quinta-feira, 25 de março de 2010

Conversa livre.

Ontem tive o prazer de uma conversa com Théo Drummond, um dos sócios da Agência 3 e escritor, com vários livros publicados entre poesias e contos e o diretor de cinema Roberto Farias. Jantamos no Policarpo, restaurante que fica ali no Largo dos Leões, no Rio de Janeiro. Roberto Farias pretende levar para as telas de cinema um texto inédito de Théo Drummond, uma história sobre pequenas asas que vão nascendo nas costas de um homem e aí...bom, vamos tocer para que o filme aconteça para podermos ver, não é?

No jantar, pude escutar (e aprender) mais sobre a história do cinema nacional e também sobre a propaganda. Uma aula de comunicação. Uma conversa livre com direito à pontos de vista divergentes, mas inteligentes e bem-humorados.

Ao final do encontro, uma análise bastante lúcida da crescente tendência de cerceamento da liberdade de expressão. O que não é uma boa notícia aqui na nossa (ainda) República Federativa do Brasil.

Opinião minha, agora: a imprensa está na berlinda. A publicidade idem. Tem gente munida de ideologias partidárias que já descobriu os culpados pelas notícias ruins: os jornalistas. E que também já descobriu os culpados por diversos outros males da sociedade: os publicitários. Colocando tudo junto num mesmo balaio de gatos e dando o rótulo de "mídia" com o acréscimo do adjetivo "grande", pronto! O inimigo de um Brasil maravilhoso que aí está, com educação de qualidade, saúde em níveis escandinavos, níveis de corrupção praticamente inexistentes e um primor de cumprimento da Constituição chama-se "Grande Mídia".

Cômico, se não fosse trágico de fato. Afinal, sabemos que idéias divergentes e opiniões contrárias nunca foram aceitas pelos poderosos de plantão. Mas imprensa é isso - como já escreveu o genial Millor Fernandes: "Oposição, porque o resto é armazém de secos e molhados". Eis aí o conflito natural e a vontade de "controle" e de censura.Imaginem se o Governado Arruda tivesse controle sobre a mídia? A gente nem ia saber do dinheirão dos panetones, não é? Imaginem, se esse controle já existisse em 2005 e ficássemos sem saber das maracutaias dos mensaleiros Dirceu, Jefferson, Marinho, Delúbio, Palocci e outros "Irmãos Metralhas'.

Quem sabe eu não esteja errado e deveríamos realmente ter apenas uma fonte oficial de notícias, ahn, digamos como o maior jornal em circulção de Cuba (o único permitido também) chamado Granma e editado pelo estado. E que traz sempre a palavra do grande guia Fidel Castro e louvações ao grande herói Che Guevara. Mostrando o paraíso na terra que é provido por este espetacular sistema de governo: onde todo mundo pode opinar e divergir, ter total liberdade de expressão e nem precisa fazer greve de fome para chamar atenção do mundo.

Bom, vamos ficar "atentos e fortes" como dizia música cantada pela Gal Costa. Liberdade é uma coisa muito complicada para o ser-humano e tem gente que acha melhor tutela, comando, dirigismo, ordem unida e "pensamento único".

E você?

Um comentário:

Anônimo disse...

Miriam Leitão escreveu na sua coluna no O Globo em 27 de março:"O governo investiu muito em ampliar a imprensa oficial.Deveria ficar contente com ela porque a versão oficial dos fatos esta tendo ampla divulgação. Por alguma razão isso não o satisfaz e quer esse mesmo enfoque nos orgãos de comunicação não governamentais"