terça-feira, 4 de maio de 2010

Acreditar para ver.

"Se a analogia é mecânica, a lógica é funcional" disse o professor José Carlos Rodrigues, Doutor em antropologia na aula de hoje, no mestrado da PUC. Minha ficha caiu na hora.

Empresas que tem na sua linguagem uma busca constante pela funcionalidade, traduzida por perguntas como "para que serve isso?" ou "qual a função disso?" acabam transformando-se em locais onde os significados não tem importância. O que tem importância é a função. O que tem valor é a utilidade, geralmente imediata. Porque o resultado de hoje já não vale nada amanhã.

E dentro desse formato, a comunicação, caso exista (sempre existe uma comunicação é bom lembrar, oficial ou não) é um reflexo do jeito de pensar e de agir da organização. Basta observar os termos comuns nas reuniões, nos murais, no discurso ou nos sites: "Vamos alavancar nossa gestão?", "Temos uma engenharia de pessoas...", "Vamos construir um sistema de recursos humanos mais produtivo!" ou ainda..."Nossa máquina ainda não atingiu todo o potencial humano." são alguns exemplos existentes por aí.

Outros exemplos, visuais, podem ser reunidos através dos relatórios anuais e de sustentabilidade publicados e que trazem apenas fotografias de máquinas e equipamentos. De chaminés, instalações e ativos físicos - tudo sem qualquer sinal da presença humana.

E a conclusão fica por conta da lógica válida nestas organizações: mecanicista, cartesiana, baseada em comando e controle, tempos e movimentos. Num cumprir de horas trabalhadas que servem para atestar o custo benefício do salários pagos. Sempre em termos de quantidades. Ganhas ou perdidas.

Para mim, o que vale mesmo é o significado: qual a importância do que você faz para o seu sentido de realização? Para você chegar em casa satisfeito consigo mesmo? Como profissional e como pessoa -duas dimensões inseparáveis. Esse é o "pulo do gato" ou melhor, o salto evolutivo de organizações humanizadas capazes de convocar as pessoas comuns a fazerem coisas extraordinárias.

Mesmo que na rotina dos dias, pois cada novo dia pode revelar uma centelha divina. É acreditar pra ver. Ahn, e não duvide: existem lugares assim para se trabalhar!

3 comentários:

Tatiana Maia Lins disse...

Oi Gaulia!
Concordo com o significado do que vc escreveu, mas não necessariamente com a relação entre o se perguntar "pra que serve" e o falatismo mecânico. Eu vivo me perguntando "pra que serve?", "qual a função?" "por que se fez assim?" exatamente para entender, contextualizar e buscar significado amplo, de longo prazo e até, por que não, em busca de inovação. Beijão e boa semana!

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Olá, Tatiana.
Que bom ler seu comentário.Saber fazer as perguntas corretas é meio caminho para a solução que a gente busca. O uso das palavras traz significados que muitas vezes nem percebemos...abraço.
Gaulia.

Fabiano Barreto disse...

Grata surpresa encontrar alguém que se ampare no riquíssimo cabedal da antropologia para examinar essas relações. Em se tratando de ambientes corporativos tão impregnados por análises psicologizantes esse tipo de avaliação merece sempre destaque.

Um abraço!