terça-feira, 3 de novembro de 2009

Comunicação, marca e cultura organizacional.

Lendo "A identidade cultural na pós-modernidade" do professor inglês Stuart Hall percebo o quanto a comunicação interna se faz necessária para fortalecer os vínculos dos empregados à identidade de marca, à cultura organizacional e ao atualmente tão propalado "sentimento de pertencer".

Quando escolhemos uma empresa para trabalhar temos uma imagem de marca, uma percepção da identidade daquela organização que muitas vezes não condiz com a realidade dos corredores. Muitas vezes, isso acontece porque a comunicação interna não desempenha um de seus mais relevantes papéis: o de irrigar a idéia da marca, fazer fluir através da linguagem os seus atributos e seus diferenciais. E voltando às idéias de Stuart Hall, neste mundo onde as "identidades eram sólidas localizações, nas quais os indivíduos se encaixavam socialmente, e que hoje se encontram com fronteiras menos definidas que provocam no indivíduo uma crise de identidade" - como poderia ficar as organizações? Ora, se essa possível crise atinge os indivíduos, e empresas são feitas de gente, é claro que existe o risco de uma crise de identidade em muitas organizações.

Daí os novos projetos de branding, do "DNA" da marca e de memória empresarial - quando o passado deve ser resgatado para fortalecer mitos e histórias que fundaram a organização. Dando força e coerência aos movimentos da empresa no presente, mirando os desafios futuros. A fim de fortalecer a identidade da marca, renovando uma cultura organizacional cujos valores originais muitas vezes foram esquecidos. Seja pela rotatividade da força de trabalho, seja por uma gestão que deseja romper com significados anteriores, seja por força de uma fusão ou mesmo porque a empresa parou de se comunicar da forma como devia.

A Natura, por exemplo, na minha opinião (e eu posso estar errado) parece que reencontrou seu jeito original de ser nesta camapnha dos 40 anos, quando na voz de Luiz Seabra agradece às pessoas pelo seu aniversário. Isso tem a cara da marca Natura. Esse é o jeito Natura de ser, a própria cultura da empresa. O mesmo se deu há pouco tempo com o projeto de branding da TAM - que resgatou o compromisso dos empregados e o mito do seu herói fundador, o Comandante Rolim.

E a comunicação interna é uma espécie de bússola na orientação dos empregados diante de cenários contraditórios que empurram a empresa para diferentes direções. Através da linguagem da comunicação interna e de sua prática diária dentro da empresa, os valores que a marca representa são o ponto de apoio à uma identidade mais unificada, mais coerente e completa.

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