quarta-feira, 3 de março de 2010

Loura Devassa sai de cena.

Apesar da campanha publicitária da Cerveja Devassa (leia-se Grupo Schincariol) já ter rodado o Brasil inteiro durante os festejos momescos, somente agora saiu do ar o comercial de tevê que deu origem aos processos no CONAR.

Quero dizer que sou contra as ações em curso para retirar de circulação a campanha. Primeiro, porque estão fora do tempo e do espaço, pois toda a estratégia criada pelas agências Mood e ID/TBWA já colocou o bloco (digo Paris Hilton) na rua (digo, na janela) e embalou revistas, canais de tevê, pontos de venda e, claro, o próprio sambódromo. Além disso, já ganharam nova versão com tarja preta de censura sobre a logo da marca – numa resposta irônica aos processos em curso.

Segundo, porque a ação já deixou um rastro excepcional de comentários pelas redes sociais do Twitter, além de milhares de acessos ao filme disponível no Youtube. Ou seja, saindo do ar agora, menos mal para a cervejaria. A propaganda já cumpriu seu papel. E deu muito que falar – e continua criando polêmica, o que para uma marca denominada “devassa” é ótimo, não é?

Terceiro: essa discussão sobre sexismo, apelo à sensualidade etc. etc. me parece uma tremenda hipocrisia. Posso estar enganado, mas num país onde o próprio Presidente da República fala em evento público sobre o “Ponto G” – fazendo comentários risíveis (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u90170.shtml) e onde dezenas de comerciais de cerveja e bebidas alcoólicas usam a imagem e o corpo da mulher (e do homem) para chamar atenção, porque só a Devassa da Paris Hilton não pode circular livremente?

Brincadeiras à parte, este assunto é sério. No meu entender a questão deveria abranger uma discussão maior. Sobre a quantidade de álcool (que é uma droga - lícita) consumido no Brasil, por exemplo. Ou a inexplicável e permanente tragédia no trânsito nacional causada pelo uso abusivo do álcool. Estas sim, situações preocupantes e graves que acabam por colocar em xeque toda forma de propaganda de bebidas existente.

Portanto, haja debate nesse sentido – já que muita gente insiste em beber além da conta e dirigir, mesmo sabendo dos riscos.

E para encerrar toda essa conversa – ou não...Se formos pensar em matéria de sensualidade escancarada, que tal irmos até a praia mais próxima? E lá, na vida real, diante de milhares de homens e mulheres seminus, dividindo um espaço microscópico na areia, sob sol ardente e afrodisíaco, poderemos nos perguntar de verdade: será que um comercial (uma peça de ficção publicitária) tem mais apelo à sensualidade do que a própria realidade nacional?

O que você pensa a respeito?

4 comentários:

Anônimo disse...

Daqui a pouco vão proibir o Carnaval... Rs.
Esse país já começou com o encontro dos portugueses chegando em navios cheios de escorbuto e sem tomar banho há meses com índias correndo nuas pelas praias.

Alessandro

Ocappuccino.com disse...

Me parece que volta e meio o CONAR (o pinóquio que não deixa nenhuma propaganda mentir) quer aparecer mais que os anunciantes. Ano passado foi a vovó das Havaianas e hoje é a Devassa da Paris Hilton. Que grupo feminista é este que ao invés de estimular a sensualidade feminina sempre arruma uma forma de boicotar/censurar?

Se continuar assim, estes grupos irão querer ir na praia citada no post para proibir o uso de biquini fio dental.

Acho tudo isso muito chato. Empresas que investem muita grana em imagem, em reposicionamento, fortalecendo todo este mercado de comunicação, são constantemente alvo dessas proibições.

MATEUS

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Pois é amigos, imaginem. Será uma caça às bruxas? Rsrsrsrs.
E vejam que não é só no Brasil, hoje no G1 a manchete:"Banner com garçonete de biquíni provoca polêmica nos EUA" também me chamou a atenção. E olha que os biquinis deles não são como os nossos. Mas fica aí a abertura para conversarmos a respeito: pontos de vista variados enriquecem a cultura. Abraços,
Gaulia

Henrique Paulatti disse...

Gaulia, há de se falar também que, claro, as empresas contemplam a possível retirada das suas campanhas do ar em sua estratégia justamente para causar esse buzz marketing e, assim, fazer a marca repercutir espontâneamente. Como diz o outro "nada é por acaso". abs