sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Case Light - Dona Marta.

Articular Governo do Estado, iniciativa privada e comunidade para gerar uma nova realidade politica, ambiental, social e economica. Quem não gostaria de conhecer um caso de sucesso com esta proposta? Pois então, fui um ouvinte atento da palestra de Carlos Piazza, Superintendente de Público da Light,acompanhado da Gerente de Comunicação Jordana Garcia na apresentação geral da empresa e do case "Dona Marta" na ESPM.

Já conhecia bastante a Light pois pude contribuir na elaboração do relatório de sustentabilidade de 2008 e, atualmente, trabalho com a área interna da empresa junto à Diretoria de Gente. Mas é uma satisfação rever um caso de sucesso que comprova que competência técnica, protagonismo e porque não dizer, alegria em realizar conseguem mudar realidades - para melhor. E é isso que está acontecendo na comunidade do Dona Marta, uma favela no Rio de Janeiro, cujos habitantes até pouco tempo atrás não possuíam uma rede elétrica segura(as fiações que cruzavam a comunidade eram emaranhados de ligações clandestinas) e que nunca receberam em suas vidas contas de luz - mesmo porque não tinham endereço de entrega(na favela não havia nomes de ruas e muito menos CEP para os correios). Além de estarem à mercê do tráfico de drogas e das milícias que não permitiam serviços públicos no local.

Através de uma iniciativa do Governo do Estado, sob o atual mandato de Sérgio Cabral, a Light aceita o desafio de organizar a rede elétrica da área (construindo todo um sistema de distribuição de energia com postes, fiação, caixas de força e geradores)e montando as instalações elétricas nas casas dos moradores e doando seis mil novas geladeiras(as antigas geladeiras dos moradores eram verdadeiras devoradoras de energia e produtoras de gás CFC). Além disso, a empresa coloca as placas com os nomes das ruas - escolhidas pelos moradores (que ganham através das contas de luz, agora cobradas, um comprovante de residência - fundamental para terem crédito e até para registro de documentos).

Através de uma comunicação transparente com os moradores e da construção de um relacionamento baseado na confiança, a Light estabelece a cobrança de uma tarifa subsidiada inicial de cerca de R$ 15,00 e mais toda uma assistência técnica esclarecedora junto à comunidade para fazer evoluir a nova relação e seus novos hábitos de vida. É preciso criar uma cultura capaz de perceber o valor que a legalidade pode trazer para quem viveu sob a tirania do tráfico (que entre outras aberrações costumava sequestrar funcionários da Light e fuzilar geradores, causando apagões pelos bairros próximos).

Um exemplo de como a necessária e inteligente articulação entre diferentes atores sociais pode gerar bons frutos para a cidadania, a economia e o meio ambiente. E outras favelas virão dentro de proposta idêntica, pois o modelo mostrou-se viável. É claro que os problemas foram diversos e gigantescos, mas o esforço conjunto trouxe e vai trazer ainda mais recompensas para todos. E o conhecimento adquirido nesse processo poderá ser multiplicado por outras operadores de energia do Brasil em situações semelhantes às encontradas na favela carioca.

Quem quiser saber mais, basta acessar o site da Light: www.light.com.br e buscar outras informações no relatório de sustentabilidade on-line de 2008. É uma pena que o vídeo com o case do Dona Marta não esteja disponível. Fica aí a sugestão ao Piazza e à Jordana.

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