segunda-feira, 11 de maio de 2009

Energia em movimento.

Quero complementar os últimos posts. Quando uma empresa, uma organização começa a perceber o todo, o conjunto ela começa a entender que não está sozinha e que suas ações e reações estão conectadas a uma rede de influências e relacionamentos. Isso é entender a comunicação para a sustentabilidade: o emarranhado de conexões que um negócio possui com uma enorme quantidade de stakeholders.

Mas qual a relação disso com os sentimentos? Se olharmos uma organização como um ser-humano, perceberemos que ela possui um corpo (suas instalações físicas), possui um cérebero (seus processos de trabalhos, seu modo de funcionar) e possui também um coração - suas emoções: a paixão por fazer bem feito, a motivação de sua gente, a vontade de vencer, o desejo de progredir. Emoção pura. Podemos ir além, e dizer que uma empresa também possui alma (mas não tratarei disso agora).

Voltando à esta visão do todo maior do qual particpa qualquer organização, se podemos considerar que as pessoas são movidas por seus sentimentos (tiramos conclusões de maneira racional, mas só tomamos uma atitude ou mudamos um comportamento a partir de uma input emocional) então podemos dizer que as organizações são verdadeiras fontes de energia. Pronto. Cheguei onde queria!

É a energia das pessoas que faz a empresa ir adiante. Energia positiva ou negativa. Sensação que se percebe "no ar" - exatamente como na minha conversa com aquele profissional que trabalha numa indústria química. Ele sentiu a "energia" no ar e ela estava ruim, produzindo um clima de trabalho pior ainda.

Ou seja, entender o todo é entender que somos cerebrais, mas também emocionais, que somos energia em movimento e que nossas emoções são puro combustível. E para canalizar tamanha carga energética só mesmo usando a comunicação, a fala, a conversa de forma inteligente (lembrando que inteligência = intus leggere = ler por dentro). Permitir que a conversa canalize os potenciais humanos dentro das organizações e que, ao invés de irem circular pela rádio-corredor de maneira distorcida, circulem pelos corredores de maneira transparente, construtiva, ampla e potencializadora de talentos. E a palavra é que é capaz de verbalizar essa carga energética e é por ela que devemos começar nossos planos de comunicação. É através dela que devemos iniciar nossos processos de gestão sustentável de nossos negócios. Primeiro internamente - com uma conversa com forte viés educacional, de aprendizado e, depois, com a conversa com outros interlocutores.

Este novo mundo que aí está, exige essa nova visão.As organizações que sairem na frente, ganharão valor sustentável no longo prazo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Boa noite, Gaulia. Gostei muito dos 4 últimos posts. Alguns dias atrás, na empresa em que trabalho tivemos um workshop sobre avaliação de desempenho-09.Fui para o mesmo com a intenção de ser apenas uma ouvinte, porque sinceramente, já me sentia cansada de abordar algumas questões em relação à transparência, feedback, modos de avaliação, postura dos gestores e outros, sempre sozinha e nunca ter retorno. Porém ao terminar o workshop me deparo com uma situação lamentável. Bom, lamentável para empresa, mas fiquei feliz em ouvir os meus colegas de trabalho experessando seus sentimentos (surpresa para mim - porque geralmente nesses workshops apenas dois ou três falam, dentre esses, eu...rs).Praticamente todos os colaboradores reclamaram de diversos pontos quanto à gestão de pessoas e da comunicação, ou melhor, da falta dela. Depois dessa surpresa, não me contive e resolvi acrescentar a fala de meus colegas com algumas reflexões.Bom, finalizei fazendo a seguinte pergunta para a profissional do RH que conduzia esse encontro: " Vc não está assustada em notar que essa empresa está doente?". E ela não me respondeu nada, simplesmente encerrou o encontro. Era visível o pâncio em seu olhar, porém, ela não estava preparada para tal situação e não conseguiu prosseguir. Algo lamentável, também. Não sou da área de RH e nem da Comunicação, mas adoraria ser, porque baseado nessa situação, essas áreas tem desafios gigantescos e inspiradores (no meu ponto de vista) pela frente. Tem trabalho para anos para esses profissionais.Abraços, Milena Apolinário.

Anônimo disse...

Exelente mais uma vez Gaulia!
Gostaria de acrescentar: Aristote explicava que, para ser carismatico, um leader tina que trabalhar com 3 agendas: Logos, Ethos e Pathos. Hoje falamos de:
- Logos ou agenda intelectual/ estrategica: A necessidade para um leader de CO-criar clareza e sentimento de "ownership" sobre a direção que a empresa esta tomando
- Ethos ou agenda comportamental/ de liderança: A maior fonte de criaçâo ou destrução de valor não esta na estrategia mas no comportamento dos leaders. So basta lembrar o erro incrivel de julgamento dos tres CEOs de Detroit que foram pedir dinheiro publico em Washington cada um no seu jato privado...
Pathos ou agenda emocional/ motivacional: da qual voce acabou de fazer uma descrição exelente.

E fundamental para um lider saber trabalhar nas tres agendas no mesmo tempo. E isso que nosso ultimo livro tenta descrever.
Um abraço e obrigao
Didier Marlier

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Milena, você está certa - a área de RH tem grandes desafios pela frente e precisa de pessoas que saibam equilibrar as exigências constantes por resultados com a visão de longo prazo e o equilíbrio entre razão x emoção. É uma área que deveria analisar e cuidar das potencialidades de cada profissional e trabalhar a questão motivacional de nossas "enregias". Obrigado pelo post (e que tal vc entrar nessa área?).
Abraço,
Gaulia

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Didier, acabei de receber seu "Engaging Leadership" pelo correio e ao dar uma rápida olhada inicial vi o capítulo que trata exatamente sobre este seu comentário.
Isso me lembra o "tripple bottom line" da sustentabilidade: financeiro, social e ambiental - uma espécie de logos, ethos e pathos...uma relação interessante e oportuna para análise neste mundo realmente mutante que estamos vivendo. Uma coisa é certa: velhos modelos não funcionam mais.
Abraço grande.