quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O que o BBB pode ensinar sobre a “rádio corredor”?

Confesso. Vejo o BBB 10 para desespero dos intelectuais de plantão e dos críticos da mediocridade na TV. Análises sociológicas à parte, deixem-me explicar.

Sentia-me culpado e precisava escrever sobre isso. Confessar minha audiência. Daí, de repente, caiu a ficha: o BBB é a cara de muitas organizações. Aliás, é a voz dos corredores. Com suas fofocas, bastidores, maledicências sobre “o líder” e sobre colegas de trabalho de outras áreas. Picuinhas e egotrips. Tudo por um prêmio final inacessível ou mesmo fugaz para a maioria: reconhecimento, fama e dinheiro, claro!

Neste show de entretenimento, milhões de votantes dos paredões "demitem" quem não está em sintonia com o grupo ou com o cliente (neste caso, os próprios telespectadores com poder de voto e de audiência). Milhões de telespectadores acompanham os candidatos ao prêmio e se identificam com seus estereótipos e os discursos dos engaiolados - que buscam sua PLR: um milhão e meio de reais.

E neste circo sensacionalista que engaiola gente durante alguns meses e faz do voyeurismo o prazer de fim de noite, todos perdem. O ambiente na casa consagra a desconfiança. Consagra o conflito, o baile de máscaras e a mentira. Tudo o que uma empresa não precisa. Mas, empresas são feitas de gente e gente faz fofoca... Igualzinho no BBB.

Portanto, sem tentar uma análise sociológica profunda (não tenho pretensão nenhuma nisso), finalizo. Quando um colega seu é demitido e você fica assistindo, não passa a sensação de que o próximo “paredão” pode ser com você? Sentimento e dúvida relativa ao “quando chegará a minha vez?”.

Qual a solução nesse caso? Porque para o BBB basta desligar a TV ou mudar de canal. Mas na vida corporativa as coisas não são tão simples.

Pois então, o BBB, além de um ótimo negócio para a Rede Globo em merchandising, não tem também certa validade para análise do comportamento humano nas organizações?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

100% de engajamento.

Ontem terminaram os desfiles das escolas de samba. Todo ano é um renovado espírito criativo que envolve logística, cenografia, coreografia, samba enredo, ensaios e motivação permanente até os 55 minutos do desfile. Um ano de dedicação para um objetivo de apenas uma hora.

Ou seja, 364 dias se reinventando como organização para tentar um novo campeonato no ano que vem. Haja engajamento. Motivação. Haja colaboração e...comunicação! As escolas de samba sempre me fizeram pensar que é possível construir empresas onde a comunicação funcione de maneira sistêmica, ampla e onde as pessoas estejam 100% comprometidas com os objetivos. Plenamente integrados - ala por ala. Em sincronia com o ritmo. Em sintonia com o processo de preparação anterior ao desfile e com o próprio desfile.

Onde todos os colaboradores sabem qual a estratégia, o que devem fazer, como devem fazer e todos estão diretamente envolvidos no resultado. E isso é evidentemente um modelo de comunicação que funciona - porque flui, permanente como água: regando cada cantinho da escola.

Se aqueles 55 minutos de desfile sairem fora do planejamento e derem errado, todo mundo perde. Assim como a recíproca é verdadeira. Caso garantam qualidade, entrega, encantamento e inovação - bingo! A consagração é de todos - trabalhadores e comunidade. É um show de administração, não é? E de comunicação interna, lógico. Porque se essas equipes multidisciplinares não se entenderem ao longo do ano, adeus título.

O objetivo é entregar o melhor produto, embalado pelo melhor da comunicação estratégica - a música, as roupas, a dança e o entusiasmo das equipes de apoio e de linha de frente. Tendo a paixão de fazer bem feito, com feedback e reconhecimento imediatos do cliente (o aplauso caloroso das arquibancadas). É, de fato, há um grande exemplo nas escolas de samba para as empresas.

Então, nesse finalzinho de Carnaval fica a questão: empresas públicas ou privadas podem chegar nesse nível de comprometimento? Nesse nível de comunicação? O que podemos aprender com as escolas de samba? Uma coisa é certa: elas têm um valor inquestionável em suas alas e não em seus murais de parede (mal comparando com nossas organizações). O valor de um trabalho que tem significado e por isso é realizado com orgulho e alegria. Muita alegria.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Guia de Comunicação e Sustentabilidade.

Acabei de ver o Guia de Comunicação e Sustentabilidade publicado pelo CEBDS - Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, um documento inédito no Brasil.

A publicação é uma resposta às demandas descobertas pela pesquisa de opinião realizada junto aos associados do CEBDS. O documento é uma excelente ferramenta para melhorar os processos de comunicação da sustentabilidade nas organizações.

Em seu conteúdo, entre outras questões, o texto revela que o CEBDS se inspirou no Triple Bottom Line e "inovou sugerindo a reflexão das "Três Dimensões da Comunicação da Sustentabilidade", que são: a Informação, a Mudança e o Processo". Dimensões que permitem evoluir da comunicação DA sustentabilidade para a comunicação PARA a sustentabilidade.

Deixo aqui meus parabéns à coordenação do projeto feita por Flávia Ribeiro e Pablo Barros, além de todos os outros envolvidos na elaboração. Além é claro, da equipe do CEBDS.

Veja mais, acessando: www.cebds.org.br

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Essa tal comunicação...

A comunicação aproxima as pessoas e as pessoas movimentam o mundo. Ela transforma sonhos em visão de futuro, constrói pontes entre os que se achavam distantes e caminhos novos aos que não encontravam saídas.

Através da comunicação, homens, empresas e países podem realizar promessas e extinguir ameaças. Podem trazer maior confiança aos relacionamentos. Podem descobrir semelhanças onde havia apenas diferenças. Podem descobrir que a verdade está no todo e não apenas numa parte.

Se as empresas são as pessoas que nelas trabalham, a comunicação é o combustível que move as pessoas. Combustível da colaboração, integração, inovação. Da educação. Da concretização dos valores representados pela marca. Vivência plena de seus significados culturais.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Planejar a comunicação.

O Brasil não tem cultura de planejamento de longo prazo. Seja por causa da política e dos políticos – que pensam no máximo em espaços de quatro anos de acordo com as eleições, ou devido ao histórico de inflação galopante e economia imprevisível, que só começou a mudar com o Plano Real.

Essa realidade afetou modelos mentais e mesmo atualmente, com a estabilidade econômica, o planejamento estratégico ainda não é facilmente encontrado. Talvez a influência e a pressão dos acionistas por resultados cada vez maiores e de curto prazo seja a causa dessa falta de tempo para pensar no plano de ação.

Basta ver como o orçamento é feito em muitas áreas da empresa e também na comunicação: estabelece-se verba para tarefas que ainda não foram planejadas com a devida atenção. E assim, a pergunta que devemos fazer é se na construção da reputação, da imagem da marca e de uma cultura organizacional integral pode ser possível trabalhar sem um plano?

Planejamento implica em educar, ter disciplina e freqüência, ousar e transformar. Porque comunicação - para alcançar resultados, precisa de um direcionador bem estruturado, alinhado com a estratégia do negócio e a visão de longo prazo. Capaz de prever cenários e até de adiantar possíveis crises - bem como soluções.

Mesmo porque o comunicador empresarial não pode continuar como um “apagador de incêndios”, um “tarefeiro”. Se comunicação demanda agilidade, corre corre sem rumo estratégico e visão sistêmica não tem valor. Um bom planejamento é capaz de evitar gastos em duplicidade, trabalho dobrado, erros e desencontros. É capaz de traçar um “mapa do caminho” onde cada ator corporativo, seja do RH, do financeiro, do marketing ou da área de responsabilidade social saiba qual seu papel na construção do valor da marca da empresa.

Onde cada um perceba que talvez uma centena de banners, milhares de folhetos ou mesmo um grande anúncio podem não funcionar porque a solução – compreendida durante o processo de elaboração do planejamento, poderia ter sido outra. Mais focada, segmentada, específica e até educacional. Poderia ter sido um programa de reconhecimento ao invés de um churrasco no clube dos funcionários, poderia ter sido uma palavra do presidente ao invés de uma edição extra do jornal. Poderia ter sido uma experiência de aprendizado ao invés da publicação de um relatório caríssimo e que ficou dentro da gaveta.

Afinal, quantas vezes não vemos problemas de gestão serem confundidos com problemas de comunicação?