segunda-feira, 23 de março de 2009

Diálogo social. Uma experiência de aprendizado.

O modo como a organização conversa internamente (e externamente) se reflete na qualidade de suas relações e nos seus resultados. O que você acha disso?

Pense. Como a sua empresa conversa? Ela sabe ouvir? Ela só sabe falar? Fala alto, grita ou fala e ninguém escuta? Fala demais? Ou é muda, silenciosa?

A comunicação corporativa está (re)descobrindo o básico: se não existe diálogo, não existe relacionamento. Nenhum jornal interno ou relatório externo vai substituir a interação entre diferentes stakeholders que fazem parte da rede de relações da organização.

Simples? Nem tanto. O diálogo com os outros parte da premissa de que as pessoas, o ser humano, tem um diálogo intrapessoal resolvido (ao menos em parte). Afinal, se eu não me escuto, como vou te dar ouvidos? Se eu não me entendo, como vou te compreender?

É, há mais de psicologia nas relações humanas organizacionais do que podemos imaginar. Pense nisso na próxima vez que alguém pedir um "folhetinho, uma marquinha, um banner" para informar alguma coisa. Veja se realmente é só isso que a empresa precisa para avançar e evoluir. Começando sempre or dentro da organização, para conseguir conviver e entender melhor os interlocutores externos.

Ou seja: o diálogo é a base da comunicação. E diálogo, para quem não sabe, também se aprende.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Consumo e publicidade 4.


Gilles Lipovetsky é filósofo, pesquisador e professor da Universidade de Grenoble na França. Autor de "O império do efêmero", "O luxo eterno" (este em parceria com Elyette Roux -especialista em gestão de marcas) entre outros.

Em "A felicidade paradoxal" encontrei um trecho que considero útil nessa análise sobre consumo e publicidade que estou fazendo nesta série de posts.

Lipovetsky escreve: "O consumidor tria e seleciona as solicitações que o assaltam, prestando atenção apenas ao que está em ressonância com seus interesses, suas expectativas, suas preferências. O apreciador de praias é pouco receptivo aos visuais que celebram as estâncias alpínas; se você não gosta de uísque, nenhum anúncio jamais o convencerá a comprá-lo. A publicidade propõe, o consumidor dispõe: ela tem poderes, mas não tem todos os poderes. E se ela provoca frustrações, é apenas nos limites do que corresponde aos gostos do consumidor".

Fica aí, mais um item para ser discutido. Esse poder todo da publicidade...é claro que na questão da propaganda dirigida às crianças, a análise deve ser mais profunda. Mas uma coisa é certa: a criança olha para todos os lados com curiosidade constante e vontade de conhecer. Com ou sem os apelos do marketing, o mundo continuará com seus problemas, suas brutalidades.

A criança está inserida neste mundo: difícil controlar todos os estímulos negativos (que por sinal, sejam considerados positivos ou negativos, são sempre estímulos culturais da própria sociedade).

quinta-feira, 12 de março de 2009

Consumo e publicidade 3.

Nestlé, Burger King, General Mills, Coca-Cola, Danone, Ferrero, Kellogg´s, Kraft, Mars, Pepsico e Unilever, que representam mais de 50% do mercado de publicidade na União Européia já tinham assinado, em 2007, um compromisso (EU -Pledge) pela adoção de regras mais rigorosas na comunicação dirigida ao público infantil.

De acordo com o site da AKATU, a Nestlé, no Brasil, desde janeiro, possui uma nova diretriz: "Deixou de fazer publicidade direta para menores de seis anos e adotou uma nova política de comunicação e de marketing infantil para todo o Brasil. As campanhas serão dirigidas apenas aos pais. Além disso, a empresa restringirá suas mensagens destinadas às crianças entre seis e 12 anos, dando preferência à divulgação dos alimentos voltados a uma dieta balanceada e saudável."

A pergunta que fica é porque o compromisso foi assinado na Europa, nos EUA e Canadá e somente agora, chegou ao Brasil? Ok, sem caça às bruxas. Que bom que chegou ao Brasil e de forma voluntária! Com certeza vai ser benchmarking para outras empresas, principalmente neste momento em que se discutem restrições à publicidade.

Conheça mais, visite:http://www.eu-pledge.eu/

Acesse também: http://www.akatu.org.br/

Veja mais: http://colunistas.ig.com.br/cip/2008/11/24/banir-anuncios-de-fast-food-reduziria-obesidade-infantil/

Consumo e publicidade 2.

O Instituto ALANA é uma ONG que luta pela valorização do homem, da educação e da cultura. No seu site ela levanta a bola de um tema que (como escrevi no post abaixo) deveria estar na pauta de empresas anunciantes e na minha opinião, na campanha criada pela ABA para o dia do consumidor.

Vejam um trecho sobre "consumismo infantil" e a abordagem do instituto (e tenham uma idéia da dor de cabeça que muitas empresas vão enfrentar, aliás já estão enfrentando):

"Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia, um hábito mental forjado que se tornou umas das características culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconseqüente. As crianças, ainda em pleno desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo com as graves conseqüências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral."

Bom, a questão já está na mesa da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância sanitária) e do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). A regulamentação da publicidade de alimentos e bebidas no Brasil, principalmente destinados à criançada vai acontecer - na mesma linha da restrição ao fumo, no mínimo. Ou seja, estamos num excelente momento para que empresas que vivem da propaganda (agências) e seus clientes que tem na propaganda uma alavanca importante para seus negócios (a propaganda não é a alma do negócio?) mostrem que estão dispostas a evitar exageros e excessos prejudiciais, mas que também possuem atividades empresariais que geram empregos e produzem bens necessários ao dia-a-dia das pessoas.

Acho o trabalho da ALANA, a princípio, importante. Mas levar o "consumismo" como ideologia me parece por demais exagerado. Se for assim, a outra opinião, sobre o "não-consumismo" ou seja lá o que for, também é uma ideologia e por consequência: uma tentativa de forjar novo "hábito mental".

O debate é merecido, mas vamos evitar "a caça às bruxas". Conheço muito fumante, por exemplo que se sente um criminoso por ir fumar seu cigarrinho no hall de escadas ou na calçada do prédio (e vejam que a propaganda de cigarros sofreu uma gigantesca restrição - mas os fumantes estão aí).

Acredito numa comunicação responsável, na mudança de hábitos e na responsabilidade de cada cidadão. Deixo claro também que as crianças são sempre manipuláveis, infelizmente, pelos adultos que agem de má fé.

Visitem:http://www.alana.org.br/

Consumo e publicidade.


Dia 15 de março é o Dia do Consumidor (mais um dia de homenagens e blá blá blá - já tinha escrito sobre isso no Dia Internacional da Mulher, mas enfim...faz parte do calendário). Não vou ficar preso à data em si, mas apenas escrever um pouco sobre consumo e publicidade.

A ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) está veiculando uma campanha dando "Parabéns" aos consumidores pela data que se aproxima. Tem muita empresa de ponta bancando a campanha e assinando embaixo. Desculpem, mas a oportunidade não foi bem aproveitada.
O mundo mudou nos últimos anos e meses (mais ainda - com a crise econômica galopante, a cada dia com uma novidade negativa, infelizmente). A sociedade tem pela frente temas como a sustentabilidade e o necessário equilíbrio entre as dimensões ambientais, sociais e econômicas.
Um dos itens dentro deste universo é o consumismo exacerbado de produtos e seu descarte, seus métodos de produção em massa e suas cadeias de fornecedores nem sempre corretos nas relações trabalhistas, no controle de poluentes e qualidade, entre outros assuntos. Portanto, numa época em que tudo está sendo questionado, a proposta por demais simplória de dar "Parabéns" aos consumidores me parece fora de hora, atrasada.
Juntemos às questões sobre sustentabilidade o cenário de desaceleração econômica e desemprego que vai permeando o Brasil e o mundo e, novamente, fica a pergunta: "Parabéns de quê, cara pálida?". Além do mais, uma campanha com tantas marcas juntas num amontoado de assinaturas também não destaca ninguém. E mais: nem é criativa. Ou seja, me perdoem se estou por demais crítico, mas perderam um boa chance de dar o recado.
Era uma boa hora, por exemplo, de trazer para maior conhecimento do público-consumidor o debate sobre a regulação da propaganda que está acontecendo e pode prejudicar a atividade econômica - isso em plena crise, imaginem!
Para não dizer que eu só estou metendo o pau, por favor, acessem o site da ABA e vejam os position papers em relação às restrições à publicidade. Depois me digam se não havia uma bela oportunidade de comunicação para a data do dia 15 de março?
Associação Brasileira de Anunciantes:

quarta-feira, 11 de março de 2009

O que a organização tem a dizer?

Caiu da minha estante o "Virando a própria mesa" escrito por Ricardo Semler em 1988. É bom reler textos inovadores que por sua vanguarda continuam atuais. Destaco abaixo um trecho sobre a necessidade da "escuta", do "ouvir os empregados - o que faz parte do diálogo e da busca por soluções comuns. Um trecho que serve para qualquer época, num mundo com ou sem crise.

"O excesso de inteligência ambiciosa é causa de grande tumulto. Raras são as pessoas muito inteligentes que sabem ouvir melhor do que falar. A sobrevivência a longo prazo vem de ouvir com cuidado o que a organização, a partir de seus mais humildes funcionários, tem a dizer. A verdade da empresa está lá, e não nos corredores executivos, na discussão sobre o mercado futuro de commodities, ou na sala do gerente."


Se quiser, leia uma entrevista de Ricardo Semler na Revista Época, sobre "Soneca no trabalho" acessando:
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT699954-1666,00.html

domingo, 8 de março de 2009

Vanguarda.

Não por acaso, escrevo este post na data de hoje. Quero fazer um reconhecimento. Conheci a Nádia Rebouças numa das reuniões do comitê de comunicação da Ação da Cidadania, movimento pioneiro liderado por Herbert de Souza, o Betinho contra a "Fome, a Miséria e pela Vida". Naqueles tempos, como redator publicitário, eu não percebia o quanto de vanguarda existia no pensamento da Nádia.

Para ela, a comunicação era uma forma de educar as pessoas. Uma vez que os consumidores eram influenciados pela propaganda tradicional para consumir desodorante, cerveja ou chinelos, as mesmas técnicas usadas para vender produtos podiam ser usadas para se "vender" cidadania: "Os comerciais nos ensinaram a consumir bebida, a fumar, a um monte de coisas que não faziam parte da nossa vida e agora fazem. Mas a comunicação também pode ser utilizada para ensinar outras coisas. Se estamos querendo que as pessoas usem a água e a energia de forma racional, é possível usar a publicidade para isso".

Por isso, este post. No dia de hoje, em plena crise mundial, quando falamos de novos modelos sustentáveis de negócios, é necessário pensar caminhos onde a comunicação possa integrar sociedade, governo e empresas na busca de nova soluções, novos processos de aprendizagem, colaboração. E mais: neste Dia Internacional da Mulher, lembrei da Nádia e sua metodologia inovadora de trabalho que privilegia o diálogo, o "saber ouvir", o marketing de idéias e a comunicação para a transformação. Fica aqui registrada minha admiração e meus "parabéns" pela data de hoje para a Nádia e, lógico, a equipe da R&A (todas mulheres!).

sábado, 7 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher.

8 de março - próximo domingo. Data importante. Não por causa da homenagem à mulher, pois não precisamos de um dia para isso. Todo dia é importante para elas, por elas, as mães da humanidade. Todo dia é importante para a mãe Terra. Planeta mulher.

Sinceramente, não gosto dessas datas que homenageiam estes ou aqueles grupos humanos. Todo dia deveria ser de respeito e justiça para as pessoas, sem datas especiais. Mas, enfim, o simbólico faz parte da nossa trajetória e muitas datas no calendário são momentos para reflexão: para lembrar que a força não pode ser permitida para massacrar os mais fracos, para lembrar que os poderosos não podem estar acima das leis e para lembrar que a vida é sempre o bem mais precioso de nosso planeta.

Mas qual o porquê dessa data? Qual o simbólico, a história? E por que falar disso num blog de comunicação empresarial? Bom, do ponto de vista da história: no ano de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos nos EUA, fizeram uma greve. Ocuparam a fábrica e reivindicaram melhores condições de trabalho (redução na carga de trabalho para dez horas - as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário) e melhores salários (as mulheres recebiam um terço do salário de um homem para o mesmo tipo de trabalho). A manifestação foi reprimida: as mulheres foram trancadas dentro dos galpões, que foram incendiados. Centenas morreram carbonizadas.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca , ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem àquelas mulheres assassinadas na greve de 1857. Contudo, somente em 1975 a data foi oficializada pela ONU - Organização das Nações Unidas.

Ou seja, mais do que um bom motivo para que este blog faça o necessário registro. A necessária homenagem. Hoje, em pleno ano de 2009, no Brasil, ainda existem diferenças salariais entre mulheres e homens justamente pela diferença de gênero e não pelo mérito. Hoje, ainda existe muito preconceito (e piadinhas de corredor) quando uma mulher é promovida por merecimento. Por isso, não gosto de datas especiais, mas reconheço que são necessárias, principalmente quando nos fazem lembrar de atrocidades como as ocorridas em 1857.

Mas, também não vamos pegar só no pesado. Que este dia seja de intensa felicidade, alegria e esperança para todos nós. Saravá!