sábado, 29 de agosto de 2009

Fibria.

Nasceu a Fibria, nova marca no mercado de celulose mundial. A Fibria é resultado da união entre VCP - Votorantim Celulose e Papel e a Aracruz. Achei um super nome: sonoro, fácil, forte e simples de se traduzir para algumas línguas o que facilita os negócios globais dessa gigantesca empresa.

E o que significa "fibria"? Trata-se de um potente potente vitalizante para os vegetais, muito provavelmente, um estimulante ao crescimento das árvores, especialmente - neste caso, os eucaliptos.Vamos acompanhar, no primeiro dia de setembro deve ter uma campanha de comunicação anunciando a nova marca.

Vejam mais em: www.vcp.com.br.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

TIC TAC TIC TAC

Começa neste sábado, no mundo inteiro, a campanha de publicidade pela convocação da sociedade civil para a questão do clima, tendo em vista à conferência mundial COP 15 em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro.

A campanha foi planejada pela Rebouças & Associados com um trabalho conjunto de Bruno Israel, Maira Miguel, Priscila Menezes e Nádia Rebouças. A Mídia 1 de Antonônio Jorge Pinheiro e a Open Multimeios de Hilton Israel também foram parceiros, entre outros.

Acessem: www.tictactictac.org.br

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Bhopal.

Don Tapscott e David Ticoll escreveram "A Empresa Transparente" em 2003. O livro fala sobre uma nova era para os negócios: a Era da Transparência. Num dos parágrafos os autores relembram o desastre químico em Bhopal, na Índia, quando a Union Carbide deixou vazar veneno de suas instalações o que acabou matando 4 mil pessoas (há controvérsias no total de mortos).

Mas o que isso tem a ver com transparência? Ora, tudo. Os autores citam exemplos de sites contra a Dow Chemical (que adquiriu a Union Carbide posteriormente) e que tornaram-se fontes de dor de cabeça para a gigante química - que dificilmente vai se livrar desta triste herança ambiental. Não tem jeito, a marca vai carregar um recall negativo e eu acho que isso vai demorar muito a mudar.

Ou seja, mais uma mostra de que este mundo de redes digitais trouxe um volume de informações e conexões capazes de influenciar a reputação de nomes e marcas ao redor do mundo com grande estardalhaço,de maneira permanente como numa moblização virtual planetária - mesmo que muito tempo depois de um fato ter ocorrido. Lembrem-se que a tragédia em Bhopal ocorreu em 1984 quando a web nem existia e as notícias demoravam a chegar aos quatro cantos do planeta. Aliás, cuidar da memória também é importante para a sustentabilidade: datas marcantes devem ser relembradas para que a história não se repita.

Para quem quiser conhecer mais, recomendo:
www.nakedcorporation.com e www.bhopal.com

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O mundo funciona como uma máquina?

Dá para explicar a vida através de um manual de instruções? Então de onde é que surgiu essa idéia de que o mundo funciona como uma máquina? De que seres-humanos são como relógios? Bom, resgato aqui um pouco do que falei em sala de aula, compartilhando idéias com os participantes da Pós-Graduação em Comunicação Integrada, na disciplina de Comunicação & Desenvolvimento, na ESPM.

Nossa visão "mecanicista" e "racional" do mundo e da vida é herança de dois ilustres senhores: Newton e Descartes. Gênios, sem dúvida, que formularam idéias capazes de nos impactar até hoje e que criaram a base deste crescimento material, deste crescimento industrial existente. Progresso que produziu máquinas e produtos que compõem nossa civilização. Só que a visão matemática, o pensamento puramente racional produziu também uma fragmentação do todo - que é a vida em sua complexidade, em sua interdependência e integralidade. Produziu um senso comum que proclamou que seres humanos funcionam como máquinas. Liga e desliga. "Ficaram doentes? Troca, que venham outros do estoque!" Um senso comum que nos faz viver no "automático", como robôs cada vez mais atrasados em relação às horas do dia, cada vez mais quantitativos ou invés de qualitativos.

Este modelo talvez tenha funcionado para criarmos automóveis, geladeira,aviões, fábricas inteiras. Mas acabou também criando os engarrafamentos, a poluição da atmosfera, o pseudo-controle do tempo através do relógio, o pseudo-controle da realidade através de planilhas e tabelas. Ora, a vida é incontrolável. E a visão mecanicista, racional nunca poderia dar conta sozinha da explicação da vida.

O desafio da sustentabilidade atualmente é que precisamos completar esse jeito de ver o mundo. Precisamos resgatar uma visão sistêmica, do todo. Das relações em suas infinitas coligação, conexões. E nisso eu incluo o olhar sobre as emoções humanas, o olhar sobre a natureza como ambiente inteiro (e não "meio"), o olhar sobre a espiritualidade. Dimensões que estão fora do modelo que determina que "verdade é tudo o que a minha razão consegue explicar" que, sim, é uma verdade. Parcial. Porque a vida tem muito mais do que nossa razão possa entender.

Meio místico demais? Utópico? Bem, é o que acredito. Quem quiser ler mais sobre tudo isso, indico alguns dos autores que estão mergulhados nessa nova abordagem sobre a ciência da vida, da sustentabilidade planetária e de um novo humanismo: Fritjof Capra, James Lovelock, Edgard Morin, Humberto Maturana, Alvin Toffler, Peter Senge e Ken Wilber.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ação da Cidadania 3.

Ação da Cidadania 2.

Ação da Cidadania.


A Ação da Cidadania, como eu disse no post anterior foi o primeiro movimento social a utilizar o marketing e a comunicação de maneira estratégica. Se o marketing vendia sabão em pó e automóvel porque ele não poderia vender idéias como a solidariedade?

Nas peças a seguir, outra boa lembrança viabilizada em colaboração com profissionais voluntários. O texto é de minha criação e a direção de arte é do meu amigo publicitário, poeta e artista plástico Alessandro Monteiro (www.alessandromonteiro.com) com fotos de Ricardo Behring. Quem assina a peça é o Escritório de Idéias do Vitor Murtinho. E o veículo que publicou foi a Revista Capricho, sem qualquer custo.

Ahn, o macaquinho no canto da esquerda eu peguei emprestado da minha filha, rs rs rs.

domingo, 16 de agosto de 2009

Você tem fome de quê?


O tempo passa e o tempo voa, dizia uma um anúncio do Banco Bamerindus - que já não existe mais. Como o conhecimento é uma espécie de organização do passado (já que ninguém conhece o futuro) resgatei e compartilho aqui um trabalho dos meus tempos de redator publicitário para a Ação da Cidadania, movimento iniciado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

A Ação da Cidadania foi o primeiro movimento que utilizou a comunicação de maneira estratégica e o marketing "social" para mudar percepções e atitudes. E através do seu Comitê de Idéias - em cujas reuniões participavam redatores, cineastas, jornalistas, diretores de arte e criativos geralmente se encontrando na Oficina de Marketing, agência da Nádia Rebouças e do Antonio Jorge Pinheiro, diversas campanhas foram criadas. Aliás, registro aqui que a própria estratégia de comunicação da Ação da Cidadania só teve sucesso mesmo porque contava com o planejamento e a coordenação direta de Nádia Rebouças.

Além do mais, tudo era feito de graça, de forma voluntária. Anúncios, textos, filmes e idéias eram criados e veiculados pela Globo, Band, SBT e pelos jornais O Dia, O Globo e o JB, além de outras mídias que não cobravam nada. Ou seja, era uma rede de comunicação do bem, simplesmente movida pela solidariedade humana (claro que havia uma boa dose de ego entre os publicitários na apresentação de suas criações, senão não seriam publicitários). Mas a causa era justa e a Ação da Cidadania, além de um movimento inédito, foi um case de comunicação inovador. Até hoje.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Os mísseis "sustentáveis"?


"Olho por olho e a humanidade acabará cega" é uma frase que escutei numa roda de amigos e que foi atribuída à Gandhi. Não sei se foi isso mesmo que ele disse, mas é um pensamento que tem minha simpatia. Aliás, está aí uma boa causa nestes tempos complexos: trabalhar para o controle de produção e de vendas de armas (pesadas ou leves).

Como sou um curioso, acabei descobrindo meu primeiro "alvo" (sim, estou usando um jargão conhecido da indústria bélica). Chama-se Kongsberg e é uma empresa da Noruega que fabrica...mísseis!Entre outros negócios.

Pois é. A gente pode até pensar que temos tantas contas a pagar, filhos para cuidar, carro pra consertar, cachorro pra levar no veterinário que ficamos com mais medo do assalto na esquina do que de mísseis fabricados num país distante. Mas, o mundo é circular e a Kongsberg tem escritório no Brasil. E vejam, compartilhem comigo a incoerência: a empresa tem um relatório de sustentabilidade e nele a gente encontra paradoxos como o apoio aos princípios do Global Compact e a trabalhos em RS com crianças órfãs (provavelmente vítimas de guerras, onde alguns mísseis caíram sobre casas, matando pais e mães - por engano). Além de um acabamento visual recheado de fotos de gente sorrindo - inclusive aquele operário enchendo o foguete com dinamite feliz da vida para a foto. Incoerência total. Mais: eu diria doença. Isso não pode ser normal.

A Kongsberg além de possuir uma área de equipamentos de "defesa" também atua no segmento de petróleo, gás e offshore. Ou seja, até parece que tudo está no lugar certo - só que o negócio de venda de armas em si é do mal. Não vejo como um fabricante de bombas possa ser sustentável. A cadeia de valor dos caras simplesmente tende a desaparecer, logo após o cliente, porque o "público-alvo" desse mesmo cliente tende a "ir pelos ares" literalmente. Vocês não concordam ou eu estou delirando? Dá para ser sustentável num negócio desses?

E a Kongsberg não é a única no ramo, ok? Temos ainda outros pesos pesados nessa indústria bélica (que rende muito dinheiro, com certeza), mas não rende frutos ambientais nem sociais, pois o dano de uma guerra é maior que qualquer compensação. O que um míssel tem de poder destrutivo compromete o futuro de milhares de pessoas que mal sabem da existência desses armamentos. Ou seja: suas contas a pagar são importantes, mas estamos dormindo sob um arsenal mortal feito por empresas como a Kongsberg, por exemplo.

Bom, só para não ficar escrevendo da Kongsberg, pois podem dizer que estou perseguindo empresas norueguesas, cito outras marcas igualmente nefastas para fazer parte da lista: a americana Claymore Inc -fabricante de minas terrestres, a nossa verde e amarela Avibrás (yes nós temos missiles), a EADS N.V que tem no portfólio a marca Airbus e a MBDA Inc.
Ou seja: a loucura humana não tem limites. Sorte a nossa que a esperança e as pessoas sãs também não, ainda mais quando se trata de defender o idreito à vida e a um futuro onde a sustentabilidade realmente seja uma prática, mais do que um discurso incoerente.
Ahn, e não deixem de visitar os sites: http://www.kongsberg.com/ e http://www.mbda-systems.com/

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Comunicação mais responsável?


Uma pergunta fundamental para os tempos atuais. Não somente para empresas privadas, mas também para empresas públicas, ok?

Mas neste post vou me ater apenas a uma indústria específica: a de bebidas. Como é vender álcool para clientes? Sei que isso passa, de certa forma, pela liberdade de escolha pessoal e que a humanidade sempre "tomou suas biritas". Sei que um chopp gelado no final de uma tarde de verão é realmente um prazer, sei, sei,sei. Mas como seria trabalhar uma comunicação mais responsável desse produto? Porque eu entendo que a publicidade tradicional - apenas como estímulo excessivo ao consumo (e para muita gente o caminho do vício - ops, olha a polêmica!) não tem mais espaço no futuro. É muito complicado ver atletas (como o Cafú ou o Ronaldinho) incentivando a moçada a beber. Quero estimular uma reflexão sobre a comunicação das indústrias de bebidas. Dá para ser sustentável nesse negócio? Dá para ser transparente? Como é que você vê essa questão, meu (minha) prezado (a) leitor (a)?

Um exemplo resgatado do baú da propaganda está no You Tube e é da Seagram´s, de 1973, e outro link bem interessante é patrocinado pela Pernod Ricard, lá fora. Vale acessar os dois:

http://www.acceptresponsibility.org/

http://www.youtube.com/watch?v=saj-PblR2r0

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Comunicação e desenvolvimento na ESPM Rio.

Dia 20 de agosto começam as aulas na ESPM Rio sobre Comunicação e Desenvolvimento, na Pós Graduação de Comunicação Integrada. Na verdade, as minhas aulas serão sobre comunicação e sustentabilidade - e como essas duas disciplinas são inseparáveis. E como uma nova comunicação está sendo gerada e implantada (ou não) dentro das organizações humanas.

Porque se olharmos para muitos anúncios que estão por aí, ser sustentável hoje virou um jargão corporativo que está demolindo o verdadeiro sentido do termo. E porque entre os interlocutores que compõem a teia de relações de um negócio e suas diversas conexões, é a comunicação que promove a troca de idéias, experiências e conhecimentos entre os diferentes públicos. O mundo com seus desafios nunca antes sequer imaginados (as mudanças climáticas estão aí para esquentar nossas cabeças pensantes) precisa de comunicação. Pois comunicação é "ação comum", união de pontos distantes, ponte entre corações e mentes.

Através da comunicação podemos esclarecer nossas idéias, nossos propósitos e planos - de maneira transparente (premissa da confiança) e saber o que o outro interlocutor percebe, entende, interpreta, espera. Para mim sustentabilidade começa com essa aproximação, feita pela palavra, pelo diálogo - primeiro internamente, nas empresas, pois tudo começa de dentro para fora senão é como uma embalagem bonita, vazia de conteúdo. E depois expandindo essa onda para o universo externo da organização.

Enfim, mais uma responsabilidade que aparece na minha frente: interagir com alunos e alunas para construir em conjunto um grande curso. Na excelência que a marca ESPM exige.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A sutil diferença das palavras.

Como sua empresa lida com os tais "públicos de interesse" (stakeholders), por exemplo, na hora de começar um novo projeto numa região do Brasil ou mesmo em outros países?Ao chegar na região a sua empresa considera as pessoas nativas daquele local como "moradores" ou como "cidadãos"? Tem diferença?

Eu diria que sim, tem muita. Se considerarmos pessoas como cidadãos estaremos entendendo que elas têm direitos e deveres, têm condições de interferir em decisões que afetem seu futuro e possuem hábitos e costumes culturalmente enraizados naquele território que habitam. Se a organização que chega, ao contrário, considerá-los apenas como "moradores" - teremos outra abordagem. Eu por exemplo posso ser morador de minha casa de veraneio, nas minhas férias. Portanto, dois pesos e duas medidas, não é mesmo? Fica mais fácil deslocar moradores do que deslocar cidadãos. Fica mais fácil dizer que moradores podem ir povoar outro lugar, sem muitos traumas. Mas com cidadãos, acredito que a complexidade seja maior.

Ou seja, dá para perceber como as palavras têm significados e importância muito diferentes umas das outras e que em nossas relações precisamos compreender esses pesos? Essas variadas interpretações que as palavras carregam? É assim que, no meu entender, podemos aproximar ou afastar culturas singulares: percebendo a sutil diferença das palavras que usamos.

E se considerarmos o público interno, então, imaginem: cidadãos, mais do que profissionais ou muito mais do que "recursos" humanos. De novo, quanta sutileza a ser observada no vocabulário que usamos - muitas vezes sem notar seus reais significados.