segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Diversidade, convivência e mercado.



Somos consumidores, tribos, nichos, público-alvo, interlocutores, stakeholders. Quem somos? O mercado dita as regras e segmenta, qualifica, seleciona, exalta, condena, aplaude. Ou não?


Somos livres, desde que economicamente viáveis. Vivemos hoje o espetáculo do individual no coletivo: queremos ser diferentes, mas ser aceitos na sociedade. Precisamos ter nossa personalidade e nossa opinião preservadas, nosso jeito único de ser, mas também queremos torcer pelo timão, fazer parte da nação, viver nessa colméia urbana global.


Nossa diversidade se estranha, mas também se apaixona. Ela se enriquece na troca, no contato, no entender o outro. No dialogar. É um mundo mais amplo e possível que se descortina - mesmo que ainda com incivilidades e violências praticadas, quando o estranhamento desqualifica o outro a ponto de não vê-lo como ser-humano (desqualificar alguém é tentar reduzir sua voz, sua presença, sua existência).


Este é um mundo complexo, plural. Cada vez mais. Nosso desafio e nossa esperança é saber "com viver". Viver com o outro: aquele que é extremamente diferente, extremamente igual. Somos uma mesma espécie que ainda não se percebe como espécie.


Na foto, o zombie boy e modelo Rico Genest na campanha da maquiagem Dermablend, nos provoca a olhar além das aparências e a perceber mais semelhanças do que diferenças, quando a diversidade bater na nossa porta.

6 comentários:

alessandro disse...

Belo texto e análise. O único porém é que o sistema precisa catalogar as diferenças. É nessa hora que as diferenças passam a ser modelos e tendências. Não há contra-cultura. Tudo é mercado.

Abs.

Alessandro.

Ricardanas disse...

Penso que conviver com o diferente é perceber e entender o outro em sua diferença, nunca tentar vê-lo como "igual" ou "absorver" sua diferenças colonizando-a, tal qual os conquistadores europeus nas colonizações, Alexandre nas suas conquistas ou Roma na sua expansão. Por isso sou a favor das cotas...hehe; brincadeiras a parte, falta um posicionamento teu mais concreto, Luga, muita abstração, texto bonito, mas o leitor afinal se pergunta: mas como diabos esse cara se posiciona?

Anônimo disse...

Os Profs. Mario de Aquino e Guilherme Galeão, da FGV SP falam falam que a "gestão da diversidade surgiu como resposta dos administradores norte-americanos às políticas de ação afirmativa das décadas de 1960 e 1970. Essa literatura defende que
a gestão da diversidade é mais efetiva para o enfrentamento das desigualdades sociais por usar critérios de meritocracia e possibilitar atingir benefícios econômicos para os indivíduos e as empresas". Ou seja, estamos lidando com uma ideologia da "diversidade" como espécie de válvula de escape para as contradições do capital, das diferenças sociais e do próprio racismo. Não só o mercado mas a política partdiária se utiliza de tudo isso pois quer se benefioiar dessas diferenças.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Alessandro, obrigado pelo comentário. Só faço outra provocação perguntando se o "sistema" não estaria dentro de nós mesmos? E se seria possível não estar no "mercado"...outro mundo é possível?
Amigo "Ricardanas", não pensei nas cotas para este post, mas penso que nessa linha de análise vale buscar a historiadora Lília Moritz Schwarcz, especializada em dois temas espinhosos da formação brasileira: racismo e Império.O debate sobre as cotas é justo e sadio para uma nação que pretende acabar com o abismo social ainda existente na sociedade.
Sobre a "gestão da diversidade" parece muito interessante analisar como essa tendência se reflete nas organziações empresarias e até na comunicação interna das empresas - um desafio para a área de RH.

Flávio Rosa disse...

Oi, Luiz, ótimo texto. E quando cita nos comentários a comunicação interna realizando a gestão da diversidade, gostaria de resaltar que esta é uma questão central (a dor e a delícia) para este setor em uma empresa e também, principalmente, para quem trabalha com Endomarketing e Comunicação interna.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Flávio, você tem razão, este é um desafio permanente. É por isso que um comunicador precisa expandir seus conhecimentos para áreas como a psicologia e a antropologia também! Abraço grande, obrigado pelo seu comentário!