quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Marcas" da violência?



Agosto trouxe para as ruas de diversas cidades inglesas cenas de vandalismo, pancadaria e violência. Enquanto moradores fugiam em pânico, saques, brigas e incêndios aconteciam numa onda crescente de destruição.


Agora que o sensacionalismo da mídia, característico dos momentos de fúria popular já passou, é hora de analisarmos o risco que algumas marcas correram durante essa convulsão social. Imagens associadas à perigosas identidades, deixaram algumas marcas e seus posicionamentos com mais uma dor de cabeça na hora de mapear riscos e analisar o grau de influência de sua comunicação no apoio a comportamentos e "atitudes de marca" originais.


Num rápido olhar sobre as fotos dos manifestantes e dos criminosos que invadiram as ruas inglesas, podemos perceber as marcas preferidas desse público. A Adidas, aparentemente, saiu na frente como o ícone dos jovens violentos (ainda cabe uma pesquisa mais detalhada sobre isso, mas minha percepção é essa).

O quanto toda essa conexão entre brand & violence vai afetar a imagem e a reputação desse nome, de força global, ainda é uma incógnita. Mas a repercussão foi imediata e continua com seus desdobramentos. A revista Ethical Corporation, por exemplo, promete uma análise mais a fundo.

Se uma imagem vale por mil palavras, a propaganda oficial da Adidas não chega nem perto da propaganda real que os tumultos colocaram nas redes sociais, nos jornais e nas reportagens ao redor do mundo. Talvez a área comercial tenha até atingido suas metas, mas é a área de marketing e de RP quem vai ter que resolver essa crise, com certeza. Vamos acompanhar, porque aqui no Brasil também temos esse mesmo tipo de associação, com outras marcas estimulando comportamentos e representando um jeito de ser e de agir que tem a capacidade de distribuir personalidades, unir tribos, construir nichos de mercado específicos e rentáveis.

Há possibilidade de controle? Provavelmente não. A guerra da comunicação e do marketing é sempre de influência. Para o bem ou para o mal. Se as marcas representam emoções e atitudes, ao menos no caso da Adidas, os jovens ingleses foram para as ruas como jogadores de um único time, que entra em campo com o objetivo de trazer a taça na garra e na marra e sentir o gostinho da vitória. Mesmo que seja numa única partida, onde vale tudo e o fair play não existe...

3 comentários:

Anônimo disse...

Vale pensar que a sociedade inglesa está rachada? Enquanto alguns consomem marcas caríssimas, outros ficam aguardando a sua vez no banco de reservas? Até a hora que toda a torcida perde a paciência e invade o campo do conusmo ilimitado pela força?

Tatiana Maia Lins disse...

A Adidas é super Lovemark (http://www.lovemarks.com/index.php?pageID=20015&lovemarkid=105) e, acredito, parte do prestígio foi dado pelos jovens ingleses e suas bandas que ganham o mundo.

É legal acompanhar essa discussão para ver se haverá impacto no mundo. São os dois lados da mesma moeda "jovem inglesa".

Ou algo parecido com o ciclo das marcas que nascem, ganham prestígio com "divulgadores" de imagem positiva, ganham popularidade e perdem prestígio quando massificam e são usadas por "divulgadores" de imagem negativa.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Cada relação tem sempre dois ângulos ou mais, que permitem análises diversificadas. Nas relações humanas então as verdades parciais conflitam com as mentiras parciais...A torcida pode invadir o campo ou destruir o estádio? Mas o que ela vai deixar no lugar?

"Lovemark"...com certeza! Há pura sedução, magia e personalidade em quem veste uma genuína "brand with three stripes".

Obrigado pelos comentários!