domingo, 3 de janeiro de 2010

Avatar.

Fui ver Avatar de James Cameron. Recomendo para quem trabalha ou não com comunicação e relações comunitárias. Sério. É ficção científica, mistura filme, desenho animado e técnicas de 3D deslumbrantes. Seu enredo traz paralelos com questões super atuais de grandes corporações, da política internacional e do meio ambiente.

A história gira em torno da exploração de um mineral caríssimo num planeta chamado Pandora. De acordo com a mitologia grega Pandora significa "a que tudo dá", "a que possui tudo" e sua exuberante biodiversidade, não por acaso, lembra a floresta amazônica.

Os problemas começam porque a RDA - corporação interessada nas jazidas minerais daquele lugar não entende a cultura de seus habitantes, os Na´vi. A crise aumenta com a descoberta de uma grande jazida do tal mineral, exatamente debaixo de onde vive uma comunidade Na´vi que habita uma gigantesca árvore sagrada. A cultura Na´vi considera a floresta, seus seres vivos e a vida em Pandora como uma benção divina - onde nada existe em separado. Os Na´vi portanto seriam um excelente exemplo de sustentabilidade para os países presentes na COP 15.

O enredo é temperado ainda pelo romance entre o fuzileiro naval Jack Sully, preso a uma cadeira de rodas (detalhe politicamente correto nestes tempos de respeito à diversidade) e a bela Neytiri. Uma paixão que une duas culturas completamente diferentes e que recorda a versão Disney para o romance entre a índia Pocahontas e o capitão John Smith.

Para quem trabalha com comunicação, a presença do pragmático diretor da RDA em Pandora, Parker Selfridge, traz diálogos primorosos os quais remetem para a realidade corporativa de algumas organizações ainda insistentes em velhos métodos de relacionamento comunitário. Arrogantes, centrados em suas próprias verdades e objetivos, assistencialistas e de visão de curtíssimo prazo. Buscando soluções imediatistas ao invés de relacionamentos duradouros. Infelizmente, realidade de muita empresa pública ou privada que, diante de novos investimentos, chega a locais remotos trazendo o tal "crescimento" a qualquer custo. Geralmente resultando em problemas sociais gravíssimos.

A atuação de Stephen Lang como o Coronel Miles, chefe da segurança, é um destaque à parte. A conexão com a empresa norte-americana Blackwater de segurança privada, atualmente com operações no Iraque é imediata. Os métodos e a truculência militarista são lamentáveis e vergonhosos já na ficção (imaginem na realidade).

Avatar é o futuro do entretenimento digital e demorou mais de uma década para acontecer, numa estratégia de criação e execução que comprova o valor de um bom planejamento, acertando em cheio nas questões globais atuais e lotando as salas de exibição. Enfim, o filme vale a pena. A diversão é garantida, além de ser uma aula de cinema imperdível.

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