domingo, 27 de fevereiro de 2011

O marketing da experiência...acabou num engarrafamento.

Fiat Palio Adventure, Nissan Livina Gear, Cross Fox, Citroen Air Cross, Renault Sandero Stepway e Doblò Adventure. As marcas de automóveis aderiram ao espírito aventureiro para convocar motoristas/consumidores ávidos por uma sensação off road. É o marketing da experiência que estimula compras e a realização de desejos, através de uma atividade envolvente e marcante. No caso desses automóveis, a experiência já começa pelo visual e pelos nomes bastante sugestivos. O que conta é poder dirigir um carro desses e sentir-se um desbravador, um piloto de rally, um easy rider. Um homem livre.

A verdade é que muitos desses automóveis não aguentariam uma aventura fora de estrada, pra valer. Mas o mais engraçado de tudo isso é que, na maioria dos casos, os consumidores que aderirem a estes apelos acabarão ficando presos em engarrafamentos urbanos, muito longe de qualquer espírito aventureiro que a marca incentiva com seus nomes fora de série. Aliás, as grandes cidades brasileiras estão bastante parecidas no quesito "quilômetros de trânsito parado", não é? Mas, e daí? O que vale é a experiência de pilotar um carro com "espírito aventureiro", com um chamado pela liberdade, com caminhos abertos entre florestas, pântanos e montanhas - mesmo que seja somente no nível do imaginário, da fantasia.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Envolvimento responsável?

Será que "des-envolver" é o caminho para a sustentabilidade? Não faria mais sentido "envolver" cada vez mais as pessoas na construção da tal sustentabilidade? Se não me engano, o Prf. Evandro Ouriques já tinha escrito sobre isso em um de seus artigos. Estou apenas complementando a ideia. Acredito que palavras mais simples possam transmitir uma força maior de convocação e participação. Por isso, não simpatizo muito com o termo do "des-envolvimento". Prefiro pensar em termos de um envolvimento responsável. Mais fácil até para leigo entender.

Uma combinação que se traduz em atitude cuidadosa, atenciosa para com nossas relações em todos os sentidos. Nas dimensões ambientais, sociais e econômicas - pilares do "tripple bottom line" e ainda nas dimensões culturais, emocionais (afetos) e espirituais (não religiosas, ok?). Fui longe?Pura provocação, pura convocação. O mundo atual demanda essa visão integral da vida. Portanto, para começar, proponho: que o envolvimento responsável entre em pauta, bem como a integralidade da nossa atenção. Todos cuidando de todos e de tudo, sem sobrar ou fragmentar nada. Com prioridades sim, mas sem deixar gente excluída, resíduos industrais poluentes ou lucros de curto prazo comprometer o nosso futuro comum.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Síndrome de Jardineiro de Cemitério.

Uma das piores práticas que existem nas organizações é a luta por espaço no organograma. Ao invés de foco na missão da empresa, integração e sinergia, a disputa pelo poder, para saber quem manda mais. Alguém já viu isso acontecer? Eu já.

Recentemente, conversando com uma ex-gerente de uma indústria, há poucas semanas demitida após "sobrar" no organograma, percebi mais uma vez a questão. É a Síndrome de Jardineiro de Cemitério (*) - aquele que tem uma monte de gente debaixo dele. Gente morta, é verdade. Equipes inteiras sem qualquer entusiasmo para cumprir metas, acreditar em desafios, trabalhar com um mínimo de motivação. Gente amedrontada por uma disputa de egos e poder entre os líderes.

Como a comunicação pode atuar nessa questão? Difícil resposta. Tudo vai depender de cada caso e, claro, da cabeça da liderança. Se essa situação acontece, a tendência natural do ser-humano é calar-se, ficar na defensiva. Tornar-se um profissional com "cara de abóbora": que luta para ficar numa caixinha do organograma enquanto "o pulso ainda pulsa" e o pagamento cai na conta.

Mas atenção! As mudanças também podem ser rápidas nesses cenário de crematório de valores. Demitir dois ou três gestores viciados, explicando para a organização o porquê da demissão é o remédio, o elixir eficaz para ressucitar os talentos enterrados nas covas da empresa, digo, baias. Há esperança, podem apostar (ou acender velas, rsrsrs).

(*) Tomei conhecimento dessa síndorme através de um texto do consultor Enilson Espínola Sales, da Sales 7 Consultoria.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Stress Digital 2.

"Às vezes precisamos arrancar um Blackberry das mãos de um cliente à força para impedir que eles entrem com ele em um tomógrafo" - diz o diretor médico de uma clínica que faz exames preventivos de saúde para executivos, segundo matéria publicada no jornal Valor Econômico, de 24 de fevereiro passado.

O que será isso? Mais um sinal de que a pressão por resultados é cada vez maior no mundo corporativo e, por consequência, o stress digital sobre o qual escrevi no último post, tem potencial danoso crescente à saúde e ao bem estar dos profissionais. Ou seja, uma cultura empresarial baseada simplesmente num modelo quantitativo, em detrimento de um sistema qualitativo de mensuração de resultados, encontra o parceiro ideal na tecnologia. Como dar conta das demandas de trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana, é uma questão bastante complicada.

Vale uma pausa para reflexão. Nada contra a tecnologia - mas a criatura não pode escravizar o criador.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Stress digital?

Sabe da última novidade? Já ficou velha. Smartphones conectados à web, gadgets variados pulsando eletronicamente, notícias em tempo real. Velocidade, excesso e estímulos constantes, noite e dia. Dentro ou fora das empresas estamos vivendo um momento que considero ser de acentuado stress digital. Sei que o stress pode ser um incentivo para uma maior eficiência e rapidez de resposta, mas qual o limite suportável?

Mauro Segura, do blog A Quinta Onda, escreveu a esse respeito e a sua consequência imediata: "O espaço mental para a reflexão diminuiu consideravelmente. Eu mesmo recebo mais de 200 emails por dia." Ou seja: quem dá conta de tamanha avalanche de informação? Sei que esta discussão não é nova - mas pelas minhas observações, o nível de stress digital esta causando um déficit de atenção. Muitos profissionais reclamam, não só na área de comunicação, de que chegam ou saem do escritório fora do expediente normal somente para responder aos e-mails. Outros, utilizam os finais de semana para isso - já que estão com "tempo sobrando no domingo" (como me falou outro executivo).

Uma coisa é certa: esta não é a forma mais saudável para trabalhar. Nem deve ser a regra. Se a tecnologia "veio resolver problemas que nós não tínhamos", como me disse ironicamente um diretor executivo, cabe a nós estabelecermos a fronteira entre o que é saudável do que é obsessivo e neurótico.

Veja a íntegra do post de Mauro Segura, acessando:
http://aquintaonda.blogspot.com/search/label/comportamento