quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Guerra do Post-it.




Das janelas da França para o mundo (em breve a onda chegará até nós) surge uma nova frente de batalha do marketing e da propaganda, a custo quase zero.



Trata-se da Guerra do Post-it (http://www.postitwar.com/) uma brilhante ação promocional para se consumir o Post-it, criada pela agência francesa de nome engraçado De Gustibus et Coloribus Agence Conseil en Comminication Digitale - especializada em ações na web e nas redes sociais. A estratégia toda começou com desenhos super transados, feitos com o famoso papelzinho adesivado da 3M e colados nas janelas, incentivando a moçada a fazer suas criações de papel e divulgar tudo pelas redes sociais.




Numa disputa para chamar a atenção, as vidraças foram surgindo cada vez mais apinhadas de mensagens, desenhos e colagens variadas feitas por anônimos atrás de seu segundo de fama virtual.



A ideia colou: a ação já foi divulgada pelos jornais do mundo todo (vamos lembrar que agora os jornalistas são os novos publicitários, achando que estão fazendo reportagem, quando na verdade estão fazendo é propaganda gratuita). E claro, blogueiros, como eu, também estão multiplicando os atributos da marca ao comentar o assunto.



Por certo, uma estratégia que une comunicação e resultado de maneira instantânea: gastando tanto Post-it assim os estoques vão ser reduzidos e o share of mind da marca vai ser alto. Aliás, a idéia desse produto da 3M é genial, assim como o Band Aid da Johnson. Simples e prático, para se usar no dia-a-dia.




Depois, a papelada colorida toda vai pro lixo, mas tudo bem...provavelmente outra novidade já vai estar no ar (ou nas janelas). Vamos aguardar. Num mercado competitivo, de estréias e inovação permanentes, a última novidade já nasce com obsolescência programada.






domingo, 28 de agosto de 2011

Papel de parede com...DDT.



O livro Silent Spring, publicado em 1968, pode ser considerado como um marco na luta por um mundo cujo progresso esteja baseado no desenvolvimento sustentável (mesmo que o termo nem existisse nessa época).


Sua autora, Rachel Carson, foi perseguida pela poderosa indústria química que vendia e "detetizava" casas, ruas e campos com o pesticida destruidor de mosquitos, besouros, baratas e também as entranhas de aves, peixes e seres-humanos. Sabemos hoje que o DDT é cancerígeno e que os pesticidas e os agrotóxicos (hoje chamados de "defensivos agrícolas") trazem enormes riscos à saúde e à vida.


Como tudo é comunicação, a propaganda da época explicava direitinho os benefícios dos produtos e, pasmem, um deles, o papel de parede com DDT também tinha seu anúncio bem ao estilo "família protegida". Naqueles dias, como hoje, poucos são os publicitários que se perguntavam se o produto era realmente inofensivo e se algum perigo poderia estar presente. O princípio da precaução nem existia...muito menos alguma consciência socioambiental.


É por isso que digo nas minhas aulas que os comunicadores não são apenas operadores técnicos de ferramentas e estratégias de comunicação, mas antes de tudo, são cidadãos responsáveis pelo que divulgam, criam, distribuem.


A comunicação fez a cabeça de muita gente durante todos estes anos criando necessidades e induzindo comportamentos, hábitos e estilos de vida que o mundo atual já não comporta mais. O papel de parede com DDT é um desses exemplos.


A pergunta de hoje é saber qual o próximo anúncio irresponsável que está circulando por aí? Seja ele na esfera pública - como propaganda de Estado ou de empresa estatal poluidora ou na esfera privada, com produtos e serviços que não trazem benefício algum e, pelo contrário, são enganosos na sua origem ou mesmo ecologicamente danosos na sua cadeia de valor.


Difícil questão, necessária discussão. Papel de parede com DDT jamais...propaganda irresponsável, idem!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Aqui só funciona quando não funciona"

Uma enorme fila num gigantesco supermercado, de marca famosa. Chego no caixa e escuto a conversa entre o gerente e o caixa. A frase do título resume o diálogo e me dá a dica para um novo post.


Bem vindos à comunicação surreal? Calma, nem tanto. Escutar, à queima roupa, um comentário desses de um funcionário, na linha de frente de atendimento aos clientes, sem qualquer pudor ou vergonha me fez concluir que é a crise naquele varejão era grave... Mas, traduzindo a conversa, o que acontecia era uma reclamação do caixa dizendo que as coisas precisavam dar errado, dentro da empresa para que providências fossem tomadas.


Ou seja, só com uma crise (não importa o tamanho) é que a empresa acorda, toma atitudes, resolve, se mexe. Já viu alguma empresa assim?


Resultado: o gerente com outros dois atendentes ficaram com a equipe nos caixas ajudando a ensacar as compras dos clientes e agilizar o atendimento naquele setor do supermercado. A conclusão (brilhante) do funcionário foi a de constatar que naquela empresa as coisas só funcionam...quando não funcionam! Surreal!

domingo, 21 de agosto de 2011

Quem é o "comunicador para a sustentabilidade"?

Nestes tempos onde a sustentabilidade ganha contornos espetaculosos desde que Al Gore estrelou o "Uma Verdade Inconveniente" e que o Protocolo de Quioto estampou folhas e folhas de jornais pelo mundo afora, penso que seja necessário saber, como será o comunicador que essa nossa Era da Sustentabilidade vai demandar?


Sensacionalismos apocalípticos à parte, considero que o momento atual demanda uma olhar mais sistêmico, amplo, humanizado e dialógico entre pessoas, povos e países. O mundo precisa de uma mudança positiva, como diz a ONG POSITIVE CHANGE e os diferentes atores sociais deverão se comunicar cada vez melhor, com mais afeto, atenção e respeito. As mudanças climáticas e os efeitos de catástrofes como a do vazamento de petróleo no Golfo do México, da lama de bauxita na Hungria e da radição pós-tsunami no Japão desconhecem fronteiras políticas, bem como derrubam reputações de marcas e empresas aparentemente bem administradas e organizadas.


Na minha percepção portanto, o comunicador é um comunicador social, antes de ser um manipulador de técnicas e do saber instrumental, deve ser um humanista no conceito amplo do termo: não somos receptores automatizados de inputs mas antes de tudo pessoas que sentem, sofrem, pensam e tem o direito de saber como os produtos, os serviços e as promessas de governos, empresas e produtos são feitos.


Ninguém quer levar gato por lebre (a INDITEX que o diga, com as últimas denúncias sobre uso de mão de obra quase escrava, costurando roupas para a sua marca ZARA no interior de São Paulo) e por isso um comunicador deverá ser capaz de identificar riscos.


Bem como se sua atuação for no Governo, deverá ser capaz de ver o quanto são ridículas as propagandas oficiais que comemoram conquistas sociais inexistentes, usando bordões ufanísticos para iludir eleitores desavisados com um discurso exageradamente nacionalista.


O comunicador para a sustentabilidade deverá ter uma visão sistêmica e ser um influenciador cultural capaz de promover o diálogo, servindo de intérprete e tradutor de conceitos e significados novos e complexos para diferentes interlocutores. Comunicar no sentido de esclarecer e educar.


No conjunto, um profissional a serviço de uma era planetária, onde sua construção diária será a de aproximar essa família que ainda não se conhece direito: a Humanidade. Para que essa família aprenda rapidamente a cuidar melhor de sua casa, morada de todos, a Terra.








terça-feira, 16 de agosto de 2011

As influências sobre a Comunicação Interna.



Diferentes empresas, diferentes negócios. Diferentes modelos mentais e culturais. As influências sobre a qualidade e a eficiência da comunicação interna são variadas. Um negócio de siderurgia é o oposto de uma rede de varejo, que é o oposto de uma fábrica de comida para cachorro.


O desafio, entretanto, parece ser o mesmo no final das contas: fazer a comunicação interna fluir para facilitar os processos de gestão, a integração de equipes, a solução de conflitos ou a aprendizagem organizacional entre outros objetivos estratégicos.


Numa visão mais abrangente, nada melhor do que um mapeamaento das influências que a comunicação interna sofre, incluindo também a qualidade da equipe responsável pela área, sua maturidade pessoal e profissional e, claro, os riscos potenciais que cada empresa possui.


A imagem é de uso livre.







quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Diálogos para a Sustentabilidade.



Esta semana pude participar, mais uma vez, dos "Diálogos para a Sustentabilidade" que o Grupo Rosa Leal, através da empresa Centelha Equipamentos Elétricos está realizando. O ciclo de encontros faz parte de uma proposta de aprendizado sobre questões ligadas ao desenvolvimento sustentável.


O grupo publicou, no ano passado, seu primeiro relatório de sustentabilidade no modelo da GRI, no nível de aplicação C. Para 2011, o desafio é avançar para o nível B. Contudo, para que isso aconteça de fato, muito além da simples impressão de um relato, a proposta busca engajar inicialmente os empregados da sede e de todas as filias (Volta Redonda, Itaguaí, Macaé entre outras localidades) e também os fornecedores, clientes e parceiros comerciais.


Trata-se de uma trajetória onde a integração entre as áreas e os diferentes públicos de interesse começam a interagir cada vez mais para alcançar novos modelos de gestão, baseados em processos sustentáveis. Comunicação e educação, portanto, andam juntas.


Desde o começo do ano, já foram realizados mais de 10 encontros reunindo mais de 250 pessoas, além de ações de comunicação interna.