terça-feira, 27 de setembro de 2011

Comunicadores para a sociedade sustentável.





Convido você leitor (a) a participar do encontro "Comunicadores para a sociedade sustentável". Uma reflexão oportuna e necessária para o nosso tempo. Nesta segunda-feira, a partir das 9 horas, na PUC Rio. Com a presença de "pesos pesados" da área de comunicação de diferentes universidades, a discussão pretende provocar um olhar mais apurado sobre os desafios da sustentabilidade e dos discursos midiáticos sobre o tema. A entrada é gratuita e a participação bem-vinda!

domingo, 18 de setembro de 2011

O show do eu e o show de Scarlett.








Em tempos de photoshop nenhuma imagem pode ser considerada de fato verdadeira. A foto que "vazou" na web com Scarlett Johansonn, nua no banheiro de sua casa, parece ser uma destas montagens provocativas de algum fã mais ousado ou coisas do gênero. Em tempos digitalizados e virtualizados, a tecnologia nos permite uma variável criativa inimaginável há alguns anos.




Todo internauta torna-se um autor, distribuidor e comentador de acontecimentos, pesquisas, histórias e, claro, da vida alheia. Não é a ferramenta em si que causa tudo isso, mesmo porque um simples martelo pode servir para pregar madeira ou como arma de combate. É o comportamento do usuário que faz as coisas acontecerem e a tecnologia só facilitou as coisas, para o bem e para o mal.




Se a foto for 100% original, feita pela própria atriz, não há que se dar explicações: no banheiro de casa fazemos o que fazemos e realmente ninguém tem nada a ver com isso. Mas a pergunta é: como vazou? Vazou por quê? Marketing ou invasão de privacidade?




Imaginando que a própria atriz queria que esse momento íntimo se transformasse em discussão pública, temos um belo exemplo do que a Profa. Dra. Paula Sibilia (UFF / ECO UFRJ) escreveu em seu "O Show do Eu" de forma esclarecedora e brilhante. A intimidade tornou-se espetáculo, fazendo da própria personalidade "uma criatura orientada aos olhares dos outros como se estes constituíssem a audiência (...) como se a vida transcorresse sob a lente incansável de uma webcam" (2008, P. 258).




Hoje ninguém precisa ser uma mega celebridade já consagrada pelo cinema, como a bela Scarlett Johansonn, para dar audiência. Basta cair na rede. Mas a questão é gerar permanentemente comentários, hits no site, retweets, postagens. A celebração do eu precisa se alimentar de mais celebração do eu. Tempos hiper narcisos, com certeza, onde "todos nós somos os artistas da vez" numa multiplicação caleidoscópica de egos dos que queriam sair do anonimato das multidões.




A discussão extrapola a torrente de imagens, fotos, vídeos e postagens num volume de informação indigesto para uma sociadade, cada vez mais sem tempo. Na agilidade dessa tecnologia fomos engolidos pelo instante. Na corrida para a próxima estréia, fofoca ou exposição da vida privada de uma novíssima celebridade on line, ficamos sem tempo para parar e refletir, para entender como toda essa cultura web nos aprisiona ou nos liberta.




Este é um tempo devorador de imagens e de informação,de rostos e corpos, onde não há mais segredos, onde tudo é transparente. Até nossa antiga e solitária privacidade, dentro do banheiro de casa...














quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Envolvimento cuidadoso.


Recebi esta foto de uma amiga, Teresa Fazolo, mestranda na PUC Rio na área de cinema e educação. A imagem fala por si mesma e comprova que mil palavras talvez não sejam suficientes para transmitir, de maneira tão simples, seu significado.




As empresas e a sociedade no seu dia a dia corrido, competitivo e maquinímico se brutalizam sem perceber. Basta olhar as ruas esburacadas, os vagões hiperlotados dos metrôs de São Paulo e do Rio, o trânsito homicida no Brasil ou o caos no atendimento básico da saúde. Ou os serviços prestados que muitas vezes vendem aquilo que não conseguirão entregar.




A falta de cuidado é patente. Talvez uma marca registrada de um país (mundo?) que enlouquece aos poucos e acha tudo normal, aceitando desrespeitos permanentes aos direitos humanos e às regras básicas da civilidade (uma boa reflexão foi feita pelo Prof. Paulo Nassar em seu recente artigo, na ABERJE, sobre a greve dos coveiros em São Paulo).




Por isso, através desta imagem, de delicada importância, vejo que a discussão sobre o crescimento econômico pujante do Brasil ou da opção pelo tal "Desenvolvimento Sustentável" deveria ser substituída pelo "Envolvimento Cuidadoso". Nas relações diárias e nos planos empresarias e governamentais, precisamos ampliar o cuidado. Com as palavras, os atos, as queixas e as discussões inúteis. O cuidado com a segurança, o cuidado com os outros. Precisamos agir para construir um mundo melhor, lembrando que a vida é um bem valioso, sem preço e que só com um real envolvimento cuidadoso poderemos se chamados de civilizados.




Basta perceber o que a mãe natureza nos oferece de ensinamento, a cada novo dia. O que parece apenas um detalhe, na verdade pode revelar grande sabedoria. Difícil é colocar em prática...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Marcas" da violência?



Agosto trouxe para as ruas de diversas cidades inglesas cenas de vandalismo, pancadaria e violência. Enquanto moradores fugiam em pânico, saques, brigas e incêndios aconteciam numa onda crescente de destruição.


Agora que o sensacionalismo da mídia, característico dos momentos de fúria popular já passou, é hora de analisarmos o risco que algumas marcas correram durante essa convulsão social. Imagens associadas à perigosas identidades, deixaram algumas marcas e seus posicionamentos com mais uma dor de cabeça na hora de mapear riscos e analisar o grau de influência de sua comunicação no apoio a comportamentos e "atitudes de marca" originais.


Num rápido olhar sobre as fotos dos manifestantes e dos criminosos que invadiram as ruas inglesas, podemos perceber as marcas preferidas desse público. A Adidas, aparentemente, saiu na frente como o ícone dos jovens violentos (ainda cabe uma pesquisa mais detalhada sobre isso, mas minha percepção é essa).

O quanto toda essa conexão entre brand & violence vai afetar a imagem e a reputação desse nome, de força global, ainda é uma incógnita. Mas a repercussão foi imediata e continua com seus desdobramentos. A revista Ethical Corporation, por exemplo, promete uma análise mais a fundo.

Se uma imagem vale por mil palavras, a propaganda oficial da Adidas não chega nem perto da propaganda real que os tumultos colocaram nas redes sociais, nos jornais e nas reportagens ao redor do mundo. Talvez a área comercial tenha até atingido suas metas, mas é a área de marketing e de RP quem vai ter que resolver essa crise, com certeza. Vamos acompanhar, porque aqui no Brasil também temos esse mesmo tipo de associação, com outras marcas estimulando comportamentos e representando um jeito de ser e de agir que tem a capacidade de distribuir personalidades, unir tribos, construir nichos de mercado específicos e rentáveis.

Há possibilidade de controle? Provavelmente não. A guerra da comunicação e do marketing é sempre de influência. Para o bem ou para o mal. Se as marcas representam emoções e atitudes, ao menos no caso da Adidas, os jovens ingleses foram para as ruas como jogadores de um único time, que entra em campo com o objetivo de trazer a taça na garra e na marra e sentir o gostinho da vitória. Mesmo que seja numa única partida, onde vale tudo e o fair play não existe...