terça-feira, 1 de setembro de 2009

Gestão de redes de stakeholders.

Para o professor e escritor Augusto de Franco, "tudo que é sustentável tem o padrão de rede". Assim como nossos cérebros são redes neurais com uma miríade de conexões e sinapses, a vida e seu equilíbrio também dependem de uma extensa rede de contatos e conexões para seu funcionamnto, sua dinâmica, sua evolução.

Trata-se mais ou menos como uma pedrinha dentro do sapato: ao final de um dia inteiro andando com o pequeno incômodo na sola do pé, o corpo estará dolorido, pois a coluna terá sentido o desequilíbrio nos passos dados afetando todo o conjunto físico e por consequência mental. Assim como a pequena pedra, incomoda pela inclusão externa no todo (como uma espécie de 'poluente' externo), ao retirarmos parte do cérebro, a plena capacidade intelectual, sensorial e perceptiva do ser humano será impactada. A 'rede' estará afetada.

Ou seja, nosso atual modelo fragmentado de perceber as relações e o mundo mostra-se ultrapassado diante de nossos desafios ambientais, sociais e econômicos e de um mundo cada vez menos estanque - pois cada vez mais ligado por redes sociais, redes de relações, teias colaborativas e complexas (que desconhecem fronteiras políticas e geográficas). Olhar e trabalhar apenas uma pequena parte dessa rede é portanto, uma visão fragmentada que não dará conta das soluções necessárias uma vez que não enxerga o quadro maior.

Temos hoje ao alcance dos nossos dedos e de alguns cliques, todo o conhecimento produzido pela humanidade ao longo da história. Somos uma enorme família que começa a se reconhecer e a perceber que habita a mesma residência: a Terra. E é por isso que instituições, governos, universidades, empresas não podem mais abrir mão de gerenciar as redes de stakeholders que interferem e se relacionam dentro deste universo de ações e reações permanentes. As empresas então, públicas ou privadas, em muitos casos, detentoras de um volume de capital muito maior do que o PIB de países inteiros, apesar de seu poderio econômico, devem intergir mais com seus públicos de interesse (ao invés de tentar controlá-los). Afinal, as empresas, assim como diversas outras organziações humanas, perderam sua centralidade. Fazem parte de redes: complexas, desorganizadas, mutantes - mas também ricas em sua diversidade, sua geração de conhecimento, seus processos inovadores de colaboração e influências.

Mas como iniciar um processo de tamanha envergadura? Entram aqui, como passo número um, a atuação de novos profissionais de comunicação com perfil mais holístico: humanistas que precisarão entender mais sobre cultura, política, comportamento humano, história, ecologia, economia e tecnologia. Homens e mulheres que já chamei de "os novos renascentistas" num artigo recente para a ABERJE 9gente que poderá ser ou formada em comunicação social ou marketing, como o são a grande maioria dos comunicadores empresariais atuais - eu um deles!). Com tais pessoas à disposição, as empresas poderão organizar seus sistemas de relacionamento de maneira interativa (porque 100% dialógica) aperfeiçoando modelos de negócios através de uma intensa troca de conhecimento, interpretações, percepções e opiniões dentro das suas redes de atuação. Mas esta é apenas uma parte de toda esta conversa e esse desafio gerencial moderno.

Um comentário:

Prospecção Novos Negócios disse...

Caro Luiz,

Parabenizo-o pelo conteúdo do blog e principalmente, pelas valorosas referências nele postados.

Att.

Rogério Magno.