sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Saúde organizacional. Uma questão de sustentabilidade.




Não vejo como ser possível uma verdadeira mudança na busca da sustentabilidade sem uma revisão de valores e modelos de vida, trabalho, produção e relacionamentos. Nesse sentido, lembro das "Três Ecologias" de Félix Guattari (1990) onde o autor coloca como necessária a inclusão da ecologia ambiental, social e mental como uma base para a recomposição de práticas relacionais capazes de dar conta à crise ambiental de nossa civilização.


Ninguém pode "salvar o planeta" ou "mudar o mundo", entre outros slogans do gênero - tão em pauta atualmente através da propaganda, se não estiver consciente de que a saúde individual e coletiva começa na maneira como nos entendemos, como nos relacionamos com nosso próprio eu e nessa construção, como nos relacionamos com o outro. Não enquanto distantes, separados, mas como interdependentes (do coletivo e da "natureza").


Nas empresas, um movimento básico seria o de construir ambientes de trabalho capazes de refletir o cuidado e a atenção necessária ao colaborador-cidadão. Diálogo, atenção e percepção de afetos costumam ser vistos como perda de tempo ou assuntos que não fazem parte do universo corporativo. Ledo engano, visão arcaica. O desafio é começar a cuidar da saúde integral da organização, não só com oferecimento de benefícios, mas com espaço para trabalhar temas de Direitos Humanos, da diversidade e entre questões mais complexas, até da psicologia ou da realidade social e que afetam a capacidade de uma pessoa em produzir e trabalhar, alcançando suas potencialidades (o que certamente interessa à qualquer organização).


Nesse sentido, temas como racismo, homossexualidade, aborto poderiam ser tratados dentro de programas inovadores de relações humanas e cuidado (seja da área de saúde e segurança, seja da área de sustentabilidade ou mesmo de RH, citando departamentos que poderiam estimular tal abordagem). Certamente, uma proposta inovadora. Contudo, é de inovação que precisamos quando enfrentamos um crise mundial de proporções e consequencias ainda desconhecidas e cujo reflexo ambiental, social e...mental afetará a todos os atores sociais, indiscriminadamente.


Certamente, temas difíceis, mas que não cabem apenas "da porta pra fora" dos negócios. A economia, tão cara aos olhares atenciosos dos gestores financeiros, recebe grande influência dessas dimensões tão pouco discutidas ou comunicadas no espaço empresarial.


Um bom exemplo atual é o da CPFL, com seu Café Filosófico, espaço criado para uma rica reflexão com a troca de vivências através da apresentação de filósofos, artistas, escritores e psicólogos. Bom começo para uma longa caminhada que temos pela frente, se realmente o discurso da sustentabilidade for pra valer.


(Ref. da foto: Women on Waves ORG)

3 comentários:

Anônimo disse...

Em "Cultura e Empresas" a pesquisadora Livia Barbosa (2002) diz que o lucro continua sendo o que move a empresa, mas que para obtê-lo, as políticas de gestão, as relações produtivas e a percepção e a organziação do trabalho precisam ter uma perspectiva que vai além da mera "geração de riquezas" pois isso é que faz a "realidade organizacional de hoje um fenômeno novo e complexo" (P.48).Mas certamente, não siginifica a mudança das empresas em centros de um novo humanismo.O futuro dirá! Boa discussão!ABS.
JH

Mensagens - Guia de Mulher disse...

Temos que avançar muito em educação para ter uma saúde adequada.

Tem umas mensagens bem bacanas no Guia de Mulher.

<a href='http://www.guiademulher.com.br/ver_dica.php?cid=mensagem-de-amor-1>Mensagens de Amor</a>

Tatiana Maia Lins / Makemake disse...

Grande desafio!