sábado, 7 de fevereiro de 2009

Invasão de engenheiros...

Quero dar minha opinião sobre o artigo “Invasão de Engenheiros” da Você RH, edição jan/fev 2009. Esclareço desde já que admiro muito os engenheiros pelos seus cálculos de pontes, usinas, máquinas e controles. O mundo precisa deles e eu conheço pessoas fantásticas que estão nessa profissão. Mas, como a matéria diz, eles são objetivos, assertivos e “conhecem sistemas de automação da produção” e, como também registra o artigo, ainda precisam aprender a lidar (e falar) mais com gente (“números x palavras”).

Precisam aprender a falar mais com gente, é uma frase sensacional, não é não? Se máquinas não falam, pessoas falam. E mais ainda, sentem, sofrem, se entusiasmam, se envergonham, se alegram, se motivam e se comunicam, conversam, trocam experiências, sentimentos, percepções.

E é aí onde moram os maiores riscos: numa gestão modelo mecanicista, de tempo e movimento, comando e controle – que considera pessoas como peças de uma engrenagem (aliás a letra "o" no título da matéria é uma roldana, uma peça de ferro). Modelo que entende gente de carne e osso como "recursos", assim como outros recursos - computadores, instalações prediais, resmas de papéis ou ferramentas. Ou seja, alerta vermelho!

Não vou generalizar, pessoas são diferentes, engenheiros são diferentes (como eu já disse, tenho bons amigos na profissão). Mas se o olhar da técnica, da racionalidade e dos processos mecânicos e frios for o que prevalecer na gestão de pessoas, sob a direção de engenheiros, confesso: não acredito que a área funcione, nem que a empresa seja um bom local para se trabalhar.

Portanto, muita atenção às tendências.

2 comentários:

Anônimo disse...

Caríssimo amigo Gaulia,

acho que o grande problema da talvez má performance de um engenheiro como gestor de RH não origina-se na sua formação, mas no fato da pessoa simplesmente não gostar de gente. Algumas atribuições típicas da Engenharia (cálculos, desenvolvimento de projetos,....)podem ser um refúgio para pessoas que tenham dificuldade de relacionamento humano, mas um engenheiro que toque uma obra, rode uma fábrica ou que seja um cara de vendas.....ele gosta de gente e as compreende. Talvez muitos dos engenheiros não sejam os tipos mais simpáticos, mas como deixar uma ponte em pé ou fazer uma fábrica rodar após a derrota do Corinthians ou ter que encarar um cliente furioso se vc não for um bom psicólogo e conhecer a fundo o ser humano???
Na verdade, temos maus gestores de gente, isto é, gente que não gosta de gente (muitos não gostam nem de si mesmos) tendo que se preocupar com gente. Será que o problema está na formação do cara? Acho que não.....tem médico que não gosta de gente (alguns são até sádicos), tem psicólogos gerentes de RH que só sabem rotular/diagnosticar as pessoas em seus esterótipos de desequilíbrios emocionais,......Não quero defender a engenharia (que até podia e devia ter um curriculo de formação mais "humanizado"), mas quero estar a favor daqueles que se preocupam com os demais. Aqueles que sabem que uma admissão é uma responsabilidade com o futuro da pessoa e não só um "projeto de vaga", sabem que uma demissão (mesmo que merecida) é um processo emocionalmente forte para ambas as partes; sabem que a vida da pessoa não se restringe ao ambiente de trabalho; sabem que as mulheres tem TPM; sabem que os homens e engenheiros também se emocionam,.........

Abraço,

Adriano

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Grande Adriano, obrigado pelo post - lúcido e brilhante.
Abração amigo!