quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Os mísseis "sustentáveis"?


"Olho por olho e a humanidade acabará cega" é uma frase que escutei numa roda de amigos e que foi atribuída à Gandhi. Não sei se foi isso mesmo que ele disse, mas é um pensamento que tem minha simpatia. Aliás, está aí uma boa causa nestes tempos complexos: trabalhar para o controle de produção e de vendas de armas (pesadas ou leves).

Como sou um curioso, acabei descobrindo meu primeiro "alvo" (sim, estou usando um jargão conhecido da indústria bélica). Chama-se Kongsberg e é uma empresa da Noruega que fabrica...mísseis!Entre outros negócios.

Pois é. A gente pode até pensar que temos tantas contas a pagar, filhos para cuidar, carro pra consertar, cachorro pra levar no veterinário que ficamos com mais medo do assalto na esquina do que de mísseis fabricados num país distante. Mas, o mundo é circular e a Kongsberg tem escritório no Brasil. E vejam, compartilhem comigo a incoerência: a empresa tem um relatório de sustentabilidade e nele a gente encontra paradoxos como o apoio aos princípios do Global Compact e a trabalhos em RS com crianças órfãs (provavelmente vítimas de guerras, onde alguns mísseis caíram sobre casas, matando pais e mães - por engano). Além de um acabamento visual recheado de fotos de gente sorrindo - inclusive aquele operário enchendo o foguete com dinamite feliz da vida para a foto. Incoerência total. Mais: eu diria doença. Isso não pode ser normal.

A Kongsberg além de possuir uma área de equipamentos de "defesa" também atua no segmento de petróleo, gás e offshore. Ou seja, até parece que tudo está no lugar certo - só que o negócio de venda de armas em si é do mal. Não vejo como um fabricante de bombas possa ser sustentável. A cadeia de valor dos caras simplesmente tende a desaparecer, logo após o cliente, porque o "público-alvo" desse mesmo cliente tende a "ir pelos ares" literalmente. Vocês não concordam ou eu estou delirando? Dá para ser sustentável num negócio desses?

E a Kongsberg não é a única no ramo, ok? Temos ainda outros pesos pesados nessa indústria bélica (que rende muito dinheiro, com certeza), mas não rende frutos ambientais nem sociais, pois o dano de uma guerra é maior que qualquer compensação. O que um míssel tem de poder destrutivo compromete o futuro de milhares de pessoas que mal sabem da existência desses armamentos. Ou seja: suas contas a pagar são importantes, mas estamos dormindo sob um arsenal mortal feito por empresas como a Kongsberg, por exemplo.

Bom, só para não ficar escrevendo da Kongsberg, pois podem dizer que estou perseguindo empresas norueguesas, cito outras marcas igualmente nefastas para fazer parte da lista: a americana Claymore Inc -fabricante de minas terrestres, a nossa verde e amarela Avibrás (yes nós temos missiles), a EADS N.V que tem no portfólio a marca Airbus e a MBDA Inc.
Ou seja: a loucura humana não tem limites. Sorte a nossa que a esperança e as pessoas sãs também não, ainda mais quando se trata de defender o idreito à vida e a um futuro onde a sustentabilidade realmente seja uma prática, mais do que um discurso incoerente.
Ahn, e não deixem de visitar os sites: http://www.kongsberg.com/ e http://www.mbda-systems.com/

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