segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Diversidade, convivência e mercado.



Somos consumidores, tribos, nichos, público-alvo, interlocutores, stakeholders. Quem somos? O mercado dita as regras e segmenta, qualifica, seleciona, exalta, condena, aplaude. Ou não?


Somos livres, desde que economicamente viáveis. Vivemos hoje o espetáculo do individual no coletivo: queremos ser diferentes, mas ser aceitos na sociedade. Precisamos ter nossa personalidade e nossa opinião preservadas, nosso jeito único de ser, mas também queremos torcer pelo timão, fazer parte da nação, viver nessa colméia urbana global.


Nossa diversidade se estranha, mas também se apaixona. Ela se enriquece na troca, no contato, no entender o outro. No dialogar. É um mundo mais amplo e possível que se descortina - mesmo que ainda com incivilidades e violências praticadas, quando o estranhamento desqualifica o outro a ponto de não vê-lo como ser-humano (desqualificar alguém é tentar reduzir sua voz, sua presença, sua existência).


Este é um mundo complexo, plural. Cada vez mais. Nosso desafio e nossa esperança é saber "com viver". Viver com o outro: aquele que é extremamente diferente, extremamente igual. Somos uma mesma espécie que ainda não se percebe como espécie.


Na foto, o zombie boy e modelo Rico Genest na campanha da maquiagem Dermablend, nos provoca a olhar além das aparências e a perceber mais semelhanças do que diferenças, quando a diversidade bater na nossa porta.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Jornalismo ambiental na PUC.


Nos dias 17, 18 e 19 de novembro acontece o IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental na PUC Rio. Promivido pela Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental o encontro vai discutir, mais uma vez, questões de interesse para quem trabalha ou interage com temas socioambientais no Brasil. De empresas, a ONGs, da mídia até a Academia, o congresso é uma oportunidade para se pensar sobre o papela do comunicador (imprensa) na construção de uma sociedade sustentável.

domingo, 16 de outubro de 2011

Crise que nasce.



Atenção, atenção, grandes frigoríficos. Esta ganhando força o movimento pela "comida ética" (contra a criação de animais para nossa alimentação) e o movimento vegetariano em substituição ao consumo de carne animal.


O movimento já tinha surgido na Europa e nos EUA e agora ganhou mais uma força, com alguns astros de Hollywood apoiando a causa. Ou seja, uma crise esta nascendo e vai dar muita dor de cabeça para os produtores de carne.


Eu arriscaria dizer que, muito em breve, o hábito de comer carne nas refeições vai ser substituído por outro, como o vegetarianismo. Razões não faltam: desde a maneira torturante e cruel da produção em massa de frangos, bois, vacas e carneiros, para o abate, até as imensas áreas de florestas derrubadas para virar pastagem, o negócio vai ganhando uma imagem ruim. Pouco saudável, cruel, insustentável.


No Canadá, por exemplo, a campanha da ONG Peta (ativa na luta contra o uso de peles animais na indústria da moda) teve o apoio de Pamella Anderson para divulgar sua mensagem. A peça publicitária mostrou a atriz com as mesmas marcas do corte da carne de um bovino. A imagem causou polêmica, sendo acusada de "sexista" por grupos feministas ao comparar a loira com uma vaca.


Mas a causa, justíssima, encontrou adeptos e simpatizantes e o assunto já invadiu as redes sociais. assim, no mapa de riscos dos grande frigoríficos, eu colocaria essa tendência com sinal amarelo. É bom lembrar que o movimento tem forte apoio nos EUA, no Canadá e na Europa, mas se você imaginar que a grande venda de carne animal é para o consumo dos chineses (que costumam comer até gatos e cães), os efeitos econômicos desses protestos vão demorar a chegar.


No Brasil, que possui mais cabeças de gado do que gente, o estrago maior ainda é o da criação de bois. As queimadas na Amazônia - para abertura de áreas de pastagem, confirmam a encrenca e o modelo insustentável dessa criação. Some-se a isso, a criação de frangos fortificados com hormônios do crescimento e reunidos em cativeiro, podemos imaginar que realmente chegou a hora de revermos conceitos. Nós, consumidores, percebendo o que representa o nosso estilo de vida e de alimentação. As empresas, olhando de perto seus processos internos.


Sustentabilidade não é só discurso, tem que analisar o modelo de produção para descobrir os esqueletos no armário, antes que uma ONG o faça.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Crise que rende.



Nem sempre o resultado de uma crise é negativo. Um exemplo disso é a repercussão favorável que a HOPE acabou conquistando, após a polêmica campanha estrelada por Gisele Bundchen. Independentemente da falta de criatividade e lugar comum que a proposta publicitária apresenta, o discurso censor do Governo causou reação imediata. Não para retirar a peça do ar, mas, ao contrário, apoiando a HOPE e a própria Gisele.


As redes sociais digitais, termômetros imediatos dos humores do público e dos consumidores, mostraram a indignação contra a tentativa de censura. O CONAR decidiu favoravelmente e julgou improcedente a orientação "politicamente correta" da Secretaria Especial das Mulheres.


Quem deve decidir o que é correto ou não é a sociedade. Tutela mental de funcionários do Estado é coisa de George Orwell.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A história da água engarrafada.



Annie Leonard já tinha protagonizado o filme "The Story of Stuff" e mais recentemente lançou o "The Story of Bottled Water". Mais uma vez , essa ativista ambiental traz uma reflexão importante sobre nossos hábitos de consumo e modelos de produção industrial. Vale a pena conferir no You Tube e juntar a turma para analisar e conversar a respeito.


Veja mais em:

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Comunicadores para uma sociedade sustentável.

Demorei um pouco para dar retorno sobre o encontro na PUC. Sou suspeito para falar, mas valeu a pena e já vamos pensar numa segunda rodada.


Transcrevo aqui algumas considerações vibrantes e iluminadas que surgiram no evento. A Prof. Dra. Patrícia Almeida Ashley trouxe, entre outras reflexões, a questão da "história do lucro". Qual é a história que o resultado econômico conta e por que um produto com péssima história e preço baixo acaba sendo consumido? A pergunta reflete nossa capacidade de questionar e de "sair da caverna conhecida" para romper paradigmas, transformar atitudes viciadas e criar uma nova realidade. Nossas opções de consumo e nossas escolhas, que muitas vezes passam despercebidas (ou inconscientes?), influenciam no sistema de produção e trabalho do mundo e influenciam também a concretização de uma sociedade sustentável de fato.


Nesse sentido, o Prof. Dr. Leonel Aguiar ressaltou o necessário "saber cuidar" quando eu, humildemente, coloquei a questão do cuidado na prática do comunicador, enquanto um influenciador cultural para uma sociedade sustentável. Leonel apontou que o cuidado é uma atitude permanente não somente nos detalhes técnicos da comunicação, mas na visão de um humanismo ecológico, quando também fez referência às Três Ecologias de Guattari.


Sonia Araripe, da Plurale, trouxe os cases recentes da Arezzo e da Zara para pontuar que a comunicação pode e deve estar presente no modelo de gestão, uma vez que como "profissionais atentos aos movimento do mundo" são capazes de detectar riscos antes que uma crise de reputação venha a acontecer.


A Profa. Marilene citou a questão da qualidade das relações como premissa, para um comunicador que seja atuante e presente na sociedade que busca caminhos para a sustentabilidade, apesar da complexidade do tema. E também da falta de uma definição teórica mais precisa.


O encontro está filmado e disponível no Portal PUC Digital, onde você leitor (a) encontra muito mais conteúdo e detalhes deste evento que faz parte da minha pesquisa de mestrado.