sexta-feira, 19 de junho de 2009

Face-a-face em prol da vida.

Mulheres - Diálogos sobre Segurança Pública é um encontro diferente promovido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Governo Federal. Diferentes histórias, dramas, classes, jeitos de falar, sentir. Escuta, participação, quebra de preconceitos, entendimento; a palavra como convite à paz.

Faz frio lá fora mas um sensível calor humano invade o auditório do Canoas Parque Hotel (RS). A dinâmica é a última, de um total de sete, realizada com a particpação de mais de duzentas mulheres brasileiras revelando um detalhado painel sobre suas percepçõesa respeito da segurança pública.

Um ponto em comum: a dor da violência, esta sim, única hiper democrática. Atingindo a todas (os) no coração como seta, flecha certeira e brutal. Da "drogadição" - o crack como um monstro engolindo a juventude, os filhos; aos estupros dentro e fora dos lares, os roubos, os assassinatos, o machismo patológico e seus espancamentos, o desemprego, a falta de hospitais ou o excesso de filas para um simples pronto socorro, a lentidão da Justiça, a falta de amparo dos "brigadianos" (PM) - entre despreparo, corrupção e o próprio desespero psicológico dos policiais. Ou mesmo a violência da intolerância, dos preconceitos, dos pequenos desrespeitos cotidianos. Tudo junto.

Um quadro que poderia deixar-nos perto do desespero, mas aqui não. Essas mulheres tem força, são de luta, são movidas pela luta pela paz - contradição possível, pois humana, demasiadamente humana e feminina. Acolhedora de bons e ruins, pois, esperança: somos seres humanos. Seres em evolução infinita.

Mulheres revela em Canoas, e nos encontros feitos por outras cidades do Brasil, uma força transformadora baseada num amor maternal idêntico ao do planeta, da Terra mãe, o berço da vida. De toda a vida. Há esperança e há futuro possível, melhor.

Vamos em frente, com o diálogo, a conversa sem barreiras, confiante na palavra da (o) outra (o) permitindo pontes onde havia abismos e encontrando unidades comuns na diversidade. Um face-a-face em prol da vida para promover não somente mudanças culturais, mas aproximar pessoas diferentes, universos distantes. E assim, abrir novos horizontes para a condição humana, para a realidade brasileira. Um diálogo capaz de unir o que antes estava fragmentado. Construir o que nem era sonhado.

2 comentários:

Ocappuccino disse...

Lindo texto. Parabéns. Ele simboliza que ainda há esperanças, no peito dessas mulheres.

Abraços
Mateus d'Ocappuccino

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Sim, há esperança pois o ser-humano, como já escreveu Leonardo Boff é um projeto infinito. As possibilidades são amplas e os horizontes, idem.