domingo, 26 de abril de 2009

"Líder engajado"?


O consultor de empresas Didider Marlier, um dos autores do livro "Engaging leadership", recém publicado na Europa, defende que um novo tipo de líder empresarial vai ser necessário diante da crise mundial que estamos vivendo.

Uma das características deste novo líder (que o autor chama de "líder engajado" - termo já utilizado pelo Professor Henry Mitzenberg em seu livro "Managers not MBAs") é o lado emocional, onde diante da chegada de momentos críticos como a demissão de pessoas e o fechamento de fábricas, o executivo deverá abrir espaço para que os empregados possam influenciar nos processos. O tal líder engajado de Didier Marlier vai trabalhar mais à escuta dos empregados.

Numa entrevista publicada no O Globo, de 19 de abril, o autor cita como um exemplo deste novo tipo de liderança o CEO da LEGO Jorgen Vig Knudstorp que antes da demissão de empregados, criou a Casa do Futuro para preparar e capacitar os empregados para outras opções de trabalho fora da Lego. Tudo isso, um ano antes das demissões. O mesmo Jorgen, inclusive, segundo o consultor, possui um blog.

Como quase morri de curiosidade, fui vasculhar o espaço virtual atrás do blog de Jorgen Knudstorp e achei dois espaços interessantes. O primeiro endereço (desculpem eu ainda não uso o tinurl, ok?) é do site oficial voltado para o uso do Lego pelos fãs (empregados ou não), inovações e apresentação de peças e comentários. Show, inovador e sintonizado com o momento tecnocultural que vivemos. O segundo endereço, traz a versão não-oficial, que é uma versão "lado b" do endereço eletrônico oficial.
Enfim, internet e engajamento tem riscos. Como tudo na vida. Não é fácil ser transparente, nem ser um líder engajado de verdade. Sempre vão existir os descontentes, os concorrentes e os descrentes. E a turma que não vai aprovar a montagem de um blog ou de um programa de conversa livre. Por isso, ainda tem muito líder autoritário por aí, acreditando que sabe tudo e "comandando" pessoas "de cima para baixo".

Visitem os dois endereços...vale a pena:

BLOG OFICIAL:

BLOG "LADO B" :

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Aprendizado.

Estive na Johnson&Johnson participando do primeiro encontro sobre sustentabilidade que a empresa organizou internamente. Serão mais outros três workshops envolvendo diferentes pessoas da organização.

A proposta do projeto de relato da sustentabilidade envolve as quatro unidades de negócio da empresa: Consumer, Janssen, Vistakon e Medical e traz uma abordagem totalmente voltada para o aprendizado das pessoas em relação à sustentabilidade. Não é um corre-corre ensandecido para a publicação, numa data específica, de um relatório.

É um movimento inovador que vai reconhecer oportunidades de evolução.

A Johnson&Johnson, no Brasil, é a primeira regional a iniciar uma dinâmica desta envergadura no mundo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Alma do fundador.

Fui hoje na reunião do Comitê da Branding da ABERJE. Acho que tenho muita sorte nessa minha vida: fiquei sentadinho na platéia junto à pesos pesados da comunicação empresarial brasileira. Fui todo ouvidos.

Na organização do comitê Renato Manzano, ex-Vale, que puxou com sua equipe a criação da nova marca da mineradora e Malu Weber da Votorantim, duas vezes personalidade do ano em comunicação. A presença do mestre e doutor Paulo Nassar, da consultora Nádia Rebouças, de Luiz Brandão (Aracruz) e Suzel Figueiredo. E ainda: Cristiana de Brito (Klabin), Marco Rezende (Cauduro Associados), Ricardo Rodrigues (BrandLab), Ricardo Whately (Petrobras) e Claudia Cordeiro (Vale). Além da equipe ABERJE com Matheus, Carolina, Bruno e Dona Anna, fazendo tudo funcionar, entre outros nomes. Ou seja, só por essa turma já valeria participar do encontro. Mas teve mais.

Ouvi de Manoela Amaro, diretora de Marketing da TAM, um relato valioso sobre o novo branding da empresa. Um exemplo de que os movimentos e as expressões da marca só tem real valor quando traduzem sua essência interior, a começar pela sua gente, seus funcionários. É isso que representa o novo compromisso TAM, cuja aeronave envelopada com a assinatura de centenas de profissionais é o maior símbolo.

Um movimento permanente para manter viva a essência da marca. Sua ética, antes de sua estética, seu discurso em sintonia com a prática, seus valores genuínos, atributos e sua visão de futuro. Seu pensamento e sua atitude, suas influências e seus signos. Seu vivenciar de aspirações, sonhos e missão. Um caso que merece ser conhecido e estudado pois uma companhia marcada por duas tragédias (1996 e 2007) só consegue superar tamanhas crises quando trilha caminhos que estão em sintonia com a alma do fundador.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Limites.

"Os limites da minha linguagem são também os limites do meu pensamento".

Li a frase acima e tive que correr para escrever este post. A frase é de Ludwig Wittgenstein, filósofo austríaco que estudou a linguagem - como um "espelho" do mundo. Fiquei fascinado pois não conhecia muito...(ok, confesso, nada) a respeito deste pensador. Rs, rs.

Na sequência das últimas postagens aqui no BG, convido vocês leitores (as) a refletir exatamente como as organizações se comunicam, que palavras utilizam e como dialogam internamente (e externamente) a fim de entendermos o universo na qual as organizações vivem.Quais seus sonhos, seus horizontes, suas barreiras.

Compliquei? Então, simplifico: as palavras que a organização usa são as palavras com a quais ela molda a própria realidade e com as quais ela entende o funcionamento do mundo. Nem pior ou melhor que outras, apenas mais limitadas ou mais abertas, mais expansivas ou mais estreitas que outras. Como diz a TIM, em sua recente campanha: "É tempo de mentes sem fronteiras" - concordam?

Por isso, num processo seletivo, por exemplo, escutem bem as palavras que a empresa utiliza para se apresentar. Vocês podem ter surpresas, se estiverem atentos: as palavras podem revelar que aquele talvez não seja um lugar ideal para se trabalhar. Ou ao contrário, pode ser um ótimo lugar (enquanto houver uma sintonia de palavras e de linguagem).

Para mudar de cenário, numa paquera se vocês realmente escutarem e entenderem a outra pessoa e as palavras que ela diz, do jeito que diz, descobrirão muito sobre os limites do mundo dela. Isso poderá ser ruim ou maravilhoso. Um banho de água fria para a relação ou (melhor dos mundos) a mais inebriante das paixões.

Então, combinado: vamos ficar atentos às palavras. É um tempo demente sem fronteiras ou de mentes sem fronteiras.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Diálogo aberto?

"Vamos montar o Diálogo Aberto, um programa de comunicação interna".As palavras do Diretor Industrial impressionaram pela veemência. Agora, parecia que a coisa toda ia fluir - afinal, a ameaça de greve tinha sido um desgaste enorme para todos na refinaria.

Entretanto, um dos superintendentes perguntou: "Excelente nome...Mas como será na prática? Vamos começar a falar diretamente com os empregados?". Um silêncio sepulcral paralisou o salão de reuniões para logo em seguida ser cortado pela voz do chefe: "Não, nada disso. Vamos com muita calma, em etapas lentas, graduais e seguras. Primeiro faremos uma reunião nossa, depois outra com nossos assessores de maior confiança."

O Assessor então perguntou:"Então já podemos divulgar o novo programa nos murais da fábrica?""Não! Calma, deixa o diálogo aberto deslanchar primeiro..."Foi nessa hora que o inocente estagiário acrescentou:"Mas um diálogo já não é aberto por natureza? Acho que não existe diálogo fechado, existe?"Hmmm, pra quê.

O chefe retrucou (acho que esbravejou):"Existe sim! Diálogo fechado é quando eu bato na mesa e digo que quero que seja dessa forma e ponto final. Pronto, diálogo fechado!".A sala ficou muda novamente...até que a senhora Fafá, experiente em situações de stress nas salas fechadas do alto comando por conta de anos servindo cafézinho, susurrou: "Mas isso não é diálogo...é monólogo" e saiu de fininho deixando os presentes a pensar...

Ahn, o estagiário? Ele deixou a empresa uns vinte dias depois da célebre reunião. Ninguém soube dizer o porquê, mas acho que todo mundo entendeu o recado.