quarta-feira, 10 de março de 2010

Atropelada.

Hoje a acabei de ver uma pessoa ser atropelada. Um ônibus abriu a porta no meio da avenida (fora do ponto) e um passageiro apressado correu pra fora: uma motocicleta cortando o trânsito pela direita, em alta velocidade, pegou de frente o passageiro.

Me lembrei imediatamente de uma de minhas alunas no curso da ABERJE, destacando uma de minhas frases ditas em sala:"Atrás da nossa máscara corporativa tem uma pessoa. E para mim as empresas e consequentemente as pessoas estão esquecendo do que somos = SERES HUMANOS." E que tem muito a ver com esse episódio.

Eu acredito que nós estamos esquecendo de quem somos. Estamos esquecendo de nós mesmos e por consequência, dos outros. Não só no local do trabalho, mas no convívio social. Como se conectados numa tomada, por um botão de liga & desliga, vamos em "piloto automático". E no fazer ultra-veloz do dia a dia, "estamos" robôs teleguiados em busca de um resultado, de uma meta sempre mais distante.

Sim, eu sei que temos que pagar contas no final do mês mas precisamos resgatar a consciência dos atos. Consciência do momento - do estar presente. A consciência da palavra na hora da conversa e do saber escutar o outro. No respeito à nós mesmos, no respeito ao outro. Respeito à vida.

Muito do que foi a cena do atropelamento tem essa mensagem (pelo menos na minha interpretação). O motorista estava no automático de "largar" passageiro e chegar no ponto final - provavelmente para mais uma corrida contra o relógio. O passageiro já estava "com pressa" de chegar no escritório e dar conta do serviço. O motoqueiro já estava a mil por hora para fazer alguma entrega ou também chegar "antes"...e todos estavam robotizados. Insconscientes do viver. Inconscientes do valor de viver.

Ser testemunha desse acidente me fez muito mal. Telefonei para o 190 e o resgate. Alguém já tinha feito isso e o socorro chegou bastante rápido (para mim). Talvez nem tanto para o ferido. Mas funcionou: os bombeiros me pareciam presentes - no primeiro contato a voz foi bastante humana para com o rapaz caído no chão. "Calma, você vai ficar bom. Estamos aqui com você para ajudar" - palavras valiosas para um momento difícil.

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