quinta-feira, 21 de julho de 2011

Forma e conteúdo.



"Use a eletricidade de forma inteligente" diz o anúncio da empresa Eskom, companhia sul-africana responsável pela venda de 95% da energia elétrica naquele país e também para outros países do sul da África. Uma proposta muito bem posicionada para uma mídia outdoor. Excelente exemplo de forma e conteúdo, combinados de maneira criativa para passar o recado.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Golfo do México.




Não só a tragédia da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México, mas o vazamento de um oleoduto no Alasca e uma explosão em Texas City puxaram para baixo o valor da reputação e a confiança na marca da BP.



A empresa diz agora, em seu site, que está passando por mudanças estruturais nas questões de saúde e segurança, análise e prevenção de riscos e modelos operacionais além de revisitar seus "valores e comportamentos".



A tragédia no Golfo é considerada como o pior desastre na história da indústria do petróleo. Um case permanente de estudo e análise, além de alerta e prudência. Não há mais espaço para considerar apenas os resultados econômicos a qualquer preço. Este é um modelo de negócio ultrapassado ainda mais para o segmento do óleo e do gás com seus múltiplos riscos.



A sociedade e a economia ainda dependem de novas e alternativas fontes de energia "limpa" mas a transição é urgente. Estragos e impactos como o da BP nos ecosssistemas das regiões afetadas pelo vazamento monumental de óleo, levam dezenas de anos para serem recuperados. As vidas humanas perdidas na explosão nunca mais o serão.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Che Guevara S.A.



A célebre foto do guerrilheiro argentino Che Guevara tornou-se estampa de camiseta, tatuagem, selo, chaveirinho e foi consumida pelo mundo como ícone da luta pela liberdade. Há 50 anos, Guevara lançava bombas contra a ditadura de Batista em Cuba, tentava organizar uma guerrilha na África e ainda fazer uma revolução na Bolívia. Matou muita gente e acabou preso e fuzilado. Aqueles eram tempos de um mundo bipolar onde a extinta URSS dividia o planeta com o Tio Sam.


A história nos mostra que o mito suplantou o homem, um rebelde que não poderia imaginar como sua imagem seria embrulhada pelo espírito capitalista, sendo idolatrada até por grandes empresas multinacionais. Exatamente contra as quais Guevara lutou.


No mundo de hoje, muita coisa mudou. Somos multiculturais, os BRICs dividem espaço na geopolítica mundial com a Europa e os EUA. Fala-se em responsabilidade social corporativa, fala-se em diversidade...Só mesmo a busca de lucros e de consumidores não mudou. Pelo contrário. Agora, o vale tudo das leis de mercado se supera.


Por falar nisso, recebi da Akzo Nobel , a futura "most meaningful paint company" do mundo, de acordo com a própria visão de futuro da empresa, a última edição da sua revista corporativa A - Tomorrow´s Answers Today. A capa deste mês pinta o Che com cores vivas e vibrantes, num estilo baseado em Andy Wharol . Talvez o primeiro Che Guevara corporativo que se tem notícia.


Para quem não conhece direito a história, o uso da imagem do Che é um clamor à liberdade, ao espírito questionador e inventivo da juventude. Um chamado à quebra de paradigmas, mesmo que pela força das armas. Com gente morta, contra e a favor. Uma mudança muito mais profunda do que a troca das cores nas paredes do quarto de dormir.


Já para quem percebe na ação de marketing a incoerência do seu próprio discurso, estrategicamente embalada para conquistar corações e mentes dos incautos, fica a pergunta: que diabos o cara está fazendo naquela capa? Será que a Akzo Nobel tem esse espírito no seu dia a dia de trabalho? Nas suas fábricas? Nas suas relações comerciais com parceiros e fornecedores?


Não sei. Talvez eu esteja desatualizado, mas não consigo enxergar nada além de um greenwashing cultural nas cores dessa estratégia . Onde o "caminhando e cantando" do discurso está fora da ordem prática da companhia.


Espero estar enganado. Afinal, Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás é uma frase que poderia ser emoldurada nas salas de reunião de grandes corporações. Só para lembrar que o mercado pode ser extremamente selvagem, sempre que colocarmos a ternura, os afetos e o cuidado com a vida das pessoas em último lugar na escala de valores.





segunda-feira, 11 de julho de 2011

Crise de imagem 2.


Quais são os "esqueletos no armário" do seu negócio? Da sua empresa? Um comunicador empresarial estratégico precisa ficar atento aos riscos que podem ferir a marca de uma empresa.E por isso, é preciso descobrir pontos fracos e mapear temas sensíveis.

Um olhar mais amplo sobre possíveis cenários de crise pode, por exemplo, descobrir que fornecedores e parceiros do negócio na cadeia de valor da empresa são capazes de fazer um grande estrago na imagem da empresa.

A Mattel, fabricante da Barbie, descobriu isso da pior maneira possível. Seu fabricante de embalagens de papelão, a APP (Asia Pulp and Paper), é uma das maiores destruidoras de florestas tropicais na Indonésia. Segundo o Greenpeace, essa relação comercial coloca a própria boneca Barbie como responsável pelo desmatamento naquele país.

Resultado: protestos, crise e muita polêmica. Até o Ken, namorado da Barbie, entrou na história e foi parar num banner gigante na sede da Mattel nos EUA.

Nesse caso, perderam todos. A marca institucional Mattel e seu produto mais conhecido, a boneca Barbie: há décadas, sonho de consumo de muitas meninas nos EUA, na Indonésia e no Brasil.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Crise de imagem.


A Light está passando por um momento difícil. Sua marca e sua reputação estão sendo dilapidadas em valor a cada nova explosão, a cada nova fumaça que aparece misteriosa e sinistra de dentro de um bueiro.

As sucessivas explosões estão em todos os jornais de hoje, parecendo uma triste novela que repete capítulos. É grave. Tem solução? Sim. Requer investimento pesado na manutenção da rede - o que não costuma agradar a muitos acionistas e investidores que buscam lucro sem risco e sem investimento.

Mas uma empresa com a tradição da Light não é de um dono só...todos os seus consumidores são donos dessa marca (mesmo porque não há opção de escolha ou concorrente para o cliente tipo pessoa física).

O melhor da empresa ainda é a sua equipe, seu capital humano. O RH continua com um trabalho de excelência, assim como a Comunicação, mas enquanto não se resolvem as questões operacionais nas instalações e nos bueiros da cidade, o moral do time fica baixo. Usar uniforme da empresa nestes dias deve ser bem difícil.

O problema maior: as vítimas humanas feridas nesses desastres. Não tem preço.

Agora, não seria mais do que hora de convocar a última diretoria da Light para dar explicações sobre essa crise?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Coisa de maluco.



Propaganda não resolve nada quando o problema envolve gestão. Propaganda só resolve quando a empresa está estruturada internamente, para dar conta do recado passado pelo marketing. Você só pode cumprir uma promessa se estiver comprometido com ela.

Se você trata mal seus empregados, deixa todo mundo sem saber qual o rumo da empresa, como a estratégia se desdobra e qual o papel de cada um no negócio, não fique surpreso se sua publicidade pintar uma realidade diferente do que rola pelos corredores da sua empresa.

Afinal, se você pensa que cliente é um ser que só existe fora da empresa, acorde para a nova (na verdade, velha) onda: seus principais clientes trabalham ao seu lado! Porque se um empregado não compra o que você vende, cuidado. Sua propaganda é enganosa, na certa!

Quem vai dar conta de atender bem um pedido, dar a merecida atenção a uma reclamação, queixa ou sugestão se não souber como, nem entender o porquê, o significado das coisas que são demandas pela administração? Portanto, lembre-se desse conselho: se você não tem uma comunicação interna eficiente, clara, constante e estimulante, você vai gastar muito budget com os publicitários à toa.

Pode apostar: só deve fazer propaganda quem está preparado para vender e sem comunicação interna é muito provável que o pessoal da entrega esqueça o produto no balcão, porque o pessoal da expedição esqueceu de falar com o motorista, que esqueceu de falar com o coordenador, que sequer sabe quem é o superintendente de área. Onde ninguém se conhece direito e onde provavelmente o gerente de marketing não fala com o gerente de comunicação interna, que não fala com as pessoas da assessoria de imprensa, que não conhecem o pessoal da fábrica, nem do call center etc etc etc.

Tal qual uma cadeia de "telefone sem fio" - igualzinho àquelas brincadeiras de criança onde ao final da fila, a mensagem que chegava estava tão distorcida que parecia uma...coisa de maluco! Alguém já viu este filme?