domingo, 4 de outubro de 2009

Três perguntas.

Bom, hoje, recebi três perguntinhas de uma profissional em busca de recolocação no mercado. Vou compartilhar com vocês as minhas respostas...aguardando comentários, sempre bem-vindos!

1 - Qual é o papel da comunicação nas empresas atualmente?

R:Cada empresa tem um grau de maturidade e perguntar qual é o papel da COM dentro delas depende do momento que cada empresa está vivendo. Depende também do líder. Por isso, se você vai pesquisar empresas para trabalhar pesquise as lideranças - quem são as cabeças, os exemplos? Onde está rolando a revolução feita pelo diálogo? Onde há muito discurso de "portas abertas" mas com gestores com cara de porta fechada? Tem que pesquisar, perguntar. Aqui vão algumas empresas que sei que estão numa trajetória de comunicação bastante inovadora: O Boticário, Natura, Chemtech, CPFL, EAS, Mantecorp, Light, Icatu Hartford, Norskan.

Mas, tudo é relativo. Depende de maturidade e depende da liderança. Para construir uma cultura de comunicação demora muito, para desmontar - basta uma semana. É fato.

2 - E as agências de comunicação?

R: Idem, tem de tudo um pouco. Falta foco para muitas delas (daí se dizerem "integrais", "totais", "360º" entre outros adjetivos). Poderiam ser lugares espetaculares: criativos, inovadores, comunicativos e banhados por conhecimento, mas nem sempre são assim. São experts em dizer que fazem comunicação pra valer, mas por dentro a banda toca outra música. Aliás, para fora é só fanfarra, nas relações internas é rolo compressor - "casa de ferreiro, espeto de pau".

E para piorar: a publicidade tradicional está sob fogo cruzado - há um universo digital mudando as regras do jogo: viral, dinâmico, supreendente. Propaganda está cara na tv, incontrolável pelos blogs, sites, comunidades e twitters da vida. Mas vale a pena mergulhar nisso e influenciar. E é isso o que uma boa agência deve fazer: ouvir, interagir e influenciar.

Ahn, e a terceira pergunta? O que eu tenho visto que as empresas valorizam nos profissionais? Muita coisa, veja só, tudo em matéria de siglas: PPT, EXCELL, WORD, HTML, PHOTOSHOP, CDR, BSC, SWOT, GRI, PÓS disso e daquilo, MBA disso, MBA daquilo e um $ de mercado. E o inglês? Básico:trabalho HARD, dedicação FULL e automotivação e protagonimso UP UP UP. Okay? Mas lembre-se sempre existem boas excessões - por isso: pesquise.

Afinal de contas, pra fazer a comunicação fluir deveríamos incluir nesse contexto a emoção e a paixão - palavrinhas difíceis de se entender em universo racionais e mecanicistas. Isso sem falar na espiritualidade - mas isso já é outro patamar de consciência, deixa para outro post.

É isso. Espero ter dado um HELP, numa visão geral. Vamos tcld.

5 comentários:

Ocappuccino disse...

Ótimas respostas. É uma bela visão de um profissional que já está no mercado e pode repassar sua experência aos que estão ingressando. Isso poderia até virar uma coluna no blog: 'Pergunte ao Galia'.

Quero encontrar estas empresas que estão fazendo a revolução pelo diálogo e onde há discurso de "portas abertas" mas com gestores com cara de porta fechada. Como falou pesquisa e buscar uma oportunidade é diferente de buscar uma vaga.

MATEUS

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Amigo, obrigado pelo post, mas talvez seja cedo para virar o blog virar um "oráculo"...rs rs. Abraço grande!

Mauro Segura disse...

Gaulia. Gostei bastante deste post, especialmente na parte das empresas quando você alerta para a cultura corporativa. Foi bom você ter citado isso pois muitas vezes vejo líderes não tocando no assunto. Abraços. Mauro Segura.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Mauro, obrigado pelo comentário -foi revê-lo por aqui, sua opinião é sempre importante. Aliás, tem muita coisa na IBM também acontecendo numa dinâmica comunicacional grandiosa, não é? Mas sempre com forte roll modeling da liderança - inevitável. Abraço.

Nicolle disse...

Aqui na paróquia catarinense, no Sul do mundo, vejo que o drama maior está nas agências grandalhonas, que acabam reproduzindo o clima... de empresas grandalhonas, e das mais tradicionais, com estresse demais e criatividade de menos. A nossa, em Joinville, tá a quilômetros de ser modelo em qualquer coisa, mas fazemos força pra, primeiro, nos manter "úteis" e relevantes pros clientes que nos contratam, interessados em mentes abertas e críticas, e segundo em estimular um ambiente de trabalho desafiador. Tomara que cheguemos lá...

Guilherme Diefenthaeler/Joinville-SC