sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O mundo funciona como uma máquina?

Dá para explicar a vida através de um manual de instruções? Então de onde é que surgiu essa idéia de que o mundo funciona como uma máquina? De que seres-humanos são como relógios? Bom, resgato aqui um pouco do que falei em sala de aula, compartilhando idéias com os participantes da Pós-Graduação em Comunicação Integrada, na disciplina de Comunicação & Desenvolvimento, na ESPM.

Nossa visão "mecanicista" e "racional" do mundo e da vida é herança de dois ilustres senhores: Newton e Descartes. Gênios, sem dúvida, que formularam idéias capazes de nos impactar até hoje e que criaram a base deste crescimento material, deste crescimento industrial existente. Progresso que produziu máquinas e produtos que compõem nossa civilização. Só que a visão matemática, o pensamento puramente racional produziu também uma fragmentação do todo - que é a vida em sua complexidade, em sua interdependência e integralidade. Produziu um senso comum que proclamou que seres humanos funcionam como máquinas. Liga e desliga. "Ficaram doentes? Troca, que venham outros do estoque!" Um senso comum que nos faz viver no "automático", como robôs cada vez mais atrasados em relação às horas do dia, cada vez mais quantitativos ou invés de qualitativos.

Este modelo talvez tenha funcionado para criarmos automóveis, geladeira,aviões, fábricas inteiras. Mas acabou também criando os engarrafamentos, a poluição da atmosfera, o pseudo-controle do tempo através do relógio, o pseudo-controle da realidade através de planilhas e tabelas. Ora, a vida é incontrolável. E a visão mecanicista, racional nunca poderia dar conta sozinha da explicação da vida.

O desafio da sustentabilidade atualmente é que precisamos completar esse jeito de ver o mundo. Precisamos resgatar uma visão sistêmica, do todo. Das relações em suas infinitas coligação, conexões. E nisso eu incluo o olhar sobre as emoções humanas, o olhar sobre a natureza como ambiente inteiro (e não "meio"), o olhar sobre a espiritualidade. Dimensões que estão fora do modelo que determina que "verdade é tudo o que a minha razão consegue explicar" que, sim, é uma verdade. Parcial. Porque a vida tem muito mais do que nossa razão possa entender.

Meio místico demais? Utópico? Bem, é o que acredito. Quem quiser ler mais sobre tudo isso, indico alguns dos autores que estão mergulhados nessa nova abordagem sobre a ciência da vida, da sustentabilidade planetária e de um novo humanismo: Fritjof Capra, James Lovelock, Edgard Morin, Humberto Maturana, Alvin Toffler, Peter Senge e Ken Wilber.

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