sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz 2011. O ano do MENOS.

Em 2010 participei de uma ação de comunicação interna da Natura, com planejamento de Nádia Rebouças, criação da Tools e produção da Broadcast (SP) cujo conceito era o do MENOS. Minha mensagem de fim de ano para meus leitores e leitoras se baseia nesta mesma idéia.

Que 2011 seja o ano do menos: menos poluição na terra, na água e no mar e menos poluição nos corações e nas mentes dos homens. Menos incoerência: menos promessas que não serão cumpridas. Menos greenwashing, menos propaganda enganosa. Menos injustiças, corrupção, hipocrisia. Menos soberba dos poderosos, menos arrogância de chefes de qualquer espécie. Menos falta de comunicação, menos palavras vazias. Menos violência, menos guerras, menos brutalidades. Menos queimadas, menos tráfico de animais, menos caça ilegal. Menos desperdício de água e menos pesca com isca viva. Menos CO2 saindo pelas chaminés. Menos químicas nos produtos, menos vazamentos de óleo e de lama de bauxita (não queremos mais uma BP ou qualquer outra empresa jorrando petróleo no mar, nem o Rio Danúbio prestes a ser afogado em lama vermelha da Ajka, empresa da Hungria). Menos omissão das autoridades. Menos autoritarismos de coronéis, líderes religiosos e fanáticos, intolerantes. Menos impostos.Menos desrespeito ao cidadão comum. Menos ignorância...menos, menos, menos.

Como se lê, o ano novo será um grande desafio. Mas vai valer a pena.

No mais? Muita saúde! Mental, física e espiritual.

Feliz 2011!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A nova onda de uma velha fórmula.


Extra, extra! Extra? Chega aos cinemas o filme Tron - O Legado. A estréia acontece na próxima sexta-feira trazendo efeitos especiais em 3D, na continuação do filme original do já longínquo ano de 1982. Um verdadeiro fóssil cibernético.

Em 82, o filme trouxe a tecnologia banda larga para as telas do cinema antevendo o mundo ultraveloz da web. Cumpriu seu papel. Inovou.

Mas, em 2010, a novidade é velharia...reembalada. Mais do mesmo para uma nova geração de desavisados espectadores. A estratégia do entretenimento é essa: requentar velhos roteiros e não arriscar uma inovação. A mesma linha segue a Playboy ao colocar mulheres nuas pra vender revistas aproveitando a onda de Tron II - A Missão...ops! Digo, O Legado.

Duas velharias juntas. Nada mais arcaico que mulher nua em calendário de parede da borracharia da esquina. Corpos pelados & tecnologia: esta parece ser a nova onda de uma velha fórmula.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Marca que pensa...e sente!


Acabei de receber da Totem a sua newsletter digital. A Totem é uma marca de moda "que pensa". Excelente posicionamento. Extremo bom gosto dentro de seu estilo praia. Descontraída, com atitude e saúde, beleza com inteligência. Além de um mix de marketing envolvendo música, cinema e literatura - para dar um conteúdo a mais para quem sai vestido de Totem pelas ruas e praias brasileiras.

Nesta última edição da news o artigo que me chamou atenção foi sobre a morte do surfista Andy Irons. O texto instiga leitores a refletir: o cuidado nas relações deve ser verdadeiro. Porque nos momentos de glória muitas celebridades vivem cercadas de falsos amigos. Nos momentos difíceis, eles somem. "Humano, demasiado humano" - mas triste. Talvez o tricampeão mundial de surfe não tivesse morrido solitário num quarto de hotel se seus amigos de festas, drogas e alegrias efêmeras estivessem mais próximos ou mais conscientes sobre a fragilidade de sua vida. Ou se a equipe do hotel onde ele estava hospedado e a Associação Mundial de Surfe (ASP) estivessem mais atentas. Quem cuida de um atleta a ponto de deixar um tricampeão sumido por três dias durante uma competição mundial?

Tenho estudado a sustentabilidade por este viés: a necessidade de saber cuidar de tudo e de todos (e a responsabilidade que isso gera). A necessidade de prestar atenção. Sei que não temos tempo, estamos sobrecarregados de tarefas, trabalhos e obrigações, rotinas que pouco permitem relações mais humanizadas, menos robóticas e neuróticas. Percebo que muitas organizações estão preocupadas em cumprir metas, mais imediatas, sem olhar para o futuro e ver que plantam tempestades no longo prazo. Por isso, a mensagem aqui é um convite para se prestar atenção: na hora de nos relacionarmos, de nos comunicarmos. Ninguém precisa ligar o piloto automático - aquele que nos transforma em andróides estereotipados. Aquele que faz das marcas um símbolo de arrogância ou invés de convivência, coexistência, colaboração.

As marcas e seus criadores (todos que delas participam) podem transmitir esse recado, não só no mundo fashion, mas em todos os setores. Esta mais do que na hora de pensarmos antes de agir, de começar a constuir marcas que pensam. E sentem! Mais humanas, menos mecânicas. Mais conscientes e próximas de seus públicos. Mais cuidadosas.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MBA da ABERJE


Uma excelente oportunidade para quem quer se aperfeiçoar na Gestão da Comunicação Empresarial. MBA da ABERJE!

domingo, 21 de novembro de 2010

Seminário sobre Comunicação.




Amanhã começa o VII Encontro dePós Graduação em Comunicação na PUC Rio: estarei lá apresentando um trabalho sobre vídeos corporativos e a comunicação interna empresarial. O evento promete casa cheia. Vamos ver.

O corpo objeto e o objeto humanizado.


Para dar vida aos objetos e buscar um elo de ligação cada vez mais emocional com nosso inconsciente, a propaganda transforma coisas em gente. Literalmente. A questão deste post não é se aprofundar nessa análise, mas olhar e perceber o que pode vir além do apelo da compra.

Humanizar objetos talvez carregue em si seu oposto: "objetificar" o ser humano. Coisas não tem vida. A vida não é uma peça feita na fábrica, nem exposta na vitrine.Pelo menos não deveria ser. Se a gente entrar em piloto automático e deixar de perceber a diferença e o valor da vida em relação aos objetos e aos produtos, podemos realmente nos transformar em coisas. Como os andróides, como os robôs. Acima, vejam o carro da Ford, numa campanha publicitária de 2008, e os corpos humanos unindo máquina, carne, aço e coração.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Tudo é mídia. Tudo comunica.


Exemplo de criatividade que já circulou por aí, em outros sites e blogs, mas eu não podia deixar de publicar. Achei inteligente e certeira a proposta. Não faço idéia do que existe na fórmula química do tal creme Nivea para acabar com a celulite, mas a idéia é sensacional. E convenhamos, nenhuma mulher que tenha celulite quer saber o que existe numa fórmula mágica como a que o sofá azul simboliza.

domingo, 31 de outubro de 2010

Workshop de Comunicação Integrada no HEB (SP) - 3.


Workshop de Comunicação Integrada no HEB (SP) - 2


Workshop de Comunicação Integrada.


Visão do todo, percepção sistêmica da vida e das relações humanas na organização. Nesta semana que passou, tive o prazer de coordenar um workshop para 80 médicos (as), enfermeiros (as), psicólogas, fisioterapeutas, administradores (as) do HEB - Hospital Estadual de Bauru (SP). A proposta era conversar sobre comunicação integrada como ferramenta de gestão e como modelo de trabalho para a humanização das relações.

O encontro revelou-se pura energia: equipes profissionais mais conscientes de suas responsabilidades, no dia a dia de um hospital de referência regional, voltadas para o cuidado dos pacientes e da saúde podem conquistar maior qualidade de relações (e assim, de atendimento). Ao perceberem seus potenciais, muitas vezes escondidos pela burocracia e pelo silêncio, as pessoas comuns tornam-se senhoras de seus destinos e capazes de influenciar positivamente o futuro de uma grande instituição.

Quando damos voz (e ouvidos) à organização e rompemos com o silêncio, ganhamos fôlego renovado para aproximar pontos de vista e buscar soluções conjuntas. Foi uma grata surpresa conhecer o HEB e seu time de trabalho. As portas estão abertas. Corações e mentes idem. Agora, é hora de fazer acontecer e eu espero voltar para Bauru, em breve. Porque além de tudo, conheci e degustei a verdadeira receita do sanduíche que leva o nome da cidade. Mas essa já é outra história.

domingo, 24 de outubro de 2010

Comunicação externa: segurança para o pedestre 2.


Comunicação externa: segurança para o pedestre.




Bom exemplo da Light, no Rio de Janeiro: nas obras para aumentar o número de circuitos elétricos e modernizar equipamentos nos bairros de Copacabana e do Leblon, a companhia inovou no lay out dos tapumes.


Ao invés do tradicional compensado, foram colocadas lonas indicando claramente a quem pertence a obra, com canais de comunicação bem sinalizados e uma programação visual muito melhor do que a de antigos compensados de madeira velha. A Light merece nosso elogio, isso é respeito e sinal de cuidado.


Alô, Cedae! Que tal uma proposta nessa linha? Bons exemplos devem ser seguidos!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Comunicação interna: segurança no trabalho.


A Light lançou semana passada uma campanha interna de comunicação sobre segurança e saúde no trabalho. A ação terá vários desdobramentos e vai reforçar o lançamento de sua Política de Segurança e Medicina no Trabalho. O conceito é o do cuidar da vida, onde a vida de cada pessoa é como uma "obra de arte" - original, única, insubstituível. A boa nova é que a campanha inclui os terceirizados: o evento que marcou o início deste movimento contou com várias empresas prestadoras de serviços.

Pude particpar dessa criação, desde o planejamento inicial, através da Rebouças&Associados e em conjunto com a equipe de segurança, RH e de comunicação da Light. Outros parceiros dessa rede são a Lado B e a Diagramma, entre outros (as) profissionais. O Lincoln Tornado foi nosso garoto propaganda e deu show de simpatia na sessão de fotos.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Criança com nome de...marca famosa.


Através de uma dissertação de mestrado, de 2005, de Juliana Lopes, chamada "Nome do produto, marca de pessoa: consumo, publicidade e classificação" fiquei sabendo que há uma tendência crescente nos EUA (e no Brasil) de se colocar nome de produto, de marcas famosas, nas criancinhas. Ou seja, tem pai batizando o filho com nomes como Sony-Erickson, Prada, Audi, Nike.

Usar nomes de santos já era prática tradicional religiosa, assim como usar nomes de astros de Hollywood ( o nosso "Valdisney" é clássico exemplo, cuja referência é Walt Disney ). Mas, como ensina o Prof. Dr. Everardo Rocha, da PUC, a tendência de atrelar um nome de uma pessoa a um destino mercadológico, a um projeto de marketing, é completamente nova e...insana.

Imaginem o que um menino chamado "Colt" (marca de revólver) poderia ser? Ou um menino que odeia esportes ter o nome de "Nike"? Ou uma garota chamada "Prada" não conseguir sucesso financeiro na vida, ou mesmo a Prada perder o significado de luxo e se reposicionar como marca popular? Ou mesmo se uma marca como "Honda" ou "Samsung", por exemplo, passam a ser percebidas como racistas e alguém tem o nome de Carlos Samsung ou Joaquim Honda...já imaginaram que constrangimento?

Para ilustrar, compartilho aqui uma HQ da desenhista Carol Lay que também foi mostrada na aula do mestre Everardo e faz parte da dissertação de Juliana Lopes. Vejam que comédia (ou tragédia?).

domingo, 26 de setembro de 2010

A comunicação pelo cuidar?

Uma comunicação baseado no cuidado? Imaginem: se o cuidar é uma forma de comunicação, que tal comunicar cuidando? Que tal a "comunicação pelo cuidado"? Uma comunicação coerente entre o discurso e a prática e portanto verdadeiramente voltada para a construção da sustentabilidade.

Fica aqui, neste domingo chuvoso a provocação. Falaremos mais disso nos próximos posts. E a Revista Plurale vai trazer um artigo meu sobre o tema. Afinal, é hora de "cuidar"! Boa semana!

sábado, 18 de setembro de 2010

Mídias sociais?


"Precisamos entrar nas mídias sociais!" disse o diretor da grande indústria Y como quem diz: "É preciso ser moderno". Ninguém na empresa sabia direito o que eram as tais mídias ou redes sociais, mas ordens são ordens. Foram em frente seguindo o lema: manda quem pode, obedece quem tem juízo.

E a grande indústria Y mergulhou no mundo digital, virtual, on line pra valer. Só que esse era um mundo desconhecido, um emaranhado de conexões e influências,

manifestações...descontrole. Uau! Descontrole? Sim, senhor diretor, não basta parecer moderno, tem que pensar o novo, mudar percepções e mentalidades! Tem que ser 100% moderno.

A web não é fixa como um jornal impresso - que demora um mês para ser aprovado pela direção. Ela é dinâmica, veloz, questionadora e deixa rastro, registro, históricos interligando corações e mentes num mundo sem fronteiras. Mundo que não dorme, que não tem ponto final, apenas expansão, interface, conversa, interpretação...

E como é que fica a grande indústria Y que queria ser (ou só parecer) moderna e da boca pra fora, num surto de arrogância, resolveu ir além da publicação de um endereço eletrônico e lançou sua intrépida nau em mares nunca navegados? Orkut, Facebook, Twitter, Linkedin & Cia. só para citar os mais famosinhos. Não, não é moleza. É muito complicado e requer a palavra mágica: maturidade. Para aprender, para enfrentar riscos, inovar, traçar novas rotas...

Qual o grau de maturidade de sua organização para começar este movimento? No meu ponto de vista deve ser o mesmo grau de maturidade para começar a falar de sustentabilidade, por exemplo. O que as duas possuem em comum? A "transparência". Um atributo inquestionável para o mundo web e para o novo mundo da sustentabilidade.

Por isso: atenção! Alô, lideranças: só dá para ingressar nas "mídias socias" se for para valer, sabendo que este ainda é um oceano de interrogações. Águas que precisam ser cartografadas com seus recifes escondidos e suas correntezas mutantes, iguaizinhas como a tal da sustentabilidade, outra tendência bacana e atualmente na crista da onda.

Por isso, engraçadíssima e certeira a tirinha do Dilbert, que recebi de um amigo. E precisava compartilhar. Não sem antes escrever este post, deixando registrada minha opinião e meu rastro de comunicação nesse permanente redemoinho que é a web e suas "mídias sociais".

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A polêmica como estratégia.


Publicidade e propaganda, atenção, impacto, repercussão. Num dos meus posts passados falei da DIESEL e da campanha BE STUPID que se espalhou pelo mundo com suas provocações.

A polêmica era proposital para criar diferenciação. Funcionou? Não sei. O manifesto deles ainda está no site da marca e tem até sentido. Mas na minha opinião o material ficou apelativo demais, ao menos aqui no Brasil (com uso de modelos nuas num estereótipo já batido e de...mau gosto).

E polêmica é o que não falta no mundo da publicidade. Agora, foi a vez de uma fábrica de sorvetes da Inglaterra apelar para todos os santos e arrumar encrenca com a Igreja Católica (às voltas com denúncias de pedofilia de alguns padres). Confiram o cartaz: se sorvete é a religião deles, o posicionamento de comunicação segue a bíblia do escândalo.

Mas nem por isso precisava sair do ar (a peça já foi proibida). A polêmica sobre proibir ou não muitas vezes dá mais audiência e chama ainda mais atenção sobre a marca. O que pode servir para estimular comentários e manifestações espontâneas nas redes sociais. Como este meu post, por exemplo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Produto com a cara do consumidor.


Não conhecia a história da Jones Soda, empresa canadense de bebidas que no distante ano de 1999 ( o tempo voa ) colocava fotos, enviadas pelos consumidores, incorporadas aos rótulos de suas garrafas. Um atributo de identidade da marca, além dos curiosos sabores ( lima-limão, framboesa e uva, morango com limão entre outros ).

Na época, o executivo que comandava a empresa chamava-se Peter Van Stolk e defendia que não adiantava tentar convencer o público da necessidade de seu produto, mas sim "ouvi-lo", criando um vínculo emocional com o consumidor.

Visite o site e confira, a estratégia continua mais personalizada do que nunca. Vale a pena conhecer essa empresa: http://www.jonesoda.com/

domingo, 22 de agosto de 2010

Marketing.


Feramenta é ferramenta. Usada para o bem ou para o mal, pela razão ou pela emoção humana. Se uma enxada serve para o trabalho de semeadura do campo, na mão do homem também pode servir como arma de agressão.

O mesmo acontece com o marketing e por isso o termo "marqueteiro" é hoje quase uma ofensa. Claro, tem tanto "picareta" na praça usando as ferramentas dessa disciplina para avançar sobre o bolso do cliente, sem dó nem piedade, e enganar as pessoas de boa fé, que só poderia dar nisso.Lamentável.

A boa notícia, que não poderia deixar de ser divulgada por aqui: descobriram que o consumidor também é humano! E que um "novo marketing" está surgindo! Calma, sem alvoroço!

O título da matéria que saiu no Jornal Valor é risível, pelo menos no meu entender. Por isso, compartilho com vocês. A pergunta que fica: Os maus profissionais vão se regenerar de vez neste novo século da busca pela sustentabilidade? Ou todo esse discurso é apenas mais um truque de marqueteiros?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

LATAM: Voando para conquistar você.

Anunciada a fusão entre as companhias de aviação Lan Chile e a brasileira TAM. Com a LATAM e na tendência mundial de alianças que desenham o futuro da aviação cria-se a maior empresa aérea da América Latina. Vamos ficar atentos para perceber como será esse casamento entre duas culturas organizacionais diferentes. No quesito qualidade dos serviços elas já estão em sintonia.

Ahn, e o "voando para conquistar você" do título acima é só uma brincadeira com o slogan da Oceanair, agora Avianca, ok? Vamos aguardar para ver qual será o conceito de comunicação da nova LATAM. Qual sua sugestão, prezado (a) leitor (a), lembrando que "a promessa de uma marca é dívida" e as empresas plantam crises sempre que não cumprem suas promessas ou geram expectativas exageradas através da força do marketing?

sábado, 14 de agosto de 2010

Atenção designers!


Recebi um pedido de Felipe Albuquerque, da agência Diabloa4, para divulgar por aqui o Concurso Cultural “PÔSTER 50 ANOS” Salão do Automóvel & Saraiva.

Quem é estudante de estudantes de cursos técnicos e cursos superiores de graduação em Design, Design Gráfico, Desenho Industrial, Publicidade e Comunicação tem aí uma oportunidade para mostrar seu trabalho. As inscrições e o envio de propostas estão abertas até o dia 31 de agosto.

Para saber mais, confiram o edital:
http://concursosalaodoautomovel.reedalcantara.com

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Comunicação integrada na ESPM.


Dar aulas é aprender, só que ao contrário. Calma, explico. Quando uma turma se mostra interessada, inteligente e curiosa, como a comunicação social exige, a dedicação do professor se multiplica. Não cabe ao professor entregar uma série de conceitos ou simplesmente passar infomações. Cabe, na verdade, ao tentar instigar e convocar os alunos a descobrirem seus potenciais, conectar o brilho nos olhos e o entusiasmo com a arte do fazer, do realizar. Tudo costurado por um coração em sintonia com a mente. E o espírito. Se tivermos a técnica, que seja através de um humanismo responsável: com respeito, gentileza, afeto. Sempre com muito cuidado para que a técnica não domine seu criador, nem o robotize.

Como professor não devo ser um "entregador da pizza do conhecimento": se paguei por ela, eu quero devorá-la. Minha busca é ser um portador de estímulos para a autodescoberta de meus alunos e alunas. Como professor devo ser um intervalo. Como escreveu Fernando Pessoa:"Um intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizerem de mim".

A foto deste post é uma homenagem aos meus alunos e alunas da ESPM e ao Gabriel Rossi que gentilmente aceitou participar de uma das aulas e conversar sobre branding digital - tema que domina.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

É tempo de cuidar.


Não importa a mídia: cuidar da vida no trânsito, no trabalho, na família, na cidade - todo dia, toda hora é mais do que urgente. É atenção, é detalhe. Não é moda, é consciência.

O que nos falta diante de tantos acidentes no trabalho e das tragédias diárias no trânsito? A publicidade pode ajudar, mas o esforço para mudar atitudes deve vir das próprias pessoas - e suas escolhas.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Unibanco.


Já estou com saudades do meu banco "que nem parecia banco". Sei que os bancos não têm uma imagem muito boa na sociedade: ninguém gosta de vender seu dinheiro barato e comprá-lo de novo mais caro, que é mais ou menos o trabalho dos banqueiros. Mas todo mundo gosta de ter crédito na praça, cartão e cheque especial para um momento de aperto. Enfim, é o sistema em que vivemos e não é esta a discussão aqui.

Minha "marca" de banco era o Unibanco. Gostava dela. Desde os tempos do "Casal Unibanco" - publicidade que marcou época (criada pela W Brasil). E gostava muito mais porque as agências não tinham aquela maldita porta giratória que o Itaú já está instalando. Aquela porta giratória com dois ou três seguranças atrás da vidraça, com cara nada simpática, fazendo perguntas e pedindo para olhar a mochila, retirar do bolso a chave, o celular, moedas, relógio e o tudo o mais que for de metal ou tiver jeito suspeito. Uma tortura constrangedora.

Se o Unibanco não tinha a porta giratória, por que o Itaú tem que ter? Este é um dos motivos que provavelmente deixarei de ter conta no Itaú.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

No ambiente empresarial, o que é comunicação?

Recebi um pedido de uma aluna da Ceunsp (SP)para responder algumas perguntas sobre comunicação...vamos lá, compartilhando com vocês:

_No ambiente empresarial, o que é comunicação?

No ambiente empresarial, assim como em qualquer organização humana a comunicação é antes de tudo sinônimo de relacionamento, interação. Capacidade de ação conjunta, de diálogo e colaboração. Comunicar neste caso não é informar (entregar dados) – mas possibilitar o contato, o entendimento, a compreensão das opiniões alheias. Comunicação é a construção de pontes entre pessoas que pensam de maneira diferente.

_Qual o papel da comunicação corporativa?

A comunicação corporativa ganha cada vez mais destaque no cenário empresarial: ela é a base que sustenta a reputação da marca, organiza processos relacionais. Utilizada de maneira estruturada e estratégica ela é uma alavanca de geração de valor.

_O departamento de marketing é importante numa grande empresa? Por qual razão?

"Fazer mercado" é uma premissa importante, mantê-lo e expandi-lo pode ser a meta, o objetivo. As ferramentas do marketing são, desta forma, primordiais numa empresa. O marketing é a disciplina que pode permitir a diferenciação de um serviço do outro, de um produto. Na conquista de vantagens competitivas e no encantamento dos clientes.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A crise continua na BP.

Até a presente data a crise continua na British Petroleum - BP: o vazamento de óleo no Golfo do México ainda não foi controlado. O Governo da Inglaterra já trabalha com a possibilidade de falência da BP.

Tony Hayward, o CEO, continua como porta-voz apesar das críticas que recebeu. Para muitos analistas o CEO é muito jovem e muito "british" para o público americano.

Uma das ações da BP foi contratar a agência de RP Purple Strategies: fala-se em uma campanha publicitária para divulgar a proatividade da companhia, suas ações até o momento e seu plano de ação para mitigar impactos e prejuízos. Outra recomendação de um especialista norte-americano é a convocação de empresas que atuam na área de petróleo para estudar soluções e participar de tentativa conjunta de fechamento do poço. Cabe lembrar que nenhuma empresa hoje pode dizer que possui 100% de segurança para a extração de óleo em águas profundas.

Vamos acompanhar e torcer para que o vazamento seja estancado.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O que não se deve fazer numa crise?

Um dos primeiros pontos para quem trabalha ou vai trabalhar com comunicação é a questão que se refere à crise de imagem. Muita gente começa traçando diretrizes do que fazer, esquemas e fluxos de informações, telefones de emergência, manuais. Tudo muito válido. Contudo, gosto de fazer o caminho inverso - por vezes mais simples: o que não podemos, nunca, nunca fazer diante de uma crise? É uma provocação.Pra pensar.

Exemplo: na atual crise da BP no Golfo do México, o CEO Tony Hayward foi visto participando de uma regata náutica (visto na platéia ou num barco - não importa). Numa crise dessa envergadura, o presidente não tira férias, nem descansa, nem é visto tentando se divertir em público (para esquecer um pouco dos problemas). Simplesmente não pode.Nunca.

Outro exemplo, gravíssimo: tentar esconder as coisas do público interno ou mentir. Erro monumental. Coisa de criança (às vezes as organizações se comportam de maneira infantil, você já reparou?).

Então, como eu disse na minha aula na ESPM: "Preparem-se: a crise é permanente. A diferença é apenas o grau de intensidade entre uma crise e outra". Ainda mais num mundo complexo, plural e interligado, onde a privacidade está com os dias contados (tem câmera olhando a gente em todo canto) e onde até a normalidade é suspeita podendo provocar ruídos na comunicação.

O que fazer diante disso? "Investir e valorizar o capital reputacional" - frase feita, quase jargão repetido nos seminários e congressos de reputação , marca e comunicação. Mas como é que se multiplica esse capital? Relacionamento, proximidade, zero de arrogância e muito diálogo, escuta, cumplicidade. Ética e transparência, sempre.

Stakeholders prioritários tornando-se "brand evangelists", defensores fervorosos da marca - como propõe a Microsoft. E assim, amenizando os impactos dos "brand talibans" (termo criado porAndy Green do Flexible Thinking Forum) aqueles que vão sempre odiar a marca da empresa e nunca mudarão de opinião.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Encontro ABERJE Rio - Gestão de Crise.

Participei agora do 40 º Encontro ABERJE Rio com organização apoiada pela UNIMED, FIRJAN e pela AMPLA. O tema foi sobre "crise de imagem" com apresentação do case da Air France - Voo AF 447, o quinto maior acidente aéreo da história da aviação.

O case foi apresentado pela Edelman que tem na sua lista de clientes a Air France, a Boeing e a GE - todas empresas ligadas à aviação. O que fica da palestra feita por Marcelo Rodrigues, diretor da Edelman? Resumidamente...

1 - Transparência e rapidez nos posicionamentos oficiais a respeito da crise: coletiva de imprensa e divulgação de boletins permanentemente mesmo que com pouca informação;
2 - Credibilidade: apoio imediato às famílias dos passageiros (público prioritário) com facilitação do trabalho da imprensa;
3 - Abrangência: montagem de núcleos de crise em várias frentes de trabalho: Paris - escritório da empresa; Galeão - aeroporto Tom Jobim; Edelman - escritório da agência e núcleo de equipe no hotel (alugado pela AF para receber as famílias das vítimas);
4 - Sincronismo e atividade 24 horas: alinhamento e sincronicidade de envio de releases e informações para a imprensa nacional e internacional com monitoramento das redes digitais.

O acidente fez um ano. E como disse Marcelo Rodrigues: " Como é viver depois da crise? Se vive com ela para ela o resto da vida - como uma cicatriz. Mas o modo como se gerencia a crise em seu momento mais forte determina o futuro da marca.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Anúncio "estúpido".


Muitas vezes algumas campanhas são aprovadas com o intuito de não dizer nada com coisa alguma e simplesmente provocar. Muitas vezes um conceito sem sentido tenta tornar-se cult...

É o que parece que aconteceu com este anúncio premiado esta semana no Festival de Cannes: "Seja estúpido" é a assinatura. Uma completa estupidez, mas que acaba causando comentários na rede (quem sabe esta não é a reedição da velha tática: falem mal, mas falem de mim?).

Não vejo como agregar valor à marca desta maneira, mas os donos do negócio devem ter uma estrátegia qualquer na cabeça. Confiram o mau gosto explícito. A Diesel tem lojas no Brasil e a campanha pode ser vista pelas ruas em alguns outodoors. Um horror.


domingo, 13 de junho de 2010

Bicicleta da Volkswagen?


E a Volkswagen alemã, apresentou sua primeira bicicleta. Bicicleta? Isso mesmo. Na verdade um veículo de duas rodas, que funciona com bateria elétrica e foi desenhada para se encaixar no compartimento do pneu estepe do carro (elétrico também). O conceito de mobilidade da bike VW é de um "complemento" do veículo. Onde estiver muito trânsito, você estaciona e...vai de bicicleta.
Sinal dos tempos? Inovação? Com certeza. A VW está saindo na frente das outras montadoras, quem sabe criando uma nova tendência menos poluente, mais sustentável. O futuro dirá.

Vejam mais sobre o lançamento da Volks no Auto China 2010:


World Naked Bike Ride.

Aconteceu hoje o World Naked Bike Ride: um passeio de bicicleta com pessoas nuas em Londres, na Inglaterra.Um protesto contra todos os efeitos negativos do petróleo, dos automóveis e das energias não-renováveis. Leia-se: um protesto contra empresas como a BP e as montadoras de automóveis. Mas, crise para uns, bons negócios para outros como a Caloi, a Monark (no Brasil) e os fabricantes de bicicletas do mundo todo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mãos que falam 2.

Maõs que falam.


Campanha de publicidade da ATT utiliza mãos pintadas para divulgar sua cobertura global em diferentes países. Vale conferir. Achei muito interessante - envolve arte, cultura e tecnologia digital. Muito bem conceituada.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Depois da "advertising" o "tryvertising"...

Experimentar produtos antes de comprá-los era uma idéia já utilizada sob o nome de "sampling". Um sachê com um creme de proteção solar entregue na praia ou o oferecimento gratuito de um cafézinho expresso no supermercado, entre outros modelos de uso gratuito de um produto, eram práticas conhecidas para seduzir e conquistar novos consumidores.

Agora, chegou o "tryvertising" e o Clube Amostra Grátis (www.clubeamostragratis.com.br) para se aprofundar a experiência do teste e do uso de um produto novo antes da decisão de compra. Essa é a proposta. Por uma inscrição de 50 reais, qualquer pessoa pode levar até cinco itens para casa e usá-lo, experimentá-lo. Contudo, precisa responder às perguntas de uma pesquisa.

O objetivo das empresas participantes é descobrir falhas, defeitos, opiniões e pontos fortes de seus lançamentos antes destes irem parar nas gôndolas, nas vitrines e nos pontos de venda. O feedback do usuário portanto vale ouro, literalmente. A aposta é de que se o produto agradar, um boca-a-boca espontâneo se prolifera de maneira viral e o lançamento no mercado pode ser sucesso absoluto.

Quem quiser saber mais, basta visitar o Clube Amostra Grátis. Ou sua concorrente, outro point do "tryvertising" chamado: Sample Central (www.samplecentral.com.br).

Engraçado, ao escrever este post acabei lembrando do livro "A Cauda Longa" de Chris Anderson (www.longtail.com) e sua análise sobre a economia da reputação. Se a imensa quantidade de informação disponível para os consumidores, através da Internet, acaba gerando mais dúvida do que certezas na hora da compra e a dispersão é monumental devido ao excesso de conteúdo existente, nada melhor do que o "tryvertising". Depois, via redes sociais e muito boca-a-boca on line a experiência vira história, faz a propaganda acontecer e a reputação ganhar valor. Ou não...

domingo, 30 de maio de 2010

Ainda a BP...

Já tinha falado sobre o desastre da British Petroleum, a BP em conjunto com a Transocean e a Halliburton no Golfo do México. O vazamento ainda não parou e já ultrapassou na sua dimensão a tragédia do Exxon Valdéz no Alaska, em 1989.

No site da BP a tentativa "que nunca foi tentada antes em águas tão profundas" de cimentar através de uma injeção de lama pesada o fluxo de petróleo ("top kill") - possui uma ilustração animada para explicar aos visitantes como é feita a operação. Agora, eles vão tentar o uso de submarinos robôs para deter o vazamento.

O mais interessante é que no site Halliburton, ainda existe uma nota explicando que "a complexidade dos desafios (...) nas águas profundas do Golfo do México são imensas ("The complexity of the challenges presented (...) in the deepwater Gulf of Mexico, are immense") mas que a experiência da empresa fala por si ("Our experience speaks for itself"). Arrogância?

E se este desastre fosse no pré-sal brasileiro?

Para saber mais:

Exxon Valdéz (site do Greenpeace) -
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/desastre-do-exxon-valdez-uma/

Folha de São Paulo -
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/742969-bp-sabera-ate-o-final-da-semana-se-novo-plano-conteve-vazamento.shtml

BP -
http://bp.concerts.com/gom/topkill_zoom_frame_26052010.htm

Halliburton -
http://www.halliburton.com/ps/default.aspx?navid=1336&pageid=2721

sábado, 29 de maio de 2010

GRI Conference e Readers Choice Awards.


Terminou ontem a Conferência da GRI sobre Transparência e Sustentabilidade em Amsterdã (Holanda). Destaco aqui que o Bradesco, o Banco do Brasil, a Natura e a Vale tiveram seus relatórios de sustentabilidade apontados na votação do Readers Choice Awards (feito por votação via internet) como vencedores nas categorias: Relatório de Sustentabilidade mais Eficaz (Most Effective Report Award) - Bradesco; Sociedade Civil (Civil Society Award) - Vale; Engajamento (Engage Award) - Banco do Brasil; Prêmio Investidor (Investor Award) - Banco do Brasil; Cadeia de Valor (Value Chain Award) - Natura e Vencedor Geral (GRI Readers’ Choice Award – Best Overall) - Banco do Brasil.
Parabéns às empresas, suas equipes envolvidas e parabéns ao pessoal da Report Comunicação que produziu os relatórios da Natura, Bradesco e Vale.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Pluralidade reconhecida.

Plurale em site e Plurale em revista conquistaram o Prêmio João Valiante de Jornalismo na categoria mídia impressa e webjornalismo, que destacou reportagens sobre reciclagem.

A matéria premiada foi "O lixo nosso de cada dia se transforma em negócio lucrativo", publicada em 2009 numa reportagem especial da editora Sônia Araripe.

O prêmio foi entregue pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), no último dia 20 de maio, em São Paulo, no encerramento da ExpoAlumínio. Na categoria televisão, os vencedores foram Alissa Farias e Jaderson Pires, da TV e Rádio Jornal do Commércio de Pernambuco (afiliada do SBT), com a matéria "A arte de preservar".

O Prêmio João Valiante de Jornalismo 2010, em sua sexta edição, recebeu, ao todo, 23 reportagens de diferentes veículos nacionais.

Plurale em revista e Plurale em site completam, em outubro, três anos. O projeto foi idealizado por Sônia e Carlos Franco, companheiros de jornada de várias redações jornalísticas. "Plurale nasceu, como o nome indica, para ser palco de um diálogo plural e democrático", lembra Carlos.

Enquanto o site é atualizado diariamente com notícias e artigos, a revista é publicada bimestralmente, 100% em papel reciclado. Na equipe estão grandes nomes do jornalismo socioambiental, como Isabel Capaverde, Nícia Ribas, além de correspondentes internacionais, como Aline Boueri Gatto, na Argentina, Vivan Simonato, na Irlanda e Wilberto Lima Jr, nos EUA.

Visite: www.plurale.com.br

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Redes sociais.

O diálogo caiu na rede. Saiu da boca das pessoas para o universo digital. A conversa não é mais de mão única. É mão dupla, digo, mão múltipla! Conexões infinitas: opiniões, idéias, interatividade e...influência. Muita influência para o bem ou o mal das marcas.

Quero destacar aqui dois exemplos a respeito dessa dinâmica. Um, quem diria, é do Facebook, que viu surgir nesta semana um boicote por causa das polêmicas sobre a política de privacidade da rede. Mark Zuckberg, o jovem e talentoso CEO, criador do Facebook, não prestou atenção nas conversas, nem escutou a opinião dos usuários. Resultado: já temos o "dia de apagar a conta" - um mega protesto contra a rede.

O motivo da discussão é relativo às questões que envolvem a privacidade dos usuários. Recentemente, algumas alterações do Facebook tornaram públicas informações disponíveis apenas para amigos adicionados. O protesto foi imediato, com mobilização instatânea. É crise na rede. A era do diálogo é assim (aliás, bom título para um livro, não é mesmo?).

Outro exemplo, desta vez certeiro e adequado ao mundo em rede veio da Pepsi. Seguindo uma estratégia crida pela BBDO Argentina, a Pepsi valorizou o consumidor local em detrimento de seu padrão global da marca. Explico: na Argentina, o hábito de pronunciar não "Pepsi" mas "Pecsi" se tornou um case inédito, com um mega movimento de comunicação valorizando o sotaque local. Peças publicitárias trouxeram o nome Pecsi ao invés do nome Pepsi em respeito e reconhecimento ao jeito de ser (e falar) dos argentinos. Bom exemplo de escuta dos consumidores não é mesmo?

E quem quiser ver mais sobre o post acima, basta visitar:

www.quitfacebookday.com

www.facebookprotest.com

www.tomaspecsi.com.ar






quinta-feira, 20 de maio de 2010

Por que a rádio peão ganha força nas empresas?

Compartilhando: trechos da entrevista com o Portal RH.Com:

RH: Por que a rádio peão ganha força nas empresas e que fatores colaboram para a sua sobrevivência?

"A rádio peão ou rádio corredor é uma "conversa de bastidores" dentro da organização. Esse tipo de conversa sempre ganha força quando as pessoas não têm acesso ou possibilidade de uma comunicação interna fluida, transparente e madura. Organizações que acreditam que o silêncio é a melhor estratégia, quando o assunto é comunicação interna, correm o risco de ter uma rádio corredor gerando informações distorcidas, boatos e fofocas. O que pode esvaziar a credibilidade da comunicação oficial quando ela acontecer."

RH: Que impactos a presença da rádio peão ocasiona ao meio corporativo?

"Como eu disse, essa rede de informações que correm pelos bastidores têm impacto na qualidade das relações, atingindo a confiança dos empregados diante das lideranças, conspirando para criar um ambiente de trabalho neurótico, de alta ansiedade e receios. O que vai influenciar negativamente a produtividade e o desempenho individual e das equipes."

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Comunicação interna: uso de e-mails.

Cinco dicas para usar bem o e-mail, este veículo de comunicação que muitas vezes é um verdadeiro vilão nos escritórios. Além de um vício: já reparou que algumas vezes convidamos para almoçar o colega de trabalho (aquele ali na baia ao lado) por e-mail?

Bom, mas vamos lá...compartilhando:

01 - Seja simpático.
Lembre-se que a palavra escrita é sempre fria e distante quando enviada por este canal eletrônico. Por isso, busque sempre um tom de gentileza.

02 – E-mail com pressa?
Se o assunto é “para ontem”, use o telefone. Ou seja, tente conversar pessoalmente, sempre. Senão, use o telefone. E-mail não é “Ufa, enviei!” e pode não ser lido no tempo da urgência. Só mandar a mensagem não basta pra resolver.

03 - Nunca escreva o texto todo em letra maiúscula.
Mandar e-mails usando apenas letras maiúsculas não é nada recomendável. As palavras em maiúsculo, na internet, significam que você pode estar gritando. Então, cuidado redobrado. Busque ser gentil (dica 01).

04 - Cuidado com a discussão on-line.
Leia sempre o que escreveu antes de enviar. Confira também para quem você está enviando seu e-mail. A interpretação do texto que você escreveu pode dar a maior zebra.
E se você desconfia que a última mensagem enviada gerou algum conflito, pegue o telefone agora e converse com a pessoa. Nada de deixar mal entendidos pela rede.

05 - Não anexe ppts, músicas ou fotos
Pelo amor de Deus: nada de Power Point com musiquinha e poesias intermináveis, foto de bichinho e corrente religiosa no ambiente de trabalho. Deixe isso para seus e-mails particulares – depois de perguntar ao seu destinatário se ele quer receber este tipo de mensagem.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Chamas da crise.


Quando a arrogância se casa com a crença desenfrada na tecnologia, a dobradinha pode resultar na fórmula da catástrofe. Em 1986, ainda na União Soviética, a explosão de um dos reatores da usina de Chernobyl produziu o maior acidente nuclear da história do planeta. Seus efeitos são sentidos até hoje: na região próxima da usina (hoje completamente "lacrada") uma grande incidência de anomalias genéticas continua ocorrendo.

Parece que a mesma soma aconteceu, agora, no Golfo do México. O vazamento e a explosão de uma plataforma de perfuração semi-submersível operada pela Transocean e alugada pela gigante BP transformou-se no maior desastre desse tipo na indústria mundial do petróleo.

Como a tecnologia disponível é sempre "a melhor possível" e questionamentos sobre a possibilidade de acidentes não combinam com a busca incessante de metas e objetivos - cada vez mais ambiciosos, fico aqui imaginando: quem vai ser responsável por isso no final das contas? Porque muito provavelmente os arrogantes de ontem, que ditavam ordens do alto de seus escritórios, estão perdendo muitos cabelos (e vários milhões de dólares) diante do monumental desastre. E dando entrevistas de maneira bastante humilde. Agora, a conversa e o relacionamento próximo e mais humanizado está valendo ouro.
E o que podemos perceber com o caso enquanto a tragédia ainda não está sob controle?

A BP tem no seu site uma área inteira dedicada ao caso - as fotos são bastante boas (todas dão a sensação de "limpeza" e organização - nota dez pra equipe de comunicação). Já no site da Transocean a nota sobre o acidente é mínima. Parece que querem passar a idéia de que é coisa corriqueira (lamentável).

Volto ao site da BP: dentro das possibilidades, as atitudes estão bem esclarecidas e explicadas. Não ocorreu qualquer demora na tomada de decisões e de mobilização da empresa. Há dados e fotos disponíveis. Releases permanentes também estão sendo publicados e liberados. Há um amplo plano de ação emergencial para "mitigar impactos ambientais" na região. As equipes de campo trabalham sem parar...

Já na Transocean (talvez por acordo com a BP) falta informação. Parece que não querem chamar a atenção para sua marca: deixam que a marca da BP (com uma imagem muito mais conhecida e valiosa) fique com o ônus do desastre. Confesso que não sei os termos do acordo operacional entre as duas empresas - talvez nem haja.

Mas o pior de tudo: foram onze empregados mortos na explosão e no incêndio. Se uma plataforma nova em folha vai poder ocupar o lugar da que afundou e equipamentos novos chegarão do estoque...as vidas humanas não. Elas não tem preço. Foram-se para sempre...
A foto acima - enviada por um amigo meu, revela a dimensão brutal do acidente.

Vejam mais, acessando:



The Progress Report - http://pr.thinkprogress.org/

World Nuclear Association - http://www.world-nuclear.org/


domingo, 9 de maio de 2010

Comunicador é bom gestor?

Um bom gestor é um bom comunicador, com certeza. Mas a recíproca não é necessariamente verdadeira. Lamentável. Já vi muita gente boa de comunicação em palestras e em reuniões com clientes dar show de sedução e receber feedbacks maravilhoso: "Nossa! Quero trabalhar com você" ou "Tem vaga na sua equipe?".

Mas, parece maldição: "Casa de ferreiro, espeto de pau" - diz o ditado popular. E com comunicadores, de agências ou nas empresas, como gerentes-gerais e diretores a história é outra. Além das egotrips e vaidades do cargo e do próprio universo da comunicação com seu glamour, a questão passa muitas vezes por um bom domínio técnico, mas sem preparo para a gestão de pessoas. O que acontece com outras profissões. O sujeito pode ser um bom engenheiro mas não saber como fazer a gestão da equipe. Assim como um bom advogado, médico etc.
Ocorre nas melhores famílias.

Recentemente tivemos no mercado a saída de um grande jornalista de um cargo de liderança por denúncia de assédio moral. Existem outros casos acontecendo por aí. Todo dia. No fundo, tem muito de inteligência emocional, de auto-conhecimento e claro, influência da pressão e do stress de um cargo ou da pilotagem de um negócio próprio onde enfrentar uma folha de pagamento no final do mês é dureza. Só quem já foi empresário pode saber.E só quem já passou por cargo de direção pode entender. Mas nunca justificar...

Lembrando que não basta apontar o dedo na cara de ninguém e sair com ares de acusação. Ver os defeitos dos outros é fácil. Assim, se ninguém sabe como seria estar lá naquela posição, naquela cadeira, a hora é de treino, capacitação, preparação para o futuro.

Quem quer liderar tem que liderar pelo exemplo e não pela hierarquia. Sempre é tempo de cuidar das relações: gente não é mobília que pode ser empurrada de um canto pro outro. Todo mundo sofre, rala, erra, tenta e merece respeito. Gestão de pessoas passa por aí: cobrança no nível técnico, cobrança de resultado e confiança no que se diz e se faz. E permanente processo de feedback - falar "com o outro e não do outro" como já escreveu o psicólogo e terapeuta empresarial Paulo Gaudêncio.

sábado, 8 de maio de 2010

Red Bull no céu do Rio.


Destaque de um cartaz promocional do Red Bull Air Race que acontece hoje e amanhã no céu do Rio de Janeiro: ENTRADA GRATUITA.

Realmente deve ser uma piada. Ver o espetáculo de piruetas vai ser quase que obrigatório para quem estiver ali pelos bairros de Botafogo, Urca, Flamengo e Glória. Afinal, se os aviões estarão pelos ares, sobre as cabeças dos transeuntes - quer desejem ou não participar como espectadores das acrobacias aéreas, como assim "entrada gratuita"? Fora o barulho...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Acreditar para ver.

"Se a analogia é mecânica, a lógica é funcional" disse o professor José Carlos Rodrigues, Doutor em antropologia na aula de hoje, no mestrado da PUC. Minha ficha caiu na hora.

Empresas que tem na sua linguagem uma busca constante pela funcionalidade, traduzida por perguntas como "para que serve isso?" ou "qual a função disso?" acabam transformando-se em locais onde os significados não tem importância. O que tem importância é a função. O que tem valor é a utilidade, geralmente imediata. Porque o resultado de hoje já não vale nada amanhã.

E dentro desse formato, a comunicação, caso exista (sempre existe uma comunicação é bom lembrar, oficial ou não) é um reflexo do jeito de pensar e de agir da organização. Basta observar os termos comuns nas reuniões, nos murais, no discurso ou nos sites: "Vamos alavancar nossa gestão?", "Temos uma engenharia de pessoas...", "Vamos construir um sistema de recursos humanos mais produtivo!" ou ainda..."Nossa máquina ainda não atingiu todo o potencial humano." são alguns exemplos existentes por aí.

Outros exemplos, visuais, podem ser reunidos através dos relatórios anuais e de sustentabilidade publicados e que trazem apenas fotografias de máquinas e equipamentos. De chaminés, instalações e ativos físicos - tudo sem qualquer sinal da presença humana.

E a conclusão fica por conta da lógica válida nestas organizações: mecanicista, cartesiana, baseada em comando e controle, tempos e movimentos. Num cumprir de horas trabalhadas que servem para atestar o custo benefício do salários pagos. Sempre em termos de quantidades. Ganhas ou perdidas.

Para mim, o que vale mesmo é o significado: qual a importância do que você faz para o seu sentido de realização? Para você chegar em casa satisfeito consigo mesmo? Como profissional e como pessoa -duas dimensões inseparáveis. Esse é o "pulo do gato" ou melhor, o salto evolutivo de organizações humanizadas capazes de convocar as pessoas comuns a fazerem coisas extraordinárias.

Mesmo que na rotina dos dias, pois cada novo dia pode revelar uma centelha divina. É acreditar pra ver. Ahn, e não duvide: existem lugares assim para se trabalhar!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A marca do pente.


Nada contra. Marca é marca. Existem nomes que pegam, outros não. Nome bom vende. Se o produto for bom também, vende mais. Ou será o contrário? Este exemplo eu tinha que compartilhar. Não sei qual o market share do produto, mas convenhamos: esse nome é a marca do pente.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Prêmio Top Blog: conto com seu voto!


Doe palavras.

Palavras têm energia, são como gestos: de amor ou raiva, de aproximação ou separação, de carinho, afeto, apoio.

Uma proposta socialmente responsável e solidária no uso das palavras está no ar através do endereço: www.doepalavras.com.br

Trata -se de um espaço criado pelo Hospital Mário Penna, em Belo Horizonte (MG), que cuida de doentes com câncer. A idéia é que enquanto os pacientes fazem quimioterapia eles possam ler num telão frases de conforto, esperança, estímulo.

Dê uma visitinha e doe "boas palavras" por lá. Eu achei sensacional. Afinal, como escreve o psicólogo e escritor Carlos Rodrigues Brandão: " Somos seres que nos prendemos à palavra, a tal ponto que a palavra é o que nos faz".

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Publicidade "social".


Não, não se trata de festa ou evento promocional,mas um exemplo que considero de boa publicidade. Forte, emocional e de impacto, com certeza, mas por uma boa causa: ajudar adolescentes que sofrem de anorexia e bulimia. Recebi a imagem de uma amiga.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nova marca da Eletrobras.

Marca Eletrobrás - antiga.

Nova marca da Eletrobras.

Realmente a evolução e a modernização da marca da Eletrobras, criada pela Ana Couto Branding é um projeto de destaque. Tive o privilégio de trabalhar na comunicação interna para o lançamento da nova marca e movimentos dessa grandeza mexem com a motivação e o entusiasmo das equipes .

Confiram acima a marca antiga e a nova.

E visitem: www.eletrobras.gov.br

Marketing e Comunicação.

As ferramentas do marketing como o nome diz são apenas ferramentas. São os homens que as utilizam de maneira correta ou incorreta.

Já escutei que "Fulano é um marketeiro" ou que "Isso tudo é puro marketing" para destacar o lado negativo da disciplina, por vezes até desonesto. Meu último post pode ter passado esta noção. Mas quero deixar bem claro que acredito no marketing e na comunicação como alavancas válidas e fundamentais para fazer acontecer bons negócios, para construir marcas confiáveis e realizar projetos úteis para sociedade.

Afinal, acredito que o marketing mais valioso é o que parte do princípio básico de se atender bem o cliente, conseguindo seu encantamento diante de um bom produto ou um excelente serviço e o deixando plenamente satisfeito. O que parece óbvio é entretanto difícil na prática. Na "hora da verdade" (termo criado por Karl Albrecht, se não me engano), quando o cliente está no balcão de vendas ou em contato com a empresa e a experiência de vivenciar a marca e sua promessa, é que se comprova se a estratégia de marketing e comunicação está válida. Porque no final das contas, o cliente vai ter sempre razão - ou não?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

AVATAR E BELO MONTE. QUANDO A FICÇÃO CONSTRÓI A REALIDADE?

James Cameron, diretor de cinema canadense e criador do épico ambientalista Avatar – monumental sucesso de bilheteria nos cinemas, colocou o Brasil na rota do lançamento da versão em DVD de seu filme. Cameron já tinha participado como palestrante do 1º Fórum Internacional de Sustentabilidade, em Manaus (AM). No Brasil, mais uma vez, plantou árvore em São Paulo e em seguida juntou-se a uma manifestação em Brasília contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Como vivemos numa democracia, ainda bem, até visitantes estrangeiros podem fazer barulho para demonstrar sua insatisfação contra um projeto que, com certeza, é polêmico desde sua concepção. A obra vai gerar impacto ambiental de peso, alagando uma área da floresta amazônica equivalente a 70 mil campos de futebol, segundo previsão da ONG Greenpeace.

Cameron veio acompanhado da atriz Sigourney Weaver que atua em Avatar como uma cientista ambiental e politicamente correta, que defende os “bons selvagens” que vivem numa floresta exuberante do distante planeta de Pandora. Ou seja, nada mais comercialmente válido para o lançamento de um produto de entretenimento do que misturar realidade e ficção. Com todo respeito à causa (eu concordo que vale a pena chamar a atenção para os riscos de uma obra da envergadura de Belo Monte) pergunto, entretanto o quanto de oportunismo não existe nesse tipo de estratégia de marketing e promoção. Aonde quer chegar o famoso cineasta com todo esse espetáculo – dentro e fora dos cinemas?

Numa entrevista para a revista Veja (edição de 14 de abril, 2010) James Cameron coloca: “Avatar 2 e Avatar 3 precisam responder: a humanidade pode ser salva? (...) Os seres humanos serão capazes de absorver as idéias poderosas de Pandora e aplicá-las à própria vida, de maneira a recuperar tudo o que perderam? (...) O primeiro Avatar é apenas um tiro inaugural de uma gigantesca batalha de idéias e civilizações”. Ou seja, nunca foi tão atual ter “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça” como armas de convencimento e sedução.

E Avatar tem um enorme apelo emocional. A começar pela nova tecnologia empregada. Além de produzido com sensacionais efeitos visuais, traz a mais recente tecnologia em terceira dimensão e alta definição. Na sala escura do cinema qualquer espectador vivencia a ficção quase como a própria realidade. Se não fosse a passividade com que recebe as mensagens do filme, a experiência seria completa.

Como Hollywood já fez muitas vezes, Avatar coloca mocinhos e bandidos em confronto numa nova fronteira do velho oeste. O bang bang entre os bons e os maus é recheado com um singelo e puro romance de um soldado e uma nativa de Pandora. Uma repetição da conhecida história de amor entre a índia Pocahontas e o Capitão John Smith ou, para os brasileiros, uma releitura modernosa de “Iracema – A Virgem dos Lábios de Mel”. Com a diferença: a Iracema de Avatar guarda os segredos das exuberantes florestas de Pandora ao invés dos segredos do licor de Jurema, da tribo Tabajara.

Assim, mais uma vez, a ficção nos enche de esperança e sonhos, a imaginação quer conquistar o poder e nas três horas de filme ganhamos a primeira batalha na defesa da natureza. Como prega James Cameron em sua entrevista, meio que fascinado com sua criação e inebriado com sua missão salvadora.

Maravilha. Mas voltemos para Belo Monte. Deixemos o espaço sideral e mergulhemos nas terras e na vida real do Brasil. Sei que o impacto das mudanças climáticas não pode mais ser negado ou desmerecido. Entendo que a Amazônia - se não é o “pulmão do mundo”, é com certeza um grande condicionador de ar, influenciando temperaturas e regime de chuvas. Contudo, percebo que o discurso da defesa do meio ambiente pode ser usado para o bem ou para o mal e que questões econômicas e políticas embalam todo esse movimento.

Também devemos reconhecer que obras feitas através de um estilo “Pra Frente Brasil”, muito semelhante aos tempos do regime militar, buscando o crescimento econômico a qualquer preço são geradoras potenciais de conflitos e ações jurídicas após sua execução. Lembremos da Transamazônica e da usina de Balbina, além das centrais nucleares construídas entre dois centros populacionais urbanos como o Rio de Janeiro e São Paulo, num dos mais belos litorais do Brasil.

Impossível ainda fugir da constatação de que é preciso dar conta das demandas energéticas que o país precisa para manter seu crescimento econômico. Todo mundo quer ligar sua televisão, seu computador, sua geladeira, não é mesmo? Até mesmo muitas tribos indígenas da Amazônia já querem esse tipo de progresso.

Por isso, o que busco pontuar nessa análise é que o projeto de Belo Monte deve ser discutido com muita atenção por parte do Congresso Nacional, do Ministério Público, dos órgãos reguladores e fiscalizadores, do IBAMA, do MMA, do MME e das universidades. A imprensa deve fazer sua parte na divulgação dos diferentes pontos de vista. E as comunidades locais devem ser ouvidas – pois serão diretamente afetadas. Os riscos são grandes de se produzir energia com um impagável custo sócio-ambiental.

Dessa forma, o que menos precisamos é de show, espetáculo e “marqueteiros” em torno de um assunto tão sério. Porque filme a gente vê no cinema e em obra de ficção cabe de tudo. Já a vida fora do telão e da telinha é totalmente diferente. Não vamos confundir as coisas para não correr o risco de ficarmos com a cabeça e os pés nas nuvens.

Além do mais, o Brasil já tem muito diretor de cinema para subir em palanque. Não precisamos de mais um vendedor de sonhos “bem intencionado”. Com uma caixa de DVDs made in Pandora debaixo do braço, repleta de delírios espetaculares.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Conversa de sindicato.

Quer um exemplo de eficiência na comunicação? Escute a conversa e leia os boletins dos sindicatos. Separe os panfletários - aqueles excessivamente politizados e repare principalmente na linguagem dos informativos sindicais. Quem já passou por uma negociação de acordo coletivo sabe que, geralmente, a empresa sai da mesa de negociação e demora para emitir seu informativo interno, sua versão "oficial" do processo de negociação. Enquanto isso, o sindicato já foi para a porta da fábrica, da usina, da mina, do escritório e com carro de som passou toda sua versão sobre a reunião do acordo coletivo. Além disso, o sindicato também sabe repassar um informativo quase que instantâneo, com texto simples e direto. Ou seja, eficiência e agilidade para comunicar-se com seu público-alvo.

E a empresa? Perdida num mar de burocracia e aprovações de texto, quando solta seu boletim já é tarde e a massa de empregados já tem uma idéia do que está acontecendo: através da comunicação do sindicato! E o texto do informativo da empresa? Na maioria das vezes é super complicado, cheio de termos difíceis (inseridos por conta dos advogados) e que acabam por comprometer a eficiência e a clareza da mensagem. Em comparação, o texto do sindicato é objetivo, rápido, claro, fácil e na linguagem que aproxima, que convoca os empregados a apoiarem suas ações ao invés de apoiarem a empresa onde trabalham.

Apesar de ser assunto sensível para um comunicador interno (muitas empresas nem podem ouvir falar em sindicato) é preciso mostrar como a conversa do sindicato é eficiente. Os sindicatos dão aula de comunicação...

Hoje, entretanto, aqui na cidade do Rio de Janeiro, há uma greve de motoristas de ônibus. Nem bem a cidade saiu de uma tragédia causada pela chuva e surge essa greve, pegando de surpresa uns três milhões de trabalhadores fluminenses e cariocas. Ou seja, erro completo de estratégia de comunicação: a causa pode ser justa mas o timming da ação é completamente indecente.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Comunicação para a Defesa Civil.

Meu pai me dizia que no Brasil não existiam terremotos nem vulcões, desastres naturais que atingiam outros países. Cresci com essa imagem na cabeça. Contudo, não é uma imagem real. Depois do reveillon trágico de Angra dos Reis, e após ficar três horas preso dentro do Túnel Rebouças - por causa da mega tempestade que inundou o Rio de Janeiro é óbvio que a chuva é uma verdadeira catástrofe nacional. São Paulo teve no início do ano 40 dias de chuva e a cidade entrou em colapso. Ontem (e hoje) - o Rio também enfrentou o dilúvio bíblico.

A pergunta que quero fazer é: onde fica a comunicação para a defesa civil - para facilitar a vida do cidadão diante do caos? Para dizer qual caminho seguir, saber onde ficar, o que fazer?

Vamos falar sobre isso?

Comunicação e Defesa Civil são assuntos inseparáveis. Ou a tragédia pode ser maior.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

ABERJE - 10º Mix de Comunicação Interna e Integrada.

Dia 15 de abril acontece o 10º Mix ABERJE de Comunicação Interna e Integrada em São Paulo, SP. Entre os temas desta edição estão:Comunicação & Mensuração em Mídias Sociais; Comunicação da Sustentabilidade para o Público Interno e Ativos Intangíveis. Além de uma oficina de Comunicação Interna e Prevenção do Assédio Moral.

Mais detalhes, acesse: www.aberje.com.br

ABERJE - 10º Mix de Comunicação Interna e Integrada.

Gestão de pessoas.

Começa amanhã, em São Paulo, o Fórum HSM - Gestão & Liderança 2010. O evento traz "gurus" de peso como Ram Charam e o filósofo Mário Sérgio Cortella, entre outros.

O que me chamou atenção - e não posso deixar de comentar aqui, foi o texto do material de propaganda, na parte que diz: "A gestão de pessoas e a maneira de liderá-las podem representar o diferencial para o sucesso nos negócios."

Convenhamos, essa não é exatamente uma idéia nova para um evento do porte do HSM, nem para nenhum executivo ou especialista no assunto. Acredito que isso é o óbvio ululante (para citar Nelson Rodrigues) e a essa altura do campeonato da competitividade global seria preciso trazer algo realmente inovador para o debate.

Algumas sugestões:"Gestão de Pessoas: as pessoas querem ser lideradas?" ou "Gestão de Pessoas: o que é ter sucesso nos negócios? Redefinindo valores na busca da sustentabilidade" ou "Gestão de Pessoas: a relação dos afetos faz diferença para o sucesso nos negócios?".

Bom, estas são apenas provocações para não ficarmos na mesmice dos chavões (ops, rimou). O HSM é um evento fantástico, merece ser visto e acompanhado.

Acessem:http://br.hsmglobal.com

quarta-feira, 31 de março de 2010

Engenheiro e comunicador.

Já falei numa de minhas palestras que os engenheiros podem se tornar brilhantes comunicadores. É difícil, mas é muito mais possível do que jornalistas e publicitários se tornarem engenheiros.

O engenheiro e agora escritor - comunicador, Cid do Nascimento Silva vai lançar no dia 05 de abril o livro de poesias:"Rio de Janeiro a Janeiro" com arrecadação voltada para uma ação beneficiente junto ao movimento INCA Voluntário para pacientes em tratamento pós-hospitalar.

O lançamento acontece no Belmonte do Leblon (Rio de Janeiro),dia 05 de abril, a partir das 17h. O Belmonte fica na Rua Dias Ferreira 521.

sábado, 27 de março de 2010

"Risque com o compasso e olhe fora do riscado".

É sempre um aprendizado poder ler os artigos de Paulo Nassar. O último, publicado no site da ABERJE e intitulado "Risque com o compasso e olhe fora do riscado" é mais um deles.

Só mesmo a sensibilidade intelectual de Paulo - um mestre, para nos fazer lembrar que o traçado das cartografias conhecidas nunca revelará áreas profundas de nossos sentimentos ou os humores do planeta e suas entranhas. E que a administração pura e simples, racionalíssima, via régua e compasso, não dá conta de cenários mutantes. Os "números não dão conta do mito".

Diante disso, nós comunicadores temos o desafio: tornar menos distantes os diferentes universos que coexistem - quer sejam percebidos ou não. Quer sejam aceitos ou não. Nas organizações empresarias, públicas ou privadas, nas relações entre diferentes culturas. Em nosso dia-a-dia. Navegando com as bússolas existentes mas atentos também para os afetos, que não seguem manuais e cartilhas.

Leiam o artigo na íntegra, acessando:www.aberje.com.br em acervo on line / colunas artigos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Conversa livre 3 - "Corridor management"

Comunicação face a face é sempre o "X" da questão quando falamos de comunicação interna como ferramenta de gestão, não é mesmo? Pois então, imaginem esse tema na EBX, do empresário Eike Batista?

Nada grave, pelo contrário. De acordo como BLOG X (já bastante desatualizado e sem espaço para comentários, diga-se de passagem) o que existe na EBX é o "Corridor management". Um estilo open mind e open doors de se fazer comunicação direta. Com certeza uma boa notícia.

Copiei um trecho esclarecedor que compartilho, escrito pelo próprio Eike Batista: "Não abro mão de cultivar dois hábitos, que vêm desde o início do grupo e, acreditem, trazem francos resultados: a política de portas abertas da sala da presidência e os contatos informais com executivos do grupo nos corredores da holding. Travo contato com os executivos da holding e empresas controladas nos corredores de acesso às salas de reunião e da presidência no 10º andar do prédio-sede, na Praia do Flamengo. É o nosso famoso corridor ou aisle management.".

É isso, aí.

E pra quem quiser visitar, segue o endereço: http://www.eikebatista.com.br

Conversa livre - 2.

Quando o assunto é diálogo, conversa e relacionamento não posso deixar de citar o historiador inglês Theodore Zeldin em seu livro: "Conversação - Como um bom papo pode mudar a sua vida". Uma publicação pequenina, que cabe no bolso e traz valiosa contribuição para a comunicação face a face.

"Toda conversa é um encontro entre espíritos que possuem lembranças e hábitos diversos. Quando os espíritos se encontram, não se limitam a trocar fatos: eles os transformam, dão-lhes uma nova forma, tiram deles implicações diferentes, empreendem um novo encadeamento de pensamentos.Conversar não é apenas reembaralhar as cartas: é criar novas cartas para o baralho" - diz o autor num dos capítulos. O que me faz refletir sobre ambientes de trabalho ou de convívio cerceados por dogmas, tabus, pressupostos e diretrizes. Ambientes que não facilitam o diálogo, mas ao contrário, prejudicam as relações humanas.

Relações humanas que são exatamente os movimentos que nos levam a ampliar perspectivas de futuro ou, ao contrário, desqualificar visões compartilhadas.Talvez a palavra correta não seja "ambiente" mas "cultura". Cultura como hábitos, comportamentos, modelos mentais e rituais de contato e convivência que podem ter ou não espaço para a conversa. Espaço para não só reembaralhar as cartas, mas criar novas - como escreve Zeldin.

O livro é da Editora Record e eu recomendo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Conversa livre.

Ontem tive o prazer de uma conversa com Théo Drummond, um dos sócios da Agência 3 e escritor, com vários livros publicados entre poesias e contos e o diretor de cinema Roberto Farias. Jantamos no Policarpo, restaurante que fica ali no Largo dos Leões, no Rio de Janeiro. Roberto Farias pretende levar para as telas de cinema um texto inédito de Théo Drummond, uma história sobre pequenas asas que vão nascendo nas costas de um homem e aí...bom, vamos tocer para que o filme aconteça para podermos ver, não é?

No jantar, pude escutar (e aprender) mais sobre a história do cinema nacional e também sobre a propaganda. Uma aula de comunicação. Uma conversa livre com direito à pontos de vista divergentes, mas inteligentes e bem-humorados.

Ao final do encontro, uma análise bastante lúcida da crescente tendência de cerceamento da liberdade de expressão. O que não é uma boa notícia aqui na nossa (ainda) República Federativa do Brasil.

Opinião minha, agora: a imprensa está na berlinda. A publicidade idem. Tem gente munida de ideologias partidárias que já descobriu os culpados pelas notícias ruins: os jornalistas. E que também já descobriu os culpados por diversos outros males da sociedade: os publicitários. Colocando tudo junto num mesmo balaio de gatos e dando o rótulo de "mídia" com o acréscimo do adjetivo "grande", pronto! O inimigo de um Brasil maravilhoso que aí está, com educação de qualidade, saúde em níveis escandinavos, níveis de corrupção praticamente inexistentes e um primor de cumprimento da Constituição chama-se "Grande Mídia".

Cômico, se não fosse trágico de fato. Afinal, sabemos que idéias divergentes e opiniões contrárias nunca foram aceitas pelos poderosos de plantão. Mas imprensa é isso - como já escreveu o genial Millor Fernandes: "Oposição, porque o resto é armazém de secos e molhados". Eis aí o conflito natural e a vontade de "controle" e de censura.Imaginem se o Governado Arruda tivesse controle sobre a mídia? A gente nem ia saber do dinheirão dos panetones, não é? Imaginem, se esse controle já existisse em 2005 e ficássemos sem saber das maracutaias dos mensaleiros Dirceu, Jefferson, Marinho, Delúbio, Palocci e outros "Irmãos Metralhas'.

Quem sabe eu não esteja errado e deveríamos realmente ter apenas uma fonte oficial de notícias, ahn, digamos como o maior jornal em circulção de Cuba (o único permitido também) chamado Granma e editado pelo estado. E que traz sempre a palavra do grande guia Fidel Castro e louvações ao grande herói Che Guevara. Mostrando o paraíso na terra que é provido por este espetacular sistema de governo: onde todo mundo pode opinar e divergir, ter total liberdade de expressão e nem precisa fazer greve de fome para chamar atenção do mundo.

Bom, vamos ficar "atentos e fortes" como dizia música cantada pela Gal Costa. Liberdade é uma coisa muito complicada para o ser-humano e tem gente que acha melhor tutela, comando, dirigismo, ordem unida e "pensamento único".

E você?

quarta-feira, 24 de março de 2010

"Blue washing" da AmBev?

Todo dia tem sido dia de alguma coisa e por isso há um excesso de datas comemorativas. Quem tem mais "bala na agulha" para fazer sua propaganda (dentro de uma estratégia de comunicação integrada ou não) consegue uns segundos a mais nos holofotes da mídia e alguns instantes a mais da atenção das pessoas.

Ontem foi o Dia Mundial da Água. Mais uma dessas datas politicamente corretas. Talvez este dia ganhe força daqui para a frente: a água é um patrimônio da humanidade - assim como o ar que respiramos. Mas já tem muita gente engarrafando o precioso líquido e querendo assumir a defesa desse verdadeiro tesouro.

Ontem, a AmBev lançou uma mega campanha assinada pela agência Loducca.MPM com direito a encartes e páginas azuladas nos grandes jornais, entre outras mídias (através da TRIP Editora, por exemplo, a AmBev vai trazer uma "revista-rótulo" grudada numa garrafinha pet de água mineral - a ser distribuida ao público e que deverá parar na lata de lixo ou no chão das ruas, mas isso é outra história). O fato é que o espetáculo todo me pareceu muito green washing (aliás "blue washing").

Para quem não sabe ainda, o termo "maquiagem verde" (green washing) foi recentemente criado para identificar empresas que falam muito mas não tem práticas realmente sustentáveis nos seus modelos de gestão. Se não me engano, quem criou esse termo foi a Futerra (www.futerra.co.uk) - alguém me corrija se estiver dando informação incorreta, ok?

Sobre a AmBev, explico minha percepção. Se a AmBev - como diz seu anúncio publicitário, economizou 14.2 bilhões de litros de água entre 2002 e 2009, quanto foi que ela gastou? E mais, quantos litros de água são necessários para fazer um litro de cerveja?

Bom, não vou ser xiita, nem eco-chato, deus me livre! Mas essa é questão maior que atinge diretamente o core business da empresa. Ou ela cuida da água que consome e vende - copiando iniciativa semelhante já existente na Coca Cola Company, ou o negócio dela vai entrar em risco de colapso.

Ou não, afinal, bebedores de cerveja cada mais numerosos não permitirão que se acabem com as latinhas, as garrafinhas, os barris do famoso suco de cevada, pois, assim como o aparentemente inocente churrasquinho de fim de semana é uma escolha pessoal, a cervejada também é. Sabendo ou não que "durante a vida, uma vaca necessita de mais de um milhão de litros de água", segundo o www.boiapasto.com.br., ou que para se produzir 1 litro de cerveja são gastos de 5 a 25 litros de água (segundo a SAAEB - Serviços Autônomo de Água e Esgotos de Barretos disponível em www.saaeb.com.br).

Portanto, o problema da falta de água só vai ser realmente percebido quando o cidadão não conseguir tomar banho ou puxar a descarga da sua privada. O quanto uma latinha de cerveja gasta de água para ser produzida ainda é assunto de conversa de poucos e não vai acontecer nas mesas do Bar da Boa. Mesmo porque é um tema que não "desce redondo".

No mais, compartilho o endereço do Movimento Cyan, criado pela AmBev para vocês conhecerem: www.movimentocyan.com.br. A empresa é uma gigante global e tem poder de fogo para capitanear movimentos de mudança. Mudanças que beneficiem o planeta e as pessoas e não apenas os acionistas, é bom lembrar. Portanto, visitem, opinem, interpretem, perguntem. Comuniquem-se!

Este mundo que estamos construindo hoje é de responsabilidade geral da nação. Cidadãos e consumidores, conscientes ou não. Quem for realmente bom de copo. Copo d' água fresca - diga-se de passagem.

Saúde!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cadbury´s Gorilla.

O comercial já tem três anos, mas a proposta é nova e hilária. Precisava compartilhar para dar uma boa gargalhada e reconhecer a criatividade e a osuadia da agência (principalmente porque o produto - o chocolate, anunciado, não aparece.

Confiram no You Tube.

Cadbury's Gorilla Advert Aug 31st 2007

http://www.youtube.com/watch?v=TnzFRV1LwIo&feature=player_embedded

sábado, 13 de março de 2010

"Não se pode ir a um lugar bom de um jeito ruim" (*).

Qualquer negócio só pode ser grandioso e ter um verdadeiro sentido através das pessoas. Qualquer negócio só tem valor se respeita, valoriza e reconhece as pessoas. E grandes negócios são triplamente responsáveis pelos destinos de suas equipes, pela repercussão de seus atos dentro e fora da organização e o tipo de relacionamento com seus clientes, sociedade e, claro, meio ambiente. Mas tudo isso só é possível através das pessoas. Porque são as pessoas que fazem o negócio.

Num mundo cada vez mais dominado por resultados, vamos esquecendo que gente é feita de carne, osso e coração. Agimos como se gente fosse objeto descartável. Se reciclamos coisas e produtos, porque não "reciclar" nossos comportamentos e relacionamentos percebendo como estamos contribuindo para um mundo pior ou melhor?

Para um negócio grandioso de fato - porque mais humanizado, como não perceber o caminho que estamos escolhendo? Que eu, você e todos estão escolhendo. Porque o grande mal é o homem comum não acreditar que sua ação tem importância no conjunto final da obra.

Entre seguir como que "maquinizado" e desumanizado ou vivo, consciente e senhor de seus deveres e responsabilidades (bem como direitos) qual é a trajetória para um futuro melhor? Uma escolha diária que faz parte de nossa vida.Porque máquinas e equipamentos a gente compra na esquina, traz da China por um terço do preço. Mas seres humanos não. Máquinas se conectam por fios. Gente se conecta pela conversa, pela relação, pelo sentimento.

E grandes empresas (públicas ou privadas) pecam por suas arrogâncias devido à arrogância de suas pessoas para com outras pessoas. Pecam por suas ações perversas porque suas pessoas estão se comportando de maneira perversa. Por isso, o título acima:como é que você quer ir para um lugar bom no futuro de um jeito ruim no presente?

(*) Frase retirada do livro de Peter M. Senge "A Quinta Disciplina"
(Ed. Best Seller), 25ª edição, Cap. 12 - página 347.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Atropelada.

Hoje a acabei de ver uma pessoa ser atropelada. Um ônibus abriu a porta no meio da avenida (fora do ponto) e um passageiro apressado correu pra fora: uma motocicleta cortando o trânsito pela direita, em alta velocidade, pegou de frente o passageiro.

Me lembrei imediatamente de uma de minhas alunas no curso da ABERJE, destacando uma de minhas frases ditas em sala:"Atrás da nossa máscara corporativa tem uma pessoa. E para mim as empresas e consequentemente as pessoas estão esquecendo do que somos = SERES HUMANOS." E que tem muito a ver com esse episódio.

Eu acredito que nós estamos esquecendo de quem somos. Estamos esquecendo de nós mesmos e por consequência, dos outros. Não só no local do trabalho, mas no convívio social. Como se conectados numa tomada, por um botão de liga & desliga, vamos em "piloto automático". E no fazer ultra-veloz do dia a dia, "estamos" robôs teleguiados em busca de um resultado, de uma meta sempre mais distante.

Sim, eu sei que temos que pagar contas no final do mês mas precisamos resgatar a consciência dos atos. Consciência do momento - do estar presente. A consciência da palavra na hora da conversa e do saber escutar o outro. No respeito à nós mesmos, no respeito ao outro. Respeito à vida.

Muito do que foi a cena do atropelamento tem essa mensagem (pelo menos na minha interpretação). O motorista estava no automático de "largar" passageiro e chegar no ponto final - provavelmente para mais uma corrida contra o relógio. O passageiro já estava "com pressa" de chegar no escritório e dar conta do serviço. O motoqueiro já estava a mil por hora para fazer alguma entrega ou também chegar "antes"...e todos estavam robotizados. Insconscientes do viver. Inconscientes do valor de viver.

Ser testemunha desse acidente me fez muito mal. Telefonei para o 190 e o resgate. Alguém já tinha feito isso e o socorro chegou bastante rápido (para mim). Talvez nem tanto para o ferido. Mas funcionou: os bombeiros me pareciam presentes - no primeiro contato a voz foi bastante humana para com o rapaz caído no chão. "Calma, você vai ficar bom. Estamos aqui com você para ajudar" - palavras valiosas para um momento difícil.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Comunicar e educar.

Para pensar, após minha primeira aula no mestrado da PUC: educadores são comunicadores e comunicadores são educadores. Limites tênues, quase imperceptíveis. Daí a responsabilidade enorme diante dos interlocutores, especialmente a juventude.

Porque se a palavra é mensagem que educa, que provoca e convoca ela deve buscar a energia da paixão. Porque nada mais depressivo ou vazio que viver sem a chama da paixão, do que tentar a comunicação sem essa chama. Fazer apenas "por fazer", piloto automático, negócio, emprego...apenas o técnico, racional, exato, veículo puro.

Comunicação é estado de vida e não de morte. Vida, estado da arte. Daí, a chama ardente do educar: para a vida e para que "o futuro possa ser uma instância que possamos desejar" - conforme disse a Dra. Sandra Korman Dib, da qual sou atento ouvinte e aluno.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Loura Devassa sai de cena.

Apesar da campanha publicitária da Cerveja Devassa (leia-se Grupo Schincariol) já ter rodado o Brasil inteiro durante os festejos momescos, somente agora saiu do ar o comercial de tevê que deu origem aos processos no CONAR.

Quero dizer que sou contra as ações em curso para retirar de circulação a campanha. Primeiro, porque estão fora do tempo e do espaço, pois toda a estratégia criada pelas agências Mood e ID/TBWA já colocou o bloco (digo Paris Hilton) na rua (digo, na janela) e embalou revistas, canais de tevê, pontos de venda e, claro, o próprio sambódromo. Além disso, já ganharam nova versão com tarja preta de censura sobre a logo da marca – numa resposta irônica aos processos em curso.

Segundo, porque a ação já deixou um rastro excepcional de comentários pelas redes sociais do Twitter, além de milhares de acessos ao filme disponível no Youtube. Ou seja, saindo do ar agora, menos mal para a cervejaria. A propaganda já cumpriu seu papel. E deu muito que falar – e continua criando polêmica, o que para uma marca denominada “devassa” é ótimo, não é?

Terceiro: essa discussão sobre sexismo, apelo à sensualidade etc. etc. me parece uma tremenda hipocrisia. Posso estar enganado, mas num país onde o próprio Presidente da República fala em evento público sobre o “Ponto G” – fazendo comentários risíveis (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u90170.shtml) e onde dezenas de comerciais de cerveja e bebidas alcoólicas usam a imagem e o corpo da mulher (e do homem) para chamar atenção, porque só a Devassa da Paris Hilton não pode circular livremente?

Brincadeiras à parte, este assunto é sério. No meu entender a questão deveria abranger uma discussão maior. Sobre a quantidade de álcool (que é uma droga - lícita) consumido no Brasil, por exemplo. Ou a inexplicável e permanente tragédia no trânsito nacional causada pelo uso abusivo do álcool. Estas sim, situações preocupantes e graves que acabam por colocar em xeque toda forma de propaganda de bebidas existente.

Portanto, haja debate nesse sentido – já que muita gente insiste em beber além da conta e dirigir, mesmo sabendo dos riscos.

E para encerrar toda essa conversa – ou não...Se formos pensar em matéria de sensualidade escancarada, que tal irmos até a praia mais próxima? E lá, na vida real, diante de milhares de homens e mulheres seminus, dividindo um espaço microscópico na areia, sob sol ardente e afrodisíaco, poderemos nos perguntar de verdade: será que um comercial (uma peça de ficção publicitária) tem mais apelo à sensualidade do que a própria realidade nacional?

O que você pensa a respeito?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O que o BBB pode ensinar sobre a “rádio corredor”?

Confesso. Vejo o BBB 10 para desespero dos intelectuais de plantão e dos críticos da mediocridade na TV. Análises sociológicas à parte, deixem-me explicar.

Sentia-me culpado e precisava escrever sobre isso. Confessar minha audiência. Daí, de repente, caiu a ficha: o BBB é a cara de muitas organizações. Aliás, é a voz dos corredores. Com suas fofocas, bastidores, maledicências sobre “o líder” e sobre colegas de trabalho de outras áreas. Picuinhas e egotrips. Tudo por um prêmio final inacessível ou mesmo fugaz para a maioria: reconhecimento, fama e dinheiro, claro!

Neste show de entretenimento, milhões de votantes dos paredões "demitem" quem não está em sintonia com o grupo ou com o cliente (neste caso, os próprios telespectadores com poder de voto e de audiência). Milhões de telespectadores acompanham os candidatos ao prêmio e se identificam com seus estereótipos e os discursos dos engaiolados - que buscam sua PLR: um milhão e meio de reais.

E neste circo sensacionalista que engaiola gente durante alguns meses e faz do voyeurismo o prazer de fim de noite, todos perdem. O ambiente na casa consagra a desconfiança. Consagra o conflito, o baile de máscaras e a mentira. Tudo o que uma empresa não precisa. Mas, empresas são feitas de gente e gente faz fofoca... Igualzinho no BBB.

Portanto, sem tentar uma análise sociológica profunda (não tenho pretensão nenhuma nisso), finalizo. Quando um colega seu é demitido e você fica assistindo, não passa a sensação de que o próximo “paredão” pode ser com você? Sentimento e dúvida relativa ao “quando chegará a minha vez?”.

Qual a solução nesse caso? Porque para o BBB basta desligar a TV ou mudar de canal. Mas na vida corporativa as coisas não são tão simples.

Pois então, o BBB, além de um ótimo negócio para a Rede Globo em merchandising, não tem também certa validade para análise do comportamento humano nas organizações?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

100% de engajamento.

Ontem terminaram os desfiles das escolas de samba. Todo ano é um renovado espírito criativo que envolve logística, cenografia, coreografia, samba enredo, ensaios e motivação permanente até os 55 minutos do desfile. Um ano de dedicação para um objetivo de apenas uma hora.

Ou seja, 364 dias se reinventando como organização para tentar um novo campeonato no ano que vem. Haja engajamento. Motivação. Haja colaboração e...comunicação! As escolas de samba sempre me fizeram pensar que é possível construir empresas onde a comunicação funcione de maneira sistêmica, ampla e onde as pessoas estejam 100% comprometidas com os objetivos. Plenamente integrados - ala por ala. Em sincronia com o ritmo. Em sintonia com o processo de preparação anterior ao desfile e com o próprio desfile.

Onde todos os colaboradores sabem qual a estratégia, o que devem fazer, como devem fazer e todos estão diretamente envolvidos no resultado. E isso é evidentemente um modelo de comunicação que funciona - porque flui, permanente como água: regando cada cantinho da escola.

Se aqueles 55 minutos de desfile sairem fora do planejamento e derem errado, todo mundo perde. Assim como a recíproca é verdadeira. Caso garantam qualidade, entrega, encantamento e inovação - bingo! A consagração é de todos - trabalhadores e comunidade. É um show de administração, não é? E de comunicação interna, lógico. Porque se essas equipes multidisciplinares não se entenderem ao longo do ano, adeus título.

O objetivo é entregar o melhor produto, embalado pelo melhor da comunicação estratégica - a música, as roupas, a dança e o entusiasmo das equipes de apoio e de linha de frente. Tendo a paixão de fazer bem feito, com feedback e reconhecimento imediatos do cliente (o aplauso caloroso das arquibancadas). É, de fato, há um grande exemplo nas escolas de samba para as empresas.

Então, nesse finalzinho de Carnaval fica a questão: empresas públicas ou privadas podem chegar nesse nível de comprometimento? Nesse nível de comunicação? O que podemos aprender com as escolas de samba? Uma coisa é certa: elas têm um valor inquestionável em suas alas e não em seus murais de parede (mal comparando com nossas organizações). O valor de um trabalho que tem significado e por isso é realizado com orgulho e alegria. Muita alegria.