segunda-feira, 23 de maio de 2011

Freud na comunicação interna?

“Sua empresa tem sentimentos?” é uma pergunta totalmente fora dos padrões corporativos, não é mesmo? Quantas vezes você já ouviu alguém preocupado com os sentimentos e os afetos nas relações humanas da organização onde você trabalha? Poucas, provavelmente. Talvez, nenhuma única vez.

A boa nova é que essa realidade pode estar mudando. Se as áreas de RH, com seus psicólogos e suas assistentes sociais, não deram conta de cuidar dos sentimentos das pessoas, algumas empresas já estão oferecendo serviços de apoio, por telefone, para empregados com depressão, tristeza crônica, desmotivação. Trata-se de um canal onde o empregado pode falar sobre seus problemas e sentimentos sem se identificar, apenas para “desabafar”. Uma abertura para ser ouvido, para poder falar um pouco de si – como numa terapia, digamos assim.

Se em tudo que fazemos e pensamos existe a influência de nossos sentimentos, vivemos o momento ideal para cuidarmos deles dentro das empresas. Empresas como organismos vivos, feitas pela força de trabalho e de vontade das pessoas que nela convivem, devem perceber que sentimentos individuais influenciam ambientes coletivos, mudam o clima organizacional, interferem nas metas e impactam na saúde e na segurança.

Nossos sentimentos nos tornam humanos e nossas emoções simplesmente surgem, muitas vezes sem controle. Geralmente durante feedbacks ou mesmo nas reuniões. Muitas vezes os sentimentos se exaltam nas rodas de café, escapulindo com mais nitidez na famosa “rádio corredor”.

A fofoca é uma maneira de amenizar sentimentos represados, contidos. Válvula de escape para expressar com mais liberdade um comentário, certamente impactado por alguma emoção. Isso é natural.

É claro que uma empresa tem objetivos e metas racionais, traçadas com lógica, cálculo e frieza diante de um mercado competitivo, balizado pelos resultados quantitativos ou invés de qualitativos. Por isso mesmo, é necessário saber cuidar dos sentimentos humanos. Equilibrar razão e emoção. Saber abrir canais de escuta, de fala, de diálogo dentro das organizações. Nossas metas são racionais, mas somos seres emocionais.

Muitos problemas e muitas crises poderiam ser resolvidos através desse tipo de política de saúde interna: o cuidar dos sentimentos. Problemas como assédios morais, assédios sexuais, racismo e homofobia, por exemplo.

Portanto, vamos falar sobre nossas emoções? Talvez já tenha passado da hora de trazermos Freud para dentro da comunicação interna.

7 comentários:

Mauro Segura disse...

Gaulia. Gostei muito dessa sua reflexão. Achei curioso pois esse foi um papo que eu tive na semana passada com um colega. As empresas deveriam investir mais tempo nessa dicussão, mas a realidade mostra uma direção contrária. As empresas estão mais pragmáticas e imediatistas. Cada vez temos mais métricas e indicadores para perseguir, o que força uma gestão mais matemática e menos humana. Enfim, gostei muito de seu post. Parabéns. Sou seu leitor fiel. Abraços. Mauro Segura.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Mauro, obrigado pelo seu comentário! Nessa nova "Era da Sustentabilidade" estamos na busca do equilíbrio entre as dimensões ambientais, sociais e econômicas, bem como a harmonia entre corpo, mente, razão e emoção. Abraço grande!
Gaulia

Flávia disse...

Gaulia, achei este post especificamente bacana. Lembra os médicos da antiga, que se preocupam mais com uma boa anamnese, considerando o que ouve do seu paciente, seus sintomas e tentam de fato chegar às causas para combatê-las.
Abraços, Flávia.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Flávia, essa é a idéia - esse método "da antiga" é mais atual do que nunca. Ainda mais num tempo cuja velocidade e complexidade exacerba uma "alteridade das mais cruéis" ( M. Maffesoli ).
Obrigado pelo comentário!

Tatiana Maia Lins disse...

amei! :)

Danilo Radke disse...

Muito bom seu post, Gaulia. É bom que as empresas comecem a se preocupar com sentimento de seus funcionários, afinal, funcionário com problemas acaba rendendo menos e diminuindo resultados para a organização. Porém, no início do post você diz que esta realidade pode estar mudando, mas será que pode mesmo? Normalmente o que se vê são empresas focadas apenas em resultados, não dando a devida atenção ao bem estar de seus funcionários.

Um Abraço,
Danilo Radke

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Tatiana, obrigado pelo "amei"!

Danilo, obrigado pelo seu post. Acredito que devemos sempre olhar as boas práticas, os movimentos saudáveis das organizações e os pequenos passos da evolução. A comunicação interna tem um papel relevante nesse sentido! abraço, Gaulia