segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Comunicação Interna como Ferramenta de Gestão - Curso na ABERJE SP

A comunicação interna nas organizações é ferramenta fundamental nos processos diários de trabalho, seja para o atingimento de metas e objetivos empresarias; nas mudanças culturais; na aproximação de lideranças e subordinados; na integração e na motivação das equipes; nos processos de aprendizado; de gestão do conhecimento e de colaboração entre diferentes times de trabalho com vistas à inovação e à criação de modelos de negócios sustentáveis. Além disso, a sistematização estratégica da comunicação interna é capaz de anular ruídos e falhas causados pela “rádio corredor”.

A proposta do curso é alinhar teoria e prática na comunicação interna tendo como objetivo capacitar os participantes a desenvolverem soluções de comunicação em suas rotinas de trabalho através de uma visão holística, integrada e integradora dos processos de trabalho e gestão.

Programa:

• As novas exigências do mundo dos negócios (globalização, diversidade cultural e sustentabilidade)
• O novo perfil do comunicador (técnico x multidisciplinar)
• O fim da comunicação interna tradicional (informação x comunicação x relacionamento)
• Cultura organizacional, missão, visão, valores – influências internas
• Alinhamento entre discurso e prática: confiança e credibilidade
• O papel das lideranças, dos gestores e a comunicação face a face
• Comunicação interna e a construção da imagem da marca - empregados como “embaixadores”
• O planejamento de comunicação – uma visão integrada (externo x interno)
• Veículos, periodicidade, segmentação de públicos, tom de voz, modelos
• Comunicação face a face, rádio corredor e “marketing interno”
• Temas sensíveis (acordos sindicais, acidentes, mortes, crises)

O curso está previsto para o dia 10 de fevereiro.

Convido você leitor(a) a saber mais, visitando o site da ABERJE: www.aberje.com.br

sábado, 23 de janeiro de 2010

Mídias sem amor, num amor sem escalas.

Usar a tecnologia para realizar demissões profiláticas e de baixo custo é apenas uma das fotografias que o inteligente e sensível "Amor sem Escalas" apresenta. Com o galã George Clooney no papel de um especialista em demissões, o filme também retrata o impacto da recessão econômica nas empresas dos EUA e a brutal redução de postos de trabalho.

Além de Clooney, a atriz Anna Kendrick (de "Crepúsculo") interpreta uma executiva novata alinhada ao melhor estilo "metas & resultados". Mas que acaba descobrindo que as relações humanas não cabem nos manuais de instrução ou nos fluxogramas elaborados em lap tops.

"Amor sem Escalas" é uma aula de RH e comunicação interna. Afinal, se não existe "almoço grátis" e o mercado muitas vezes parece um campo de batalha, é bom lembrar que os algozes de hoje poderão ser as vítimas do sistema de amanhã. E ética, transparência e respeito são valores que não saem de moda, seja em tempos de vacas gordas ou magrinhas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

COMUNICAÇÃO PARA UM PAÍS SUSTENTÁVEL?

Trabalhei no Pará durante um ano de minha vida e descobri um Brasil que eu não conhecia. Confesso: até acreditava que conhecia bem o país através dos livros e revistas que já havia lido. Mas, ledo engano. Visitar e vivenciar o espaço novo, não como visitante, turista – mas como morador local nos permite uma maior clareza a respeito de problemas, oportunidades e desafios existentes. O espaço amazônico, naquele estado, é de uma variada biodiversidade, uma cultura fascinante, com características sociais marcantes, dentro de uma história rica e, igualmente desconhecida pelo restante do país. Um estado aonde a economia vinha num ritmo de crescimento “chinês” (se considerarmos indicadores de antes da crise, iniciada no segundo semestre de 2008). Investimentos em mineração, siderurgia, fábrica de cimento, portos e no ciclo de produção do alumínio além de comércio de madeira e pecuária (estima-se hoje um rebanho 14 milhões de cabeças de bois, o dobro da população – segundo informações oficiais do Governo Estadual) puxavam um forte ritmo econômico, alimentados por uma demanda externa crescente.

Esse era a fotografia, de um pedaço do Brasil - terra de dimensões continentais e igual variedade de culturas, crenças, obras, jeitos, gostos, cheiros e sotaques. E avanços ou estagnação na economia. Assim como evolução ou retrocessos nas questões socioambientais. O Brasil é múltiplo – poderia ser não um, mas vários países, pois cada estado realmente parece uma nação diante de tantas diferenças, basta viajar e reconhecer que o Rio Grande do Sul é completamente diferente da Bahia, ou que o Pará é completamente diferente de São Paulo. Acredito que a língua portuguesa foi a costura que nos manteve unidos nesses 500 anos, mas isso é outra história.

Escrevo este post querendo buscar mais afinidades do que diferenças, mais soluções para um futuro comum do que fatos que podem nos colocar mais distantes uns dos outros. Diante dessa fotografia monumental que é o Brasil, com tamanha riqueza, o que o sul ou o norte sabem de si? E o que sabem um do outro, além dos preconceitos ou estereótipos? Pode a comunicação da sustentabilidade servir nesse contexto e aproximar encontros, inovações e soluções conjuntas? Como as empresas podem ajudar nisso, seja num estado ou no outro?

Vamos olhar as empresas que estão espalhadas pelo Brasil e escolher alguns exemplos que poderiam e deveriam ser estudados, divulgados e conhecidos além das fronteiras municipais ou estaduais, ou áreas imediatas de influência. Do Pará para o Paraná, cito o bom exemplo da Fundação O Boticário que, desde 1994, cuida e protege a Reserva Natural de Salto Morato, uma gigantesca área de Mata Atlântica nativa. O local recebe anualmente sete mil visitantes e já foi campo mais de mais de 50 pesquisas científicas (segundo informações do relatório anual da fundação). Além de Salto Morato, em abril de 2007, a mesma fundação comprou uma área onde vai implantar a Reserva Natural Serra do Tombador (GO) que protege mais de oito mil hectares de cerrado. Do Paraná ao Espírito Santo, outro exemplo seria a Reserva Natural Vale, em Linhares, que também cuida de uma imensa extensão de Mata Atlântica, dispondo de viveiro de mudas, coleções científicas, recreação e turismo.

Ou seja, independentemente do foco de seus negócios duas empresas possuem projetos que beneficiam o Brasil e o nosso futuro. Como podemos multiplicar este tipo de ação e facilitar outras empresas em outras regiões se beneficiem do conhecimento adquirido nesses projetos para que novas reservas possam surgir e manter-se com o merecido cuidado técnico-profissional de igual excelência encontrada em Salto Morato e em Linhares? Como os governos e as comunidades podem e devem conhecer iniciativas como estas e trabalhar em sintonia com a iniciativa privada em propostas similares ou projetos novos? A resposta: comunicação.

Outro exemplo. Desta vez bastante polêmico, envolvendo a indústria cimenteira que, em geral, independente da marca do cimento, tem em seu processo de produção uma liberação de CO2 absurdamente alta (mais alta até do que as emissões da indústria global de linhas aéreas). Programas de co-processamento de resíduos industriais, de origem vegetal e pneus (e também lixo urbano) substituindo o combustível fóssil na geração de energia para alimentar seus altos-fornos já são práticas utilizadas pela Lafarge e pela Votorantim Cimentos em diferentes fábricas existentes no país. Ou seja, mais uma oportunidade de troca de conhecimentos entre empresas de diferentes partes do Brasil, e diferentes áreas de atuação para buscar soluções conjuntas sobre mudanças climáticas, geração alternativa de energia, redução de emissões de CO2 e programas de co-processamento. Mas quem está sabendo de tantos projetos e possibilidades como estes uma vez que a comunicação da sustentabilidade seja de cada empresa ou da mídia em geral poucas vezes consegue costurar, conectar estes exemplos com outras iniciativas espalhadas pelo país? Uma interligação que daria uma dimensão maior e que poderia auxiliar muito o Brasil numa economia mais equilibrada entre a dimensão financeira, a justiça social e o respeito ao meio ambiente?

Mais um exemplo: relações comunitárias e a famosa “licença para operar”. O que um empreendimento como o super Porto de Açu, em São João da Barra (RJ) da EBX tem em comum com a Refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, em construção entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco? Muito! Imaginem a transformação socioeconômica e ambiental de regiões de pouca população, normalmente habituadas à pesca e à agricultura familiar de subsistência num espaço de tempo muito curto serem testemunhas de um abrupto crescimento econômico com a chegada de investimentos de alta tecnologia, aumento da população com exércitos de trabalhadores temporários de empreiteiras e a expectativa de um progresso, de um enriquecimento, de uma vida nova e próspera?

Imaginem o que é ser indenizado pelo preço estimado do metro quadrado da terra ao invés de ser indenizado pela quantidade de coqueiros ou de pés de acerola e a estimativa de quantos anos estas árvores dariam frutos e alimentariam uma família? Imaginem o que é não ter capacitação profissional para poder participar deste progresso porque nunca houve qualquer necessidade de progresso, pois a vida corria mansa à beira do mangue, pelas areias das praias e canaviais? Então, diante disso, eis aí questões de planejamento e de relacionamento (comunicação) que são verdadeiras aulas para outros projetos similares que já estão acontecendo em maior ou menor escala pelo Brasil ou que ainda virão a acontecer nos próximos anos. Como tornar o conhecimento adquirido na construção destes empreendimentos de forma a facilitar a vida das pessoas envolvidas e impactadas? De maneira a se produzir até uma educação para a sustentabilidade em níveis nacionais?

Sim. Parece que escrevo um texto com muito mais perguntas do que respostas, mas a reflexão é necessária e quanto mais pensarmos e discutirmos a respeito, melhor. Uma sociedade mais fraterna, unida e evoluída precisa conversar sobre temas aparentemente só econômicos, mas que na verdade se refletem com uma abrangência maior. E é nesse ponto que mais uma vez defendo o uso da comunicação como ferramenta de relacionamento, de troca de conhecimento, de administração e de educação. Para que posamos saber do que acontece, de como acontece, porque acontece e através de quem acontecem os bons e os maus exemplos. Sendo que eu prefiro ficar apenas com os bons exemplos, pois sou um otimista incorrigível – apesar dos pés no chão. E não seria com este olhar que deveríamos construir o caminho para um aprendizado “nacional” da sustentabilidade?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Quem tem prestígio?

As "Empresas de Maior Prestígio no Brasil" foram recentemente listadas pela Época Negócios e a equipe do Grupo Troiano de Branding. É apenas um ranking, pois existem outros - entre eles o da Carta Capital ("As Mais Admiradas do Brasil").

Como venho escrevendo sobre reputação, valor e confiança na marca, ao reler a edição me veio a questão: o ranking serve como termômetro pelo trabalho realizado e pelo reconhecimento - ou não - dos consumidores e demais stakeholders. O mais importante contudo, na minha visão, é o potencial dessa credibilidade para o futuro.

Explico. Todos os rankings remetem ao que já foi feito. Ao passado, portanto. Como o mercado compra expectativa, e crise não tem hora - que tal seria uma previsão das marcas de maior potencial para entrarem ou subirem de posição no ranking em 2010/2011? Ou de algumas com sinal amarelo - de queda no prestígio?

Para responder a estas questões basta conferir um dos itens de avaliação de prestígio das marcas avaliadas pela Época/Troiano: o compromisso social e ambiental.Leia-se "sustentabilidade". Atributo de valor que vai crescer aos olhos dos entrevistados nas futuras pesquisas e será fundamental para uma boa avaliação de marcas tradicionais, novatas ou que desejem começar a saber a quantas anda sua reputação e seu prestígio.

Afinal, como escreve o consultor Jaime Troiano, nessa mesma edição da revista Época Negócios: "Fama, reputação e prestígio têm um habitat natural: o espaço das percepções públicas, onde nada é garantido a priori".

Que o digam a COSAN, Tiger Woods e...quem mais? Você decide.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Reputação e sustentabilidade: rapadura é doce mas não é mole.

Nem bem havia postado o texto anterior e o mercado foi surpreendido pela notícia de que a COSAN, terceira maior produtora de açúcar do mundo, estava no Cadastro de Empregadores Acusados de Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho.

A notícia salgou a reputação da empresa. Produtora do açúcar União, suas ações caíram de valor, o Wal Mart informou que estava cancelando contratos e o BNDES suspendeu operações conjuntas. Ontem, o Ministro da Agricultura Reinhold Stephanes considerou um erro a inclusão da empresa na lista, mas o estrago já tinha acontecido e a reputação da marca perdeu boa parte do sabor.

Muito provavelmente os planos de comunicação serão todos revisados para que as outras marcas que a COSAN detém como Esso, Mobil e Da Barra não sejam atingidas pela crise. Recentemente, o ator Márcio Garcia estava numa campanha publicitária para divulgar o Etanol da Esso e ele, assim como outros stakeholders, não vai querer ter seu nome associado a uma empresa que pode estar descumprido a legislação trabalhista - seja diretamente ou via empresas terceirizadas que trabalham na cadeia produtiva.

Ou seja, quando o assunto é reputação e sustentabilidade a rapadura pode ser doce mas não é mole.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sua marca é um Tiger Woods?

Após revelações sobre um escândalo sexual, marcas poderosas como AT&T, Gatorade, Accenture e Gilete cancelaram seus contratos de patrocínio com Tiger Woods - o astro do golfe mundial.

Mais do que um campeão, Tiger Woods era um mito. Suas vitórias baseadas numa disciplina matemática e em movimentos precisos o elevaram a um patamar inédito no esporte. Mas não conseguiram preservar sua reputação.

Por causa das revelações bombásticas, prato cheio para sensacionalistas de plantão, milhões de dólares em patrocínios e verbas publicitárias foram retirados de campo. E segundo um estudo de Victor Stango,professor de economia da Universidade da Califórnia (EUA), os prejuízos giram em torno de 5 bilhões de dólares. Resultado: a imagem milionária do golfista foi para o buraco.

O nome Tiger Woods, antes percebido como sólido, sinônimo de inteligência, frieza e cálculo, revelou sua face humana, demasiadamente humana. Por trás do mito, o homem – com defeitos comuns aos mortais. E nesse desmanche da imagem construída com muito marketing e, claro, muitas vitórias, o escândalo foi uma tacada certeira na confiança. O preço a pagar é alto e vai demorar muito a subir. Se subir...

Portanto, a pergunta que não quer calar: e a sua marca? Qual a blindagem em reputação que ela tem para o caso de uma crise? Suas estratégias de marketing, sustentabilidade e relações públicas são pra valer? Ou, assim como Woods, elas têm dupla personalidade: uma em público e outra da porta de casa para dentro?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Avatar.

Fui ver Avatar de James Cameron. Recomendo para quem trabalha ou não com comunicação e relações comunitárias. Sério. É ficção científica, mistura filme, desenho animado e técnicas de 3D deslumbrantes. Seu enredo traz paralelos com questões super atuais de grandes corporações, da política internacional e do meio ambiente.

A história gira em torno da exploração de um mineral caríssimo num planeta chamado Pandora. De acordo com a mitologia grega Pandora significa "a que tudo dá", "a que possui tudo" e sua exuberante biodiversidade, não por acaso, lembra a floresta amazônica.

Os problemas começam porque a RDA - corporação interessada nas jazidas minerais daquele lugar não entende a cultura de seus habitantes, os Na´vi. A crise aumenta com a descoberta de uma grande jazida do tal mineral, exatamente debaixo de onde vive uma comunidade Na´vi que habita uma gigantesca árvore sagrada. A cultura Na´vi considera a floresta, seus seres vivos e a vida em Pandora como uma benção divina - onde nada existe em separado. Os Na´vi portanto seriam um excelente exemplo de sustentabilidade para os países presentes na COP 15.

O enredo é temperado ainda pelo romance entre o fuzileiro naval Jack Sully, preso a uma cadeira de rodas (detalhe politicamente correto nestes tempos de respeito à diversidade) e a bela Neytiri. Uma paixão que une duas culturas completamente diferentes e que recorda a versão Disney para o romance entre a índia Pocahontas e o capitão John Smith.

Para quem trabalha com comunicação, a presença do pragmático diretor da RDA em Pandora, Parker Selfridge, traz diálogos primorosos os quais remetem para a realidade corporativa de algumas organizações ainda insistentes em velhos métodos de relacionamento comunitário. Arrogantes, centrados em suas próprias verdades e objetivos, assistencialistas e de visão de curtíssimo prazo. Buscando soluções imediatistas ao invés de relacionamentos duradouros. Infelizmente, realidade de muita empresa pública ou privada que, diante de novos investimentos, chega a locais remotos trazendo o tal "crescimento" a qualquer custo. Geralmente resultando em problemas sociais gravíssimos.

A atuação de Stephen Lang como o Coronel Miles, chefe da segurança, é um destaque à parte. A conexão com a empresa norte-americana Blackwater de segurança privada, atualmente com operações no Iraque é imediata. Os métodos e a truculência militarista são lamentáveis e vergonhosos já na ficção (imaginem na realidade).

Avatar é o futuro do entretenimento digital e demorou mais de uma década para acontecer, numa estratégia de criação e execução que comprova o valor de um bom planejamento, acertando em cheio nas questões globais atuais e lotando as salas de exibição. Enfim, o filme vale a pena. A diversão é garantida, além de ser uma aula de cinema imperdível.