terça-feira, 26 de maio de 2009

Comunicação face a face: um desafio.

Diálogo e comunicação face a face sempre foram um desafio para as empresas. E desconfio que isso se deve ao fato de que para se conversar é precio lidar com uma questão pouco considerada na maioria das organizações: as emoções humanas.

Então, como é a "conversa" na sua empresa? Há conversa? E como se cuidam das emoções humanas no dia a dia corporativo?

Mandem seus comentários! Todos os posts serão bem-vindos.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Fábrica de gentilezas?


A ARK - Acts of Random Kindness é uma nova marca de roupas da Irlanda e sua mensagem principal é ir além dos lucros. A idéia por trás do slogan é que ao usar uma camiseta ARK você faça uma ação de gentileza, de bondade, de ajuda ao próximo.

Achei o máximo a idéia e penso como deve ser a comunicação interna na empresa, na fábrica: quais são as palavras utilizadas nos relacionamentos humanos na área de corte, costura, estamparia, embalagem? Vocês podem imaginar um lugar melhor para se trabalhar?

Uma espécie de fábrica de gentilezas cuja energia é repassada para os produtos vendidos? Uau! Me empolguei e mandei alguns e-mails para a ARK sobre isso, vamos ver se respondem.

Para quem ainda não conhece e quiser visitar: http://www.arkchangeyourworld.com/
(eles também estão no Facebook).

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Brasil Foods: uma nação de frangos?


Só uma coisa me preocupa diante da nova Brasil Foods (BRF): qual será o destino do frango da Sadia? Rs rs rs...
Brincadeiras à parte, fiquei impressionado com a compra da Sadia pela Perdigão. Mas ao analisar a missão das duas empresas, a operação fez sentido. Vejam, por exemplo, entre outros aspectos da transação, o que diz a missão da Sadia:"Alimentar consumidores e clientes com soluções diferenciadas". Ora bolas, quem come "soluções diferenciadas"? E por que só alimentar consumidores e clientes?
Bom, agora leiam a missão da Perdigão:"Participar da vida das pessoas, oferecendo alimentos saborosos, de alta qualidade e a preços acessíveis, em qualquer lugar do mundo".
É ou não é uma grande diferença?
Outra coisa que me impressionou, voltando ao título deste post, é a quantidade de frangos criados pelos milhares de pecuaristas espalhados por Santa Catarina: quase 50 milhões de aves! Um escala de produção de carne de frango que só perde para EUA e China e que tem como maior compradora a nova BRF.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Publicidade e sedução.


A publicidade sempre buscou seduzir corações e convencer a mente sobre alguma necessidade que justificasse a compra de um produto ou um serviço. Afinal "propaganda sempre foi a alma do negócio" e suas técnicas persuasivas sempre atingiram os diversos "públicos-alvo" (targets) de maneira criativa, planejada e estrategicamente direcionada.

Contudo, é ético construir marcas seduzindo crianças? Formar "mercado" futuro é influenciar crianças a consumir através de apelos muitas vezes erotizados? Perguntas como estas forma feitas durante a mesa redonda "Criança a alma do Negócio. A influência da publicidade na educação infantil" realizada hoje, na PUC do Rio de Janeiro, e promovida pela Rebouças&Associados e o Instituto Alana.

Como um dos exemplos, o outdoor acima, da Marisol, retirado de circulação por seu estímulo sexual subliminar (subliminar ?) e que resultou num termo de ajuste de conduta da empresa.

E você leitor (a) o que tem a dizer? Consumo é ato político ou puramente econômico? Para vender mais, vale tudo?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Social media.


Estive no encontro de ex-alunos do Curso Internacional de Comunicação ABERJE-Syracuse University com a presença de Shell Holtz, um expert em mídia digital e relacionamentos online. Como sou um "seguidor" de Shell no twitter e nos seus blogs, não pude deixar de ir (além do que rever amigos e amigas de sala de aula é sempre um grande prazer).

Conversamos sobre casos onde as ferramentas digitais foram utilizadas para desmontar a reputação de marcas - através de redes de usuários furiosos, organizados via internet ou, pelo contrário, como foram utilizadas para humanizar a imagem de corporações e (re)conquistar a simpatia do público.

CEOs falando como gente comum, presidentes e diretores pedindo desculpas por erros ou mensagens mal interpretadas e transmitidas por conceitos publicitários mal elaborados. Tinha de tudo pelos diversos canais da web: twitter, wikipedia, youtube, facebook etc.

Cases como o de Skittles, da SWA, Coca-Cola e uma comparação entre a Petrobrás e a Exxon Mobil apontaram para o crescimento de um universo de comunicação que não pode ser mais ignorado pelas empresas. Comunicação que precisa ser monitorada, pois as pessoas estão falando de marcas, produtos, projetos e negócios quer as empresas percebam ou não. Quer as empresas respondam ou não. Quer as empresas participem ou não deste universo.

Na foto: Carolina Soares da ABERJE, Shell Holtz e eu.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Energia em movimento.

Quero complementar os últimos posts. Quando uma empresa, uma organização começa a perceber o todo, o conjunto ela começa a entender que não está sozinha e que suas ações e reações estão conectadas a uma rede de influências e relacionamentos. Isso é entender a comunicação para a sustentabilidade: o emarranhado de conexões que um negócio possui com uma enorme quantidade de stakeholders.

Mas qual a relação disso com os sentimentos? Se olharmos uma organização como um ser-humano, perceberemos que ela possui um corpo (suas instalações físicas), possui um cérebero (seus processos de trabalhos, seu modo de funcionar) e possui também um coração - suas emoções: a paixão por fazer bem feito, a motivação de sua gente, a vontade de vencer, o desejo de progredir. Emoção pura. Podemos ir além, e dizer que uma empresa também possui alma (mas não tratarei disso agora).

Voltando à esta visão do todo maior do qual particpa qualquer organização, se podemos considerar que as pessoas são movidas por seus sentimentos (tiramos conclusões de maneira racional, mas só tomamos uma atitude ou mudamos um comportamento a partir de uma input emocional) então podemos dizer que as organizações são verdadeiras fontes de energia. Pronto. Cheguei onde queria!

É a energia das pessoas que faz a empresa ir adiante. Energia positiva ou negativa. Sensação que se percebe "no ar" - exatamente como na minha conversa com aquele profissional que trabalha numa indústria química. Ele sentiu a "energia" no ar e ela estava ruim, produzindo um clima de trabalho pior ainda.

Ou seja, entender o todo é entender que somos cerebrais, mas também emocionais, que somos energia em movimento e que nossas emoções são puro combustível. E para canalizar tamanha carga energética só mesmo usando a comunicação, a fala, a conversa de forma inteligente (lembrando que inteligência = intus leggere = ler por dentro). Permitir que a conversa canalize os potenciais humanos dentro das organizações e que, ao invés de irem circular pela rádio-corredor de maneira distorcida, circulem pelos corredores de maneira transparente, construtiva, ampla e potencializadora de talentos. E a palavra é que é capaz de verbalizar essa carga energética e é por ela que devemos começar nossos planos de comunicação. É através dela que devemos iniciar nossos processos de gestão sustentável de nossos negócios. Primeiro internamente - com uma conversa com forte viés educacional, de aprendizado e, depois, com a conversa com outros interlocutores.

Este novo mundo que aí está, exige essa nova visão.As organizações que sairem na frente, ganharão valor sustentável no longo prazo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Onde ficam os "sentimentos"? 3

Para completar, fecho com Paulo Gaudêncio: “O homem é um ser racional. Fala o que pensa. Mas quando não sabe ou não entende o que sente, age diferente do que fala”.

E por falar nisso, acessem e conheçam:http://www.paulogaudencio.com.br/

Onde ficam os "sentimentos"? 2

A "cura pela fala" como escreve a psiquiatra e psicanalista Susan Vaughan é o uso da palavra, da conversa, como "um grande alívio". Ora, estou falando das bases de um processo permanente de feedback dentro das empresas que dê espaço para as emoções humanas. E dê equilíbrio aos relacionamentos humanos nas corporações, afinal, tudo passa pelo emocional.

Ou você nunca sentiu orgulho? Sentiu-se satisfeito, realizado? Ou mesmo viveu um "sentimento de pertencer a algo maior"? Portanto, não há mais como deixar de ver os sentimentos humanos como parte dos processos de gestão - por mais cerebrais que as empresas desejam ser.

Ainda em dúvida? Então responda: como alguém fica motivado diante de mais uma tonelada de cimento produzido? Ou diante de mais um carregamento de minério de ferro completado? Ou diante de mais um milhão de litros de bebida engarrafada e empacotada? Se for só pela via do racional, do cerebral, não há viva alma que sinta-se plenamente satisfeito com a vida diante dessas rotinas.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Onde ficam os “sentimentos”?

Conversei com um supervisor de uma indústria química multinacional e ele me confessou que sentia (isso mesmo sentia) que muitas vezes as equipes de diferentes diretorias comportavam-se como se cada uma fosse de uma empresa diferente, como se cada uma tivesse metas independentes e houvesse uma espécie de competição interna para mostrar quem era o melhor. Era a mesma empresa mas as pessoas se odiavam, disse ele. Os números estavam bons – apesar da crise, mas o “clima” (clima interno, esta entidade onipresente nas salas, corredores e refeitórios) estava péssimo.

Perguntei se ele já havia tentando abordar este assunto com a liderança, compartilhar o sentimento com outros. A resposta foi um “não” bastante temeroso no seu tom. Compreensível.

Para Daniel Goleman, autor de ”Mentiras essenciais. Verdades simples. A psicologia da auto-ilusão” para se fazer parte de um grupo “o preço tácito da admissão consiste em concordar em não notar a própria sensação de mal-estar e de dúvida, e certamente não questionar qualquer coisa que seja um desafio ao modo do grupo fazer as coisas”. Como mudar isso?

Sugiro a "cura pela fala"...