quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Não dá para não escrever sobre este espetáculo.

Quando falamos apenas de imagem estamos falando de uma ilusão, de uma percepção favorável ou desfavorável. No caso de uma olimpíada, a eleição do Rio de Janeiro é sem sombra de dúvida um ponto positivo para a cidade e para o país. Afinal, o simbólico tem muito valor no imaginário coletivo.

Mas a pergunta é o quanto esta imagem terá valor no cotidiano da vida, fora da festança? Será apenas um grande espetáculo ou vamos fazer deste processo de preparação para os jogos um rito de passagem, onde as nossas crianças herdem um país mais justo, com melhores escolas e educação, saúde e uma cidadania digna? Não gostaria de terminar um movimento destes com estádios, quadras e piscinas que depois da festa ficarão abandonados.

O receio é descobrir o espetáculo como finalidade única no final das contas. Quero dizer que talvez tenhamos mais três carnavais, além dos conhecidos: as copas de futebol (ano que vem na África e depois no Brasil) e as olimpíadas. Pronto - este é o projeto nacional de futuro? Ok, nada de radicalismos - apenas reflexão, convocação. Mas vale a pergunta não vale?

Só para questionar a dança de símbolos e imagens que irão nos inebriar ao longo destes próximos anos, resgato o filósofo e diretor de cinema Guy Debord em sua obra "A Sociedade do Espetáculo", no trecho:"O espectáculo como organização social da paralisia da história e da memória, do abandono da história que se erige sobre a base do tempo histórico, é a falsa consciência do tempo".

Estaremos diante de pura propaganda? Pois o que ficou do nosso Pan? Mais escolas e mais educação? Zero crianças nos sinais?

Enfim, pra pensar nesta quarta feira nublada.

Um comentário:

Ocappuccino disse...

O que ficou do Rio é que não estavamos preparados para atender a demanda que surgiu das crianças que, vendo o espetáculo, a paixão, o nacionalismo, queriam praticar esportes e nao tinham local. Vi uma entrevsita de um professor de educação fisica na SporTV que disse isso: 'depois dos jogos crianças vinham aqui (ele trabalha em centro esportivo comunitário) querer praticar polo aquatico, ginastica, esgrima e nao tinhamos para quem indicar. Irá acontecer o mesmo depois das olimpiadas e precisamos oferecer condições para que a criança se volte para o esporte e para isso é preciso ação do governo pós jogos.' Pois, ele falou, como pode uma pais com pouco mais de 2 milhoes de habitantes quase ganhar dos EUA no campeonato mundial de atletismo, se referindo à jamaica com bolt e asafa?

Só tem uma resposta. Incentivo e condições à criança.
MATEUS