueiros mas sim, uma elite interna de "embaixadores da marca".

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Comunicação, marca e cultura organizacional.

Lendo "A identidade cultural na pós-modernidade" do professor inglês Stuart Hall percebo o quanto a comunicação interna se faz necessária para fortalecer os vínculos dos empregados à identidade de marca, à cultura organizacional e ao atualmente tão propalado "sentimento de pertencer".

Quando escolhemos uma empresa para trabalhar temos uma imagem de marca, uma percepção da identidade daquela organização que muitas vezes não condiz com a realidade dos corredores. Muitas vezes, isso acontece porque a comunicação interna não desempenha um de seus mais relevantes papéis: o de irrigar a idéia da marca, fazer fluir através da linguagem os seus atributos e seus diferenciais. E voltando às idéias de Stuart Hall, neste mundo onde as "identidades eram sólidas localizações, nas quais os indivíduos se encaixavam socialmente, e que hoje se encontram com fronteiras menos definidas que provocam no indivíduo uma crise de identidade" - como poderia ficar as organizações? Ora, se essa possível crise atinge os indivíduos, e empresas são feitas de gente, é claro que existe o risco de uma crise de identidade em muitas organizações.

Daí os novos projetos de branding, do "DNA" da marca e de memória empresarial - quando o passado deve ser resgatado para fortalecer mitos e histórias que fundaram a organização. Dando força e coerência aos movimentos da empresa no presente, mirando os desafios futuros. A fim de fortalecer a identidade da marca, renovando uma cultura organizacional cujos valores originais muitas vezes foram esquecidos. Seja pela rotatividade da força de trabalho, seja por uma gestão que deseja romper com significados anteriores, seja por força de uma fusão ou mesmo porque a empresa parou de se comunicar da forma como devia.

A Natura, por exemplo, na minha opinião (e eu posso estar errado) parece que reencontrou seu jeito original de ser nesta camapnha dos 40 anos, quando na voz de Luiz Seabra agradece às pessoas pelo seu aniversário. Isso tem a cara da marca Natura. Esse é o jeito Natura de ser, a própria cultura da empresa. O mesmo se deu há pouco tempo com o projeto de branding da TAM - que resgatou o compromisso dos empregados e o mito do seu herói fundador, o Comandante Rolim.

E a comunicação interna é uma espécie de bússola na orientação dos empregados diante de cenários contraditórios que empurram a empresa para diferentes direções. Através da linguagem da comunicação interna e de sua prática diária dentro da empresa, os valores que a marca representa são o ponto de apoio à uma identidade mais unificada, mais coerente e completa.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Confidencial?

Impressionante a falta de cuidados com a comunicação que alguns executivos possuem. Nas reuniões com a equipe e com interlocutores externos de confiança muitas vezes escondem informações, passam comunicados fragmentados, evitam explicar situações de risco. Muitas vezes até desqualificam suas próprias equipes de comunicação.

Mas, vejam, basta seguirem pelos elevadores dos prédios onde trabalham ou entrarem nos restaurantes para o café da manhã ou o almoço (nem vou citar happy hour) para falarem dos problemas, das crises, de situações internas da empresa - sem qualquer cuidado. Sem medo de compartilhar informações com a coletividade.

Fui testemunha de dois episódios desses, daí a vontade de escrever. Há mais ou menos seis meses, após uma visita comercial desço pelo elevador e dois diretores tagarelas conversavam sobre um gravíssimo acidente de trabalho ocorrido numa unidade industrial, cuja origem foi a má manutenção das máquinas. Atrás deles um interessado sujeito prestava atenção em cada detalhe. Na sua lapela um button: Reuters - agência internacional de notícias.

Outra situação. Hoje, oito da manhã, cafézinho e pão de queijo, e dois executivos conversam na mesa ao lado: "Essa nova estrutura operacional não vai funcionar. Fulano e beltrano não se entendem e além disso tem apoios políticos diferentes, um é PSDB e outro é PT. E ano que vem a gente vai apoiar quem?"

Bom, a conversa foi além, mas só para vocês sentirem o grau de sensibilidade de um bate papo "inocente" em local público (um simples elevador e uma simples cefeteria) e que deveriam ter mais um pouco de sigilo. Mas que trazem informações que tornam-se públicas por total descuido. Ou melhor, total falta de um media trainning, de um coach com a equipe de comunicação ou mesmo de uma consultoria especializada. Concordam? É isso, aí.

Depois não acusem os jornalistas por eles saberem das últimas e irem investigar as coisas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

V UFRJ Ambientável.

Fui convidado a falar hoje no V UFRJ Ambientável - Encontro de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Marketing Verde e Consumo foi o tema de minha apresentação e o melhor da palestra foram as perguntas dos estudantes de engenharia sobre marketing, comunicação, valores intangíveis, ética.

Confessei aos ouvintes que como comunicador eu entendia muito sobre meu ofício mas nada sobre matemática e engenharia - o que posso até confessar: falha minha. Porque já vi engenheiros cuidando da área de comunicação, mas ainda não vi comunicadores cuidando da engenharia. Bom, mas não é isso que quero falar aqui.

Rapidamente, um item fundamental na discussão sobre o equilíbrio entre resultados economicos, sociais e ambientais: eles passam necessariamente pelas pessoas. Não há solução via tabela de Excell, processos e fluxos de logística ou produção sem que se coloque em cada ponto de sse as pessoas e suas vontades, mentalidades, hábitos, comportamentos, consciências...

Porque sem gente não vai ter planeta Afinal eu não quero só salvar pandas, baleias e ursos polares ou árvores seculares, mata atlântica ou floresta amazônica. Eu quero salvar as pessoas e a possibilidade de termos planeta para as gerações futuras.

E o "marketing verde" nessa história? Bom, evitando criar um novo bordão e cair no descrédito, precisamos de um novo marketing que não crie necessidades que não precisamos ter para vender produtos cuja obsolescência programada só vai criar mais lixo e descarte (portanto mais problemas). Um novo marketing que estimule e incentive a cidadania ao invés de criar apenas "consumidores". Difícil, mas não impossível.

E se o consumo tornou-se um ato político, de responsabilidade, de reflexão, é a comunicação que vai trabalhar consciências de uma forma responsável e urgente. Porque senão não vai sobrar planeta onde gastar os lucros. Nem gente para conversar, comprar ou vender. Diante disso, estamos falando de novos valores planetários, de uma necessária visão sistêmica e de uma rede global de relações interdependentes.

Fiquei satisfeito de ver a participação da moçada, dos futuros engenheiros que vão trazer mais calor humano às suas tabelas, lembrando que em cada ponto do processo não existe uma máquina, mas uma vida. É nisso que acredito, ainda mais depois do evento de hoje.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Conversar é uma forma de amar"

Compartilho um trecho escrito por Márcia Tiburi,filósofa e escritora e que tem tudo a ver com comunicação, o uso das palavras, a importância do diálogo, do ouvir o outro. Dos simbólicos e do peso emocional que podemos ter - ou não, em nossas conversas:

"Desaprendemos de conversar por alguns motivos. Um deles é o descaso que temos com as palavras. Nem nos preocupamos em conhecê-las, não avaliamos a história da humanidade que nelas se guarda. Não imaginamos que palavras tão comuns quanto liberdade, memória, história, pensamento, prática, e tantas outras possuem uma vasta história. E não se trata apenas da etimologia, da origem dos nomes, mas da função simbólica, do que está guardado nas palavras como sentido que vai além delas e mostra o mundo humano dos afetos, sentimentos, desejos, projetos. Não apenas os poetas e escritores devem cuidar das palavras, mas todos os humanos."

Fonte:
Marcia Tiburi
Publicado em "Vida Simples" (abril 2008)
http://www.marciatiburi.com.br

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bate papo, em Pernambuco.

Compartilhando. Um bate papo pelo telefone com o pessoal do Clube do RP de Pernambuco, terra de gente inteligente e pura simpatia.

Acessem: http://clubedorp.blogspot.com

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Não dá para não escrever sobre este espetáculo.

Quando falamos apenas de imagem estamos falando de uma ilusão, de uma percepção favorável ou desfavorável. No caso de uma olimpíada, a eleição do Rio de Janeiro é sem sombra de dúvida um ponto positivo para a cidade e para o país. Afinal, o simbólico tem muito valor no imaginário coletivo.

Mas a pergunta é o quanto esta imagem terá valor no cotidiano da vida, fora da festança? Será apenas um grande espetáculo ou vamos fazer deste processo de preparação para os jogos um rito de passagem, onde as nossas crianças herdem um país mais justo, com melhores escolas e educação, saúde e uma cidadania digna? Não gostaria de terminar um movimento destes com estádios, quadras e piscinas que depois da festa ficarão abandonados.

O receio é descobrir o espetáculo como finalidade única no final das contas. Quero dizer que talvez tenhamos mais três carnavais, além dos conhecidos: as copas de futebol (ano que vem na África e depois no Brasil) e as olimpíadas. Pronto - este é o projeto nacional de futuro? Ok, nada de radicalismos - apenas reflexão, convocação. Mas vale a pergunta não vale?

Só para questionar a dança de símbolos e imagens que irão nos inebriar ao longo destes próximos anos, resgato o filósofo e diretor de cinema Guy Debord em sua obra "A Sociedade do Espetáculo", no trecho:"O espectáculo como organização social da paralisia da história e da memória, do abandono da história que se erige sobre a base do tempo histórico, é a falsa consciência do tempo".

Estaremos diante de pura propaganda? Pois o que ficou do nosso Pan? Mais escolas e mais educação? Zero crianças nos sinais?

Enfim, pra pensar nesta quarta feira nublada.

domingo, 4 de outubro de 2009

Três perguntas.

Bom, hoje, recebi três perguntinhas de uma profissional em busca de recolocação no mercado. Vou compartilhar com vocês as minhas respostas...aguardando comentários, sempre bem-vindos!

1 - Qual é o papel da comunicação nas empresas atualmente?

R:Cada empresa tem um grau de maturidade e perguntar qual é o papel da COM dentro delas depende do momento que cada empresa está vivendo. Depende também do líder. Por isso, se você vai pesquisar empresas para trabalhar pesquise as lideranças - quem são as cabeças, os exemplos? Onde está rolando a revolução feita pelo diálogo? Onde há muito discurso de "portas abertas" mas com gestores com cara de porta fechada? Tem que pesquisar, perguntar. Aqui vão algumas empresas que sei que estão numa trajetória de comunicação bastante inovadora: O Boticário, Natura, Chemtech, CPFL, EAS, Mantecorp, Light, Icatu Hartford, Norskan.

Mas, tudo é relativo. Depende de maturidade e depende da liderança. Para construir uma cultura de comunicação demora muito, para desmontar - basta uma semana. É fato.

2 - E as agências de comunicação?

R: Idem, tem de tudo um pouco. Falta foco para muitas delas (daí se dizerem "integrais", "totais", "360º" entre outros adjetivos). Poderiam ser lugares espetaculares: criativos, inovadores, comunicativos e banhados por conhecimento, mas nem sempre são assim. São experts em dizer que fazem comunicação pra valer, mas por dentro a banda toca outra música. Aliás, para fora é só fanfarra, nas relações internas é rolo compressor - "casa de ferreiro, espeto de pau".

E para piorar: a publicidade tradicional está sob fogo cruzado - há um universo digital mudando as regras do jogo: viral, dinâmico, supreendente. Propaganda está cara na tv, incontrolável pelos blogs, sites, comunidades e twitters da vida. Mas vale a pena mergulhar nisso e influenciar. E é isso o que uma boa agência deve fazer: ouvir, interagir e influenciar.

Ahn, e a terceira pergunta? O que eu tenho visto que as empresas valorizam nos profissionais? Muita coisa, veja só, tudo em matéria de siglas: PPT, EXCELL, WORD, HTML, PHOTOSHOP, CDR, BSC, SWOT, GRI, PÓS disso e daquilo, MBA disso, MBA daquilo e um $ de mercado. E o inglês? Básico:trabalho HARD, dedicação FULL e automotivação e protagonimso UP UP UP. Okay? Mas lembre-se sempre existem boas excessões - por isso: pesquise.

Afinal de contas, pra fazer a comunicação fluir deveríamos incluir nesse contexto a emoção e a paixão - palavrinhas difíceis de se entender em universo racionais e mecanicistas. Isso sem falar na espiritualidade - mas isso já é outro patamar de consciência, deixa para outro post.

É isso. Espero ter dado um HELP, numa visão geral. Vamos tcld.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Coerência: o "walk the talk" nosso de cada dia.

Já tenho escutado e lido (acho que eu mesmo já escrevi por aqui) sobre o "walk the talk" ou o alinhamento entre discurso e a prática, item tão necessário para a construção da confiança nas relações humanas. Confiança abalada em tempos de relações efêmeras e ansiosas, cerceadas pelo medo. Pelo medo do aquecimento global e o apocalipse ambiental, pelo medo dos terroristas, pelo medo de não ter emprego ou de se manter no emprego, pelo medo da violência urbana, medo do imposto de renda e a mordida do leão faminto, pelo medo da soberba dos poderosos, medo disso e medo daquilo. Tempos de ansiedade, realmente.

Daí, a confiança nas palavras, nos dizeres,ser tão rara, tão fugaz. Pois o discurso não traduz a ação real. A boca articula um pensamento e a voz se faz ouvir, mas o corpo mente no próximo ato: hipocrisia, sarcasmo, desilusão. Mas onde começa tudo isso? Começa na gente. E se a comunicação esta desse jeito entre as pessoas (me digam se estou exagerando, ok?) imaginem nas empresas. Porque empresas melhores só existirão com pessoas melhores. Só existirão não com funcionários em piloto automático, na luta contra os ponteiros do relógio. Mas com cidadãos lúcidos, conscientes, atuantes. Certos de suas escolhas. Porque nós fazemos as escolhas para o certo ou o errado, para o bem ou o mal. Portanto, qual será a próxima escolha?

Medo do aquecimento global? Ou esperança por um mundo mais equilibrado? Medo de um AVC? Ou uma vida mais saudável? Porque é assim:o mudar o mundo precisa de um ato inaugural, o compromisso maior - aquele que fazemos com nossas consciências. Todos os dias. Diante de cada momento que exige uma escolha e que se traduza em coerência entre as nossas palavras e a prática diária por uma vida em equilíbrio. Primeiro conosco.Depois nas nossas relações com o mundo. E com palavras mais sábias, menos mascaradas e mais sinceras. O "walk the talk" - como se vê, não é moleza.

É um convite à coragem de tentarmos melhorar o mundo e onde a sustentabilidade não seja um relatório plasticamente editado, mas uma mensagem transparente de aprendizado e coerência. Um livro em obras.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VISÃO FRAGMENTADA X VISÃO SISTÊMICA.

Numa conversa com um engenheiro de uma fábrica de bombas, mísseis e explosivos foi perguntado se o sujeito tinha algum tipo de culpa pelo que produzia. A resposta veio com um tiro de fuzil: “Não tenho culpa de nada. Aqui eu só faço a colocação do detonador. Nem sei quanto de explosivo existe nesse artefato. Também não sou eu quem jogará essa bomba em cima dos outros”.

O exemplo acima ilustra bem o que significa ter uma visão fragmentada do mundo e da vida. Diferentemente de uma visão sistêmica – que considera o conjunto, o todo e a teia de conexões e interdependências de qualquer atividade humana. E que é fundamental para a sobrevivência atual de nossa espécie na terra.

Mas de onde surge essa visão estanque? Acredito que vivemos sob a influência de dois modelos de pensamento que não somente nos trouxeram o crescimento industrial e a fartura de produtos como automóveis, geladeiras, computadores e ogivas nucleares. Mas que também trouxeram, por conseqüência, os engarrafamentos, a queima de combustível fóssil e a poluição do ar, o desperdício de energia, a guerra moderna e seu poderio militar destrutivo como nunca se viu na história humana.

Falo sobre o pensamento de Descartes e de Newton. Pensadores geniais que transformaram o mundo pela força de suas idéias. Mas que estavam apenas parcialmente certos. Explico: quando se determina que a verdade é tudo aquilo que a razão pode explicar, privilegia-se o mental, racional, matemático e deixa-se de lado outras visões da verdade como os costumes, a cultura, a emoção, a espiritualidade (não de uma religião, mas de uma crença maior nos mistérios da vida). Ou seja, produz-se um modelo onde só a razão e a mente valem.

Ou seja, ao explicarmos a vida e o universo a partir de uma visão mecanicista, onde o mundo funcionaria como um grande relógio, passamos a perceber a dinâmica da vida como um conjunto de peças dentro de ritmos determinados pelo tempo e pelo movimento. Peças perfeitamente controláveis. Um modelo mental que acabou classificando homens e mulheres como “recursos” e dessa forma plenamente substituíveis ou trocáveis, assim como peças de uma máquina – muito bem retratada na genialidade de Charles Chaplin no filme “Tempos Modernos”.

E mais ainda. Um modelo que deixou de perceber que a industrialização e o crescimento contínuo de negócios não consideravam há até poucos anos, os impactos desse crescimento sobre ecossistemas variados. Uma visão – fragmentada – que deixava a natureza do lado de fora das fábricas, desconsiderando o valor do que podemos chamar hoje de capital natural. E pior: na sua prepotência em traçar metas e objetivos, acreditou que através de um controle feito pelas planilhas matemáticas poderia comandar e controlar tudo. Inclusive a vida.

Ora, quem consegue controlar a vida? Ainda não existem respostas para isso. Assim, tanto Newton quanto Descartes descobriram uma apenas uma parte da verdade do mundo. E hoje, precisamos acrescentar, incluir, considerar, perceber outras dimensões desse gigantesco mistério chamado vida. Nosso futuro depende dessa visão sistêmica.

A partir disso, desta visão holística, do todo que nos une e nos insere numa teia universal, poderemos entender que nossos atos, dos mais simples aos mais complexos podem afetar nossos rumos, podem afetar nosso futuro. É um desafio muito grande começar a mergulhar nessas dimensões. Mas a tal sustentabilidade, palavra da moda, precisa exatamente disso: de uma visão mais abrangente – que vai gerar alguma reflexão e muito aprendizado. Por tabela (Ops, olha o racional aí!), novos processos, novos jeitos de fazer, de organizar. Vai gerar inovação. Mudança.

E vai fazer também que aquele engenheiro lá na fábrica de bombas não tenha a desculpa perfeita de dizer que ele só é responsável por uma pequena parte do trabalho. Que não faz mal a ninguém na sua rotina de instalação de pequenos detonares dentro de pequenos ou grandes mísseis. Aliás, quem sabe num futuro não tenhamos mais este tipo de negócio? Indústria de armas, complexos militares...

Afinal, numa visão maior vamos nos descobrir não sujeitos desconhecidos, estrangeiros ou intrusos, mas membros de uma só família que habita o mesmo endereço residencial: a Terra. Faz sentido para vocês?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Consumo.

Bom, depois de ver os vídeos que fiz referência nos dois posts abaixo, é hora de um pouco de reflexão. Que tipo de consumidor você é? Porque esse é um ponto que bate de frente com nosso futuro comum. As escolhas que estamos fazendo hoje se refletem no amanhã do planeta. Ou seja, que tal começar a ler a etiqueta, o rótulo do produto que você está comprando? Pode não ter muita coisa (mas devia, se a empresa fosse 100%preocupada com seus processos de fabricação) ou pode ter alguma coisa tipo: fabricado na China. O que pode não dizer nada para você, mas pode dizer que aquele brinquedinho, peça de roupa ou eletroeletrônico foi feito por crianças em situação similar à escravidão, ou feitas por presos políticos. Tudo bem para você?

Ok, a China fica do outro lado do mundo, não é mesmo? E esse assunto de Direitos Humanos é coisa deles, não nossa(é ironia, tá?). Mas e se a etiqueta disser que o produto veio da Amazônia? Ou não disser? Tipo: a madeira daquela mesa super estilosa que você colocou na sua sala, com um conjunto bacaninha de banquinhos de madeira. Todas as peças feitas com madeira não certificada, cuja origem é de desmatamento criminoso mesmo. Mudou alguma coisa? Para você? Para sua empresa (caso forem todos os móveis novos do escritório ou se forem as madeiras daquele stand na feira de negócios)?.E aí?

Ou seja, vamos começar a pensar - rápido - sobre nossos hábitos de consumo? Sobre nossas escolhas? Sobre a responsabilidade de cada pessoa, física ou jurídica? Nosso futuro vale isso não vale?

Comunicação e sustentabilidade 2 - Consumo.

Para quem acha que sustentabilidade é só para se aparecer "bem na foto" e surfar a última onda do momento, confiram duas versões bastante polêmicas sobre a marca DOVE.
Um da própria empresa enaltecendo a auto estima das mulheres e alertando para a insanidade da busca da beleza última - a inalcansável em termos de perfeição absoluta.

Esta lá no You Tube, em Beauty Pressure, no link:

http://www.youtube.com/watch?v=Ei6JvK0W60I

Outra é do Greenpeace (eles novamente - campeões em comunicação), assista e compare:

http://www.youtube.com/watch?v=odI7pQFyjso&feature=related

Comunicação e Sustentabilidade.

O Greenpeace é uma ONG que sabe usar a comunicação de maneira estratégica para chamar a atenção sobre alguns temas bastante polêmicos. Uso da energia nuclear, que tal, para a gente começar a falar? Afinal, vamos entrar num novo tempo na história militar brasileira com a compra de um submarino atômico francês pela bagatela de R$ 20 bilhões. Então, relembrar é viver, por isso, mais atual do que nunca - Chernobyl, o maior desastre da história nuclear mundial num vídeo imperdível.

Acesse e confira no You Tube - 20 years ago: Chernobyl

http://www.youtube.com/watch?v=CUzu1eegKWM&feature=channel

domingo, 13 de setembro de 2009

Vida de consultor.

Vida de consultor de comunicação é assim mesmo. Sábado com reunião num cliente para traçar a estratégia de uma ação emergencial. Domingo finalizando o plano de comunicação e a pauta de reunião de outra empresa. Alguns momentos para reler Peter Senge, mais um pedacinho do dia para fechar a próxima aula na Pós de Comunicação Integrada (desta vez vamos abordar o tema consumo x consumismo) e, olhem só, tem até alguns minutos para atualizar o blog!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Case Light - Dona Marta.

Articular Governo do Estado, iniciativa privada e comunidade para gerar uma nova realidade politica, ambiental, social e economica. Quem não gostaria de conhecer um caso de sucesso com esta proposta? Pois então, fui um ouvinte atento da palestra de Carlos Piazza, Superintendente de Público da Light,acompanhado da Gerente de Comunicação Jordana Garcia na apresentação geral da empresa e do case "Dona Marta" na ESPM.

Já conhecia bastante a Light pois pude contribuir na elaboração do relatório de sustentabilidade de 2008 e, atualmente, trabalho com a área interna da empresa junto à Diretoria de Gente. Mas é uma satisfação rever um caso de sucesso que comprova que competência técnica, protagonismo e porque não dizer, alegria em realizar conseguem mudar realidades - para melhor. E é isso que está acontecendo na comunidade do Dona Marta, uma favela no Rio de Janeiro, cujos habitantes até pouco tempo atrás não possuíam uma rede elétrica segura(as fiações que cruzavam a comunidade eram emaranhados de ligações clandestinas) e que nunca receberam em suas vidas contas de luz - mesmo porque não tinham endereço de entrega(na favela não havia nomes de ruas e muito menos CEP para os correios). Além de estarem à mercê do tráfico de drogas e das milícias que não permitiam serviços públicos no local.

Através de uma iniciativa do Governo do Estado, sob o atual mandato de Sérgio Cabral, a Light aceita o desafio de organizar a rede elétrica da área (construindo todo um sistema de distribuição de energia com postes, fiação, caixas de força e geradores)e montando as instalações elétricas nas casas dos moradores e doando seis mil novas geladeiras(as antigas geladeiras dos moradores eram verdadeiras devoradoras de energia e produtoras de gás CFC). Além disso, a empresa coloca as placas com os nomes das ruas - escolhidas pelos moradores (que ganham através das contas de luz, agora cobradas, um comprovante de residência - fundamental para terem crédito e até para registro de documentos).

Através de uma comunicação transparente com os moradores e da construção de um relacionamento baseado na confiança, a Light estabelece a cobrança de uma tarifa subsidiada inicial de cerca de R$ 15,00 e mais toda uma assistência técnica esclarecedora junto à comunidade para fazer evoluir a nova relação e seus novos hábitos de vida. É preciso criar uma cultura capaz de perceber o valor que a legalidade pode trazer para quem viveu sob a tirania do tráfico (que entre outras aberrações costumava sequestrar funcionários da Light e fuzilar geradores, causando apagões pelos bairros próximos).

Um exemplo de como a necessária e inteligente articulação entre diferentes atores sociais pode gerar bons frutos para a cidadania, a economia e o meio ambiente. E outras favelas virão dentro de proposta idêntica, pois o modelo mostrou-se viável. É claro que os problemas foram diversos e gigantescos, mas o esforço conjunto trouxe e vai trazer ainda mais recompensas para todos. E o conhecimento adquirido nesse processo poderá ser multiplicado por outras operadores de energia do Brasil em situações semelhantes às encontradas na favela carioca.

Quem quiser saber mais, basta acessar o site da Light: www.light.com.br e buscar outras informações no relatório de sustentabilidade on-line de 2008. É uma pena que o vídeo com o case do Dona Marta não esteja disponível. Fica aí a sugestão ao Piazza e à Jordana.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Gestão de redes de stakeholders.

Para o professor e escritor Augusto de Franco, "tudo que é sustentável tem o padrão de rede". Assim como nossos cérebros são redes neurais com uma miríade de conexões e sinapses, a vida e seu equilíbrio também dependem de uma extensa rede de contatos e conexões para seu funcionamnto, sua dinâmica, sua evolução.

Trata-se mais ou menos como uma pedrinha dentro do sapato: ao final de um dia inteiro andando com o pequeno incômodo na sola do pé, o corpo estará dolorido, pois a coluna terá sentido o desequilíbrio nos passos dados afetando todo o conjunto físico e por consequência mental. Assim como a pequena pedra, incomoda pela inclusão externa no todo (como uma espécie de 'poluente' externo), ao retirarmos parte do cérebro, a plena capacidade intelectual, sensorial e perceptiva do ser humano será impactada. A 'rede' estará afetada.

Ou seja, nosso atual modelo fragmentado de perceber as relações e o mundo mostra-se ultrapassado diante de nossos desafios ambientais, sociais e econômicos e de um mundo cada vez menos estanque - pois cada vez mais ligado por redes sociais, redes de relações, teias colaborativas e complexas (que desconhecem fronteiras políticas e geográficas). Olhar e trabalhar apenas uma pequena parte dessa rede é portanto, uma visão fragmentada que não dará conta das soluções necessárias uma vez que não enxerga o quadro maior.

Temos hoje ao alcance dos nossos dedos e de alguns cliques, todo o conhecimento produzido pela humanidade ao longo da história. Somos uma enorme família que começa a se reconhecer e a perceber que habita a mesma residência: a Terra. E é por isso que instituições, governos, universidades, empresas não podem mais abrir mão de gerenciar as redes de stakeholders que interferem e se relacionam dentro deste universo de ações e reações permanentes. As empresas então, públicas ou privadas, em muitos casos, detentoras de um volume de capital muito maior do que o PIB de países inteiros, apesar de seu poderio econômico, devem intergir mais com seus públicos de interesse (ao invés de tentar controlá-los). Afinal, as empresas, assim como diversas outras organziações humanas, perderam sua centralidade. Fazem parte de redes: complexas, desorganizadas, mutantes - mas também ricas em sua diversidade, sua geração de conhecimento, seus processos inovadores de colaboração e influências.

Mas como iniciar um processo de tamanha envergadura? Entram aqui, como passo número um, a atuação de novos profissionais de comunicação com perfil mais holístico: humanistas que precisarão entender mais sobre cultura, política, comportamento humano, história, ecologia, economia e tecnologia. Homens e mulheres que já chamei de "os novos renascentistas" num artigo recente para a ABERJE 9gente que poderá ser ou formada em comunicação social ou marketing, como o são a grande maioria dos comunicadores empresariais atuais - eu um deles!). Com tais pessoas à disposição, as empresas poderão organizar seus sistemas de relacionamento de maneira interativa (porque 100% dialógica) aperfeiçoando modelos de negócios através de uma intensa troca de conhecimento, interpretações, percepções e opiniões dentro das suas redes de atuação. Mas esta é apenas uma parte de toda esta conversa e esse desafio gerencial moderno.

sábado, 29 de agosto de 2009

Fibria.

Nasceu a Fibria, nova marca no mercado de celulose mundial. A Fibria é resultado da união entre VCP - Votorantim Celulose e Papel e a Aracruz. Achei um super nome: sonoro, fácil, forte e simples de se traduzir para algumas línguas o que facilita os negócios globais dessa gigantesca empresa.

E o que significa "fibria"? Trata-se de um potente potente vitalizante para os vegetais, muito provavelmente, um estimulante ao crescimento das árvores, especialmente - neste caso, os eucaliptos.Vamos acompanhar, no primeiro dia de setembro deve ter uma campanha de comunicação anunciando a nova marca.

Vejam mais em: www.vcp.com.br.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

TIC TAC TIC TAC

Começa neste sábado, no mundo inteiro, a campanha de publicidade pela convocação da sociedade civil para a questão do clima, tendo em vista à conferência mundial COP 15 em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro.

A campanha foi planejada pela Rebouças & Associados com um trabalho conjunto de Bruno Israel, Maira Miguel, Priscila Menezes e Nádia Rebouças. A Mídia 1 de Antonônio Jorge Pinheiro e a Open Multimeios de Hilton Israel também foram parceiros, entre outros.

Acessem: www.tictactictac.org.br

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Bhopal.

Don Tapscott e David Ticoll escreveram "A Empresa Transparente" em 2003. O livro fala sobre uma nova era para os negócios: a Era da Transparência. Num dos parágrafos os autores relembram o desastre químico em Bhopal, na Índia, quando a Union Carbide deixou vazar veneno de suas instalações o que acabou matando 4 mil pessoas (há controvérsias no total de mortos).

Mas o que isso tem a ver com transparência? Ora, tudo. Os autores citam exemplos de sites contra a Dow Chemical (que adquiriu a Union Carbide posteriormente) e que tornaram-se fontes de dor de cabeça para a gigante química - que dificilmente vai se livrar desta triste herança ambiental. Não tem jeito, a marca vai carregar um recall negativo e eu acho que isso vai demorar muito a mudar.

Ou seja, mais uma mostra de que este mundo de redes digitais trouxe um volume de informações e conexões capazes de influenciar a reputação de nomes e marcas ao redor do mundo com grande estardalhaço,de maneira permanente como numa moblização virtual planetária - mesmo que muito tempo depois de um fato ter ocorrido. Lembrem-se que a tragédia em Bhopal ocorreu em 1984 quando a web nem existia e as notícias demoravam a chegar aos quatro cantos do planeta. Aliás, cuidar da memória também é importante para a sustentabilidade: datas marcantes devem ser relembradas para que a história não se repita.

Para quem quiser conhecer mais, recomendo:
www.nakedcorporation.com e www.bhopal.com

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O mundo funciona como uma máquina?

Dá para explicar a vida através de um manual de instruções? Então de onde é que surgiu essa idéia de que o mundo funciona como uma máquina? De que seres-humanos são como relógios? Bom, resgato aqui um pouco do que falei em sala de aula, compartilhando idéias com os participantes da Pós-Graduação em Comunicação Integrada, na disciplina de Comunicação & Desenvolvimento, na ESPM.

Nossa visão "mecanicista" e "racional" do mundo e da vida é herança de dois ilustres senhores: Newton e Descartes. Gênios, sem dúvida, que formularam idéias capazes de nos impactar até hoje e que criaram a base deste crescimento material, deste crescimento industrial existente. Progresso que produziu máquinas e produtos que compõem nossa civilização. Só que a visão matemática, o pensamento puramente racional produziu também uma fragmentação do todo - que é a vida em sua complexidade, em sua interdependência e integralidade. Produziu um senso comum que proclamou que seres humanos funcionam como máquinas. Liga e desliga. "Ficaram doentes? Troca, que venham outros do estoque!" Um senso comum que nos faz viver no "automático", como robôs cada vez mais atrasados em relação às horas do dia, cada vez mais quantitativos ou invés de qualitativos.

Este modelo talvez tenha funcionado para criarmos automóveis, geladeira,aviões, fábricas inteiras. Mas acabou também criando os engarrafamentos, a poluição da atmosfera, o pseudo-controle do tempo através do relógio, o pseudo-controle da realidade através de planilhas e tabelas. Ora, a vida é incontrolável. E a visão mecanicista, racional nunca poderia dar conta sozinha da explicação da vida.

O desafio da sustentabilidade atualmente é que precisamos completar esse jeito de ver o mundo. Precisamos resgatar uma visão sistêmica, do todo. Das relações em suas infinitas coligação, conexões. E nisso eu incluo o olhar sobre as emoções humanas, o olhar sobre a natureza como ambiente inteiro (e não "meio"), o olhar sobre a espiritualidade. Dimensões que estão fora do modelo que determina que "verdade é tudo o que a minha razão consegue explicar" que, sim, é uma verdade. Parcial. Porque a vida tem muito mais do que nossa razão possa entender.

Meio místico demais? Utópico? Bem, é o que acredito. Quem quiser ler mais sobre tudo isso, indico alguns dos autores que estão mergulhados nessa nova abordagem sobre a ciência da vida, da sustentabilidade planetária e de um novo humanismo: Fritjof Capra, James Lovelock, Edgard Morin, Humberto Maturana, Alvin Toffler, Peter Senge e Ken Wilber.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ação da Cidadania 3.

Ação da Cidadania 2.

Ação da Cidadania.


A Ação da Cidadania, como eu disse no post anterior foi o primeiro movimento social a utilizar o marketing e a comunicação de maneira estratégica. Se o marketing vendia sabão em pó e automóvel porque ele não poderia vender idéias como a solidariedade?

Nas peças a seguir, outra boa lembrança viabilizada em colaboração com profissionais voluntários. O texto é de minha criação e a direção de arte é do meu amigo publicitário, poeta e artista plástico Alessandro Monteiro (www.alessandromonteiro.com) com fotos de Ricardo Behring. Quem assina a peça é o Escritório de Idéias do Vitor Murtinho. E o veículo que publicou foi a Revista Capricho, sem qualquer custo.

Ahn, o macaquinho no canto da esquerda eu peguei emprestado da minha filha, rs rs rs.

domingo, 16 de agosto de 2009

Você tem fome de quê?


O tempo passa e o tempo voa, dizia uma um anúncio do Banco Bamerindus - que já não existe mais. Como o conhecimento é uma espécie de organização do passado (já que ninguém conhece o futuro) resgatei e compartilho aqui um trabalho dos meus tempos de redator publicitário para a Ação da Cidadania, movimento iniciado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

A Ação da Cidadania foi o primeiro movimento que utilizou a comunicação de maneira estratégica e o marketing "social" para mudar percepções e atitudes. E através do seu Comitê de Idéias - em cujas reuniões participavam redatores, cineastas, jornalistas, diretores de arte e criativos geralmente se encontrando na Oficina de Marketing, agência da Nádia Rebouças e do Antonio Jorge Pinheiro, diversas campanhas foram criadas. Aliás, registro aqui que a própria estratégia de comunicação da Ação da Cidadania só teve sucesso mesmo porque contava com o planejamento e a coordenação direta de Nádia Rebouças.

Além do mais, tudo era feito de graça, de forma voluntária. Anúncios, textos, filmes e idéias eram criados e veiculados pela Globo, Band, SBT e pelos jornais O Dia, O Globo e o JB, além de outras mídias que não cobravam nada. Ou seja, era uma rede de comunicação do bem, simplesmente movida pela solidariedade humana (claro que havia uma boa dose de ego entre os publicitários na apresentação de suas criações, senão não seriam publicitários). Mas a causa era justa e a Ação da Cidadania, além de um movimento inédito, foi um case de comunicação inovador. Até hoje.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Os mísseis "sustentáveis"?


"Olho por olho e a humanidade acabará cega" é uma frase que escutei numa roda de amigos e que foi atribuída à Gandhi. Não sei se foi isso mesmo que ele disse, mas é um pensamento que tem minha simpatia. Aliás, está aí uma boa causa nestes tempos complexos: trabalhar para o controle de produção e de vendas de armas (pesadas ou leves).

Como sou um curioso, acabei descobrindo meu primeiro "alvo" (sim, estou usando um jargão conhecido da indústria bélica). Chama-se Kongsberg e é uma empresa da Noruega que fabrica...mísseis!Entre outros negócios.

Pois é. A gente pode até pensar que temos tantas contas a pagar, filhos para cuidar, carro pra consertar, cachorro pra levar no veterinário que ficamos com mais medo do assalto na esquina do que de mísseis fabricados num país distante. Mas, o mundo é circular e a Kongsberg tem escritório no Brasil. E vejam, compartilhem comigo a incoerência: a empresa tem um relatório de sustentabilidade e nele a gente encontra paradoxos como o apoio aos princípios do Global Compact e a trabalhos em RS com crianças órfãs (provavelmente vítimas de guerras, onde alguns mísseis caíram sobre casas, matando pais e mães - por engano). Além de um acabamento visual recheado de fotos de gente sorrindo - inclusive aquele operário enchendo o foguete com dinamite feliz da vida para a foto. Incoerência total. Mais: eu diria doença. Isso não pode ser normal.

A Kongsberg além de possuir uma área de equipamentos de "defesa" também atua no segmento de petróleo, gás e offshore. Ou seja, até parece que tudo está no lugar certo - só que o negócio de venda de armas em si é do mal. Não vejo como um fabricante de bombas possa ser sustentável. A cadeia de valor dos caras simplesmente tende a desaparecer, logo após o cliente, porque o "público-alvo" desse mesmo cliente tende a "ir pelos ares" literalmente. Vocês não concordam ou eu estou delirando? Dá para ser sustentável num negócio desses?

E a Kongsberg não é a única no ramo, ok? Temos ainda outros pesos pesados nessa indústria bélica (que rende muito dinheiro, com certeza), mas não rende frutos ambientais nem sociais, pois o dano de uma guerra é maior que qualquer compensação. O que um míssel tem de poder destrutivo compromete o futuro de milhares de pessoas que mal sabem da existência desses armamentos. Ou seja: suas contas a pagar são importantes, mas estamos dormindo sob um arsenal mortal feito por empresas como a Kongsberg, por exemplo.

Bom, só para não ficar escrevendo da Kongsberg, pois podem dizer que estou perseguindo empresas norueguesas, cito outras marcas igualmente nefastas para fazer parte da lista: a americana Claymore Inc -fabricante de minas terrestres, a nossa verde e amarela Avibrás (yes nós temos missiles), a EADS N.V que tem no portfólio a marca Airbus e a MBDA Inc.
Ou seja: a loucura humana não tem limites. Sorte a nossa que a esperança e as pessoas sãs também não, ainda mais quando se trata de defender o idreito à vida e a um futuro onde a sustentabilidade realmente seja uma prática, mais do que um discurso incoerente.
Ahn, e não deixem de visitar os sites: http://www.kongsberg.com/ e http://www.mbda-systems.com/

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Comunicação mais responsável?


Uma pergunta fundamental para os tempos atuais. Não somente para empresas privadas, mas também para empresas públicas, ok?

Mas neste post vou me ater apenas a uma indústria específica: a de bebidas. Como é vender álcool para clientes? Sei que isso passa, de certa forma, pela liberdade de escolha pessoal e que a humanidade sempre "tomou suas biritas". Sei que um chopp gelado no final de uma tarde de verão é realmente um prazer, sei, sei,sei. Mas como seria trabalhar uma comunicação mais responsável desse produto? Porque eu entendo que a publicidade tradicional - apenas como estímulo excessivo ao consumo (e para muita gente o caminho do vício - ops, olha a polêmica!) não tem mais espaço no futuro. É muito complicado ver atletas (como o Cafú ou o Ronaldinho) incentivando a moçada a beber. Quero estimular uma reflexão sobre a comunicação das indústrias de bebidas. Dá para ser sustentável nesse negócio? Dá para ser transparente? Como é que você vê essa questão, meu (minha) prezado (a) leitor (a)?

Um exemplo resgatado do baú da propaganda está no You Tube e é da Seagram´s, de 1973, e outro link bem interessante é patrocinado pela Pernod Ricard, lá fora. Vale acessar os dois:

http://www.acceptresponsibility.org/

http://www.youtube.com/watch?v=saj-PblR2r0

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Comunicação e desenvolvimento na ESPM Rio.

Dia 20 de agosto começam as aulas na ESPM Rio sobre Comunicação e Desenvolvimento, na Pós Graduação de Comunicação Integrada. Na verdade, as minhas aulas serão sobre comunicação e sustentabilidade - e como essas duas disciplinas são inseparáveis. E como uma nova comunicação está sendo gerada e implantada (ou não) dentro das organizações humanas.

Porque se olharmos para muitos anúncios que estão por aí, ser sustentável hoje virou um jargão corporativo que está demolindo o verdadeiro sentido do termo. E porque entre os interlocutores que compõem a teia de relações de um negócio e suas diversas conexões, é a comunicação que promove a troca de idéias, experiências e conhecimentos entre os diferentes públicos. O mundo com seus desafios nunca antes sequer imaginados (as mudanças climáticas estão aí para esquentar nossas cabeças pensantes) precisa de comunicação. Pois comunicação é "ação comum", união de pontos distantes, ponte entre corações e mentes.

Através da comunicação podemos esclarecer nossas idéias, nossos propósitos e planos - de maneira transparente (premissa da confiança) e saber o que o outro interlocutor percebe, entende, interpreta, espera. Para mim sustentabilidade começa com essa aproximação, feita pela palavra, pelo diálogo - primeiro internamente, nas empresas, pois tudo começa de dentro para fora senão é como uma embalagem bonita, vazia de conteúdo. E depois expandindo essa onda para o universo externo da organização.

Enfim, mais uma responsabilidade que aparece na minha frente: interagir com alunos e alunas para construir em conjunto um grande curso. Na excelência que a marca ESPM exige.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A sutil diferença das palavras.

Como sua empresa lida com os tais "públicos de interesse" (stakeholders), por exemplo, na hora de começar um novo projeto numa região do Brasil ou mesmo em outros países?Ao chegar na região a sua empresa considera as pessoas nativas daquele local como "moradores" ou como "cidadãos"? Tem diferença?

Eu diria que sim, tem muita. Se considerarmos pessoas como cidadãos estaremos entendendo que elas têm direitos e deveres, têm condições de interferir em decisões que afetem seu futuro e possuem hábitos e costumes culturalmente enraizados naquele território que habitam. Se a organização que chega, ao contrário, considerá-los apenas como "moradores" - teremos outra abordagem. Eu por exemplo posso ser morador de minha casa de veraneio, nas minhas férias. Portanto, dois pesos e duas medidas, não é mesmo? Fica mais fácil deslocar moradores do que deslocar cidadãos. Fica mais fácil dizer que moradores podem ir povoar outro lugar, sem muitos traumas. Mas com cidadãos, acredito que a complexidade seja maior.

Ou seja, dá para perceber como as palavras têm significados e importância muito diferentes umas das outras e que em nossas relações precisamos compreender esses pesos? Essas variadas interpretações que as palavras carregam? É assim que, no meu entender, podemos aproximar ou afastar culturas singulares: percebendo a sutil diferença das palavras que usamos.

E se considerarmos o público interno, então, imaginem: cidadãos, mais do que profissionais ou muito mais do que "recursos" humanos. De novo, quanta sutileza a ser observada no vocabulário que usamos - muitas vezes sem notar seus reais significados.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pedir licença.

Imaginem chegar na casa dos outros e entrar sem pedir licença. No mínimo falta de respeito, não é mesmo? É por isso que empresas que instalam operações em diferentes regiões do Brasil e do mundo devem fazer bonito logo na chegada: pedir licença.

E o que fazemos primeiro quando chegamos na casa de estranhos? Ora, nos apresentamos. Dizemos quem somos e o que estamos fazendo ali. Igualzinho antes do casamento quando o noive vai conhecer a família da noiva. Postura que serve para todo e qualquer empreendimento:uma loja gigante de varejo, uma fábrica, uma usina, uma refinaria ou um porto inteiro. A apresentação inicial e a forma como se chega podem fundar as bases de um relacionamento - bom ou ruim. De uma percepção favorável ou desfavorável.

E isso, prezados (as) leitores (as) é só o comecinho da história. Porque em matéria de relacionamentos é sempre fundamental pensar e trabalhar no longo prazo. Empreendimentos são como promessas de casamento: na doença e na saúde, torcendo sempre pela saúde e sem direito a divórcio, ok?

domingo, 26 de julho de 2009

Corrida contra o tempo?


Confesso que não gosto de deixar meu blog sem novidades por tantos dias, mas o ritmo da vida está frenético. Será que o relógio está correndo mais rápido com seus ponteiros? Há teorias sobre o assunto. Será que a marcha pelo progresso ou a busca pelo crescimento não nos obrigam a correr contra o tempo?

Tenho minhas teses. Visitando Pernambuco, neste trabalho de planejamento de comunicação no qual estou mergulhado nas últimas semanas, acredito que sim: progresso e crescimento afetam a velocidade do viver. Ao menos no modelo industrial econômico atual (o caminho até a sustentabilidade é bastante longo).

Suape é exatemente isso: um complexo industrial portuário que agrupa hoje, mais de noventa empresas numa espécie de condomínio de empreendedores. Desde grandes companhias como a Transpetro e a Refinaria Abreu e Lima, o Estaleiro Atlântico Sul, a Petroquímica Suape e a Bunge até outras empresas que chegam para mudar a realidade territorial. E que mudança! No meu entender o que está acontecendo aqui em Pernambuco é o início de um novo tempo no Brasil: o nordeste ganha mais peso na economia e equilibra a diferença com o "sul maravilha".

O fato é que é fascinante visitar a região e encontrar gente de primeira linha pensando num futuro mais sustentável diante de tantos novos projetos que mexem não só na economia, mas também no meio ambiente e nas relações sociais de maneira profunda. Mas que ninguém se iluda: tem muito chão pela frente e muita comunicação a ser feita: os interlocutores são variados e as culturas idem. O mundo está vindo para Pernambuco, acreditem. O Brasil já veio.

Agora, é questão de acertar os ponteiros com o futuro e a sustentabilidade, que tem que ser pontual. Sincronizada com o tal progresso, transversal nos modelos de gestão que estão sendo criados. A sustentabilidade, ela sim, é a única que não pode chegar atrasada nessa corrida contra os ponteiros do relógio.

sábado, 18 de julho de 2009

Perenco e Petroecuador. Quebra de contratos?

Para quem desejar, convido para a leitura em: http://comunicaopolticaegovernamental.blogspot.com/ post sobre a crise entre o goveno do Equador, a estatal Petroecuador e a francesa Perenco. Para refletir.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sustentabilidade:Edgard Morin na ABL.

Amanhã estarei na Academia Brasileira de Letras para ouvir Edgard Morin. Formado em Direito, História e Geografia, autor de dezenas de livros, Edgard Morin é um filósofo cuja força de seu pensamento influencia diferentes áreas do conhecimento humano.

Sua abordagem sobre a "complexidade" é, no meu leigo entender, a defesa de que não há solução para nossos desafios globais (econômicos, ambientais, sociais, culturais e religiosos) senão através de um pensar complexo. Um pensar capaz de reunir conhecimentos transdisciplinares - que nosso modelo educacional atual não resolve, pois ao invés de agregar disciplinas, pelo contrário, mantém sua fragmentação. Assim, profissionais formados em psicologia, em economia, sociologia ou matemática entre diversas outras disciplinas, acabam por ficar independentes e distantes uns dos outros, com "mentes míopes" (veja entrevista na Revista Cult 111 feita por Marcelo Fiorini - http://www.revistacult.com.br/). Ora, o mundo atual demanda uma visão complexa, holística e em rede para que possamos dar conta de seus problemas.

Ou seja, entendo que Edgard Morin defende a sustentabilidade utilizando outras palavras, mas defendendo a mesma causa: nosso futuro comum através de uma visão do todo, transdisciplinar. Afinal, sustentabilidade é o equilíbrio entre diferentes dimensões das atividades humanas que impactam no meio ambiente, nas relações sociais e na economia influenciando para o bem ou para o mal o legado que vamos deixar para as futuras gerações.

Sobre esta necessidade de expandir fronteiras culturais e visões de mundo, escrevi sobre o novo perfil dos comunicadores a que chamei de "novos renascentistas" em artigo publicado recentemente no site da ABERJE (http://www.aberje.com.br/). Mas, o post aqui é sobre Edgar Morin na ABL e diante de quem eu recolherei minhas pretensões filosóficas e ficarei quietinho ouvindo da platéia, como humilde aprendiz.

Vejam mais em: http://www.academia.org.br/

sábado, 11 de julho de 2009

Planejando a comunicação.

Quinta-feira passada fui convidado pelo meu amigo Carlos Parente para conversar com seus alunos no curso Planejamento de Comunicação Interna promovido pela ABERJE no Rio de Janeiro. Parente foi diretor da Avon e é gerente de comunicação e sustentabilidade da Alpargatas, além de professor e autor do livro "Obrigado Van Gogh", de leitura imperdível para qualquer profissional, seja ou não da área de comunicação. Ou seja, minha responsabilidade foi grande para fazer bonito. Acredito que me sai bem pois não vi ninguém dormindo na sala enquanto eu falava, o que já é uma vitória.

E meu recado foi simples: não existe planejamento de comunicação eficiente que seja feito dentro de uma sala da empresa. Para se planejar a comunicação (esse movimento relacional humano) é preciso ir conversar com as pessoas. E através do "com / versar", ou seja, versar em conjunto sobre algum tema, contruir um plano que inclua as diferentes áreas da empresa, seus diferentes níveis hierárquicos e seu diversificado universo de percepções profissionais.

Um comunicador precisar ir escutar as pessoas para as quais as suas ações de comunicação estão sendo traçadas. Isso é o começo de um bom plano de comunicação, pelo menos no meu entender. E se você, leitor (a), discordar, seu comentário é muito bem-vindo. Quero escutar (ops, ler) você.

sábado, 4 de julho de 2009

Torre de Babel.

"Lidar com gente é a coisa mais difícil que existe" me disse um engenheiro recentemente, quando visitei uma obra em Pernambuco.

Entendi a dificuldade dele pois ser um gestor não é somente executar metas bem calculada no papel. Isso funciona na teoria. Na prática, a gestão de pessoas, grupos e times de trabalho requer de um líder a capacidade de ser um comunicador educador.

Como um verdadeiro mestre em sala de aula capaz de facilitar a descoberta pelos alunos de seus potenciais e com isso criar um ambiente incentivador da realização. Realização esta repleta de significado para quem a produz, uma vez que não é uma imposição à força baseada na ordem, mas uma motivação estimulada permanentemente a partir do que cada um descobre como talento transformado em atitude.

E isso acontece quando o líder facilita esse autoconhecimento por parte de sua equipe e sua comunicação é feita de maneira holística reunindo atributos racionais, cognitivos e afetivos. Ao dar esse impulso às pessoas que trabalham ao seu lado, qualquer gestor pode gerar resultados grandiosos - além dos traçados nas frias planilhas de controle.

Ou você acha que vigiar tempos e movimentos, entregar um contra-cheque ao final do mês e mandar aumentar a carga de trabalho resolve? Porque se fosse só isso provavelmente a Torre de Babel tinha sido construída e entregue na data. E a história seria outra...

sábado, 27 de junho de 2009

Frase para pensar. E a comunicação nisso?

"Nenhum homem deseja ser apenas um dente de um engrenagem"
(James F. Lincoln - fundador da Lincoln Electric Company, 1895 - citado em "Estudo de movimentos e de tempos, de R.M. Barnes - Editora Edgard Blucher )

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Face-a-face em prol da vida.

Mulheres - Diálogos sobre Segurança Pública é um encontro diferente promovido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Governo Federal. Diferentes histórias, dramas, classes, jeitos de falar, sentir. Escuta, participação, quebra de preconceitos, entendimento; a palavra como convite à paz.

Faz frio lá fora mas um sensível calor humano invade o auditório do Canoas Parque Hotel (RS). A dinâmica é a última, de um total de sete, realizada com a particpação de mais de duzentas mulheres brasileiras revelando um detalhado painel sobre suas percepçõesa respeito da segurança pública.

Um ponto em comum: a dor da violência, esta sim, única hiper democrática. Atingindo a todas (os) no coração como seta, flecha certeira e brutal. Da "drogadição" - o crack como um monstro engolindo a juventude, os filhos; aos estupros dentro e fora dos lares, os roubos, os assassinatos, o machismo patológico e seus espancamentos, o desemprego, a falta de hospitais ou o excesso de filas para um simples pronto socorro, a lentidão da Justiça, a falta de amparo dos "brigadianos" (PM) - entre despreparo, corrupção e o próprio desespero psicológico dos policiais. Ou mesmo a violência da intolerância, dos preconceitos, dos pequenos desrespeitos cotidianos. Tudo junto.

Um quadro que poderia deixar-nos perto do desespero, mas aqui não. Essas mulheres tem força, são de luta, são movidas pela luta pela paz - contradição possível, pois humana, demasiadamente humana e feminina. Acolhedora de bons e ruins, pois, esperança: somos seres humanos. Seres em evolução infinita.

Mulheres revela em Canoas, e nos encontros feitos por outras cidades do Brasil, uma força transformadora baseada num amor maternal idêntico ao do planeta, da Terra mãe, o berço da vida. De toda a vida. Há esperança e há futuro possível, melhor.

Vamos em frente, com o diálogo, a conversa sem barreiras, confiante na palavra da (o) outra (o) permitindo pontes onde havia abismos e encontrando unidades comuns na diversidade. Um face-a-face em prol da vida para promover não somente mudanças culturais, mas aproximar pessoas diferentes, universos distantes. E assim, abrir novos horizontes para a condição humana, para a realidade brasileira. Um diálogo capaz de unir o que antes estava fragmentado. Construir o que nem era sonhado.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Churrasquinho, sustentabilidade e comunicação: a visão do todo.

Estive hoje numa mesa redonda sobre Comunicação e Sustentabilidade promovida pela ESPM RJ. Que bom que o tema chegou nesta casa que é uma referência da propaganda, do marketing e da comunicação. Precisamos de novos modelos educacionais para dar conta dos desafios inéditos da humanidade e um movimento de aprendizado e de troca de conhecimentos como o evento de hoje é uma passo muito promissor.

Quero deixar aqui apenas alguns itens de nossa discussão: sustentabilidade, numa definição prática, é saber responder o que as nossas atividades de hoje estão impactando na vida futura? O que estamos fazendo hoje (como empresários, consumidores, cidadãos, governantes, empregados etc) que pode afetar e colocar em risco o futuro da vida no planeta?

Difícil responder? Então, vamos ao segundo item: visão do todo. Visão do conjunto, um olhar mais amplo sobre um ato qualquer...como o de comprar carne pro churrasco. É isso mesmo, ou você acredita que o nosso churrasquinho de fim de semana não tem relação com a sustentabilidade? Tem e muito. Pergunta: você sabe a procedência da carne que compra? Será que o boizinho que você vai comer não era de uma pastagem feita às custas de queimadas na Amazônia e que impactam no aquecimento global e nas mudanças climáticas? Ahn, nunca pensou nisso, então, tá na hora.

Sei que é difícil mudarmos hábitos (sou fã de churrasco), mas não é tão difícil descobrir se a carne que compramos tem origem certificada ou tem procedência suspeita. Dá um pouco de trabalho, mas será que não vale a pena pensar no futuro? Ou basta encher a barriga de carne e cerveja e tudo bem? E este tipo de olhar, sobre toda a cadeia produtiva e a rede de relações existentes pode ser utilizada para qualquer segmento: cimento, bebidas, tecelagem, informática...

Voltando ao caso do churrasco: que tal descobrirmos como trabalham frigoríficos como Bertin, Marfrig, JBS entre outros grandes produtores de carne bovina? Afinal, neste caso específico, o Greenpeace, numa análise elaborada, publicou em seu site (www.greenpeace.org.br) uma grave denúncia - a de que a destruição da floresta amazônica está relacionada com as ações e as omissões de grandes empresas e marcas conhecidas. Deste e de outros ramos.

Assim, chegamos ao outro ponto que faz conexão com o título do post. Se para nos certificarmos da origem do que estamos consumindo precisamos ter a visão do todo, também precisamos de informação. Pronto: "Alô, comunicação"!

As empresas estão sabendo comunicar seus avanços e recuos (por que não?) nos processos de aprendizado da sustentabilidade? Quero crer que sim, sou otimista (apesar de bastante crítico). Basta ver que grandescompanhias já estão nesse movimento. Só no Brasil já são mais de 4 mil publicando relatórios no modelo da GRI - Global Reporting Initiative, além de estimularem processos internos de capacitação e educação para a sustentabilidade e realizarem encontros com especialistas e painéis de debates com diferentes stakeholders.E o desafio é que médios e pequenos empresários, além de governos e ONGs também comuniquem suas trajetórias. Ao ver os stakeholders ("acionistas sociais"?) não como críticos mas como referências importantes na construção de um novo modelo de negócio, de gestão de empresas, existe um campo promissor para avanços.

E se você ainda não acredita que comunicação tem a ver com sustentabilidade, lembre-se de Bertold Brecht, escritor e dramaturgo alemão: "Se dois bois conversassem entre si, eles não iriam tão facilmente para o matadouro".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Comunicação face a face: um desafio.

Diálogo e comunicação face a face sempre foram um desafio para as empresas. E desconfio que isso se deve ao fato de que para se conversar é precio lidar com uma questão pouco considerada na maioria das organizações: as emoções humanas.

Então, como é a "conversa" na sua empresa? Há conversa? E como se cuidam das emoções humanas no dia a dia corporativo?

Mandem seus comentários! Todos os posts serão bem-vindos.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Fábrica de gentilezas?


A ARK - Acts of Random Kindness é uma nova marca de roupas da Irlanda e sua mensagem principal é ir além dos lucros. A idéia por trás do slogan é que ao usar uma camiseta ARK você faça uma ação de gentileza, de bondade, de ajuda ao próximo.

Achei o máximo a idéia e penso como deve ser a comunicação interna na empresa, na fábrica: quais são as palavras utilizadas nos relacionamentos humanos na área de corte, costura, estamparia, embalagem? Vocês podem imaginar um lugar melhor para se trabalhar?

Uma espécie de fábrica de gentilezas cuja energia é repassada para os produtos vendidos? Uau! Me empolguei e mandei alguns e-mails para a ARK sobre isso, vamos ver se respondem.

Para quem ainda não conhece e quiser visitar: http://www.arkchangeyourworld.com/
(eles também estão no Facebook).

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Brasil Foods: uma nação de frangos?


Só uma coisa me preocupa diante da nova Brasil Foods (BRF): qual será o destino do frango da Sadia? Rs rs rs...
Brincadeiras à parte, fiquei impressionado com a compra da Sadia pela Perdigão. Mas ao analisar a missão das duas empresas, a operação fez sentido. Vejam, por exemplo, entre outros aspectos da transação, o que diz a missão da Sadia:"Alimentar consumidores e clientes com soluções diferenciadas". Ora bolas, quem come "soluções diferenciadas"? E por que só alimentar consumidores e clientes?
Bom, agora leiam a missão da Perdigão:"Participar da vida das pessoas, oferecendo alimentos saborosos, de alta qualidade e a preços acessíveis, em qualquer lugar do mundo".
É ou não é uma grande diferença?
Outra coisa que me impressionou, voltando ao título deste post, é a quantidade de frangos criados pelos milhares de pecuaristas espalhados por Santa Catarina: quase 50 milhões de aves! Um escala de produção de carne de frango que só perde para EUA e China e que tem como maior compradora a nova BRF.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Publicidade e sedução.


A publicidade sempre buscou seduzir corações e convencer a mente sobre alguma necessidade que justificasse a compra de um produto ou um serviço. Afinal "propaganda sempre foi a alma do negócio" e suas técnicas persuasivas sempre atingiram os diversos "públicos-alvo" (targets) de maneira criativa, planejada e estrategicamente direcionada.

Contudo, é ético construir marcas seduzindo crianças? Formar "mercado" futuro é influenciar crianças a consumir através de apelos muitas vezes erotizados? Perguntas como estas forma feitas durante a mesa redonda "Criança a alma do Negócio. A influência da publicidade na educação infantil" realizada hoje, na PUC do Rio de Janeiro, e promovida pela Rebouças&Associados e o Instituto Alana.

Como um dos exemplos, o outdoor acima, da Marisol, retirado de circulação por seu estímulo sexual subliminar (subliminar ?) e que resultou num termo de ajuste de conduta da empresa.

E você leitor (a) o que tem a dizer? Consumo é ato político ou puramente econômico? Para vender mais, vale tudo?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Social media.


Estive no encontro de ex-alunos do Curso Internacional de Comunicação ABERJE-Syracuse University com a presença de Shell Holtz, um expert em mídia digital e relacionamentos online. Como sou um "seguidor" de Shell no twitter e nos seus blogs, não pude deixar de ir (além do que rever amigos e amigas de sala de aula é sempre um grande prazer).

Conversamos sobre casos onde as ferramentas digitais foram utilizadas para desmontar a reputação de marcas - através de redes de usuários furiosos, organizados via internet ou, pelo contrário, como foram utilizadas para humanizar a imagem de corporações e (re)conquistar a simpatia do público.

CEOs falando como gente comum, presidentes e diretores pedindo desculpas por erros ou mensagens mal interpretadas e transmitidas por conceitos publicitários mal elaborados. Tinha de tudo pelos diversos canais da web: twitter, wikipedia, youtube, facebook etc.

Cases como o de Skittles, da SWA, Coca-Cola e uma comparação entre a Petrobrás e a Exxon Mobil apontaram para o crescimento de um universo de comunicação que não pode ser mais ignorado pelas empresas. Comunicação que precisa ser monitorada, pois as pessoas estão falando de marcas, produtos, projetos e negócios quer as empresas percebam ou não. Quer as empresas respondam ou não. Quer as empresas participem ou não deste universo.

Na foto: Carolina Soares da ABERJE, Shell Holtz e eu.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Energia em movimento.

Quero complementar os últimos posts. Quando uma empresa, uma organização começa a perceber o todo, o conjunto ela começa a entender que não está sozinha e que suas ações e reações estão conectadas a uma rede de influências e relacionamentos. Isso é entender a comunicação para a sustentabilidade: o emarranhado de conexões que um negócio possui com uma enorme quantidade de stakeholders.

Mas qual a relação disso com os sentimentos? Se olharmos uma organização como um ser-humano, perceberemos que ela possui um corpo (suas instalações físicas), possui um cérebero (seus processos de trabalhos, seu modo de funcionar) e possui também um coração - suas emoções: a paixão por fazer bem feito, a motivação de sua gente, a vontade de vencer, o desejo de progredir. Emoção pura. Podemos ir além, e dizer que uma empresa também possui alma (mas não tratarei disso agora).

Voltando à esta visão do todo maior do qual particpa qualquer organização, se podemos considerar que as pessoas são movidas por seus sentimentos (tiramos conclusões de maneira racional, mas só tomamos uma atitude ou mudamos um comportamento a partir de uma input emocional) então podemos dizer que as organizações são verdadeiras fontes de energia. Pronto. Cheguei onde queria!

É a energia das pessoas que faz a empresa ir adiante. Energia positiva ou negativa. Sensação que se percebe "no ar" - exatamente como na minha conversa com aquele profissional que trabalha numa indústria química. Ele sentiu a "energia" no ar e ela estava ruim, produzindo um clima de trabalho pior ainda.

Ou seja, entender o todo é entender que somos cerebrais, mas também emocionais, que somos energia em movimento e que nossas emoções são puro combustível. E para canalizar tamanha carga energética só mesmo usando a comunicação, a fala, a conversa de forma inteligente (lembrando que inteligência = intus leggere = ler por dentro). Permitir que a conversa canalize os potenciais humanos dentro das organizações e que, ao invés de irem circular pela rádio-corredor de maneira distorcida, circulem pelos corredores de maneira transparente, construtiva, ampla e potencializadora de talentos. E a palavra é que é capaz de verbalizar essa carga energética e é por ela que devemos começar nossos planos de comunicação. É através dela que devemos iniciar nossos processos de gestão sustentável de nossos negócios. Primeiro internamente - com uma conversa com forte viés educacional, de aprendizado e, depois, com a conversa com outros interlocutores.

Este novo mundo que aí está, exige essa nova visão.As organizações que sairem na frente, ganharão valor sustentável no longo prazo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Onde ficam os "sentimentos"? 3

Para completar, fecho com Paulo Gaudêncio: “O homem é um ser racional. Fala o que pensa. Mas quando não sabe ou não entende o que sente, age diferente do que fala”.

E por falar nisso, acessem e conheçam:http://www.paulogaudencio.com.br/

Onde ficam os "sentimentos"? 2

A "cura pela fala" como escreve a psiquiatra e psicanalista Susan Vaughan é o uso da palavra, da conversa, como "um grande alívio". Ora, estou falando das bases de um processo permanente de feedback dentro das empresas que dê espaço para as emoções humanas. E dê equilíbrio aos relacionamentos humanos nas corporações, afinal, tudo passa pelo emocional.

Ou você nunca sentiu orgulho? Sentiu-se satisfeito, realizado? Ou mesmo viveu um "sentimento de pertencer a algo maior"? Portanto, não há mais como deixar de ver os sentimentos humanos como parte dos processos de gestão - por mais cerebrais que as empresas desejam ser.

Ainda em dúvida? Então responda: como alguém fica motivado diante de mais uma tonelada de cimento produzido? Ou diante de mais um carregamento de minério de ferro completado? Ou diante de mais um milhão de litros de bebida engarrafada e empacotada? Se for só pela via do racional, do cerebral, não há viva alma que sinta-se plenamente satisfeito com a vida diante dessas rotinas.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Onde ficam os “sentimentos”?

Conversei com um supervisor de uma indústria química multinacional e ele me confessou que sentia (isso mesmo sentia) que muitas vezes as equipes de diferentes diretorias comportavam-se como se cada uma fosse de uma empresa diferente, como se cada uma tivesse metas independentes e houvesse uma espécie de competição interna para mostrar quem era o melhor. Era a mesma empresa mas as pessoas se odiavam, disse ele. Os números estavam bons – apesar da crise, mas o “clima” (clima interno, esta entidade onipresente nas salas, corredores e refeitórios) estava péssimo.

Perguntei se ele já havia tentando abordar este assunto com a liderança, compartilhar o sentimento com outros. A resposta foi um “não” bastante temeroso no seu tom. Compreensível.

Para Daniel Goleman, autor de ”Mentiras essenciais. Verdades simples. A psicologia da auto-ilusão” para se fazer parte de um grupo “o preço tácito da admissão consiste em concordar em não notar a própria sensação de mal-estar e de dúvida, e certamente não questionar qualquer coisa que seja um desafio ao modo do grupo fazer as coisas”. Como mudar isso?

Sugiro a "cura pela fala"...

domingo, 26 de abril de 2009

"Líder engajado"?


O consultor de empresas Didider Marlier, um dos autores do livro "Engaging leadership", recém publicado na Europa, defende que um novo tipo de líder empresarial vai ser necessário diante da crise mundial que estamos vivendo.

Uma das características deste novo líder (que o autor chama de "líder engajado" - termo já utilizado pelo Professor Henry Mitzenberg em seu livro "Managers not MBAs") é o lado emocional, onde diante da chegada de momentos críticos como a demissão de pessoas e o fechamento de fábricas, o executivo deverá abrir espaço para que os empregados possam influenciar nos processos. O tal líder engajado de Didier Marlier vai trabalhar mais à escuta dos empregados.

Numa entrevista publicada no O Globo, de 19 de abril, o autor cita como um exemplo deste novo tipo de liderança o CEO da LEGO Jorgen Vig Knudstorp que antes da demissão de empregados, criou a Casa do Futuro para preparar e capacitar os empregados para outras opções de trabalho fora da Lego. Tudo isso, um ano antes das demissões. O mesmo Jorgen, inclusive, segundo o consultor, possui um blog.

Como quase morri de curiosidade, fui vasculhar o espaço virtual atrás do blog de Jorgen Knudstorp e achei dois espaços interessantes. O primeiro endereço (desculpem eu ainda não uso o tinurl, ok?) é do site oficial voltado para o uso do Lego pelos fãs (empregados ou não), inovações e apresentação de peças e comentários. Show, inovador e sintonizado com o momento tecnocultural que vivemos. O segundo endereço, traz a versão não-oficial, que é uma versão "lado b" do endereço eletrônico oficial.
Enfim, internet e engajamento tem riscos. Como tudo na vida. Não é fácil ser transparente, nem ser um líder engajado de verdade. Sempre vão existir os descontentes, os concorrentes e os descrentes. E a turma que não vai aprovar a montagem de um blog ou de um programa de conversa livre. Por isso, ainda tem muito líder autoritário por aí, acreditando que sabe tudo e "comandando" pessoas "de cima para baixo".

Visitem os dois endereços...vale a pena:

BLOG OFICIAL:

BLOG "LADO B" :