sábado, 14 de fevereiro de 2009

Quanto vale uma idéia?

Só vi hoje, numa pilha de jornais abandonada na escada do prédio onde moro, uma edição do Estado de São Paulo, que circulou no último dia 04 de fevereiro. Antes que vocês pensem que estou economizando uns trocados, lendo velharia abandonada pelas escadas, explico: eu ainda compro meus jornais prediletos nas bancas, ok? Mas não é todo dia que consigo ler tudo...não há horas suficientes num dia para dar conta de tanta informação (aliás, isso pode ser um próximo post).

Bom, retornando ao assunto principal. Transcrevo aqui o texto do anúncio publicado na referida edição do estadão pela agência Fischer América e que me chamou a atenção. Em tempos de crise, quanto valem as idéias inovadoras? Leiam e compartilhem, achei um primor de criação, otimismo e inspiração.

“Hoje ele está no cartão de aniversário de algum menino de oito anos em Buenos Aires e tatuado no braço de algum dançarino de strip-tease no Brooklin. É parodiado por algum humorista mexicano e levado a sério por algum doutor em Harvard. É, ao mesmo tempo, ímã de geladeira e longa-metragem de Hollywood. E continua a ir de um lugar ao outro do planeta mais rápido do que muitas conexões de internet - o que, aliás, faz desde muito antes de existir a própria internet.”

“Ele tem um dos logotipos mais conhecidos, admirados e valiosos da história e ganha mídia espontânea sempre que algum garoto entra correndo pela sala com os braços para cima e um lençol amarrado no pescoço.”

“Já foi propaganda política ajudando a derrubar Hitler e Hiroito e modelo publicitário de uma grande campanha de cartões de crédito. Já inspirou milhões de crianças, milhares de produtos e centenas de novos personagens.”

“Ao longo dos seus 70 anos sobreviveu a guerras reais e imaginárias, a terroristas da Al-Qaeda e até aos vindos do espaço. Ultrapassou a morte do seu primeiro intérprete e a um trágico acidente que deixou tetraplégico o maior de todos eles. Não é um pássaro nem um avião. É, sim, uma das maiores marcas de uma das maiores e mais bem-sucedidas campanhas de todos os tempos. É o último filho de Krypton, Kal-El, Homem de Aço. É o Super-Homem. É o império.”

“Mas, como todas as grandes marcas e campanhas, houve um momento em que ela existia apenas como uma idéia. Houve um período em que o famoso Superman voava apenas dentro da cabeça de dois adolescentes de 16 anos: Jerry Siegel e Joe Shuster. Período esse em que era considerado, pelo menos até alguns meses atrás, como o da pior crise econômica da história. A mais longa recessão do século XX: a década de 30 nos Estados Unidos. A Grande Depressão. Foi justamente nesse período, visto como catastrófico, que alguém criou e que outro alguém viu uma grande oportunidade.”

“Mais ou menos como funciona hoje a criação de uma agência de publicidade, os dois adolescentes trabalhavam em dupla. Juntos criavam e depois um ficava responsável pelo texto e o outro, pela arte. E foi justamente assim que nasceu a idéia de um extraterrestre do bem, alguém que, num período de incertezas, crise e desemprego, pudesse ser forte e capaz. Mesmo frágil e desastrado quando usava óculos, era indestrutível e poderoso no momento em que vestia sua capa.”

“Sem dúvida, era uma grande idéia. Mas era preciso que alguém a fizesse voar. Como em todas as crises, não faltou quem dissesse não.”

“Quem é que vai querer isso num momento desses¿” “Não é tempo de investir!” “As pessoas têm problemas mais sérios para tratar!” Até que, no fim da década de trinta, com o desemprego em torno dos 15% e a economia ainda em plena crise, uma empresa conhecida como Detective Comics resolveu comprar e investir no projeto.

Nascia, então, um dos maiores ícones da cultura pop. Assim, a Detective Comics caminhava para se transformar na DC Comics de hoje. Assim, Jerry e Joe viram uma grande idéia ficar muito maior. Em plena crise, em plena depressão, um produto da imaginação transformava-se em um dos maiores personagens, em uma das maiores marcas e franchings da história. Tudo isso usando a cueca por cima da calça.”

“Fica, então, uma certeza: as crises podem ser cruéis, mas as boas idéias são invencíveis.”

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