terça-feira, 11 de maio de 2010

Chamas da crise.


Quando a arrogância se casa com a crença desenfrada na tecnologia, a dobradinha pode resultar na fórmula da catástrofe. Em 1986, ainda na União Soviética, a explosão de um dos reatores da usina de Chernobyl produziu o maior acidente nuclear da história do planeta. Seus efeitos são sentidos até hoje: na região próxima da usina (hoje completamente "lacrada") uma grande incidência de anomalias genéticas continua ocorrendo.

Parece que a mesma soma aconteceu, agora, no Golfo do México. O vazamento e a explosão de uma plataforma de perfuração semi-submersível operada pela Transocean e alugada pela gigante BP transformou-se no maior desastre desse tipo na indústria mundial do petróleo.

Como a tecnologia disponível é sempre "a melhor possível" e questionamentos sobre a possibilidade de acidentes não combinam com a busca incessante de metas e objetivos - cada vez mais ambiciosos, fico aqui imaginando: quem vai ser responsável por isso no final das contas? Porque muito provavelmente os arrogantes de ontem, que ditavam ordens do alto de seus escritórios, estão perdendo muitos cabelos (e vários milhões de dólares) diante do monumental desastre. E dando entrevistas de maneira bastante humilde. Agora, a conversa e o relacionamento próximo e mais humanizado está valendo ouro.
E o que podemos perceber com o caso enquanto a tragédia ainda não está sob controle?

A BP tem no seu site uma área inteira dedicada ao caso - as fotos são bastante boas (todas dão a sensação de "limpeza" e organização - nota dez pra equipe de comunicação). Já no site da Transocean a nota sobre o acidente é mínima. Parece que querem passar a idéia de que é coisa corriqueira (lamentável).

Volto ao site da BP: dentro das possibilidades, as atitudes estão bem esclarecidas e explicadas. Não ocorreu qualquer demora na tomada de decisões e de mobilização da empresa. Há dados e fotos disponíveis. Releases permanentes também estão sendo publicados e liberados. Há um amplo plano de ação emergencial para "mitigar impactos ambientais" na região. As equipes de campo trabalham sem parar...

Já na Transocean (talvez por acordo com a BP) falta informação. Parece que não querem chamar a atenção para sua marca: deixam que a marca da BP (com uma imagem muito mais conhecida e valiosa) fique com o ônus do desastre. Confesso que não sei os termos do acordo operacional entre as duas empresas - talvez nem haja.

Mas o pior de tudo: foram onze empregados mortos na explosão e no incêndio. Se uma plataforma nova em folha vai poder ocupar o lugar da que afundou e equipamentos novos chegarão do estoque...as vidas humanas não. Elas não tem preço. Foram-se para sempre...
A foto acima - enviada por um amigo meu, revela a dimensão brutal do acidente.

Vejam mais, acessando:



The Progress Report - http://pr.thinkprogress.org/

World Nuclear Association - http://www.world-nuclear.org/


Um comentário:

Anônimo disse...

Além da Transocean, temos ainda a Halliburton. Custo do desastre para a BP até o momento segundo o jornal O Globo: US$ 440 milhões!

E até hoje o vazamento ainda não parou.