domingo, 28 de agosto de 2011

Papel de parede com...DDT.



O livro Silent Spring, publicado em 1968, pode ser considerado como um marco na luta por um mundo cujo progresso esteja baseado no desenvolvimento sustentável (mesmo que o termo nem existisse nessa época).


Sua autora, Rachel Carson, foi perseguida pela poderosa indústria química que vendia e "detetizava" casas, ruas e campos com o pesticida destruidor de mosquitos, besouros, baratas e também as entranhas de aves, peixes e seres-humanos. Sabemos hoje que o DDT é cancerígeno e que os pesticidas e os agrotóxicos (hoje chamados de "defensivos agrícolas") trazem enormes riscos à saúde e à vida.


Como tudo é comunicação, a propaganda da época explicava direitinho os benefícios dos produtos e, pasmem, um deles, o papel de parede com DDT também tinha seu anúncio bem ao estilo "família protegida". Naqueles dias, como hoje, poucos são os publicitários que se perguntavam se o produto era realmente inofensivo e se algum perigo poderia estar presente. O princípio da precaução nem existia...muito menos alguma consciência socioambiental.


É por isso que digo nas minhas aulas que os comunicadores não são apenas operadores técnicos de ferramentas e estratégias de comunicação, mas antes de tudo, são cidadãos responsáveis pelo que divulgam, criam, distribuem.


A comunicação fez a cabeça de muita gente durante todos estes anos criando necessidades e induzindo comportamentos, hábitos e estilos de vida que o mundo atual já não comporta mais. O papel de parede com DDT é um desses exemplos.


A pergunta de hoje é saber qual o próximo anúncio irresponsável que está circulando por aí? Seja ele na esfera pública - como propaganda de Estado ou de empresa estatal poluidora ou na esfera privada, com produtos e serviços que não trazem benefício algum e, pelo contrário, são enganosos na sua origem ou mesmo ecologicamente danosos na sua cadeia de valor.


Difícil questão, necessária discussão. Papel de parede com DDT jamais...propaganda irresponsável, idem!

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