segunda-feira, 6 de abril de 2009

Diálogo aberto?

"Vamos montar o Diálogo Aberto, um programa de comunicação interna".As palavras do Diretor Industrial impressionaram pela veemência. Agora, parecia que a coisa toda ia fluir - afinal, a ameaça de greve tinha sido um desgaste enorme para todos na refinaria.

Entretanto, um dos superintendentes perguntou: "Excelente nome...Mas como será na prática? Vamos começar a falar diretamente com os empregados?". Um silêncio sepulcral paralisou o salão de reuniões para logo em seguida ser cortado pela voz do chefe: "Não, nada disso. Vamos com muita calma, em etapas lentas, graduais e seguras. Primeiro faremos uma reunião nossa, depois outra com nossos assessores de maior confiança."

O Assessor então perguntou:"Então já podemos divulgar o novo programa nos murais da fábrica?""Não! Calma, deixa o diálogo aberto deslanchar primeiro..."Foi nessa hora que o inocente estagiário acrescentou:"Mas um diálogo já não é aberto por natureza? Acho que não existe diálogo fechado, existe?"Hmmm, pra quê.

O chefe retrucou (acho que esbravejou):"Existe sim! Diálogo fechado é quando eu bato na mesa e digo que quero que seja dessa forma e ponto final. Pronto, diálogo fechado!".A sala ficou muda novamente...até que a senhora Fafá, experiente em situações de stress nas salas fechadas do alto comando por conta de anos servindo cafézinho, susurrou: "Mas isso não é diálogo...é monólogo" e saiu de fininho deixando os presentes a pensar...

Ahn, o estagiário? Ele deixou a empresa uns vinte dias depois da célebre reunião. Ninguém soube dizer o porquê, mas acho que todo mundo entendeu o recado.

3 comentários:

Renato disse...

Gaulia,

Muito bom o exemplo que você trouxe para o blog. É lamentável, mas há muitos executivos que pensam e atuam desta forma, sem visão adequada de comunicação.

Tomei a liberdade de publicar o caso no Linkedin, nas comunidades relacionadas à Comunicação Empresarial.

Um abraço,
Renato Martinelli

Carolina disse...

Gaulia,

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Parabéns pelo artigo!

Carolina Simonetti

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Renatão e Carol, queridos amigos, enfim...é a trajetória humana organizacional, mas vamos mudar, um dia chegaremos lá. Rs rs rs.
Aliás, já estamos influenciando para melhor, sempre.