sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Confidencial?

Impressionante a falta de cuidados com a comunicação que alguns executivos possuem. Nas reuniões com a equipe e com interlocutores externos de confiança muitas vezes escondem informações, passam comunicados fragmentados, evitam explicar situações de risco. Muitas vezes até desqualificam suas próprias equipes de comunicação.

Mas, vejam, basta seguirem pelos elevadores dos prédios onde trabalham ou entrarem nos restaurantes para o café da manhã ou o almoço (nem vou citar happy hour) para falarem dos problemas, das crises, de situações internas da empresa - sem qualquer cuidado. Sem medo de compartilhar informações com a coletividade.

Fui testemunha de dois episódios desses, daí a vontade de escrever. Há mais ou menos seis meses, após uma visita comercial desço pelo elevador e dois diretores tagarelas conversavam sobre um gravíssimo acidente de trabalho ocorrido numa unidade industrial, cuja origem foi a má manutenção das máquinas. Atrás deles um interessado sujeito prestava atenção em cada detalhe. Na sua lapela um button: Reuters - agência internacional de notícias.

Outra situação. Hoje, oito da manhã, cafézinho e pão de queijo, e dois executivos conversam na mesa ao lado: "Essa nova estrutura operacional não vai funcionar. Fulano e beltrano não se entendem e além disso tem apoios políticos diferentes, um é PSDB e outro é PT. E ano que vem a gente vai apoiar quem?"

Bom, a conversa foi além, mas só para vocês sentirem o grau de sensibilidade de um bate papo "inocente" em local público (um simples elevador e uma simples cefeteria) e que deveriam ter mais um pouco de sigilo. Mas que trazem informações que tornam-se públicas por total descuido. Ou melhor, total falta de um media trainning, de um coach com a equipe de comunicação ou mesmo de uma consultoria especializada. Concordam? É isso, aí.

Depois não acusem os jornalistas por eles saberem das últimas e irem investigar as coisas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

V UFRJ Ambientável.

Fui convidado a falar hoje no V UFRJ Ambientável - Encontro de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Marketing Verde e Consumo foi o tema de minha apresentação e o melhor da palestra foram as perguntas dos estudantes de engenharia sobre marketing, comunicação, valores intangíveis, ética.

Confessei aos ouvintes que como comunicador eu entendia muito sobre meu ofício mas nada sobre matemática e engenharia - o que posso até confessar: falha minha. Porque já vi engenheiros cuidando da área de comunicação, mas ainda não vi comunicadores cuidando da engenharia. Bom, mas não é isso que quero falar aqui.

Rapidamente, um item fundamental na discussão sobre o equilíbrio entre resultados economicos, sociais e ambientais: eles passam necessariamente pelas pessoas. Não há solução via tabela de Excell, processos e fluxos de logística ou produção sem que se coloque em cada ponto de sse as pessoas e suas vontades, mentalidades, hábitos, comportamentos, consciências...

Porque sem gente não vai ter planeta Afinal eu não quero só salvar pandas, baleias e ursos polares ou árvores seculares, mata atlântica ou floresta amazônica. Eu quero salvar as pessoas e a possibilidade de termos planeta para as gerações futuras.

E o "marketing verde" nessa história? Bom, evitando criar um novo bordão e cair no descrédito, precisamos de um novo marketing que não crie necessidades que não precisamos ter para vender produtos cuja obsolescência programada só vai criar mais lixo e descarte (portanto mais problemas). Um novo marketing que estimule e incentive a cidadania ao invés de criar apenas "consumidores". Difícil, mas não impossível.

E se o consumo tornou-se um ato político, de responsabilidade, de reflexão, é a comunicação que vai trabalhar consciências de uma forma responsável e urgente. Porque senão não vai sobrar planeta onde gastar os lucros. Nem gente para conversar, comprar ou vender. Diante disso, estamos falando de novos valores planetários, de uma necessária visão sistêmica e de uma rede global de relações interdependentes.

Fiquei satisfeito de ver a participação da moçada, dos futuros engenheiros que vão trazer mais calor humano às suas tabelas, lembrando que em cada ponto do processo não existe uma máquina, mas uma vida. É nisso que acredito, ainda mais depois do evento de hoje.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Conversar é uma forma de amar"

Compartilho um trecho escrito por Márcia Tiburi,filósofa e escritora e que tem tudo a ver com comunicação, o uso das palavras, a importância do diálogo, do ouvir o outro. Dos simbólicos e do peso emocional que podemos ter - ou não, em nossas conversas:

"Desaprendemos de conversar por alguns motivos. Um deles é o descaso que temos com as palavras. Nem nos preocupamos em conhecê-las, não avaliamos a história da humanidade que nelas se guarda. Não imaginamos que palavras tão comuns quanto liberdade, memória, história, pensamento, prática, e tantas outras possuem uma vasta história. E não se trata apenas da etimologia, da origem dos nomes, mas da função simbólica, do que está guardado nas palavras como sentido que vai além delas e mostra o mundo humano dos afetos, sentimentos, desejos, projetos. Não apenas os poetas e escritores devem cuidar das palavras, mas todos os humanos."

Fonte:
Marcia Tiburi
Publicado em "Vida Simples" (abril 2008)
http://www.marciatiburi.com.br

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bate papo, em Pernambuco.

Compartilhando. Um bate papo pelo telefone com o pessoal do Clube do RP de Pernambuco, terra de gente inteligente e pura simpatia.

Acessem: http://clubedorp.blogspot.com

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Não dá para não escrever sobre este espetáculo.

Quando falamos apenas de imagem estamos falando de uma ilusão, de uma percepção favorável ou desfavorável. No caso de uma olimpíada, a eleição do Rio de Janeiro é sem sombra de dúvida um ponto positivo para a cidade e para o país. Afinal, o simbólico tem muito valor no imaginário coletivo.

Mas a pergunta é o quanto esta imagem terá valor no cotidiano da vida, fora da festança? Será apenas um grande espetáculo ou vamos fazer deste processo de preparação para os jogos um rito de passagem, onde as nossas crianças herdem um país mais justo, com melhores escolas e educação, saúde e uma cidadania digna? Não gostaria de terminar um movimento destes com estádios, quadras e piscinas que depois da festa ficarão abandonados.

O receio é descobrir o espetáculo como finalidade única no final das contas. Quero dizer que talvez tenhamos mais três carnavais, além dos conhecidos: as copas de futebol (ano que vem na África e depois no Brasil) e as olimpíadas. Pronto - este é o projeto nacional de futuro? Ok, nada de radicalismos - apenas reflexão, convocação. Mas vale a pergunta não vale?

Só para questionar a dança de símbolos e imagens que irão nos inebriar ao longo destes próximos anos, resgato o filósofo e diretor de cinema Guy Debord em sua obra "A Sociedade do Espetáculo", no trecho:"O espectáculo como organização social da paralisia da história e da memória, do abandono da história que se erige sobre a base do tempo histórico, é a falsa consciência do tempo".

Estaremos diante de pura propaganda? Pois o que ficou do nosso Pan? Mais escolas e mais educação? Zero crianças nos sinais?

Enfim, pra pensar nesta quarta feira nublada.

domingo, 4 de outubro de 2009

Três perguntas.

Bom, hoje, recebi três perguntinhas de uma profissional em busca de recolocação no mercado. Vou compartilhar com vocês as minhas respostas...aguardando comentários, sempre bem-vindos!

1 - Qual é o papel da comunicação nas empresas atualmente?

R:Cada empresa tem um grau de maturidade e perguntar qual é o papel da COM dentro delas depende do momento que cada empresa está vivendo. Depende também do líder. Por isso, se você vai pesquisar empresas para trabalhar pesquise as lideranças - quem são as cabeças, os exemplos? Onde está rolando a revolução feita pelo diálogo? Onde há muito discurso de "portas abertas" mas com gestores com cara de porta fechada? Tem que pesquisar, perguntar. Aqui vão algumas empresas que sei que estão numa trajetória de comunicação bastante inovadora: O Boticário, Natura, Chemtech, CPFL, EAS, Mantecorp, Light, Icatu Hartford, Norskan.

Mas, tudo é relativo. Depende de maturidade e depende da liderança. Para construir uma cultura de comunicação demora muito, para desmontar - basta uma semana. É fato.

2 - E as agências de comunicação?

R: Idem, tem de tudo um pouco. Falta foco para muitas delas (daí se dizerem "integrais", "totais", "360º" entre outros adjetivos). Poderiam ser lugares espetaculares: criativos, inovadores, comunicativos e banhados por conhecimento, mas nem sempre são assim. São experts em dizer que fazem comunicação pra valer, mas por dentro a banda toca outra música. Aliás, para fora é só fanfarra, nas relações internas é rolo compressor - "casa de ferreiro, espeto de pau".

E para piorar: a publicidade tradicional está sob fogo cruzado - há um universo digital mudando as regras do jogo: viral, dinâmico, supreendente. Propaganda está cara na tv, incontrolável pelos blogs, sites, comunidades e twitters da vida. Mas vale a pena mergulhar nisso e influenciar. E é isso o que uma boa agência deve fazer: ouvir, interagir e influenciar.

Ahn, e a terceira pergunta? O que eu tenho visto que as empresas valorizam nos profissionais? Muita coisa, veja só, tudo em matéria de siglas: PPT, EXCELL, WORD, HTML, PHOTOSHOP, CDR, BSC, SWOT, GRI, PÓS disso e daquilo, MBA disso, MBA daquilo e um $ de mercado. E o inglês? Básico:trabalho HARD, dedicação FULL e automotivação e protagonimso UP UP UP. Okay? Mas lembre-se sempre existem boas excessões - por isso: pesquise.

Afinal de contas, pra fazer a comunicação fluir deveríamos incluir nesse contexto a emoção e a paixão - palavrinhas difíceis de se entender em universo racionais e mecanicistas. Isso sem falar na espiritualidade - mas isso já é outro patamar de consciência, deixa para outro post.

É isso. Espero ter dado um HELP, numa visão geral. Vamos tcld.