segunda-feira, 12 de abril de 2010

Conversa de sindicato.

Quer um exemplo de eficiência na comunicação? Escute a conversa e leia os boletins dos sindicatos. Separe os panfletários - aqueles excessivamente politizados e repare principalmente na linguagem dos informativos sindicais. Quem já passou por uma negociação de acordo coletivo sabe que, geralmente, a empresa sai da mesa de negociação e demora para emitir seu informativo interno, sua versão "oficial" do processo de negociação. Enquanto isso, o sindicato já foi para a porta da fábrica, da usina, da mina, do escritório e com carro de som passou toda sua versão sobre a reunião do acordo coletivo. Além disso, o sindicato também sabe repassar um informativo quase que instantâneo, com texto simples e direto. Ou seja, eficiência e agilidade para comunicar-se com seu público-alvo.

E a empresa? Perdida num mar de burocracia e aprovações de texto, quando solta seu boletim já é tarde e a massa de empregados já tem uma idéia do que está acontecendo: através da comunicação do sindicato! E o texto do informativo da empresa? Na maioria das vezes é super complicado, cheio de termos difíceis (inseridos por conta dos advogados) e que acabam por comprometer a eficiência e a clareza da mensagem. Em comparação, o texto do sindicato é objetivo, rápido, claro, fácil e na linguagem que aproxima, que convoca os empregados a apoiarem suas ações ao invés de apoiarem a empresa onde trabalham.

Apesar de ser assunto sensível para um comunicador interno (muitas empresas nem podem ouvir falar em sindicato) é preciso mostrar como a conversa do sindicato é eficiente. Os sindicatos dão aula de comunicação...

Hoje, entretanto, aqui na cidade do Rio de Janeiro, há uma greve de motoristas de ônibus. Nem bem a cidade saiu de uma tragédia causada pela chuva e surge essa greve, pegando de surpresa uns três milhões de trabalhadores fluminenses e cariocas. Ou seja, erro completo de estratégia de comunicação: a causa pode ser justa mas o timming da ação é completamente indecente.

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