
Não vejo como ser possível uma verdadeira mudança na busca da sustentabilidade sem uma revisão de valores e modelos de vida, trabalho, produção e relacionamentos. Nesse sentido, lembro das "Três Ecologias" de Félix Guattari (1990) onde o autor coloca como necessária a inclusão da ecologia ambiental, social e mental como uma base para a recomposição de práticas relacionais capazes de dar conta à crise ambiental de nossa civilização.
Ninguém pode "salvar o planeta" ou "mudar o mundo", entre outros slogans do gênero - tão em pauta atualmente através da propaganda, se não estiver consciente de que a saúde individual e coletiva começa na maneira como nos entendemos, como nos relacionamos com nosso próprio eu e nessa construção, como nos relacionamos com o outro. Não enquanto distantes, separados, mas como interdependentes (do coletivo e da "natureza").
Nas empresas, um movimento básico seria o de construir ambientes de trabalho capazes de refletir o cuidado e a atenção necessária ao colaborador-cidadão. Diálogo, atenção e percepção de afetos costumam ser vistos como perda de tempo ou assuntos que não fazem parte do universo corporativo. Ledo engano, visão arcaica. O desafio é começar a cuidar da saúde integral da organização, não só com oferecimento de benefícios, mas com espaço para trabalhar temas de Direitos Humanos, da diversidade e entre questões mais complexas, até da psicologia ou da realidade social e que afetam a capacidade de uma pessoa em produzir e trabalhar, alcançando suas potencialidades (o que certamente interessa à qualquer organização).
Nesse sentido, temas como racismo, homossexualidade, aborto poderiam ser tratados dentro de programas inovadores de relações humanas e cuidado (seja da área de saúde e segurança, seja da área de sustentabilidade ou mesmo de RH, citando departamentos que poderiam estimular tal abordagem). Certamente, uma proposta inovadora. Contudo, é de inovação que precisamos quando enfrentamos um crise mundial de proporções e consequencias ainda desconhecidas e cujo reflexo ambiental, social e...mental afetará a todos os atores sociais, indiscriminadamente.
Certamente, temas difíceis, mas que não cabem apenas "da porta pra fora" dos negócios. A economia, tão cara aos olhares atenciosos dos gestores financeiros, recebe grande influência dessas dimensões tão pouco discutidas ou comunicadas no espaço empresarial.
Um bom exemplo atual é o da CPFL, com seu Café Filosófico, espaço criado para uma rica reflexão com a troca de vivências através da apresentação de filósofos, artistas, escritores e psicólogos. Bom começo para uma longa caminhada que temos pela frente, se realmente o discurso da sustentabilidade for pra valer.
(Ref. da foto: Women on Waves ORG)

3 comentários:
Em "Cultura e Empresas" a pesquisadora Livia Barbosa (2002) diz que o lucro continua sendo o que move a empresa, mas que para obtê-lo, as políticas de gestão, as relações produtivas e a percepção e a organziação do trabalho precisam ter uma perspectiva que vai além da mera "geração de riquezas" pois isso é que faz a "realidade organizacional de hoje um fenômeno novo e complexo" (P.48).Mas certamente, não siginifica a mudança das empresas em centros de um novo humanismo.O futuro dirá! Boa discussão!ABS.
JH
Temos que avançar muito em educação para ter uma saúde adequada.
Tem umas mensagens bem bacanas no Guia de Mulher.
<a href='http://www.guiademulher.com.br/ver_dica.php?cid=mensagem-de-amor-1>Mensagens de Amor</a>
Grande desafio!
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