quinta-feira, 4 de junho de 2009

Churrasquinho, sustentabilidade e comunicação: a visão do todo.

Estive hoje numa mesa redonda sobre Comunicação e Sustentabilidade promovida pela ESPM RJ. Que bom que o tema chegou nesta casa que é uma referência da propaganda, do marketing e da comunicação. Precisamos de novos modelos educacionais para dar conta dos desafios inéditos da humanidade e um movimento de aprendizado e de troca de conhecimentos como o evento de hoje é uma passo muito promissor.

Quero deixar aqui apenas alguns itens de nossa discussão: sustentabilidade, numa definição prática, é saber responder o que as nossas atividades de hoje estão impactando na vida futura? O que estamos fazendo hoje (como empresários, consumidores, cidadãos, governantes, empregados etc) que pode afetar e colocar em risco o futuro da vida no planeta?

Difícil responder? Então, vamos ao segundo item: visão do todo. Visão do conjunto, um olhar mais amplo sobre um ato qualquer...como o de comprar carne pro churrasco. É isso mesmo, ou você acredita que o nosso churrasquinho de fim de semana não tem relação com a sustentabilidade? Tem e muito. Pergunta: você sabe a procedência da carne que compra? Será que o boizinho que você vai comer não era de uma pastagem feita às custas de queimadas na Amazônia e que impactam no aquecimento global e nas mudanças climáticas? Ahn, nunca pensou nisso, então, tá na hora.

Sei que é difícil mudarmos hábitos (sou fã de churrasco), mas não é tão difícil descobrir se a carne que compramos tem origem certificada ou tem procedência suspeita. Dá um pouco de trabalho, mas será que não vale a pena pensar no futuro? Ou basta encher a barriga de carne e cerveja e tudo bem? E este tipo de olhar, sobre toda a cadeia produtiva e a rede de relações existentes pode ser utilizada para qualquer segmento: cimento, bebidas, tecelagem, informática...

Voltando ao caso do churrasco: que tal descobrirmos como trabalham frigoríficos como Bertin, Marfrig, JBS entre outros grandes produtores de carne bovina? Afinal, neste caso específico, o Greenpeace, numa análise elaborada, publicou em seu site (www.greenpeace.org.br) uma grave denúncia - a de que a destruição da floresta amazônica está relacionada com as ações e as omissões de grandes empresas e marcas conhecidas. Deste e de outros ramos.

Assim, chegamos ao outro ponto que faz conexão com o título do post. Se para nos certificarmos da origem do que estamos consumindo precisamos ter a visão do todo, também precisamos de informação. Pronto: "Alô, comunicação"!

As empresas estão sabendo comunicar seus avanços e recuos (por que não?) nos processos de aprendizado da sustentabilidade? Quero crer que sim, sou otimista (apesar de bastante crítico). Basta ver que grandescompanhias já estão nesse movimento. Só no Brasil já são mais de 4 mil publicando relatórios no modelo da GRI - Global Reporting Initiative, além de estimularem processos internos de capacitação e educação para a sustentabilidade e realizarem encontros com especialistas e painéis de debates com diferentes stakeholders.E o desafio é que médios e pequenos empresários, além de governos e ONGs também comuniquem suas trajetórias. Ao ver os stakeholders ("acionistas sociais"?) não como críticos mas como referências importantes na construção de um novo modelo de negócio, de gestão de empresas, existe um campo promissor para avanços.

E se você ainda não acredita que comunicação tem a ver com sustentabilidade, lembre-se de Bertold Brecht, escritor e dramaturgo alemão: "Se dois bois conversassem entre si, eles não iriam tão facilmente para o matadouro".

6 comentários:

Ocappuccino disse...

Oi Gaulia.

Descobri teu blog hoje e nunca é tarde para descobrir fatos novos, não é mesmo?!?!

Claro que se analisarmos a 'visão do todo' todo ação deve ser pensada de forma sustentável, desde a campanha 'faça xixi no banho' até analisar e certificar a origem da madeira de que é produzida os móveis que compramos.

É difícil ser um ser humano sustentável, ou seja, que contemple essa premissa em todos seus atos, as vezes promovemos alguns descuidos hehehe

Eu tento ser o máximo possível.

Já feedei teu blog e vou acompanhar sempre, um abraço

Mateus d'Ocappuccino
Um abraço

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Mateus, obrigado pelo post.
Não é fácil mudar hábitos e este é o nosso desafio. Mas um futuro melhor vale o esforço, não vale? Abraço grande.

Nany Zl López-Aliaga Bilate disse...

Oi Luiz, como você disse, mudar habitos não é fácil mas também não é tão difícil assim. É só olhar para nós mesmo e verificar quantos hábitos novos incorporamos por anos nós últimos 5 anos. Como a tecnologia e outros meios de comunicação estão sendo assimilados e assumidos por nós. Penso que é mais interesse que força de vontade. A visão sistêmica que você menciona sem dúvida é um dos melhores meios de nos motivarmos para as mudanças que prol de um mundo melhor.
abraços
Nany Bilate

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Nany, vc tem razão...são tantos novos hábitos e nem me dei conta deles.Ou seja, mais um bom motivo para acreditar numa mudança para o bem da humanidade e do planeta (mesmo que sejam "virais", aos poucos, em cada um de nós). Obrigado pelo post.

Leandro Tadeu Novi disse...

Olá Gaulia, muito interessante seu texto e a iniciativa da ESPM.
Trabalho com comunicação da sustentabilidade já há algum tempo e minhas pesquisas acadêmicas são exatamente nessa área.
É incrível como ainda existe um gap entre discurso e prática. Muitas empresas têm a sustentabilidade presente em sua comunicação, mas isso não se traduz em ações práticas, em mudança de comportamento; outras porém têm belíssimas práticas, mas não as divulgam, não promovem a formação da consciência.
Creio que nós comunicadores temos um papel fundamental nessa história.
Cada vez mais, temos que assumir o compromisso de divulgar o que realmente é bom, ajudando na formação de uma sociedade mais consciente e na adoção de práticas de consumo mais responsáveis.

Um grande abraço.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Leandro, obrigado pelo comentário.
Acredito que as empresas estão diferentes estágios e níveis, umas mais evoluídas do que outras - assim como governos, sociedades...o importante é "puxarmos a régua"para cima...e convesar mais sobre tudo isso. O aprendizado é contínuo e o desafio permanente.