quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Estádio verde com bancos de açúcar?

O estádio Amsterdam Arena, na Holanda, vai ter bancos feitos de plástico da Braskem. O chamado plástico "verde" da companhia brasileira é fabricado a partir do etanol de cana de açúcar. A imprensa holandesa já apelidou os bancos de "sugar seats" e o estádio está sendo reformado para ser "carbon free". Vamos torcer para que isso aconteça...de fato!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A crise continua.

Não vai ser fácil para a Chevron retomar o ritmo normal de seus negócios, sem sua marca apanhar um pouco mais da imprensa e das redes sociais digitais. A revista Carta Capital é um bom exemplo do que está acontecendo com a imagem da multinacional petroleira norte-americana. Nas bancas, em todo o Brasil, com uma manchete forte e uma capa que vale por mil palavras, a reportagem é contundente: "Quanto mais tenta explicar, mais a Chevron se enrola sobre o vazamento". Não é à toa que o CEO da Chevron, no Brasil, pediu desculpas publicamente.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vazamento de óleo mancha reputação.



Conheci os escritórios da Chevron no Rio de Janeiro e fiquei muito impressionado com a preocupação com a saúde, a alimentação e a segurança dos colaboradores. A empresa possui um ambiente de trabalho que transmite uma coerência entre o discurso e os valores divulgados corporativamente. O site da Chevron também tem diversos canais de comunicação e diálogo. A empresa está no Twitter, no Facebook e disponibiliza diversos releases, textos e publicações para apresentar seus projetos e sua organização.


Lamentavelmente, mais um acidente aconteceu (a Chevron também é acusada de uma "Chernobyl" ambiental no Equador). O vazamento no Campo do Frade ainda não tem um mapeamento preciso sobre os estragos, na fauna e na flora marinhas e também não há uma clareza de quanto óleo vazou nesse desastre. Outro fato negativo é que a empresa Transocean, que protagonizou com a BP o desastre - sem precedentes, no Golfo do México, é parceira da Chevron nessa extração de petróleo. Ou seja, a marca mais valiosa está apanhando muito mais (assim como aconteceu no Golfo do México).


O bombardeio da mídia e das ONGs, aqui no Brasil, é grande. A reputação da empresa está manchada e até a Polícia Federal entrou no cenário. Crime ambiental pode dar cadeia, além de multa (aliás, multar só não basta). Os negócios, entretanto, continuam, pois o mundo precisa de petróleo correndo nas veias mecânicas de suas indústrias, nos motores das máquinas de guerra dos exércitos e na legião de automóveis engarrafados nas ruas. Alternativas limpas ainda não estão disponíveis para se mudar a matriz energética (lembrem-se que o carvão mineral também é utilizado até hoje). De qualquer maneira, uma crise dessa natureza (literalmente) é um estrago violento para a confiança de uma marca que se pretende admirada, valiosa e confiável.




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Saúde organizacional. Uma questão de sustentabilidade.




Não vejo como ser possível uma verdadeira mudança na busca da sustentabilidade sem uma revisão de valores e modelos de vida, trabalho, produção e relacionamentos. Nesse sentido, lembro das "Três Ecologias" de Félix Guattari (1990) onde o autor coloca como necessária a inclusão da ecologia ambiental, social e mental como uma base para a recomposição de práticas relacionais capazes de dar conta à crise ambiental de nossa civilização.


Ninguém pode "salvar o planeta" ou "mudar o mundo", entre outros slogans do gênero - tão em pauta atualmente através da propaganda, se não estiver consciente de que a saúde individual e coletiva começa na maneira como nos entendemos, como nos relacionamos com nosso próprio eu e nessa construção, como nos relacionamos com o outro. Não enquanto distantes, separados, mas como interdependentes (do coletivo e da "natureza").


Nas empresas, um movimento básico seria o de construir ambientes de trabalho capazes de refletir o cuidado e a atenção necessária ao colaborador-cidadão. Diálogo, atenção e percepção de afetos costumam ser vistos como perda de tempo ou assuntos que não fazem parte do universo corporativo. Ledo engano, visão arcaica. O desafio é começar a cuidar da saúde integral da organização, não só com oferecimento de benefícios, mas com espaço para trabalhar temas de Direitos Humanos, da diversidade e entre questões mais complexas, até da psicologia ou da realidade social e que afetam a capacidade de uma pessoa em produzir e trabalhar, alcançando suas potencialidades (o que certamente interessa à qualquer organização).


Nesse sentido, temas como racismo, homossexualidade, aborto poderiam ser tratados dentro de programas inovadores de relações humanas e cuidado (seja da área de saúde e segurança, seja da área de sustentabilidade ou mesmo de RH, citando departamentos que poderiam estimular tal abordagem). Certamente, uma proposta inovadora. Contudo, é de inovação que precisamos quando enfrentamos um crise mundial de proporções e consequencias ainda desconhecidas e cujo reflexo ambiental, social e...mental afetará a todos os atores sociais, indiscriminadamente.


Certamente, temas difíceis, mas que não cabem apenas "da porta pra fora" dos negócios. A economia, tão cara aos olhares atenciosos dos gestores financeiros, recebe grande influência dessas dimensões tão pouco discutidas ou comunicadas no espaço empresarial.


Um bom exemplo atual é o da CPFL, com seu Café Filosófico, espaço criado para uma rica reflexão com a troca de vivências através da apresentação de filósofos, artistas, escritores e psicólogos. Bom começo para uma longa caminhada que temos pela frente, se realmente o discurso da sustentabilidade for pra valer.


(Ref. da foto: Women on Waves ORG)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Bompreço paga o preço.

As crises são decorrências de falhas humanas. geralmente alguém não fez o que deveria ter sido feito ou alguém fez o que não devia ter feito.


Acontece que este"alguém" pode ser um profissional que da portaria da fábrica ou que ocupa a sala da presidência. Por isso, o comunicador empresarial precisa estar alerta e se adiantar aos fatos. Chamo isso de "gestão de riscos" com permanente leitura de cenários.


Um exemplo: saber das leis. Você sabe? Então uma dica: converse com os advogados da empresa. Procure saber mais sobre o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor. Isso é começar a fazer "gestão de riscos".


Vejamos o caso do Bompreço Supermercados, de Fortaleza (CE). Segundo o site da Jus Brasil, uma consumidora escorregou no piso molhado do supermercado e fraturou o fêmur, dentro da loja. Atenção 1: alguém que deveria cuidar para que o piso estivesse seco, não cuidou. Na ocasião, o gerente da filial socorreu prontamente a consumidora (graças à Deus!) mas cometeu um pequeno deslize: prometeu que o Bompreço arcaria com todas as despesas. Atenção 2: alguém fez o que não deveria ter feito! Resultado inicial: após operações e sofrimentos, a consumidora ajuizou uma ação de indenização material e moral.


Na contestação, o Bompreço sustentou que a culpa foi exclusivamente da vítima e defendeu que a consumidora procurasse seus direitos com a seguradora Unibanco Seguros (ou seja, "lavou as mãos"). Atenção 3: novamente alguém fez o que não deveria ter feito! Resultado: o Bompreço e o Unibanco foram condenados a pagar pelos danos materiais e morais.


Mas e a comunicação com isso? Na hora de fazer um informativo interno sobre o ocorrido ou mesmo redigir uma resposta para os jornais locais, vale a pena conhecer um pouco da Lei. E na próxima ação de comunicação interna, que tal alinhar questões de segurança interna junto ao pessoal responsável? Que tal uma palestra para a equipe da loja, em conjunto com a equipe de treinamento de RH? Garanto que a ação vai ser muito mais em conta do que os 30 mil reais pagos como indenização à consumidora (que nunca mais vai voltar ao Bompreço do bairro, com certeza).


Isso sem falar na imagem do supermercado como um local desleixado nos itens básicos de segurança e cuidados com o cliente. Outra dor de cabeça para quem cuida da reputação e da imagem da organização...